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— Quantos homens seus estão vigiando o navio?

— Dez. Nossos homens não notaram nenhum dos seus na cola desse sujeito. O despiste quase nos enganou, também.

— Muito bem bolado — disse Crosse, afavelmente, perguntando-se que despiste seria aquele.

— Nossos homens não chegaram a revistar os bolsos dele... sabemos que deu dois telefonemas da cabine... —

Rosemont notou que os olhos de Crosse se estreitaram de leve. "Curioso", pensou. "Crosse não sabia disso. Se não sabia disso, talvez o pessoal dele também não estivesse na cola do alvo. Talvez esteja mentindo, e o comuna esteve à solta em Hong Kong até ser apunhalado." — Mandamos uma foto dele pelo rádio para os Estados Unidos... logo teremos alguma resposta. Quem era ele?

— Seus documentos diziam Ígor Voranski, marujo de primeira classe, marinha mercante soviética.

— Tem ficha dele, Rog?

— É um pouco estranho vocês virem fazer uma visita juntos, não é? Quero dizer, no cinema sempre nos fazem crer que o FBI e a CIA vivem às turras.

Ed Langan sorriu.

— Claro que vivemos... assim como vocês e a MI-5, como o KGB, o gru e cinqüenta outras operações soviéticas. Mas às vezes os nossos casos se cruzam... operamos nos Estados Unidos, Stan, fora, mas ambos somos dedicados à mesma coisa: segurança. Pensamos... estamos perguntando se podemos todos cooperar. Este caso pode ser dos grandes, e nós... Stan e eu estamos um pouco deslocados.

— É isso aí — falou Rosemont, sem acreditar no que dizia.

— Está certo — disse Crosse, necessitando das informações deles. — Mas vocês começam.

Rosemont soltou um suspiro.

— Tá legal, Rog. Há tempos ouvimos um zunzum de que algo vai acontecer em Hong Konk... não sabemos o quê... mas que sem dúvida nenhuma tem conexões nos Estados Unidos. Imagino que a pasta de Alan Medford Grant seja o elo. Veja só: Banastasio... é da Máfia. Figuraço. Narcóticos, a coisa toda. O tal de Bartlett e as armas. Armas...

— Bartlett tem ligação com Banastasio?

— Não temos certeza. Estamos verificando. Temos certeza de que as armas foram embarcadas em Los Angeles, que é a base do avião. Armas! Armas, narcóticos, e nosso interesse crescente no Vietnam. De onde vêm os narcóticos? Do Triângulo Dourado. Vietnam, Laos, e a província de Yun-nan, na China. Agora, nos metemos no Vietnam e...

— É, e estão se metendo numa fria, meu velho... já lhe disse isso umas cinqüenta vezes.

— Não somos nós que tomamos as decisões políticas, Rog, igualzinho a você. Tem mais: nosso porta-aviões nuclear está aqui, e o maldito Soviétski Ivánov chega à noite. É conveniente demais. Quem sabe se o vazamento de informações não saiu daqui? Depois, o Ed lhe dá a dica, e pegamos as cartas malucas de Alan, de Londres, e agora há a Sevrin! Quer dizer que o KGB tem gente infiltrada por toda a Ásia, e você tem um inimigo num alto cargo, em algum lugar.

— Isso ainda não foi provado.

— Certo. Mas eu conheço o Alan. Não é nenhuma besta. Se diz que a Sevrin existe e que vocês têm um agente infiltrado, um toupeira, então vocês têm um toupeira. Claro que temos gente inimiga na CIA, também, igualzinho ao KGB. Estou certo de que o Ed tem no FBI...

— Não acredito — interrompeu Ed Langan, vivamente.

— Nosso pessoal é escolhido a dedo, e treinado. Vocês pegam os seus bombeiros vindos de onde vierem.

— Certo — concordou Rosemont. Depois acrescentou para Crosse: — Voltando aos narcóticos. A China Vermelha é a nossa grande inimiga e...

— Está errado de novo, Stanley. A República Popular da China não é a grande inimiga em parte alguma. A Rússia é que é.

— A China é comuna. Os comunas são o inimigo. Bem, seria muita esperteza inundar os Estados Unidos com narcóticos baratos, e a China Vermelha... vá lá, a República Popular da China pode abrir as comportas da represa.

