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Sentiu o seu yang se excitar, e coçou-o, satisfeito. "Vou aprontar com aquela garota hoje", pensou. "Vou comprar um dispositivo especialmente grande, ah, sim, um anel cheio de sinos. Oh, oh, oh. Como ela vai se contorcer!

"É, mas nesse meio tempo, trate de pensar em amanhã. Como preparar-se para amanhã?

"Ligue para o seu amigo Grande Dragão, sargento comissionado Tang-po, em Tsim Sha Tsui, e peça sua ajuda para que a agência dele e todas as agências de Kowloon sejam bem policiadas. Ligue para o Blacs e para o Primo Tung, do enorme Tung Po Bank, e para o Primo Ching Sorridente e Havergill, para pedir dinheiro, dando como garantia os títulos e propriedades do Ho-Pak. Ah, sim, e telefone para o seu grande amigo, Joe Jacobson, vice-presidente do Chicago Federal and International Merchant Bank — o banco dele tem um ativo de quatro bilhões, e ele lhe deve muitos favores. Muitos. Existem muitos quai loh que têm dívidas profundas para com você, e gente civilizada. Ligue para todos!

Abruptamente, Richard Kwang acordou dos seus devaneios ao se lembrar do chamado do tai-pan. Sua alma se contorceu. Os depósitos da Nelson Trading em barra e espécie eram imensos. "Oh ko, se a Nel..."

O telefone tocou, irritantemente.

— Tio, o Sr. Haply está ao aparelho.

— Alô, Sr. Haply, que prazer falar com o senhor! Desculpe por não tê-lo atendido antes.

— Tudo bem, Sr. Kwang. Só queria verificar um ou dois fatos, se puder. Primeiro, o levante em Aberdeen. A polícia fo...

— Não se pode falar em levante, Sr. Haply. Algumas pessoas ruidosas e impacientes, só isso — falou, desprezando o sotaque canadense-americano de Haply, e a necessidade de ser cortês.

— Estou olhando para umas fotos neste momento, Sr. Kwang, as que foram publicadas no Times desta tarde... para mim parece um levante.

O banqueiro se retorceu na cadeira e lutou para manter a voz calma.

— Ah... bem, eu não estava lá... Terei que conversar com o Sr. Sung.

— Já o fiz, Sr. Kwang. Às três e meia. Passei meia hora com ele, que me contou que, se não fosse pela polícia, o povo teria destruído o banco. — Ligeira hesitação. — O senhor está certo, tentando minimizar a coisa. Mas, escute, estou tentando ajudar e não posso, sem os fatos. Portanto, seja sincero comigo... Quantas pessoas sacaram em Lan Tao?

— Dezoito — disse Richard Kwang, cortando o número pela metade.

— O nosso homem falou em trinta e seis, e oitenta e duas em Sha Tin. E quanto a Mong Kok?

— Um punhado.

— Meu informante falou em quarenta e oito, e que havia uma fila de mais de cem na hora do encerramento. E quanto a Tsim Sha Tsui?

— Ainda não estou com o número nas mãos, Sr. Haply — retrucou Richard Kwang suavemente, consumido de ansiedade, odiando aquele interrogatório em stacatto.

— Todas as edições vespertinas estão fervendo com acorrida ao Ho-Pak. Alguns jornais estão até empregando a palavra.

— Ohko...

— É isso aí. Acho melhor o senhor se preparar para um dia quente amanhã, Sr. Kwang. Diria que sua oposição está muito bem organizada. Tudo está se encaixando bem demais para ser uma simples coincidência.

— Agradeço de verdade o seu interesse. — A seguir, Richard Kwang perguntou, delicadamente: — Se houver algo que eu possa fa2er...

Novamente a risada irritante.

— Algum dos seus grandes depositantes já sacou tudo, hoje?

Richard Kwang hesitou uma fração de segundo, e ouviu Haply aproveitar rapidamente a brecha:

— Claro que já sei sobre Wu Quatro Dedos. Estou me referindo às grandes hongs britânicas.

— Não, Sr. Haply, ainda não.

— Corre um forte boato de que as Fazendas de Hong Kong e Lan Tao vão mudar de banco.

Richard Kwang sentiu uma pontada no seu Saco Secreto.

