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O Astrônomo apontou com a mão livre o fundo do pátio para um grupo de pessoas. Uma dúzia delas mais ou menos carregou uma jaula grande na direção do altar.

A criatura que estava dentro dela era imensa. Seu corpo peludo, com forma de salsicha, era rastejante e apoiado por muitas pernas curtas. A fera era em grande parte boca e dentes brilhantes como a estátua no vestíbulo. Tinha dois olhos grandes e pretos, e orelhas pequenas, que ficavam dobradas contra a cabeça. Spector reconheceu-a como uma das monstruosidades alienígenas.

O homem continuou a gritar e implorar. Estava a uma distância curta da boca aberta do bicho. A jaula foi lentamente empurrada para a frente até a cabeça do homem estar entre as barras de ferro. As mandíbulas da criatura fecharam de uma vez, interrompendo o grito final.

O Astrônomo ergueu o cadáver decapitado, cortando as cordas que o prendiam. O sangue do homem jorrava sobre sua pele e robe. O corpo do Astrônomo ficou forte e sua pele brilhou com uma vitalidade anormal enquanto continuava a entoar as palavras. Tirou a mão do peito do homem e levantou-a acima da cabeça, então lançou um objeto aos pés de Spector. O coração fora removido com precisão cirúrgica. Spector tinha visto filmes de cirurgiões psíquicos, mas nada tão espetacular assim.

O velho caminhou para a jaula e olhou para a coisa dentro dela.

— TIAMAT, por meio do sangue dos vivos, eu me torno seu mestre. Não poderá ter segredos comigo.

A criatura gemeu suavemente e afastou-se do Astrônomo o máximo que a jaula permitiu. O corpo do Astrônomo enrijeceu-se, sua respiração diminuiu. Por muito tempo, nada se moveu. Então, o velho apertou os punhos e gritou. Era um uivo diferente de tudo que Spector tinha ouvido antes.

O Astrônomo avançou sobre o cadáver e começou a rasgá-lo, lançando pedaços de carne e vísceras como um turbilhão. Correu de volta para a jaula e enterrou os dedos na cabeça da criatura. Ela tentou livrar-se, mas não conseguia morder nenhum braço do Astrônomo. O Astrônomo uivava e girava com maldade a cabeça da coisa. Um estalo alto, e o pescoço se partiu. O velho desabou no chão.

Spector ficou paralisado, enquanto os outros correram na direção do Astrônomo. A cena sangrenta o inundara com um brilho intoxicante. Ele conseguia sentir a necessidade de matar crescendo rápido e forte dentro dele, dominando seus outros pensamentos. Ele se virou para a garota no altar.

— Não! — O Astrônomo aprumou-se e inclinou-se para a frente. — Ainda não.

Spector sentiu uma calma tomando conta dele. Sabia que o Astrônomo estava causando aquilo.

— Você fez isso comigo. Tenho que matar logo. Preciso disso.

— Claro. Claro, eu sei. Mas espere. Espere e será melhor do que você pode imaginar. — Ele cambaleou e respirou profundamente várias vezes. — TIAMAT não se revela tão facilmente. Ainda assim, precisei tentar. — O Astrônomo gesticulou para os outros no pátio e eles, rapidamente, saíram.

— O que estava tentando fazer com aquela coisa? Por que você a matou? — Spector perguntou, tentando controlar seu desejo.

— Estava tentando entrar em contato com TIAMAT por meio de uma de suas criaturas menores. Fracassei. Por isso, era inútil para nós. O Astrônomo tirou o robe e virou-se para a mulher. Correu os dedos cobertos de sangue entre os pelos púbicos escuros dela, então pousou as duas mãos em seu abdômen. Enquanto se apoiava nela, deslizou as mãos sob sua pele e começou a esmagar os órgãos internos. A mulher choramingava, mas não gritava. Aparentemente, estava desorientada demais para aceitar o que estava acontecendo com ela.

Spector assistiu ao ato com certa preocupação. Pelo que podia notar, o homem estava massageando a si mesmo dentro do corpo da loira. Spector tinha apenas um interesse moderado em sexo antes de morrer. Agora, mesmo esse interesse desaparecera.

