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— No momento, acho conveniente — retrucou Crosse, com voz agradável.

Rosemont enrubesceu, e Langan também.

— Pois eu não acho, e temos instruções, instruções oficiais, para pegarmos as nossas cópias imediatamente.

— Lamento muito, Stanley.

O pescoço de Rosemont agora estava muito vermelho, mas ele manteve o controle.

— Não vai obedecer à l-4a?

— Não no momento.

Rosemont levantou-se e dirigiu-se para a porta.

— Tudo bem, Rog, mas vão arrancar o seu couro. Jogou para trás a tranca com força, escancarou a porta e saiu. Langan se pôs de pé, de cara amarrada também.

— Qual é o motivo, Roger? — perguntou. Crosse devolveu-lhe o olhar, calmamente.

— Motivo para quê?

Ed Langan começou a ficar zangado, mas se deteve, subitamente estupefato.

— Deus, Roger, ainda não tem os papéis? É isso?

— Qual é, Ed? — replicou Crosse, tranqüilamente. — Logo você saberá como somos eficientes.

— Isso não é resposta, Roger. Tem ou não tem?

Os olhos serenos do homem do FBI se mantiveram fixos em Crosse, e não o abalaram. Depois ele saiu, fechando a porta atrás de si. Crosse tocou prontamente no botão oculto. A tranca foi para o lugar. Outro botão oculto desligou o gravador. Ele apanhou o telefone e discou.

— Brian? Já teve notícias de Dunross?

— Não, senhor.

— Encontre-se comigo lá embaixo imediatamente. Com Armstrong.

— Sim, senhor.

Crosse desligou. Apanhou o documento formal de prisão intitulado ordem de detenção segundo a lei de segredos oficiais. Rapidamente preencheu a lacuna com "Ian Struan Dunross" e assinou as duas cópias. Ficou com a primeira, a segunda trancou na sua gaveta. Correu os olhos pelo gabinete, verificando tudo. Satisfeito, colocou cuidadosamente uma nesguinha de papel na fenda da gaveta, para que somente ele pudesse saber se alguém a havia aberto, ou mexido nela. Saiu da sala. Pesadas trancas de segurança encaixaram-se na porta, às suas costas.

23

17h45m

Dunross estava na sala de diretoria da Struan com os outros diretores da Nelson Trading, olhando para Richard Kwang.

— Não, Richard, sinto muito. Não posso esperar até depois da hora do encerramento, amanhã.

— Não fará diferença para você, tai-pan. Para mim, fará. Richard Kwang suava. Os outros o observavam: Phillip

Chen, Lando Mata e Tung Zeppelin.

— Discordo, Richard — falou Lando Mata, vivamente. — Nossa Senhora, até parece que você não se dá conta da gravidade da corrida!

— É — concordou Tung Zeppelin, o rosto tremendo de raiva contida.

Dunross soltou um suspiro. Sabia que, se não fosse pela sua presença, estariam todos gritando e esbravejando uns com os outros, as obscenidades voando de parte a parte, como acontece em qualquer negociação formal entre os chineses, ainda mais numa tão grave quanto aquela. Mas era uma regra da Casa Nobre que todas as reuniões de diretoria fossem realizadas em inglês, e o idioma inglês inibia os xingamentos chineses e também desconcertava os chineses, o que naturalmente era o que realmente se almejava.

— O assunto tem que ser resolvido agora, Richard.

— Concordo. — Lando Mata era um português bonitão, de feições marcadas, na casa dos cinqüenta anos, o sangue chinês da mãe evidente nos olhos, nos cabelos escuros e na pele dourada. Seus dedos longos e finos tamborilavam na mesa de reunião, continuamente, e ele sabia que Richard Kwang jamais ousaria revelar que ele, Tung Pão-Duro e Mo Contrabandista controlavam o banco. "Nosso banco é um empreendimento", pensou, raivoso, "mas nossas reservas são outra história." — Não podemos arriscar o nosso ouro, o nosso dinheiro vivo!

— De jeito nenhum — falou Tung Zeppelin, nervosamente — Meu pai quer que eu deixe isso bem claro. Ele quer o seu ouro!

— Mãe de Deus, temos quase cinqüenta toneladas de ouro nos seus cofres-fortes.

