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— O senhor poderia ficar? Minha mente está uma confusão, e sinto de verdade que alguns momentos de conversa com o senhor me ajudariam.

O Caminhante flutuou graciosamente de volta para cima e sentou-se numa cadeira. Quando o fez, as linhas do seu corpo ficaram mais firmes e mais bem definidas. Então, ele pode ficar mais substancial, ponderou Tachyon.

— O senhor viu os outros prisioneiros?

— Sim. Quando aquele idiota patético do Viajante foi levado para a cabine, percebi um homenzinho gordo de jeans azul e camiseta, e uma jovem extremamente bela. — A ponta da língua apareceu entre seus lábios finos, umedeceu o lábio superior, e desapareceu.

— Onde o senhor estava?

— Eu estava… presente — disse ele, cuidadoso. — Felizmente, pude me libertar. Tenho calafrios de pensar o que poderia ter acontecido se um daqueles outros idiotas pretenciosos tivesse aparecido. Eles não têm a menor consideração com meu bem-estar. — Ele olhou direto para Tachyon, obviamente incluindo-o na sua afirmação.

Tach estava sem rumo com toda aquela conversa sobre outras pessoas e hippies entupidos de drogas. Meadows, talvez? Mas no momento ele estava menos preocupado com problemas metafísicos apresentados pelo Caminhante Cósmico e muito mais interessado nas suas capacidades únicas.

— Caminhante, acho que podemos escapar com sua ajuda e voltar à Terra.

— É? — A suspeita recobriu a palavra.

— Volte para a cabine onde o Tartaruga, o Capitão e a mulher estão sendo mantid…

— O Capitão não está mais lá.

— Hein?

Estou aqui.

— Ah… sim… bem, não importa. Vá até a cabine e diga a eles para ficarem prontos. Então, leve Zabb e seus comparsas até o final da nave. — Tachyon virou a cabeça para o lado e contemplou seu estranho aliado. — Seria mais rápido se o senhor não precisasse vir até aqui para me dar informações. Estaria disposto a retirar o bloqueio mental para que eu pudesse permanecer em contato telepático com o senhor?

— Não! Deixar um alienígena bisbilhoteiro dentro da minha cabeça? Isso está fora de questão.

Tachyon olhou para ele, exasperado.

— Não tenho interesse particular no que há dentro da sua cabeça. Estou interessado em…

A porta abriu, e o Caminhante se foi, mergulhando com elegância através da cadeira e do assoalho, ainda sentado. Zabb e outros cinco dos seus soldados entraram com alarido na sala. Tach fechou a boca e assumiu uma expressão de interesse inocente.

— Onde ele está? — disse Zabb entredentes.

Tach apontou um dedo para baixo.

— Ele foi naquela direção.

As coisas estavam ficando cada vez mais confusas. Primeiro o hippie desaparecera, então a aparição azul brilhante sumira, e os takisianos lançaram-se numa busca acalorada, senão um tanto desorganizada; então Tachyon o contatou, e agora ele interrompeu bruscamente a conversa telepática no meio. Tom tentou várias vezes refazer o contato com o amigo, chegou até mesmo a murmurar “Tach?”, diversas vezes. Olhou para cima, encontrou o olhar desconfiado de Asta e passou, envergonhado, a mão pelos cabelos.

— Eu… eu estava tentando contatar o Tach.

— Certo. — E o fato de que ela pensara claramente que ele fosse maluco não fez nada além de reforçar seu moral já estremecido.

Se o Tartaruga estivesse aqui, ela não estaria olhando para ele desse jeito, pensou, dividido entre o ressentimento e o cansaço. Estaria agarrada ao topo da carapaça por segurança, enquanto ele estourava a cabine, espalhando takisianos como pinos de boliche, resgataria Tach e voaria com eles para casa, triunfante. Ou, melhor, forçaria os takisianos a levarem-nos para casa. Não havia espaço na carapaça para passageiros, tampouco ele sabia quão selada ela era. Pareceria um verdadeiro idiota se todos ali sufocassem…

Apertou um punho entre as coxas, interrompendo os pensamentos atormentadores, mas inúteis. Não era o Tartaruga, era apenas Tom Tudbury, o garoto de Nova Jersey que em trinta anos havia conseguido mudar para uma casa dois quarteirões à frente. Fechou os olhos e observou as imagens escuras e fantasmagóricas de navios passando pelo Kill, com luzes que se refletiam nas águas escuras e invisíveis. E percebeu que finalmente estava prestes a viajar, mas não uma viagem de sua escolha.

