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O Caminhante Cósmico voltou.

— Muito bem! Sinceramente espero que não precise servir como brinquedo erótico para os takisianos. Você tem o dom de não possuir a mínima habilidade erótica.

— Eu? — latiu Asta, empurrando Tom para longe. — Você que não conseguiu…

— E do que você está rindo aí, gordinho? — rugiu o Caminhante. Tom não rira de nada, não mesmo, mas o ridículo da situação fez com que parecesse.

— Você sabe o que estão planejando para você? — O Caminhante continuou. — Vivissecção! Sabe o que isso significa? Não consigo imaginar por que pegaram você. Deve ser o mais insignificante dos ases. Sacudindo como uma tigela de gelatina, e choramingando como uma virgem relutante. — Ele lançou um olhar cintilante e ressentido para Asta, que lhe mostrou um semblante de reprovação.

Tom explodiu.

— Quer fazer o favor de dar o fora daqui? Vá a merda! Você acha que é tão esperto, mas também está preso, como o resto de nós. Não pode sair desta nave. Se pudesse, já o teria feito. Agora, vai embora. Sai! — Tom lançou-se contra ele, sacudindo os braços loucamente como um homem enxotando galinhas. O Caminhante se foi, suas feições parecendo realmente congeladas.

— Onde você esteve, caramba? — Tachyon parou suas perambulações nervosas. — Quanto tempo demora para sondar a nave…

O Caminhante, metade do caminho através da parede da cabine, começou a se retirar. Tachyon correu na direção dele.

— Não, por favor, espere. Desculpe. O estresse… O que descobriu?

— Nossos captores estão percorrendo a nave me buscando. Mas não posso imaginar como estão me rastreando. Sem dúvida, logo estarão aqui…

— E minha Kibr? A velha com joias no cabelo — ele explicou ao ver o olhar de interrogação do Caminhante.

— Não tenho ideia.

Tach segurou a língua, decidindo que o paradeiro de Benaf’saj talvez não fosse tão importante.

— Tudo bem, deixa pra lá, vamos tentar. À esquerda das portas da cabine existe uma pequena protuberância na parede. É um painel manual das portas. Abra a minha, e então iremos…

— Não.

— Perd… — ele começou, educadamente, então parou e rugiu. — Quê?

— Você ouviu, eu disse não. Não tenho a mais ínfima fé na sua capacidade de ser bem-sucedido na execução deste plano de fuga, e não farei parte dele. Além disso, como eu fico substancial e indefeso fora de sua porta, aqueles brutamontes poderão me ferir.

— Vai levar apenas um instante.

O Caminhante cruzou os braços e olhou de forma majestosa para a parede dos fundos.

— Não.

— Por favor?

— Não.

Tachyon agarrou as mãos à frente do peito.

— Por favor, por favor, por favor?

— Não.

— Seu covarde chorão e abjeto. — Tach urrou. — Está colocando todos nós em perigo. Você é apenas um…

Mas o Caminhante estava saindo. Tachyon pulou até um nicho de parede, arrancou um lindo vaso de Membres e jogou-o no ás que saía rapidamente. O vaso passou através dele, estourou na parede, e o Caminhante lhe lançou um olhar de desdém extremo e ódio. O incidente todo fez Tach estremecer, parte de ódio, parte de desespero, por sua reação violenta. Ele desatou a gravata de babados e alargou o colarinho, buscando ar. Tentou com tanto empenho deixar essas reações controladas, lidar com gentileza e educação com todas as pessoas. E perdera tudo aquilo. Estava se comportando como… Fez uma pausa, buscando por alguma comparação adequadamente desagradável.

Como Zabb.

Esse pequeno gesto de autopunição foi bom, mas não removeu seu principal problema. Estavam num mato sem o proverbial cachorro.

E isso tudo é minha culpa, pensou Tach, sem parar para considerar se qualquer quantidade de suborno ou lisonja poderia ter comovido o teimoso ás.

