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Você chegou longe, Tommy, ele pensou, com amargura. E, agora, Barbara Casko se casaria com Steve Bruder.

Não podia culpá-la. Ele não podia culpar ninguém, além de si mesmo. E, talvez, o Jetboy, e o Dr. Tachyon… sim, poderia culpá-los um pouco também.

Tom virou-se para sair e deixou as cortinas caírem de volta na frente da janela, sentindo-se um merda. Caminhou até a cozinha e abriu a típica geladeira de solteiro. Sem cerveja, apenas um dedo de um refrigerante Shop Rite sem gás no fundo de uma garrafa de dois litros. Arrancou o papel-filme de uma tigela com salada de atum, pretendendo fazer para si um sanduíche para o café da manhã, mas havia uma coisa verde crescendo sobre ela. De repente, ele perdeu o apetite.

Tirou o telefone de parede do gancho, discou os sete números familiares. No terceiro toque, uma criança atendeu.

— Aiô?

— Oi, Vito — Tom disse. — Seu velho está em casa?

Ele escutou o som da extensão sendo atendida.

— Alô? — uma mulher disse. A criança deu uma risadinha. — Já peguei aqui, meu amor — Gina falou.

— Tchau, tchau, Vito — Tom falou, enquanto a criança desligava.

Vito — Gina falou, soando irritada e se divertindo ao mesmo tempo. — Tom, você é louco, não é? Por que quer confundir o menino o tempo todo? Da última vez foi Giuseppe. O nome dele é Derek.

— Bah — Tom respondeu. — Derek, que tipo de nome é esse? Dois belos filhos de italianos como você e o Joey, e vocês dão o nome pra criança de um palhaço de uma novela. Dom teria um treco. Derek DiAngelis — parece uma crise de identidade ambulante.

— Então, faça um filho pra você e ponha nele o nome Vito — Gina retrucou.

Era apenas uma piada. Gina também só estava brincando, ela não quis dizer nada mais com isso. Mas saber disso não ajudou. Ele ainda sentia como se tivesse tomado um chute no estômago.

— O Joey tá aí? — perguntou de forma brusca.

— Está em San Diego — ela respondeu. — Tom, tudo bem com você? Parece estranho.

— Estou bem. Só queria falar um “oi”. — Claro que Joey estava em San Diego. Joey viajava muito nessa época, safado sortudo. Joey DiAngelis “Ferro-velho” era um motorista estrela no circuito Derby de demolição, e no verão o circuito ia para climas mais amenos. Era um tipo de ironia. Quando eram crianças, mesmo seus pais imaginavam que Tom fosse aquele que sairia da cidade, enquanto Joey ficaria em Bayonne e cuidaria do ferro-velho do pai. E agora Joey era conhecido em quase todos os lugares, enquanto o ferro-velho de sua família pertencia a Tom. Era de se imaginar: até mesmo na escola primária, Joey era um demônio nos carrinhos bate-bate. — Bem, diga a ele que eu liguei.

— Eu tenho o número do hotel em que ele está — ela ofereceu.

— Não, obrigado. Não é tão importante. Até mais, Gina. Cuide bem do Vito. — Tom pousou o telefone no gancho.

As chaves do carro estavam no balcão da cozinha. Ele vestiu um casaco de camurça marrom meio disforme e saiu para a garagem no porão. A porta se fechou automaticamente atrás do seu Honda verde-escuro. Ele seguiu para leste na First Street, passou os projetos habitacionais e virou na Lexington. Na Fifth Street, pegou à direita e deixou a área residencial para trás.

Era um sábado frio e cinzento de março, com neve no chão e o frio invernal no ar. Estava com 41 anos e Barbara estava se casando, e Thomas Tudbury precisava voltar para a carapaça.

Eles se encontraram na Junior Achievement, organização de educação prática para os negócios, formados em dois colégios diferentes.

Tommy tinha pouco interesse em saber como o sistema de empresas livres funcionava, mas tinha muito interesse em garotas. Sua escola secundária era apenas de garotos, mas a JA atraía gente de todas as escolas secundárias locais, e Tom entrou inicialmente como primeiranista.

