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— Vai me cumprimentar a contento ou seus anos na Terra empobreceram suas boas maneiras?

Ele se ergueu com dificuldade, fez uma mesura e abaixou-se com um joelho ao chão diante da mulher. Seus dedos longos e secos envolveram o rosto dele, puxando-o para perto, e os lábios murchos beijaram-lhe a testa.

— Você nem sempre foi silencioso. Em casa, seu tagarelar era considerado um defeito. — Ele permaneceu quieto, sem querer perder a compostura fazendo a primeira pergunta. — Sedjur disse que você aprendeu a lutar. A Terra lhe ensinou também a esconder sua opinião?

— Rabdan tentou me matar.

Ela não ficou desconcertada pela aspereza da declaração, tampouco insultada pelo tom hostil, direto.

— Nem todos receberiam bem seu retorno a Takis.

— E Zabb está a bordo.

— E daí você pode tirar suas próprias conclusões.

— Eu sei. — Ele desviou o olhar, a repulsa espalhada sobre o fundo da língua como um gosto de podridão. — Não voltarei, nem os seres humanos vão para lá.

Os dedos finos fecharam-se como garras no queixo dele e forçaram-no a encará-la.

— Você é um rapaz ressentido. Que me diz sobre sua obrigação e responsabilidades perante a família?

— E o que dizer sobre minha busca pela virtude? — ele retrucou, jogando para ela o outro princípio igualmente importante e extremamente contraditório da vida takisiana.

— O tempo não parou em casa enquanto você se divertia na Terra. Quando você desapareceu, Shaklan suspeitou que havia seguido a nave até a Terra. Mas você não estava sozinho em sua preocupação sobre o grande experimento. Outros observavam, mas em vez de se adiantar para impedir o lançamento, eles atacaram a fonte. L’gura, aquele animal sem mãe, formou uma coalizão de 15 outras famílias, e eles vieram.

Ela encarou suas mãos, e de repente pareceu muito velha.

— Muitos morreram no ataque. Mas por Zabb, eu acho, todos poderíamos ter morrido.

Tach mordeu o lábio inferior, retendo as desculpas por sua ausência.

— Você nunca se perguntou, enquanto os anos passavam e nós não vínhamos, o que podia ter acontecido?

Uma lâmina fria parecia se retorcer em sua barriga, e ele forçou:

— Meu pai?

— Um ferimento na cabeça. A carne vive, mas a mente se foi.

Uma dormência tomou conta dele, e a lembrança das palavras dela pareciam chegar a ele de uma longa distância.

— Sem você, Zabb fez agitação pelo cetro, mas muitos temeram sua ambição. Para bloquear sua ascensão, seu tio Taj manteve a regência, mas foi decidido que você precisava ser encontrado, pois há dúvida sobre quanto tempo mais o corpo de Shaklan poderá continuar…

Manhãs tão frias, e seu pai deixava um cone de papel cheio de nozes torradas na sua mão, enquanto um vendedor de rua se balançava e sorria para os nobres… Balançando com tristeza numa porta, enquanto Shaklan conduzia negócios e esquecia que prometera ensinar o filho a cavalgar naquele dia. O término da reunião e os braços bem abertos. Correndo para aquele abraço, sentindo-se seguro enquanto aqueles braços poderosos o envolviam, e a cócega de uma gravata de babados contra sua bochecha, e o calor, o cheiro masculino coberto com o tempero de sua colônia…

A dor indescritível quando o pai o atingiu na coxa durante uma de suas sessões de treinamento psíquico. As lágrimas que derramaram quando Shaklan tentou explicar por que tinha feito aquilo. Que Tisianne precisava ser capaz de aguentar qualquer coisa deste lado da morte sem perder o controle mental. Algum dia sua vida poderia depender daquilo… O tremeluzir da luz da lareira na superfície marcada de seu rosto quando eles dividiam uma garrafa de vinho, e choravam, a noite que eles souberam do suicídio de Jadlan.

Tach cobriu o rosto com as mãos e soluçou. Benaf’saj não se moveu, física ou mentalmente, para aliviar sua angústia, e ele a odiou por isso. A tempestade consumiu-se e ele limpou os olhos lacrimejantes e o nariz escorrendo com um lenço oferecido por sua muitas vezes tataravó. Seus olhos se encontraram e ele viu nos dela… dor? Mal podia acreditar naquilo, e o momento passou antes que pudesse ter certeza da realidade daquilo que tinha visto.

