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— Sugiro que esperemos um dia ou dois...

Dunross estava deixando que conversassem para não desprestigiá-los. Já havia decidido o que fazer. A Nelson Trading era uma subsidiária de propriedade integral da Struan, portanto os outros diretores não tinham que dar opinião, na realidade. Mas embora a Nelson Trading tivesse a licença exclusiva para importação de ouro do governo de Hong Kong, sem os negócios com o ouro da Great Good Luck Company (o que significava: sem os favores de Tung Pão-Duro e Lando Mata), os lucros da companhia seriam praticamente nulos.

A Nelson Trading ganhava uma comissão de um dólar por onça sobre cada onça importada para a companhia, entregue no molhe em Macau, e mais um dólar por onça sobre as exportações de Hong Kong. Como mais uma consideração por ter sugerido o esquema global de Hong Kong para a companhia, a Nelson Trading recebia dez por cento do lucro real. Naquele ano, o governo japonês fixara arbitrariamente a sua taxa oficial de ouro em cinqüenta e cinco dólares a onça... um lucro de quinze dólares por onça. No mercado negro, seria ainda maior. Na índia seriam quase noventa e oito dólares.

Dunross olhou para o relógio. Crosse chegaria dali a alguns minutos.

— Temos um ativo de mais de um bilhão, Lando — repetia Richard Kwang.

— Ótimo — intrometeu-se Dunross, vivamente, encerrando a reunião. — Então, Richard, não faz diferença, de qualquer maneira. Não há por que esperar. Já tomei certas providências. Nosso caminhão de transferência estará na sua porta lateral às oito em ponto.

— Mas...

— Por que tão tarde, tai-pan? — quis saber Mata. — Ainda não são seis horas.

— Já estará escuro, então, Lando. Não me agradaria transferir cinqüenta toneladas de ouro à luz do dia. Pode haver bandidos à solta. Nunca se sabe. Não é?

— Meu Deus, você acha... tríades? — Tung Zeppelin estava chocado. — Vou ligar para meu pai. Mandará alguns guardas extras.

— É — disse Mata —, ligue logo.

— Não é preciso — falou Dunross. — A polícia sugeriu que sejamos discretos. Disseram que estarão presentes, a postos.

Mata hesitou.

— Bem, você é que sabe, tai-pan. É o responsável.

— Naturalmente — disse Dunross, com polidez.

— Como ter certeza de que o Victoria é seguro?

— Se o Victoria afundar, é melhor sairmos da China. — Dunross pegou o telefone e discou para o número particular de Johnjohn, no banco. — Bruce? Ian. Vamos precisar do cofre-forte... às vinte e trinta em ponto.

— Tudo bem. Nossa segurança estará a postos para dar assistência. Use a porta lateral... a da Dirk's Street.

— Sei.

— A polícia já foi informada? -Já.

— Ótimo. A propósito, Ian, Richard ainda está com vocês?

— Sim.

— Ligue para mim quando puder... estarei em casa logo mais, à noite. Andei fazendo verificações, e as coisas não estão nada boas para o lado dele. Meus amigos banqueiros chineses estão todos muito nervosos. Até mesmo o Mok-tung sofreu uma pequena corrida lá em Aberdeen, e nós também. Claro que adiantaremos a Richard todo o dinheiro de que precisar, com os seus títulos mobiliários como garantia, títulos negociáveis em banco. Mas se eu fosse você sacaria todo o dinheiro vivo que pudesse ainda hoje. Faça com que o Blacs cuide do seu cheque em primeiro lugar, logo mais, na compensação.

Toda a compensação de cheques e empréstimos bancários era feita no porão do Blacs à meia-noite, cinco dias por semana.

— Obrigado, Bruce. Até mais ver. — A seguir, para os outros: — Tudo já está arranjado. Naturalmente, a transferência deve ser mantida em sigilo. Richard, vou precisar de um cheque administrativo para o saldo da Nelson Trading.

— E eu de um para o saldo do meu pai! — ecoou Zeppelin.

Richard Kwang disse:

— Enviarei os cheques amanhã, logo de manhã.

— Ainda hoje — declarou Mata —, para que possam ser compensados logo mais. — Suas pálpebras ficaram ainda mais fechadas. — E, naturalmente, um outro para o meu saldo pessoal.

