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¹ "Distinguished Service Order", comenda por destacados serviços. (N. da T.)

² "Order of British Empire", comenda do Império Britânico. (N. da T.)

— Boa noite — cumprimentou, serenamente, fazendo sinal para que se sentassem. Seu camarista fechou a porta, deixando-os a sós. — Parece que temos um problema, Roger. Ian possui legalmente certos documentos particulares que reluta em lhe entregar... e que você quer...

— Quero legalmente, senhor. Tenho autorização para isso, conferida por Londres a mim, de conformidade com a Lei dos Segredos Oficiais.

— É, eu sei, Roger. Falei com o ministro faz uma hora. Ele disse, e eu concordo, que não tem sentido prendermos o Ian e revistarmos a Casa Nobre como se fosse uma casa qualquer. Isso não ficaria bem, nem seria sensato, embora estejamos muito decididos a obter as pastas de Alan Medford Grant. E, igualmente, não ficaria bem nem seria sensato obtê-las à moda de capa-e-espada... sabe a que me refiro, não é?

Crosse retrucou:

— Com a cooperação de Ian nada disso seria necessário. Já o fiz ver que o governo de Sua Majestade está completamente envolvido. Ele parece que não quer entender, senhor. Devia cooperar.

— Concordo inteiramente. O ministro disse a mesma coisa. Naturalmente, quando Ian esteve aqui, pela manhã, explicou seus motivos para ser tão... tão cauteloso... motivos bem justos, devo dizer. O ministro também concorda. — Seus olhos cinzentos tornaram-se penetrantes. — Exatamente, quem é o agente comunista infiltrado na minha polícia? Quem são os agentes da Sevrin?

Fez-se um vasto silêncio.

— Não sei, senhor.

— Então, queira me fazer a gentileza de descobrir bem rápido. Ian foi bastante gentil, e me deixou ler o relatório de Alan Medford Grant que vocês corretamente interceptaram. — O rosto do governador ficou rubro, ao citar um trecho dele:

— "... esta informação deve ser transmitida particularmente ao comissário de polícia e ao governador, caso sejam considerados leais..." Virgem Santíssima! O que está havendo no mundo?

— Não sei, senhor.

— Mas devia saber, Roger. É. — O governador fitou-os.

— Bem, e quanto ao tal toupeira? Que tipo de homem poderia ser?

— O senhor, eu, Dunross, Havergill, Armstrong... qualquer um — replicou Crosse imediatamente. — Mas com uma característica: acho que ele se infiltrou tão fundo que provavelmente quase esqueceu quem realmente é, ou de que lado ficam seu verdadeiro interesse político e sua verdadeira lealdade. Deve ser alguém muito especial... como todo o pessoal da Sevrin. — O homem de rosto magro fitou Dunross. — Tem que ser gente muito especial. As verificações e vistorias do sei são realmente excelentes, assim como as da CIA, mas jamais tivemos sequer uma sombra de idéia da existência da Sevrin.

— Como vai pegá-lo? — perguntou Dunross.

— Como vai pegar o agente infiltrado na Struan?

— Não tenho a menor idéia. — "O espião da Sevrin será o mesmo que revelou nossos segredos a Bartlett?", perguntava-se Dunross, inquieto. — Se for do primeiro escalão, é um entre sete... todos acima de qualquer suspeita.

— Aí está — disse Crosse. — Todos acima de qualquer suspeita. Mas um deles é um espião. Se conseguirmos pegar um deles, provavelmente arrancaremos dele os nomes dos outros, se ele os souber. — Sua calma perversidade deixou os dois homens gelados. — Mas, para pegar um, alguém tem que cometer um deslize, ou teremos que ter um pouco de sorte.

O governador pensou por um momento. Depois, disse:

— Ian me assegurou que em momento algum os relatórios anteriores citam o nome de alguém... ou dão alguma pista. Sendo assim, os outros relatórios não teriam utilidade imediata para nós.

— Teriam, senhor. Em outras áreas, senhor.

