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— Vai ficar tudo bem, cara? — Viajante murmurou.

— Não sei. — Tom ergueu a cabeça e olhou para um círculo de rostos negros. — Alguém chame um médico.

— Que merda, cara, eles apareceram do nada.

— Branquelos teleportadores. Acha que são ases ou o quê?

— Médico, arranja um médico — gritou um homem musculoso.

Asta afastou-se devagar do círculo de espectadores, os olhos buscando rapidamente a bola preta. Algumas crianças inspecionavam o aparelho, e ela foi até elas.

— Dou cinco dólares pra cada um por isso aí.

— Cinco dólares! Caraca! É só uma bola de boliche sem buraco. Que vai fazer com ela?

— Ah, vocês ficariam surpresos — disse ela num tom suave, e pescou um bolo de notas da bolsa. A troca foi feita às pressas, e ela escondeu o aparelho alienígena.

O uivo das sirenes pressagiava a chegada da polícia e de uma ambulância. Tach foi embarcado, e Tom começou a subir na ambulância com ele.

— Ei, onde está aquele treco?

Asta abriu a boca, piscou diversas vezes e a fechou.

— Ai, não sei. — Ela olhou em volta como se esperasse que a bola se materializasse na paisagem do Harlem. — Talvez alguém da multidão a tenha levado.

— Ei, camarada, quer levar seu amigo para o hospital ou não? — rosnou um dos enfermeiros na ambulância.

— Bem… procure ela aí — Tom ordenou e subiu no carro.

Asta deu uma aceno irônico para a ambulância.

— Pode deixar.

E Kien vai ficar muito feliz com ela.

Ela saiu à procura de uma estação de metrô para chegar aos braços ansiosos de seu amante e comandante.

O cadeado abriu-se com um rangido, e Tach empurrou a pequena porta lateral do armazém. Viajante e o Tartaruga o seguiram na escuridão ecoante, e Viajante murmurou algo ininteligível ao ver a nave pousada no meio do prédio vasto e vazio. As luzes âmbar e lavanda nos pontos de sua espinha dorsal brilhavam levemente no escuro, e a poeira espiralava de todos os lados enquanto ela sintetizava as pequenas partículas em combustível. Estava cantando uma das muitas baladas heroicas que formavam grande parte da cultura da nave, mas interrompeu ao perceber a entrada de Tach. A música, claro, era inaudível para os dois humanos.

Baby, disse ele para ela telepaticamente.

Meu lorde. Vamos sair?, ela perguntou com ansiedade patética.

Não, não hoje à noite. Abra, por favor.

Há humanos com o senhor. Eles também entrarão?

Sim. Esses são Capitão Viajante e o Tartaruga. São como irmãos para mim. Respeite-os.

Sim, Tisianne. Fico feliz em saber seus nomes.

Eles não podem lhe ouvir. Como a maioria da espécie deles, são cegos psíquicos.

Que tristeza.

Ele sentiu uma dor de outro tipo de tristeza no peito quando caminhou até o recinto privado. A memória — podia ser tão clara — do dia em que seu pai o levou para escolher esta nave. Tudo se foi agora.

Ele se acomodou entre as almofadas na cama e ordenou: Busca e contato.

Há nobres presentes?

Sim.

E algum da minha família? Baby perguntou, novamente com ansiedade patética.

Sim.

Segundos estenderam-se por minutos, Tach relaxado à vontade na cama, Viajante empoleirado como um pássaro nervoso numa poltrona, e Tom em pé, balançando-se, agitado.

A parede diante de Tachyon brilhou, e o rosto de Benaf’saj apareceu. A nave impulsionou sua poderosa telepatia e a conexão foi feita.

Tisianne.

Kibr. Estava esperando o contato?

Claro. Sabia que você…

Desde que eu estava nas fraldas, sim, eu sei.

Você me surpreendeu, Tisianne. Acho que a Terra teve um efeito benéfico sobre você.

Ensinou-me muitas coisas, ele corrigiu num tom seco. Algumas mais agradáveis que outras. Ele parou e brincou com o laçarote sob o queixo. Então, ainda existem arestas não aparadas entre nós?

Não, meu filho. Você pode ficar com seus humanos rústicos. Após a derrota que você impôs a ele, Zabb não tem mais esperança no cetro. Você deveria tê-lo matado, você sabe. Tach apenas balançou a cabeça. Benaf’saj franziu a testa, olhando para as próprias mãos, e arrumou os anéis. Então, partiremos. É uma decepção que não tenhamos exemplares, mas o sucesso do experimento não pode ser negado, e Bakonur ficará encantado com os dados. Este esforço ainda será a salvação de nossa família.

Claro, Tach respondeu, sem muita sinceridade.

Enviarei uma nave a cada dez anos mais ou menos para saber de você. Quando estiver pronto para voltar para nós, será bem-vindo. Adeus, Tis.

Adeus, ele sussurrou.

— E então? — Tom perguntou.

— Eles nos deixarão em paz.

— Sabe, fiquei bem feliz que você não vai embora.

— Eu também — disse ele, mas seu tom tinha um traço de incerteza, e ele fitou com pesar a parede brilhante como se tentasse puxar de volta a imagem de sua parente mais velha.

A mão morna e talentosa com seus dedos curtos e grossos se fechou com firmeza sobre seu ombro. Um momento depois, Viajante pegou o outro braço, e ele se sentou em silêncio, aquecendo-se no banho de amor e afeição que vinham dos dois homens, deixando de lado sua saudade de casa.

Ele pousou a mão sobre a de Tom.

— Meus amigos queridos. Que aventura tivemos.

— Sim, a vida é, tipo, bem bacana, cara.

— Por que você não matou aquele lá? — Tom perguntou.

Tach virou-se e fitou os olhos castanhos de Tom.

— Porque gosto de acreditar na possibilidade da redenção.

Tom apertou a mão do amigo com firmeza.

— Pois acredite.

Com uma ajudinha dos amigos

Victor Milán

Cientista controverso brutalmente assassinado no laboratório foi a manchete.

— O senhor deveria ver o que estão dizendo no Daily News.

— Minha jovem — disse Dr. Tachyon, empurrando a pilha de New York Times com as pontas dos dedos melindrosas e recostando-se perigosamente na cadeira de balanço —, não sou policial. Sou médico.

Ela franziu a testa diante do retângulo meticuloso da mesa dele, limpou a garganta, um som baixo, inquieto.

— O senhor tem uma reputação de pai e protetor do Bairro dos Curingas. Se não agir, um curinga inocente será preso por assassinato.

Foi a vez dele de franzir a testa. Ele tamborilou o salto alto da bota contra a beirada de metal da mesa.

— Tem provas? Se tiver, precisa levá-las para o advogado do infeliz.

— Não, nada.

Ele pegou um narciso amarelo de um vaso ao lado do seu cotovelo, girou suas pétalas diante do nariz.

— Imagino. Você é perceptiva o suficiente para tirar proveito do meu sentimento de culpa, com certeza.