— Na verdade, são mais de cinqüenta toneladas — falou Tung Zeppelin, o suor porejando-lhe a testa. — Meu velho me deu as cifras... são 1 792 668 onças em 298 778 barras de cinco taéis. — O ar no salão estava quente e úmido, as janelas, abertas. Tung Zeppelin era um homem corpulento e bem-vesti-do de quarenta anos, de olhos pequenos e estreitos, o filho mais velho de Tung Pão-Duro, e falava com sotaque britânico de gente fina. Seu apelido provinha de um filme que Pão-Duro assistira no dia em que ele nascera. — Não estão certas, Richard?

Richard Kwang mexeu na folha de agenda à sua frente, em que estavam anotados a quantidade de ouro e o saldo atual da Nelson Trading. Se tivesse que entregar o ouro e o dinheiro naquela noite, abalaria fortemente a liquidez do banco, e quando a notícia transpirasse, como era evidente que transpiraria, aquilo estremeceria os alicerces do banco.

— O que vai fazer, seu osso de cachorro idiota! — gritara-lhe a mulher pouco antes que deixasse o escritório.

— Protelar, protelar e esperar que...

— Não! Finja que está doente! Se estiver doente, não poderá lhes dar o nosso dinheiro! Não pode ir a essa reunião. Venha depressa para casa e fingiremos...

— Não posso, o tai-pan ligou pessoalmente. E o mesmo fez o Mata, aquele osso de cachorro! Não tenho coragem de faltar! Oh, oh, oh!

— Então descubra quem está nos perseguindo e pague a ele para parar! Use a cabeça! A quem ofendeu? Deve ter ofendido algum quai loh sujo. Descubra-o, pague-lhe, ou perderemos o banco, nosso título de sócio do Turf Club, perderemos os cavalos, o Rolls, o nosso prestígio para sempre! Ayeeyah! Se perdermos o banco você nunca será Sir Richard Kwang. Não que ser Lady Kwang seja importante para mim, oh, não! Faça alguma coisa! Descubra-o...

Richard Kwang sentia o suor escorrer-lhe pelas costas, mas mantinha a pose, e tentava achar uma saída do labirinto.

— O ouro está totalmente seguro, e seu dinheiro vivo também. Temos sido os banqueiros da Nelson Trading desde o seu início, nunca tivemos o menor problema. Arriscamos muito com vocês, no princípio...

— Qual é, Richard? — falou Mata, disfarçando seu desprezo. — Não há risco com ouro. Certamente não com o nosso ouro.

O ouro pertencia à Great Good Luck Company of Macao, que também possuía o monopólio da jogatina há quase trinta anos. A companhia valia atualmente mais de dois bilhões de dólares americanos; Tung Pão-Duro era dono de trinta por cento, pessoalmente, Lando Mata, de quarenta por cento, pessoalmente, e os descendentes de Mo Contrabandista, que morrera no ano anterior, dos outros trinta por cento.

"E todos juntos", pensava Mata, somos donos de cinqüenta por cento do Ho-Pak, que você, seu cretino, bosta de cachorro, deu um jeito de botar em dificuldades."

— Lamento muito, Richard, mas meu voto é para que a Nelson Trading mude de banco... pelo menos temporariamente. Tung Pão-Duro está muito nervoso... e eu tenho a procuração da família Chin.

— Mas, Lando — começou Richard Kwang —, não há motivo para preocupação. — Cutucou com o dedo o jornal entreaberto, o China Guardian, que jazia sobre a mesa. — O novo artigo de Haply ressalta de novo que estamos firmes... que tudo não passa de uma tempestade num copo d'água iniciada por banqueiros malicio...

— É possível. Mas os chineses acreditam em boatos, e a corrida ao banco é um fato — falou Mata, vivamente.

— Meu velho acredita em boatos — falou Tung Zeppelin, fervorosamente. — Também acredita em Wu Quatro Dedos. Quatro Dedos telefonou para ele, hoje à tarde, contando que havia sacado todo o seu dinheiro, e sugerindo que ele fizesse o mesmo, e dentro de uma hora nós, Lando e eu, estávamos no nosso Catalina, vindo para cá, e você sabe como eu detesto andar de avião. Richard, você sabe muitíssimo bem que se o velho quer que uma coisa seja feita agora, tem que ser agora.

É, pensou Richard Kwang, enojado, aquele velho sovina e nojento saltaria de dentro do túmulo por uma moeda de cinqüenta cents.