— Não há dinheiro bastante para cobrir esses três cheques... banco algum poderia ter tal quantia — explodiu Richard Kwang. — Nem mesmo o Banco da Inglaterra.

— É claro. Por favor, ligue para quem quiser para empenhar parte dos seus títulos negociáveis. Ou para Havergill, ou para Southerby. — Os dedos de Mata pararam de tamborilar. — Estão esperando o seu telefonema.

— O quê?

— É. Conversei com ambos hoje à tarde.

Richard Kwang ficou calado. Tinha que achar um meio de evitar entregar o dinheiro naquela noite. Se não pagasse agora, ganharia os juros de um dia, e talvez no dia seguinte não fosse preciso pagar, "Dew neh loh moh para todos os quai loh e meio quai loh, que são os piores!" O sorriso dele era tão doce quanto o de Mata.

— Bem, como queiram. Se os dois se encontrarem comigo no banco dentro de uma hora...

— Melhor ainda — falou Dunross. — Phillip irá com você agora. Você poderá entregar-lhe todos os cheques. Está bem assim, Phillip?

— Ora, claro que sim, tai-pan.

— Ótimo, obrigado. Então, se os levar diretamente para o Blacs, estarão compensados à meia-noite. Richard, isso lhe dará bastante tempo, não é?

— Oh, sim, tai-pan — disse Richard Kwang, animando-se. Descobrira uma solução brilhante. Um falso infarto! "Fingirei que estou tendo um, no carro, a caminho do banco, e então..."

Foi então que notou a firmeza nos olhos de Dunross, e seu estômago se retorceu. Mudou de idéia. "Por que devem ficar com tanto dinheiro meu?", pensava, enquanto se levantava.

— Não precisam de mim para mais nada, no momento? Ótimo, então vamos, Phillip.

Os dois saíram. Fez-se um grande silêncio.

— Pobre Phillip, está com uma cara terrível — falou Mata.

— É. Não é de admirar.

— Malditas tríades — falou Tung Zeppelin, estremecendo. — Os Lobisomens devem ser estrangeiros, para enviarem uma orelha daquele jeito! — Estremeceu de novo. — Espero que não venham para Macau. Corre um forte boato de que Phillip já está tratando com eles, negociando com os Lobisomens em Macau.

— Isso não é verdade — declarou Dunross.

— Ele não lhe contaria, se estivesse negociando, tai-pan. Eu também guardaria segredo, de todo mundo. — Tung Zeppelin fitou carrancudo o telefone. — Dew neh loh moh para todos os seqüestradores nojentos.

— O Ho-Pak está acabado? — perguntou Mata.

— A não ser que Richard Kwang consiga manter a liquidez, está. Hoje à tarde Dunstan encerrou as suas contas.

— Ah, então, novamente, um boato é verdade!

— Parece que sim, infelizmente! — Dunross sentia pena de Richard Kwang e do Ho-Pak, mas no dia seguinte iria vender a descoberto. — As ações dele vão cair vertiginosamente.

— Como isso irá afetar a alta que você previu?

— Eu previ?

— Você está comprando muitas ações da Struan, ao que me consta. — Mata deu um leve sorriso. — Phillip também, a tai-tai dele e a família dela.

— Todos agem bem ao comprar as nossas ações, Lando, a qualquer hora. Estão com um preço muito baixo.

Tung Zeppelin escutava atentamente. Seu coração bateu mais depressa. Também ouvira os boatos de que os Chens da Casa Nobre estavam comprando.

— Leram a coluna do Velho Cego Tung hoje? Sobre a próxima alta? Ele falava sério, mesmo.

— É — disse Dunross, com ar solene. Quando a lera, pela manhã, dera uma risada abafada, e sua opinião sobre a influência de Dianne Chen aumentara enormemente. Mesmo a contragosto, Dunross relera o artigo, e imaginara brevemente se o vidente estava realmente prevendo a sua própria opinião.

— O Velho Cego Tung é parente seu, Zep? — perguntou.

— Não, tai-pan, não ao que eu saiba. Dew neh loh moh, mas está quente hoje. Vou ficar feliz em voltar para Macau... o clima é muito melhor em Macau. Vai participar da corrida de automóveis este ano, tai-pan?