— Eu sei. — As palavras foram ditas serenamente, mas significavam: "Cale a boca, sente-se e espere até eu acabar". Sir Geoffrey deixou o silêncio pesar por alguns momentos. — Portanto, nosso problema parece ser simplesmente uma questão de pedir a Ian a sua cooperação. Repito: concordo que sua precaução seja justificada. — Seu rosto enrijeceu-se. — Philby, Burgess e Maclean nos ensinaram a todos uma bela lição. Devo confessar que cada vez que telefono para Londres fico imaginando se não estarei falando com outro maldito traidor. — Assoou o nariz com um lenço de tecido. — Bem, chega dessa conversa. Ian, faça a gentileza de dizer ao Roger as circunstâncias sob as quais entregará as cópias dos relatórios de Alan Medford Grant.

— Eu as entregarei, pessoalmente, ao chefe ou subchefe da MI-6 ou da MI-5, desde que tenha a garantia por escrito de Sua Excelência de que o homem para quem as estou entregando é quem alega ser.

— O ministro concorda com isso, senhor?

— Se você concordar, Roger.

Novamente, ele falou de modo cortês, mas estava subentendido: "É melhor concordar, Roger".

— Muito bem, senhor. O Sr. Sinders concordou com o plano?

— Estará aqui na sexta-feira, se a BOAC quiser.

— Sim, senhor. — Roger Crosse olhou para Dunross. — É melhor eu ficar com as pastas, até lá. Você me dará um pacote lacra...

Dunross fez que não com a cabeça.

— Estarão em segurança até que eu as entregue. Crosse fez que não com a cabeça.

— Não. Se nós estamos sabendo, outros também estão. Os outros não jogam tão limpo quanto nós. Precisamos saber onde estão... temos que pô-las sob guarda, vinte e quatro horas por dia.

Sir Geoffrey concordou.

— Parece-lhe justo, Ian? Dunross pensou por um momento.

— Está certo. Coloquei-as numa caixa-forte do Victoria Bank. — O pescoço de Crosse ficou rosado quando Dunross tirou do bolso uma chave e colocou-a sobre a mesa. Os números haviam sido cuidadosamente apagados. — Existem cerca de mil cofres individuais. Só eu conheço o número. Esta é a única chave. Se quiser guardá-la, Sir Geoffrey... bem, é o máximo que posso fazer para evitar riscos.

— Roger?

— Sim, senhor. Se está de acordo.

— Lá estão realmente em segurança. É impossível arrombar todos eles. Ótimo, então isso está resolvido. Ian, o mandado está cancelado. Promete, Ian, entregá-las a Sinders, tão logo ele chegue? — Os olhos ficaram penetrantes de novo. — Tive uma trabalheira para resolver isso.

— Sim, senhor.

— Ótimo. Então, estamos conversados. Ainda nenhuma notícia do pobre John Chen, Roger?

— Não, senhor, estamos tentando tudo.

— Que coisa terrível. Ian, e essa história do Ho-Pak? Estão mesmo em dificuldades?

— Estão, senhor.

— Vão soçobrar?

— Não sei. Corre o boato de que vão.

— Que merda! Não estou gostando nada disso. Muito ruim para a nossa imagem. E a transação com a Par-Con?

— Parece boa. Espero ter um relatório favorável para o senhor na semana que vem.

— Excelente. Bem que podíamos usar umas boas firmas americanas por aqui. — Sorriu. — Ouvi dizer que a garota é um encanto! A propósito, a Delegação Comercial Parlamentar deve chegar de Pequim amanhã. Vou dar um jantar para eles na quinta-feira... você virá, é claro.

— Sim, senhor. O jantar será só para homens?

— É, boa idéia.

— Vou convidá-los para as corridas de sábado... o pessoal que sobrar poderá ir para o reservado do banco.

— Ótimo. Obrigado, Ian. Roger, se tiver um momentinho sobrando...

Dunross levantou-se, apertou a mão dos outros e saiu. Embora tivesse vindo com Crosse no carro da polícia, seu Rolls estava à espera. Brian Kwok interceptou-o.

— A que conclusão chegaram, Ian?

— Pediram-me para deixar que seu patrão lhe contasse.

— É justo. Ele vai demorar?

— Não sei. Está tudo bem, Brian. Não há com que se preocupar. Acho que resolvi o dilema corretamente.

— Espero que sim... que merda de situação.

— É. — Dunross entrou no banco traseiro do Silver Cloud. — Balsa Dourada — falou, vivamente.