— Tomaremos o caminho de casa assim que tivermos limpado a área dos brotos. Não estamos armados o suficiente para combater um ataque de uma das devoradoras, e nossas coberturas devem cair antes de podermos entrar no voo-fantasma. É uma vergonha — continuou a ponderação — que pudemos salvar tão poucas espécimes. É provável que T’zan-d’ran destrua este mundo.

A cabeça dele se moveu rapidamente, negando.

— Você discorda?

— Acho que os humanos podem surpreender vocês.

— Duvido. Mas ao menos reunimos nossos dados. — Ela o agulhou com um olhar frio e cinzento. — Claro, você terá o controle da nave, mas, por favor, não aborde os humanos. Isso apenas os agitará e trará dificuldades para se adaptarem à nova vida.

Ela deu ordens telepáticas e uma mulher esguia entrou na sala. Tach percebeu, com um susto, que a última vez que ele a tinha visto ela era uma garotinha rechonchuda de 5 anos, cuidando de uma bela família de bonecas e fazendo-o prometer que se casaria com ela quando crescesse para que pudessem ter bebês lindos. Agora, ela nunca se casaria. O fato de estar na nave, e não seguramente protegida nos alojamentos femininos, significava que era bitshuf’di, uma das neutralizadas que fora destinada a carregar recessivos perigosos, ou tinha valor genético insuficiente para ser autorizada a procriar.

Seus olhos piscaram (com tristeza?… era difícil medir a emoção, de tão rápido que aconteceu) sobre ele, e ela fez uma mesura.

— Sire, se você me acompanhar.

Ele fez a Benaf’saj uma reverência final e seguiu os passos de Talli, ponderando como quebrar o silêncio. Decidiu que uma conversa fiada seria inadequado — claro que ela cresceu, passaram-se décadas!

— Nenhum cumprimento, Talli? — O corredor curvou-se à frente deles, reluzindo como madrepérola polida, enquanto espiralavam cada vez mais fundo no coração da nave.

— Você não fez nenhum na despedida.

— Foi algo que precisei fazer.

— Outros também vivem com esse mandamento. — Ela olhou nervosamente ao redor e entrou no modo telepático, impenetrável e íntimo. — Zabb queria você morto. Não coma ou beba nada que não seja eu a trazer, e tome cuidado. Ela encaixou uma pequena adaga afiada na mão dele, que a escondeu rapidamente na manga da camisa.

Suspeitei disso. Mas obrigado pelo aviso e pela arma.

Ele vai me matar se suspeitar.

Ele não vai saber por mim. Nunca foi páreo nas artes mentais.

Mas ela olhou em dúvida, e ele percebeu com constrangimento como seus escudos estavam relaxados. Ele os fortaleceu, e ela balançou a cabeça, aliviada.

Melhor assim.

Não, é terrível. É uma situação horrível.

Olhou para ela com seriedade.

Não tenho a intenção de voltar para Takis.

Chegaram à porta da cabine, e a nave, obediente, abriu-se para ele.

Ela pousou as mãos nos ombros dele e insistiu.

Você precisa. Precisamos de você.

E, enquanto a porta fechava como uma lente, ele decidiu que talvez ela não fosse tão aliada assim no fim das contas.

Tom Tudbury estava tendo um dos piores dias da sua vida. O pior dia fora 8 de março, quando Barbara casou-se com Steve Bruder, mas aquele era praticamente o segundo pior. Estava a caminho da clínica de Tachyon com o aparelho estranho que havia pegado do punk, quando uma estranha nave, parecendo uma concha de molusco, pairou sobre as nuvens, ao lado dele, e o convidou a bordo. Talvez convidou não fosse a palavra certa; obrigou estava mais próximo da realidade. Garras gélidas pareciam agarrar sua mente, e ele flutuou calmamente a carapaça para dentro das portas escancaradas de um compartimento de carga. Não se lembrava de nada até se encontrar em pé numa sala gigantesca, a carapaça pousada ao lado.