Sua hora estava quase no fim. Com ódio contra a excentricidade de um universo cruel e indiferente que o deixou preso dentro do corpo do homem que ele considerava pouco melhor que um vegetal, ele perambulava pela nave takisiana, escapando daquela busca cada vez mais histérica por ele. Mas isso não poderia durar. Se ele demorasse, voltaria a ser aquele idiota do Meadows, e os alienígenas poderiam fazer mal a ele. E, por mais que o Caminhante pudesse desprezar seu corpo hospedeiro, ele percebeu que sem Mark não havia vida. Observou que as entradas deixavam linhas esmaecidas nas paredes como a impressão fossilizada de pétalas de flores antigas. Algumas abriam automaticamente, outras pareciam adquirir um comando telepático, e outras ainda usavam painéis de acesso que Tachyon descreveu. Ele foi em busca de uma que não abrisse automaticamente. Uma que parecesse firme e solidamente trancada por fora.

Mark voltou a si lentamente. E piscou… piscou de novo, porque estava escuro. Suas mãos tatearam irregularmente sobre o rosto e a cabeça, até ter garantido sua total consciência. Mas ainda estava escuro. Arrastou os pés para a frente e bateu o longo nariz numa parede. Segurando o nariz contundido com uma das mãos, olhou para a escuridão horrível. Lentamente, esticou os braços, explorando as dimensões da prisão. Era pequena. Do tamanho de um armário. Do tamanho de um caixão.

Aquele pensamento era deprimente, então ele o afastou e tentou por meio do filtro confuso das memórias do Caminhante juntar as peças do que havia acontecido.

— Alienígenas, cara. Ah, que droga.

E Tachyon… um prisioneiro? Sim, isso estava certo. Ele ficou nervoso, o Viajante fez ou deixou de fazer… alguma coisa. Mark suspirou e esfregou o rosto com as mãos. Sim, aquilo soava bem correto no que dizia respeito ao Caminhante. Por um momento, ficou numa contemplação ressentida das desvantagens sociais e emocionais da sua personalidade alternativa.

Ele se perguntou que horas eram. Sprout estaria em casa agora, retornando do jardim de infância. Poderia confiar que Susan manteria um olho nela enquanto a Pumpkin estivesse aberta, mas, assim que a tabacaria fechasse, quem cuidaria dela? Com certeza, Susan não a deixaria sozinha se Mark não retornasse. Tentou andar em sua prisão mínima, mas continuava a calcular mal na escuridão e se debatia nas paredes.

— Tenho que sair daqui e ajudar o Dr. Tachyon. Ele saberá o que fazer.

Ele começou a fuçar na bolsa de couro e tirou um frasco. Ergueu diante dos olhos e espiou, mas sem sucesso. Estava escuro demais para ver o vidro, muito menos a cor do pó que havia dentro dele.

— Ah, que droga, cara. Se eu conseguir o Flash, ele pode queimar esta porta, mas Estelar não funciona no escuro. E a Menina Lua… — Ele empurrou a parede inflexível. — Não sei se conseguiria quebrar isso aqui ou não.

Ele enfiou o frasco novamente na bolsa e pescou outro. E tremeu. E voltou com ele, tentando o próximo. E finalmente puxou dois. Sua cabeça girava para lá e para cá entre os frascos, como uma cegonha confusa. Ele guardou os dois e agarrou a cabeça.

— Tenho que fazer algo. Sou um ás, cara. As pessoas dependem de mim. Isso aqui é como um teste, e preciso provar que tenho valor.

Ele voltou a tatear inutilmente dentro da bolsa. Imaginou que poderia sentir a nave se movendo, levando-os para fora da órbita de Netuno, levando-os para longe de Sprout. Sua filha linda de cabelos loiros que nunca avançaria mentalmente mais que 4 anos de idade. Sua querida Alice no País das Maravilhas que precisava dele. E ele precisava ser necessário. Seus dedos fecharam-se convulsivamente sobre o frasco, ele o tirou da bolsa, murmurando:

— Ah, foda-se.

Destampou o frasco e engoliu o conteúdo. Mais tarde ele saberia se sua escolha fora a mais adequada.

Talli trouxe a refeição para ele. Crepes delicados de carne e com recheio de frutas que foram seus favoritos em seu lar. A primeira bocada o fez enjoar, e ele jogou o resto na privada e deu descarga. Seu caminhar incessante não lhe trouxe nada além de uma cãibra na panturrilha esquerda, então pegou uma escova da penteadeira no lavatório e tentou acalmar-se penteando o cabelo. O trilhar das cerdas sobre o escalpo lhe fazia bem e um pouco da tensão se aliviou dos ombros.