Выбрать главу

— Espero que sim.

— Ótimo! Maldito seja o Ho-Pak! Richard nos dará os cheques administrativos, não é? Meu velho vai ter um derrame se estiver faltando um tostão.

— É — concordou Dunross, depois notou um ar estranho nos olhos de Mata. — O que há?

— Nada. — Mata olhou para Zeppelin. — Zep, é realmente importante que obtenhamos rapidamente a aprovação de seu pai. Por que você e Claudia não vão descobrir onde ele anda?

— Boa idéia.

Obedientemente, o chinês levantou-se e saiu, fechando a porta. Dunross concentrou a atenção em Mata.

— Bem?

Mata hesitou. Depois, falou, serenamente:

— Ian, estou pensando em sacar todos os meus fundos de Macau e Hong Kong e investi-los em Nova York.

Dunross fitou-o, perturbado.

— Se você fizer isso, abalará todo o nosso sistema. Se você sacar, Pão-Duro fará o mesmo, os Chins, Quatro Dedos... e todos os outros.

— O que é mais importante, tai-pan, o sistema ou o nosso dinheiro?

— Não gostaria que o sistema fosse abalado assim.

— Já fechou com a Par-Con? Dunross fitava-o.

— Verbalmente, já. Contratos daqui a sete dias. Se você sacar vai nos fazer muito mal, Lando. Muito mesmo. O que é mau para nós será mau para você e muito, muito mau para Macau.

— Levarei em consideração o que está dizendo. Com que então a Par-Con vem para Hong Kong. Ótimo... e, se realmente ocorrer a compra do controle da Hong Kong General Stores pela American Superfood, isso dará novo incremento ao mercado. Talvez o Velho Cego Tung não estivesse exagerando. Quem sabe não teremos sorte? Ele já errou antes, alguma vez?

— Não sei. Pessoalmente, não acho que ele tenha uma ligação particular com o Todo-Poderoso, embora muita gente ache.

— Uma alta seria uma coisa realmente excelente. Um cálculo de tempo perfeito. E — acrescentou Mata, de modo estranho — poderíamos adicionar um pouco de combustível à maior alta da nossa história, não?

— Você ajudaria?

— Eu e os Chins juntos daríamos dez milhões de dólares americanos... Pão-Duro não vai se interessar, que eu sei. Sugira você onde e quando...

— Meio milhão na Struan, no final do expediente de quinta-feira, o resto distribuído pela Rothwell-Gornt, Propriedades Asiáticas, Cais de Hong Kong, Força de Hong Kong, Balsa Dourada, Investimentos Kowloon e General Stores.

— Por que quinta-feira? Por que não amanhã?

— O Ho-Paíc vai fazer baixar o mercado. Se comprarmos em grandes quantidades na quinta, pouco antes do encerramento do expediente, ganharemos uma fortuna.

— Quando vai anunciar a transação com a Par-Con? Dunross hesitou. Depois, falou:

— Na sexta, depois que a Bolsa fechar.

— Ótimo. Estou nessa, Ian. Quinze milhões. Quinze, ao invés de dez. Vai vender ações do Ho-Pak a descoberto, amanhã?

— Claro. Lando, sabe quem está por trás da corrida ao Ho-Pak?

— Não. Mas Richard ultrapassou os seus limites, e não tem agido sensatamente. As pessoas falam, os chineses sempre desconfiam de qualquer banco, e reagem aos boatos. Acho que o banco vai falir.

— Meu Deus!

— É o destino. — Os dedos de Mata pararam de tamborilar. — Quero triplicar as nossas importações de ouro.

Dunross fitou-o.

— Por quê? Estão no limite da sua capacidade, agora. Se os pressionarem depressa demais, cometerão erros, e sua taxa de confisco subirá. No momento, vocês estão com tudo perfeitamente equilibrado.

— É, mas Quatro Dedos e outros nos asseguram que podem fazer alguns carregamentos substanciais de ouro em segurança.

— Não há necessidade de pressioná-los... ou ao seu mercado. Necessidade nenhuma.

— Ian, preste atenção um momento. Há encrencas na Indonésia, encrencas na China, índia, Tibete, Malásia, Cingapura, agitação nas Filipinas, e agora os americanos vão invadir o sudeste asiático, o que será maravilhoso para nós, e pavoroso para eles. A inflação vai disparar, e então, como sempre, todo comerciante sensato na Ásia, especialmente os comerciantes chineses, vai querer trocar o dinheiro-papel pelo ouro. Temos que estar prontos para atender à demanda.