— Vamos torcer para que não seja verdade, Sr. Haply. Quem são os tai-pans e os grandes bancos? É o Victoria ou o Blacs?

— Talvez seja chinês. Lamento, mas não posso divulgar uma fonte de informações. Mas é melhor o senhor se organizar... está na cara que os grandalhões estão atrás do senhor.

21

16h25m

— Eles não dormem juntos, tai-pan — disse Claudia Chen.

— Hem? — falou Dunross, levantando os olhos distraidamente da pilha de papéis que estava folheando.

— Não. Pelo menos ontem não dormiram.

— Quem?

— Bartlett e a sua Cirrannousshee. Dunross parou de trabalhar.

— É?

— É. Quartos separados, camas separadas, café da manhã juntos na sala principal, os dois arrumadinhos, vestindo robes modestos, o que é interessante, já que nenhum deles veste nada para dormir.

— Verdade?

— Não, pelo menos ontem não vestiram.

Dunross abriu um sorriso, e ela ficou contente porque sua fofoca o deixara satisfeito. Era o seu primeiro sorriso real do dia. Desde que ela chegara, às oito, ele estivera trabalhando como um alucinado, saindo às pressas para reuniões, voltando novamente às pressas: a polícia, Phillip Chen, o governador, duas vezes para o banco, uma vez para a cobertura, para encontrar-se com alguém que ela ignorava. Nem tivera tempo para almoçar, e o porteiro lhe contara que o tai-pan chegara ao alvorecer.

Hoje ela vira o peso sobre o seu espírito, o peso que mais cedo ou mais tarde vergava todos os tai-pans... e às vezes os quebrava. Vira o pai de Ian ir se consumindo com as imensas perdas de navios durante a guerra, a perda catastrófica de Hong Kong, dos filhos e sobrinhos... azar em cima de azar. Fora a perda do continente chinês que finalmente o destroçara. Ela vira como Suez derrubara Alastair Struan, como esse tai-pan nunca se recuperara daquele desastre, e como azar se empilhara sobre azar, para ele, até que a corrida para a venda de suas ações, organizada por Gornt, o destroçara.

"Deve ser uma tensão terrível", pensou. "Toda a nossa gente com quem se preocupar, e a nossa Casa, todos os nossos inimigos, todas as inesperadas catástrofes da natureza e do homem, que parecem estar onipresentes... e todos os pecados, piratarias e diabruras do passado que estão esperando para saltar de dentro da nossa própria caixa de Pandora, o que acontece de vez em quando. É uma pena que os tai-pans não sejam chineses", pensou. "Então os pecados do passado seriam bem mais leves."

— O que lhe dá tanta certeza, Claudia?

— Nenhuma roupa de dormir, para nenhum dos dois... pijamas ou coisinhas transparentes.

Abriu um sorriso de orelha a orelha.

— Como sabe?

— Por favor, tai-pan, não posso revelar as minhas fontes!

— O que mais sabe?

— Ah! — exclamou, depois mudou serenamente de assunto. — A reunião de diretoria da Nelson Trading é daqui a meia hora. O senhor queria que eu lhe lembrasse. Pode me dar alguns minutos antes dela?

— Sim. Daqui a um quarto de hora. Agora — disse ele, com um tom resoluto na voz, que ela conhecia muito bem. — O que mais você sabe?

Ela soltou um suspiro, depois consultou seu bloquinho com ar de importância.

— Ela nunca se casou. Oh, muitos pretendentes, mas nenhum durou, tai-pan. Na verdade, segundo os boatos, nenhum jamais...

Dunross ergueu alto as sobrancelhas.

— Está querendo dizer que ela é virgem?

— Disso não temos certeza... sabemos apenas que não tem a reputação de ficar fora até tarde, ou de passar a noite na companhia de cavalheiros. Não. O único cavalheiro com quem sai socialmente é o Sr. Bartlett, e mesmo assim, não com muita freqüência. Exceto em viagens de negócios. Ele, a propósito, tai-pan, é um belo de um paquerador, foi o termo usado. Nada de uma só moça, mas...

— Usado por quem?

— Ah! O Sr. Bonitão Bartlett não tem uma garota especial, tai-pan. Nada firme, como dizem. Divorciou-se em 1956, no mesmo ano em que a sua Cirrrannnousshee entrou na firma dele.