— Mas não o fez. Nosso Departamento de Narcóticos é o melhor da Ásia... nunca apresentou nada para apoiar sua teoria oficial errônea de que os chineses estão por trás do tráfico. Nada. A República Popular da China é tão antidroga quanto todos nós.

— Acredito no que quiser — falou Rosemont. — Rog, tem uma ficha desse agente? É do KGB, não é?

Crosse acendeu um cigarro.

— Voranski esteve aqui no ano passado. Então, disfarçou-se sob o nome de Serguei Kudriov, novamente marujo de primeira classe, novamente do mesmo navio... não tem muita imaginação, não é? — Nenhum dos dois homens sorriu. — O nome verdadeiro dele é major Iúri Bakian, Primeiro Diretório, KGB, Departamento 6.

Rosemont soltou um pesado suspiro. O homem do FBI olhou para ele.

— Então você está certo. Tudo se encaixa.

— Pode ser. — O homem alto pensou por um momento.

— Rog, e quanto aos contatos dele do ano passado?

— Agiu como turista, ficou no Nove Dragões, em Kowloon...

— Isso consta do relatório de Alan. Esse hotel é mencionado — disse Langan.

— É. Há cerca de um ano que está sob vigilância. Não encontramos nada. Bakian (Voranski) fez as coisas comuns que todo turista faz. Mantivemo-lo sob vigilância as vinte e quatro horas do dia. Ficou aqui duas semanas, e então, pouco antes de o navio zarpar, esgueirou-se de volta para ele.

— Namorada?

— Não. Nada sério. Costumava fazer ponto no Cabaré Boa Sorte, em Wanchai. Aparentemente um garanhão, mas não fazia perguntas, e não se encontrou com ninguém fora do comum.

— Alguma vez esteve no Sinclair Towers?

— Não.

— Que pena — falou Langan —, seria bom demais. Tsu-yan tem um apartamento ali, Tsu-yan conhece Banastasio, John Chen conhece Banastasio, e estamos de volta às armas, aos narcóticos, Alan Medford Grant e Sevrin.

— É — concordou Rosemont, e depois acrescentou: — Já encontraram Tsu-yan?

— Não. Ele chegou a Taipé em segurança, depois sumiu.

— Acha que está escondido lá?

— Imagino que sim — respondeu Crosse. Mas, intimamente, acreditava que ele estivesse morto, já eliminado por nacionalistas, comunistas, mafiosos ou tríades. Seria um agente duplo... ou o demônio supremo de todos os serviços de informação, um agente triplo?

— Vocês o encontrarão... ou nós... ou os rapazes de Formosa.

— Roger, Voranski o conduziu a alguma parte? — indagou Langan.

— Não, a parte alguma, embora estejamos de olho nele há anos. Esteve ligado à Comissão Comercial Soviética em Bangkok, passou algum tempo em Hanói, em Seul, mas, ao que saibamos, nunca exerceu atividades secretas. Certa vez o sacana atrevido chegou a pedir um passaporte britânico, e quase o arranjou. Felizmente o nosso pessoal verifica todos os pedidos, e descobriu falhas no disfarce dele. Lamento que esteja morto... sabe como é difícil identificar os homens maus. Perde-se muito tempo e esforço. — Crosse fez uma pausa e acendeu um cigarro. — Seu posto de major é bem alto, o que sugere algo que não cheira nada bem. Talvez fosse apenas outro dos agentes especiais deles, que recebem ordens para viajar por toda a Ásia, mantendo-se ultra-secretos durante vinte ou trinta anos.

— Os filhos da mãe já tinham o plano do jogo pronto há muito tempo, que descarados! — suspirou Rosemont. — O que vão fazer com o cadáver? Crosse sorriu.

— Mandei um dos meus homens que falam russo ligar para o comandante do navio, Grigóri Suslev. Ele é membro do partido, é claro, mas praticamente inofensivo. Tem uma namorada esporádica num apartamento em Mong Kok... uma garota de cabaré que recebe dele uma mesada modesta e fica às suas ordens quando ele está aqui. Ele vai às corridas, ao teatro, vai jogar em Macau algumas vezes, fala bem inglês. Suslev está sob vigilância. Não quero nenhum dos seus apressadinhos se metendo com um dos nossos inimigos conhecidos.

— Quer dizer que Suslev é habitue por aqui?

— É, há anos que viaja por esses mares, tendo por base Vladivostok... A propósito, é ex-comandante de submarino. Vive aqui pela periferia, geralmente meio tocado.