Выбрать главу

Então, Hellcat estremeceu um pouco e, soando através de sua mente, veio um AI! alto e aflito. Obviamente, esta nave não acreditava no sofrimento em silêncio.

Caminhante?, ele pensou. Aquele covarde choroso finalmente decidira fazer algo? Ou poderia ser o Tartaruga, superando seu bloqueio psicológico, rasgando a porta, esmagando Zabb e transformando-o em geleia…

Hellcat estava fazendo tanta confusão psíquica que ele achou que ninguém fosse notar uma comunicação não protegida com o Tartaruga. A sonda foi lançada.

Que merda!

Desculpe, não quis assustá-lo.

Não havia senso de perigo na mente de Tartaruga, e Tach suspirou.

Vejo que você não está no processo de nos resgatar.

Não posso, o Tartaruga retrucou com tristeza. Já te disse.

Tom, disse com gentileza, e lembrou-se apenas quando ouviu o suspiro do Tartaruga de que não devia ter revelado seu conhecimento da identidade secreta do homem. Ele insistiu. Você não poderia apenas tentar? Estou certo de que, se tentasse, poderia…

NÃO POSSO! Quantas vezes preciso dizer isso a você?. Não posso. E pareço lembrar um bêbado rejeitado que ficava o tempo todo choramingando não ser capaz de fazer algo, e então ficava magoado quando eu não era muito compreensivo. Bem, sinta na pele essa emoção, Tachy. Seja compreensivo.

O tapa doeu. Ele tinha plena ciência da dívida que tinha com o Tartaruga, mas não queria ter seus pecados do passado esfregados na cara. Eram apenas… passado.

O vírus está codificado nas suas células…

Eu sei disso. Como eu poderia esquecer? Arruinou a bosta da minha vida! Você e o Jetboy e seus malditos takisianos. Me deixe em paz, que saco.

O Tartaruga não tinha poderes mentais para de fato bloquear Tachyon, mas poderia cobrir cada pensamento significativo com uma camada grossa de raiva, tornando difícil de ler ou enviar algo. Tach tomou fôlego várias vezes pelo nariz e lembrou-se de que esse era seu amigo mais antigo na Terra. Pensou se poderia controlar a mente do Tartaruga e forçá-lo a superar o bloqueio emocional. Mas não, o trauma estava tão profundamente arraigado que não dava para alcançar com aquela técnica pesada. Seu pai, com suas capacidades, poderia… Tach abraçou-se, rolando para a frente e para trás, enquanto a tristeza o atingia em cheio e o perfurava uma vez mais.

O som de gritos, quebras e xingamentos o trouxe de volta. Ele franziu a testa e olhou para a porta, então começou a se retrair devagar na direção da cama enquanto percebia que os sons se aproximavam cada vez mais. Muito mais perto. Muito perto. Um punho cinza e grande atravessou a porta. Os dedos espatulados fecharam-se nas beiradas irregulares do buraco e uma grande parte da porta se soltou. Hellcat guinchou, e o fluido claro e viscoso que servia como sangue para a nave consciente escorria da ferida. Logo formou filetes claros e frios. Tach olhou com fascinação apreensiva quando a porta veio abaixo, parte a parte. E arrastando-se pelo buraco desnivelado entrou um homem grande e troncudo com uma pele cinzenta e lisa, cabeça careca com uma testa inchada. Os takisianos estavam pendurados nele como enfeites numa árvore de Natal.

— Explodam a mente dele! — gritou Zabb, esmurrando o rosto da criatura. Ele desviou quando o monstro arrancou um soldado das costas e lançou na direção de Zabb.

Um takisiano não era vencido mesmo pela grande força da criatura. Um rosto delicadamente esculpido encaixado num corpo montanhoso, e uma expressão de ferocidade perversa. Durg at’Morakh bo Zabb. O monstro de estimação de Zabb. A náusea e o nojo arranharam o fundo da garganta de Tach. Ele correu para a porta arruinada, pensamentos caindo com selvageria.

