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Sentindo-se como um intruso, e sem querer que Tartaruga pensasse que estava espiando em questões particulares que não lhe diziam respeito, ele tocou com firmeza os escudos primitivos do homem até que uma faísca de surpresa e interesse cuidadoso mostrou a ele que atraiu a atenção do Tartaruga.

Tartaruga.

Tacky, é você?

Sim. Ele sentiu desconfiança e suspeita. Machucava, e ele se perguntou novamente o que acontecera ao seu amigo mais antigo na Terra. Sou prisioneiro, como você.

Ah. Uma daquelas outras famílias de que você sempre falava?

Não, minha família. Vieram ver os resultados do experimento e me encontrar. A dúvida do Tartaruga era como uma lâmina rígida. O que posso fazer para te convencer de que não tenho parte nisso?

Talvez você não possa.

Meu amigo, você não costumava ser assim.

É mesmo. A amargura envolveu o pensamento. E eu não costumava ter mais de 40, e estar totalmente sozinho, e indo para lugar nenhum, a não ser na direção da morte.

Tartaruga, o que é isso? O que há de errado? Deixe-me ajudar.

Como você e todo o resto dos seus ajudaram quando trouxeram o vírus pra Terra? Não, obrigado.

A dor e a culpa antiga voltaram, mais forte do que foram em anos; anos durante os quais ele construiu a clínica, tornou-se mais famoso que odiado, amado por muitos dos seus “filhos”. Anos que cegaram as lâminas de sua culpa. Eram abertos um com o outro, e Tach pensou que sentiu no Tartaruga uma satisfação perversa com sua dor.

Como eles te capturaram?

Não foi muito difícil. Devem ter usado o controle mental, porque simplesmente voei na direção deles.

Aliás, o que estava fazendo lá fora? Tach disse, tentando de forma irritada e irracional mudar o foco da culpa para o Tartaruga.

Estava levando a porra da bola de boliche pra você, pensei que você quisesse jogar um pouco, que merda você acha que eu estava fazendo?

Não sei, por isso perguntei, retrucou Tach, seu tom mental tão grosseiro quanto o de Tartaruga.

Era a porra de uma bola de boliche esquisita que arranquei de uns garotos na rua.

Onde ela está agora?

Eles a tiraram da carapaça e a colocaram numa prateleira na sala.

Que sala? Me mostre.

A exasperação do Tartaruga era como ácido contra sua mente, mas ele forçou. E Tach realmente não sabia por que ele estava sendo tão insistente sobre o aparelho. Provavelmente apenas algo para desviá-lo de sua aflição presente.

Estou ponderando sobre a viabilidade de uma insurgência, disse ele, após uma longa pausa. Entre sua telecinesia, meu controle da mente e a adaga que minha sobrinha bisneta, Talli, me deu, penso que poderia conseguir. Fico feliz que você não tenha tentado ir embora antes.

Eu… não posso.

Desculpe?

Eu disse que não posso.

O passado voltou e, de repente, era ele, não o Tartaruga, dizendo aquelas palavras. Ele ficou em pé tremendo e chorando nos degraus do túmulo de Jetboy, tentando explicar que, embora quisesse ajudar, não poderia. O Tartaruga o atingira; o poder de telecinesia do ás atacando como um imenso punho invisível lançando-o escada abaixo. Mas ele não queria atingir o Tartaruga, queria apenas entender.

Por que Tartaruga? Por que não pode?

Estou sem minha carapaça. O Grande e Poderoso Tartaruga poderia deixar esses nojentos em pedacinhos, mas não eu. Eu sou apenas o velho e normal Tom. — Ele recuou, mas o restante do pensamento foi claramente até Tachyon.

Tom Tudbury.

Felizmente, o nome não significava nada para Tachyon. Então, a identidade secreta do Tartaruga ainda estava intacta para todos os fins.

Tudo bem, ele tranquilizou. Provavelmente não funcionaria de qualquer jeito. O plano dependeria de pegarmos um a um, e no minuto que você arrancasse a porta, a Hellcat gritaria para Zabb, e viriam todos para cima de nós. E, mesmo se conseguíssemos, eu voltaria exatamente no dilema originalcomo lidar com a Hellcat.

Quem?

A nave. Ela tem consciência.

Então, deve estar um pouco surpresa, pois tem um cara flutuando por aí dentro dela.

Você viu? O que…

— VOCÊ! — anunciou uma voz, preenchendo a palavra com toda a indignação palpitante possível.

Os olhos de Tach arregalaram-se, a concentração necessária para manter o elo telepático perdeu-se completamente. Uma figura azul brilhante e misteriosa surgiu no meio da cabine. Rapidamente ele rolou para fora da cama, a lâmina escorregando para baixo da manga até sua mão. Ele se pôs em posição de guarda, a lâmina e a mão livre sacudindo-se num padrão intrincado e confuso diante dele. De trás da barreira dos seus escudos mentais, lançou uma sonda telepática e encontrou um bloqueio mental poderoso.

— Tire isso daqui, seu homenzinho horrível! Você não pode me fazer mal.

— Não estou preocupado com isso. Estou um pouco mais preocupado sobre suas intenções para comigo.

A criatura levitou, seus olhos estranhos reluzindo como diamantes no rosto sem feições.

— É tudo sua culpa. Tentei manter aquele hippie entupido de droga longe deste rumo ultrajante, mas ele era intratável, extremamente intratável! Pai para os ases, de fato. Ele tem um muito bom que nunca encorajaria esse tipo de irresponsabilidade juvenil. O mundo teria ficado muito bem, de fato, sem sua interferência. Não foi o bastante você ter nos sujeitado a substâncias alienígenas estranhas e artificiais, agora precisa trazer sua família para o meio de nós? Uma tribo inteira da sua espécie! Nossa única esperança é que sejam tão fracassados e inúteis quanto você se mostrou. Primeiro você perde o vírus, então permite a liberação, ajuda a devastar e atormentar seus amigos e amantes na prisão, hospícios e…

— SILÊNCIO! — rugiu Tachyon. — Oh, Blythe — ele gritou, e o pensamento agiu como água numa fogueira, extinguindo sua ira inflamada e deixando para trás apenas uma confusão fria e lodosa de lama e cinzas.

Ainda assim, sua explosão pareceu fazer efeito no visitante. A boca do homem apertou-se bem firme, e ele respirava rapidamente através das narinas estreitas. Então, com dignidade suprema, começou a afundar através do chão. Por um instante, Tachyon observou, mas apenas por um instante. Aquele homem poderia ser útil, e ele o mandara embora de forma estúpida. Ele se orgulhava de sua astúcia e da capacidade de ler as pessoas e lidar com elas. Agora era o momento de testar quanto era real essa habilidade.

Ele deu um passo adiante.

— Não, espere, eu imploro, meu bom senhor. Permita-me me desculpar pela minha grosseria e falta de maneiras. — A aparição parou com apenas a cabeça e o torso visíveis no chão. — Não tive a honra de fazer as apresentações. Sou o Dr. Tachyon.

— Caminhante Cósmico.

— Queira me desculpar. Eu… eu fiquei sob uma carga muito grande de estresse hoje. Fui descuidado quando o senhor chegou, ou teria percebido sua força desde o início.

O Caminhante sorriu com afetação, então uma expressão de calma e sabedoria do Olimpo varreram suas feições. E Tachyon percebeu que não precisaria nem mesmo lutar pela sutileza. Com aquele homem, mesmo a mais flagrante bajulação serviria.