Tinha grande dificuldade em fazer amizade com garotos, e as garotas o aterrorizavam. Não sabia o que dizer para elas e ficava com medo de falar algo estúpido, então ficava quieto. Após poucas semanas, algumas começaram a provocá-lo. A maioria apenas o ignorava. As reuniões de terça-feira à noite tornaram-se algo que ele temeu durante todo o primeiro ano.

No último ano foi diferente. A diferença era uma garota chamada Barbara Casko.

Na primeira reunião, Tom estava sentado num canto, sentindo-se rechonchudo e triste, quando Barbara veio até ele e se apresentou. Ela era honestamente amigável; Tom ficou estupefato. Realmente incrível, e ainda mais surpreendente do que esta garota se desviar do seu caminho para ser gentil com ele era ela ser a garota mais linda da empresa, e talvez a mais linda de Bayonne. Tinha cabelos loiro-escuros que caíam sobre os ombros com as pontas curvadas para cima, e olhos azul-claros, e o sorriso mais caloroso do mundo. Vestia suéteres de angorá, nada muito apertado, mas mostravam muito bem sua figura pequena e bela. Era bonita o suficiente para ser líder de torcida.

Tommy não foi o único que ficou impressionado com Barbara Casko. Quase imediatamente, ela se tornou presidente da empresa da JA. E, quando seu mandato expirara, após o Natal, e chegara o tempo de novas eleições, ela o nomeou para sucedê-la como presidente, e ela era tão popular que, de fato, o elegeram.

— Chame-a para sair — Joey DiAngelis disse em outubro, quando Tom ficou nervosíssimo para falar sobre ela. Joey tinha saído da escola um ano antes. Estava treinando como mecânico numa oficina na Avenue E. — Ela gosta de você, cabeça de bosta.

— Fala sério — Tom disse. — Por que ela sairia comigo? Você precisava vê-la, Joey, poderia sair com qualquer um que quisesse. — Thomas Tudbury nunca tivera um encontro na vida.

— Talvez ela tenha mau gosto — Joey falou, rindo.

Mas o nome de Barbara surgiu novamente. Joey era o único com quem Tom podia falar, e Barbara foi seu único assunto naquele ano.

— Dá um tempo, Tuds — Joey falou numa noite de dezembro, quando bebiam cerveja dentro do velho e decadente Packard, ao lado da baía.

— Se você não a convidar, eu convido.

Tommy odiou aquela ideia.

— Ela não faz seu tipo, italianinho bobo.

Joey sorriu, malicioso.

— Pensei que tinha dito que ela era uma garota.

— Ela faz faculdade, quer ser professora.

— Ah, esquece essa merda. Ela tem peitão?

Tom deu um murro no ombro dele.

Em março, quando ainda não havia chamado Barbara para sair, Joey disse:

— Que diabos você tá esperando? Ela te nomeou presidente da bosta da sua empresinha, não? Ela gosta de você, babaca.

— Só porque ela sabia que eu seria um bom presidente da empresa não significa que ela quer sair comigo.

— Chama ela, cabeça de bosta.

— Talvez — Tom disse, desconfortável. Duas semanas depois, numa quarta-feira à noite após uma reunião na qual Barbara estava especialmente gentil, ele chegou ao ponto de tentar encontrar o número dela na lista telefônica. Mas nunca telefonou.

— Há nove Casko diferentes na lista — falou para Joey quando se encontraram. — Não tenho certeza qual é o dela.

— Liga pra todos, Tuds. Que saco, eles todos são parentes.

— Vou me sentir um idiota — Tom comentou.

— Você é um idiota — Joey retrucou. — Olha só, se é tão difícil, da próxima vez que encontrar com ela peça o número do telefone.

Tom engoliu seco.

— Mas daí ela vai pensar que quero chamá-la pra sair.

Joey gargalhou.

— E daí? Você quer mesmo chamá-la pra sair!

— Só não tô pronto ainda, é isso. Não sei como. — Tom estava infeliz.

— É fácil. Telefona e, quando ela atender, você diz “Oi, aqui é o Tom, quer sair comigo?”.

— E se ela disser não?