Não por aquelas mãos. Lave-se no meu sangue se precisar, Zabb, mas não…

E encontrou quase um metro de aço temperado. Devagar, ergueu os olhos para fitar o primo.

Não, pela minha mão.

Um sorriso arrependido, mas predatório, abriu-se nos lábios de Zabb, e ele deu o bote. Tach, pulando para trás, perdeu o equilíbrio no chão gosmento e desabou. Isso lhe salvou a vida, pois a lâmina passou apenas a centímetros da sua cabeça. Ouviram-se mais batidas e estrondos quando a aparição cinza e grotesca entrou na sala, arremessando takisianos e batendo em vão em Durg. Benaf’saj entrou na sala com passos firmes, e Zabb baixou a espada; aparentemente, ele ainda não estava preparado para praticar o assassinato na presença de uma Ajayiz’et. Tachyon nunca ficou tão feliz ao ver alguém.

A velha dama soltou uma onda de energia mental que sacudiu as sinapses de todos na sala, e a criatura despencou como uma árvore cortada. Os membros da tripulação, contundidos e surrados, reuniram-se sobre a montanha de bruços, prendendo-a com cordas.

Ela lançou um olhar frio e cinza para o comandante.

— Faça o favor de explicar este tumulto.

— Encontramos a criatura.

— Verdade? — Seu tom era congelante.

Zabb engoliu em seco, seus olhos evitavam os da avó.

— Bem, ele parece ter mudado de forma novamente.

Benaf’saj fixou os olhos em Rabdan.

— E podemos supor que os frascos têm a ver com essas mudanças?

Um pigarrear nervoso soou.

— Isso seria lógico.

— Então, onde estão esses frascos?

— Não sei, Kibr. Talvez ele tenha escondido em algum lugar na nave.

— … ou, talvez, estejam presentes apenas quando ele está na sua forma humana. — Ela olhou para a porta arruinada. — Levará algum tempo para Che Chu-erh of Al Matraubi — disse ela, mencionando o nome inteiro do pedigree da nave — reparar esta porta. Chame os guardas. Eles podem vigiar Tisianne e a criatura, e, se o humano voltar, procurem pelos frascos. Então, creio, não teremos mais comoções grosseiras. — Ela saiu com um farfalhar das saias bordadas.

Tach sacou um lenço do bolso e se ajoelhou ao lado do estranho prisioneiro.

— Você é? — perguntou enquanto limpava gentilmente o sangue que fluía lentamente de um corte de espada.

O homem olhou para ele e grunhiu, relutante:

— Aquarius.

— Como vai? Sou Tisianne brant Ts’ara sek Halima sek Ragnar sek Omian, mais conhecido como Dr. Tachyon.

— Eu sei. — Ele fitou friamente por sobre o ombro esquerdo de Tachyon.

O takisiano curvou-se e sussurrou.

— Tem qualquer um dos seus truques na manga? Algo que possa nos ajudar a fugir… — apontou com o queixo na direção da porta e dos dois guardas a postos — … deles?

Aquarius olhou para ele com rancor.

— Eu me transformo num golfinho e nado bem rápido.

A expressão, juntamente com o tom rude e agressivo, rompeu a linha tênue de paciência à qual Tachyon estava conseguindo se ater.

— Perdoe a minha grosseria, mas isso ajuda muito pouco em nossa presente situação.

— Não pedi para estar aqui, imbecil. — E, fechando os olhos, Aquarius continuou a ignorar seu colega prisioneiro e seus captores.

Tach desatou sua garrafa do cinto e, enquanto caminhava, fez várias incursões uísque adentro. Vinte minutos depois, percebeu que a pele de Aquarius começara a rachar e cair.

— Você está bem?

— Não. Preciso ficar úmido ou fico ferido.

— Bem, por que não disse isso 15 minutos atrás?

Aquarius não respondeu, e, após bufar de irritação, Tach foi rápido até o lavatório e voltou com um copo d’água. Não fez muita diferença na forma imensa no chão.