Um grito agudo de Asta trouxe-o de volta. A criatura estava lá novamente.

— Sou o Caminhante Cósmico — anunciou, então fez uma pausa como se esperasse o som de trombetas. Asta e Tom olhavam para ele, fascinados. — Aquele homenzinho ridículo me mandou aqui para verificar o paradeiro de nossos captores, e para informar a vocês que ele está concatenando um plano de fuga, sem dúvida extremamente impraticável e altamente perigoso.

Asta bamboleou para a frente da cama, erguendo-se suavemente sobre os joelhos.

— Você pode se mover à vontade pela nave — sussurrou. — Você também pode voltar para a Terra?

— Sim.

Ela esticou os braços, os ossos da clavícula marcados por baixo da pele branca.

— Se importaria de me levar contigo? — ronronou.

Tom queria enfatizar para ela que, primeiro, o que a fazia pensar que o homem estava falando a verdade?, e, segundo, mesmo que pudesse suportar o frio e o vácuo do espaço, como ele a levaria?

Ela arqueou o pescoço como um cisne e ergueu os cabelos com as mãos. Os gestos forçaram os peitos pequenos e duros contra a roupa de malha, os mamilos como botões rígidos embaixo do tecido fino.

— Posso ser muito generosa com quem me ajuda, e meu empregador poderia fazer uma oferta interessante a um homem com suas habilidades únicas.

A incongruência total da situação deixou Tom atônito. Ficou pensando se aquela mulher realmente se despiria e transaria com aquele estranho bem diante dos seus olhos surpresos. Claro que o homem perceberia que questões mais urgentes os pressionavam. Mas o Caminhante Cósmico estava embarcando na dela em grande estilo. Os giros de Asta o levaram a arquejar, e seus dedos tamborilavam, espasmódicos, ao lado do corpo. Ele lançou um olhar nervoso por sobre o ombro na direção da porta, e Tom viu desejo e medo em guerra naquela boca azul suave. E o desejo ganhou.

Com um “eu topo” sussurrado, que foi metade gemido, metade palavras, ele cambaleou para a ponta da cama. Asta já estava arrancando o jeans. Por baixo dele, usava meia-calça rosa-claro. Eles e a malha foram removidos com rapidez, e ela abriu os braços. O Caminhante despencou com um gemido sobre o corpo magro e branco da mulher, e começaram as preliminares frenéticas.

Tom, envergonhado e fascinado, percebeu (com aquela estranha atenção ao detalhe que parece surgir quando alguém está numa posição extremamente desconfortável) que os pés da mulher eram muito feios. Os dedos eram cobertos com inflamações e calosidades, e um dos dedões tinha um hematoma preto causado pelos golpes da sapatilha.

Dez minutos depois, ainda estavam naquilo. Asta, com irritação crescente, dizia “Vai! Vai!”. Sons ásperos e rosnantes saíam às vezes do Caminhante, enquanto a bunda azul bombeava vigorosamente e com desespero crescente para cima e para baixo, para cima e para baixo.

A argola de um salto de bota arrancou um suspiro de Asta, seguido por um grito agudo e selvagem, enquanto o Caminhante afundava através de seu corpo de bruços, e desaparecia nas profundezas da cama. Tom também quase perdeu aquilo, e correu para a cama para verificar se Asta ainda estava viva. Ela estava lá deitada, parada como morta, e ele esticou o braço e tocou um ombro nu. Ela gritou novamente, e Tom, assustado pela explosão, perdeu o equilíbrio e caiu de cabeça na cama. O takisiano olhou para a cama, então gritou:

— Capitão, ele estava… — O fechamento da porta interrompeu o restante da frase.