Se quisesse atirar no velho, provavelmente não teria chance melhor. Ele pegou a arma. Quando o fez, a necessidade de matar o dominou. O Astrônomo dissipou sua influência calmante. Spector tirou a mão do casaco. Sabia do que precisava. A satisfação agora era o que vinha do cano da arma.

O Astrônomo ficava cada vez mais excitado. As rugas da sua testa começaram a pulsar visivelmente, e ele rasgava pequenos pedaços da mulher. Agora a mulher gritava.

Spector sentiu seu desejo crescer em harmonia com o do velho.

— Agora — disse o Astrônomo, investindo de modo selvagem. — Mate-a agora.

Spector aproximou-se, seu rosto apenas a poucos centímetros do dela. Conseguia ver o medo nos olhos da prostituta e estava certo de que ela conseguia ver a morte nos olhos dele. Ele entregou sua morte a ela. Lentamente. Não quis afogá-la, seria rápido demais. Ele preencheu a mente e o corpo da mulher. Ela se retorcia, receptáculo berrante do líquido preto e viscoso da morte.

O Astrônomo gemeu e caiu sobre ela, sacudindo Spector de seu estado de transe. Ele arrancava pedaços dela com os dentes e as mãos. A mulher estava morta.

Spector afastou-se e fechou os olhos. Nunca tinha desfrutado do ato de matar até agora, mas a satisfação e o alívio que sentira estavam além do que ele havia pensado ser possível. Tinha controlado seu poder, feito com que ele o servisse pela primeira vez. E sabia que precisava do Astrônomo para ser capaz de fazê-lo novamente.

— Ainda quer me matar? — O Astrônomo ergueu-se, exausto, do cadáver. — Acredito que a arma ainda esteja no seu casaco. É ela ou isto. — Ele ergueu uma das moedas.

Não havia chance real. Quaisquer dúvidas foram apagadas por aquilo que ele acabara de vivenciar. Pegou a moeda sem hesitação.

— Ei, todo mundo em Nova York tem um revólver. Esta cidade é cheia de pessoas bem perigosas.

O Astrônomo deu uma gargalhada alta, o som ecoou para fora dos muros de pedra.

— É apenas o primeiro passo. Com minha ajuda, você será capaz de coisas que nunca sonhou serem possíveis. De agora em diante, você não será mais James Spector. Nós, do círculo interno, chamaremos você de Ceifador. Para aqueles que se opuserem a nós, você será a morte. Rápida e implacável.

— Ceifador, gostei, é sonoro. — Ele concordou com a cabeça e enfiou a moeda no bolso.

— Confie apenas naqueles que se identificarem com a moeda. Seus amigos e inimigos são escolhidos por você agora. Passe a noite aqui, se quiser. Amanhã continuaremos suas aulas.

O Astrônomo pegou o robe e retirou-se para o fundo do pátio.

Spector esfregou as têmporas e caminhou para trás do prédio. A dor começou a crescer novamente. Ele a aceitava, até mesmo a amava. Seria a fonte de seu poder e satisfação. Havia tirado a rainha negra e sofrera uma morte terrível, mas um milagre ocorrera. Seu dom para o mundo seria o horror dentro dele. Talvez não fosse o bastante para o mundo, mas era o bastante para ele.

Ele se enroscou sob a estátua no vestíbulo e dormiu o sono dos mortos.

Jube: Quatro

No terceiro andar do Crystal Palace havia câmaras privadas que Crisálida reservava para si. Ela esperava por ele numa sala de estar, sentada numa poltrona estofada de veludo vermelho atrás de uma mesa de carvalho. Crisálida fez um gesto na direção de um assento. Ela não perdia tempo.

— Você provocou minha curiosidade, Jubal.

— Não sei do que está falando — disse Jube, relaxando na ponta de uma cadeira com encosto de couro.

Crisálida abriu um antigo moedeiro de seda e tirou um punhado de pedras preciosas. Ela as alinhou sobre a toalha de mesa branca.

— Duas safiras estreladas, dois rubis e um diamante azul e branco perfeito — disse ela com voz seca e fria. — Todos não lapidados, da mais alta qualidade, nenhum pesando menos de quatro quilates. Todas apareceram nas ruas do Bairro dos Curingas dentro das últimas seis semanas. Curioso, não é mesmo? O que você conclui disso?