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Tachyon voltou à sua cabine e estirou-se de bruços sobre a cama, queixo apoiado nas mãos, e tentou decidir o que fazer. A breve conversa com Zabb indicou não apenas perigo a ele, mas também aos seres humanos. Era óbvio que serviriam de cobaias, apesar das observações de Benaf’saj.

Não demorou muito para identificar a nave como a Hellcat, a embarcação favorita e mais amada do primo. Assim, uma tentativa de assumir a nave seria inútil. Não havia maneira de ele conduzir aquela nave. Ainda conseguia se lembrar do dia em que os cultivadores de nave chamaram para dizer que seria melhor retroceder com a mais nova nave do primo para que pudessem começar de novo. Ela era selvagem, arrogante, extremamente indomável. Aquilo foi o bastante para Zabb. Mesmo entre as outras famílias, notoriamente sovinas com os elogios, ele era conhecido como o treinador de naves mais brilhante do planeta. E não conseguia resistir a um desafio. Tisianne, com 9 anos, esteve presente com seu pai no centro de treinamento orbital. Zabb entrou na nave, os poderosos feixes de luta foram liberados, e a nave começou a fugir na direção geral do centro galáctico. Ninguém sequer esperava ver Zabb novamente, mas duas semanas depois a nave e o takisiano voltaram com dificuldade para casa, e nada poderia ser mais dócil que o comportamento da Hellcat quando sob o comando de seu conquistador. Era nave de um homem só.

Bem do jeito que Baby é comigo, pensou Tach, na defensiva.

O problema era que a nave não poderia ser controlada apenas por meros poderes psíquicos. Além disso, era uma nave militar, o que significava que havia de fato consoles de controle embutidos no casco de forma que, se fosse muito danificada, a tripulação poderia ser capaz de cuidar dela até voltar para casa. Mas se ele tentasse tomar a nave usando os consoles, ela simplesmente desconsideraria suas ordens e gritaria por Zabb. E, embora ele pudesse enfrentar Zabb num confronto mental homem a homem, havia 19 outros takisianos na nave.

Então, o que fazer? Benaf’saj estava mesmo no comando. E, se precisasse dar a ordem de levar Tachyon e os prisioneiros para a Terra… Ele rolou para fora da cama e saiu em busca da sua Kibr.

Ela estava na ponte, olhando furiosamente para Andami, enquanto Sedjur olhava com desdém para uma projeção que Hellcat lançava gentilmente no chão. O homem mais novo se contorcia.

— Faça o favor de explicar para mim por que você administrou uma substância desconhecida num prisioneiro?

— Foi Rabdan quem fez isso — Adami disse, mal-humorado.

— Então, os dois são estúpidos, ele por fazê-lo e você por permiti-lo. Agora temos uma criatura alienígena com capacidades desconhecidas solta pela nave.

— Ele está se movendo de novo — Sedjur irritou-se. — Está no nível cinco. Não, voltou para dois. Agora está na sua cabine.

A boca de Benaf’saj torcia-se em desaprovação.

— Não sei por que todos estão tão irritados. Hellcat pode nos dizer onde ele está.

— Porque ele se move através de paredes e pisos, e quando chegamos num lugar, ele já se moveu de novo — a senhora explicou com paciência cuidadosa, como se estivesse falando com uma criança retardada.

Tach deu um passo adiante, tentando não chamar a atenção do triângulo na porta principal, agarrou o espaldar de uma cadeira de aceleração e enviou uma pequena linha. Ele tinha o dom de se insinuar através dos escudos, mas Benaf’saj teve muito mais que duzentos anos para aperfeiçoar os dela. Sua boca estava seca e ele conseguiu sentir a pulsação martelando na garganta quando atravessou a primeira barreira.

Segundo nível. Mais complexo aqui. Armadilhas postas para alguém descuidado que lançam o infiltrado em loops mentais infinitos até Benaf’saj achar adequado liberá-lo.