— O que foi que andou ouvindo, Lando?

— Muitas coisas curiosas, tai-pan. Por exemplo, que certos generais americanos importantes estão querendo defrontar-se em alta escala com os comunistas. O Vietnam foi o local escolhido.

— Mas os americanos jamais vencerão ali. A China não poderá permitir isso, como não pôde permitir na Coréia. Qualquer livro de história lhes dirá que a China sempre cruza as suas fronteiras para proteger os seus Estados-tampão quando qualquer invasor se aproxima.

— Mesmo assim, o confronto ocorrerá.

Dunross examinou atentamente Lando Mata, cuja imensa fortuna e envolvimento antigo na honorável profissão de comerciar, como ele a descrevia, davam-lhe uma entrada fantástica nos lugares mais sigilosos.

— O que mais ouviu dizer, Lando?

— O orçamento da CIA foi dobrado.

— Isso é coisa ultra-secreta. Ninguém poderia saber disso.

— Pois é. Mas eu sei. A segurança deles é assombrosa, Ian. A CIA tem o dedo metido em tudo, no sudeste asiático. Acredito até que alguns dos seus fanáticos mal orientados estão tentando intrometer-se no comércio de ópio do Triângulo Dourado para favorecer seus grupos amistosos das montanhas Mekong... para encorajá-los a lutar contra os vietcongs.

— Santo Deus!

— É. Nossos irmãos em Formosa estão furiosos. E há uma abundância crescente de dinheiro do governo americano sendo utilizado em pistas de pouso, portos, estradas. Em Okinawa, Formosa, e especialmente no Vietnam do Sul. Certas famílias muito conceituadas politicamente estão ajudando a fornecer o cimento e o aço, sob condições muito favoráveis.

— Quais?

— Quem fabrica cimento? Talvez em... digamos, na Nova Inglaterra?

— Meu Deus, tem certeza? Mata deu um sorriso sem humor.

— Ouvi até dizer que parte de um grande empréstimo do governo para o Vietnam do Sul foi gasto num campo de pouso inexistente, que ainda é selva impenetrável. Ah, sim, Ian, os lucros já são imensos. Assim, por favor, encomende carregamentos triplos, de amanhã em diante. Vamos começar o nosso novo sistema de hidroaviões no mês que vem... isso diminuirá a viagem para Macau de três horas para setenta e cinco minutos.

— O Catalina não seria ainda mais seguro?

— Não, não creio. Os hidroaviões podem transportar muito mais ouro e podem correr mais depressa do que qualquer outra embarcação nessas águas... teremos comunicações constantes por radar, as melhores, para podermos ganhar qualquer pirata na corrida.

Após uma pausa, Dunross disse:

— Uma quantidade tão grande de ouro poderia atrair todo tipo de bandidos. Até ladrões internacionais.

Mata deu o seu sorrisinho ligeiro.

— Eles que venham. Nunca irão embora. Temos braços compridos, na Ásia. — Recomeçou o tamborilar com os dedos.

— Ian, somos velhos amigos. Gostaria de uns conselhos seus.

— Às suas ordens... qualquer coisa.

— Acredita em mudanças?

— Mudanças comerciais?

— É.

— Depende, Lando — respondeu Dunross, prontamente.

— A Casa Nobre mudou pouco, em quase um século e meio. Em outros aspectos, mudou imensamene.

Ficou olhando para o homem mais velho, e esperando. Finalmente, Mata falou:

— Dentro de algumas semanas, o governo de Macau será obrigado a pôr em leilão novamente a concessão para o jogo... — Instantaneamente, Dunross ficou totalmente concentrado. Todos os grandes negócios em Macau eram conduzidos na base de monopólio, e este era dado à pessoa ou companhia que oferecesse mais impostos por ano pelo privilégio. — Este é o quinto ano. A cada cinco anos, nosso departamento pede lances fechados. O leilão é aberto a todos, mas, na prática, examinamos minuciosamente aqueles que são convidados a dar lances. — O silêncio pesou por um momento, depois Mata continuou: — Meu velho sócio, Mo Contrabandista, já morreu.