Ele rompeu um dos escudos e rapidamente teceu um desvio para cobrir seu erro. Ele se instalou como um floco de neve dançante no meio da cabeça de sua Kibr, atenuando a incisão irregular que deixara. Mais um vencido. Quantos níveis a velha diaba tem?

Brrrrrrang**********! Ele nunca via o golpe vindo. Tropeçou num alarme, uma lâmina branca e quente ergueu-se como uma onda de fogo, e despencou. Sentiu como cada sinapse de seu cérebro fora simultaneamente incinerada, e sua mente parecia chacoalhar no crânio como uma noz podre dentro da casca. Percebeu que deslizava para o chão para cair sentado, seus dedos arranhando o chão perolado da Hellcat. Bateu na parede, e o ar saiu dele numa rajada.

Benaf’saj olhou para ele, divertimento e irritação tremeluzindo no rosto. Ele conseguia sentir o sangue subindo para suas bochechas finas.

— Estou com meus escudos armados! — anunciou de forma intermitente e irracional. Estava se sentindo terrivelmente maltratado.

— Quem controla minha mente sou eu, rapaz idiota. E você não pode formar um escudo que eu não possa romper. Troquei suas fraldas quando você era um bebê chorão! Não há nada que eu não saiba sobre você! — Ela se virou, o repúdio escrito em cada linha do seu corpo frágil, e a humilhação ergueu-se para sufocá-lo. — Levem-no — ela lançou por sobre os ombros para Sedjur. — E desta vez tranque-o na cabine. — A última ordem foi direcionada à nave.

Sem expressão, Sedjur ofereceu a mão para ajudá-lo a se levantar, e o conduziu de volta para a cabina. Ele se apressou à frente, de cabeça baixa, ombros encolhidos, sentindo-se com 5 anos. O velho saiu, e Tach tomou vários goles deliberados do frasco cinza que carregava no cinto. O uísque ajudava a equilibrar seus nervos em frangalhos, mas não a melhorar seus processos mentais. Andou em círculos pela cabine luxuosa, tentando pensar num plano; entrando em pânico quando nada lhe ocorreu. Imaginando o que estava solto na nave. Perguntando-se.

Decidiu que determinaria precisamente quais humanos estavam sendo mantidos na nave. Tocou uma mente feminina familiar. Asta Lenser, a primeira bailarina do American Ballet Theater. Estava pensando num homem. Um homem que estava tendo um grande problema de desempenho. Enquanto seu corpo atarracado e suado se debatia sobre o dela, ela estava pensando como era irônico que um homem com seus poderes não conseguisse “levantar”. O homem mais temido em…

Envergonhado por sua intromissão e sentindo-se um voyeur, Tach retirou-se e continuou a busca. Não havia nada que parecesse com o lunático amigável que o abordara fora da clínica, e ele tinha a esperança de que o Viajante não tivesse sido considerado inútil e descartado. Tinha algo estranho. Uma mente tão bem bloqueada que era quase opaca. Nunca sentira isso sem uma sensação repentina de terror, mas rapidamente foi suprimida, e ele perdeu a fonte. Talvez fosse o intruso. Ele buscou ainda mais e encontrou…

— Tartaruga! — ele exclamou, surpreso e preocupado, fazendo com que ele se erguesse.

Ele estreitou e refinou sua sondagem, construiu uma penumbra para dar a ilusão para qualquer bisbilhoteiro mental de que estava dormindo, e fez contato. Era mais difícil do que esperava. Seu primeiro toque breve mostrou a ele um Tartaruga que ele não conhecia, e ele não queria perturbar o homem aparecendo de repente na cabeça dele. Começou a buscar maneiras para fazer com que ele aos poucos tomasse ciência da sua presença, ficando mais deprimido a cada momento que passasse. Emoções escuras, pesadas, rolavam como ondas viscosas, tristes pela mente do Tartaruga: medo, raiva, perda, solidão e uma sensação avassaladora de desesperança e futilidade.