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— Dew neh loh moh para todos os seus ancestrais, que não passam de lavagem para porcos — sibilou ela em cantonense de sarjeta. — Meu marido aqui é um 489 na polícia, e basta eu pedir-lhe que mande arrancar esses amendoins insignificantes que você chama de colhões do seu corpo nojento uma hora após você largar o serviço, hoje à noite!

O garçom ficou sem cor.

— Hem?

— Chá quente! Traga-me uma porra dum chá quente, e se você cuspir nele, mando meu marido dar um nó nesse canudo que você chama de pau!

O garçom se retirou.

— O que foi que disse a ele? — perguntou Suslev, compreendendo apenas algumas palavras de cantonense, embora seu inglês fosse muito bom.

Ginny Fu sorriu meigamente.

— Só pedi ele trazer chá. — Sabia que o garçom automaticamente cuspiria agora no seu chá, ou mais provavelmente, por medida de segurança, mandaria um amigo fazê-lo por ele. Portanto, ela não o tomaria, e deste modo faria com que ele ficasse ainda mais desmoralizado. Osso de cachorro sujo! — Outra vez, não gosta encontrar aqui, muita gente nojenta — falou imperiosamente, olhando ao seu redor, depois franziu o nariz para um grupo de inglesas de meia-idade que a fitavam. — Fedor demais — acrescentou em voz alta, sacudindo de novo os cabelos, e riu consigo mesma ao vê-las ficarem rubras e desviarem o olhar. — Este presente, Gregy. Tão grata!

— De nada — retrucou Suslev. Sabia que ela não abriria o presente agora (nem na frente dele), o que mostrava o senso de boas maneiras chinesas, hábito muito prudente. Assim, se ela não gostasse do presente, ficasse desapontada ou xingasse em voz alta porque o que fora dado era do tamanho errado, ou da cor errada, ou amaldiçoasse a sovinice do presenteador, seu mau gosto, ou lá o que fosse, nem ele nem ela ficariam desprestigiados. — Muito sensato!

— O quê?

— Nada.

— Está bonito.

— Você também.

Fazia três meses desde a sua última visita, e embora a sua amante em Vladivostok fosse uma eurasiana filha de mãe russa branca com pai chinês, ele gostava de Ginny Fu.

— Gregy — disse ela, depois baixou a voz, o sorriso malicioso. — Acabe bebida. Começamos feriado! Tenho vodca... tenho outras coisas!

Ele lhe devolveu o sorriso.

— Ah, lá isso tem, golubchik!

— Quantos dias tem?

— Pelo menos três, mas...

— Oh!

Ela tentou ocultar o desapontamento.

—...tenho que ficar indo e vindo para o navio. Temos esta noite, quase toda, amanhã e toda a noite de amanhã. E as estrelas brilharão!

— Três meses muito tempo, Gregy.

— Vou voltar logo.

— É. — Ginny Fu escondeu seu desapontamento e voltou a ser pragmática. — Acabe bebida e começamos! — Viu o garçom que trazia apressado o seu chá. Seus olhos vararam o homem enquanto ele pousava a xícara. — Uh! Evidentemente está frio e não é fresco! — falou, com ar de nojo. — Quem sou eu? Um monte sujo de carne de cachorro dum demônio estrangeiro? Não, sou uma pessoa civilizada das Quatro Províncias, que, porque seu pai perdeu no jogo toda a sua fortuna, foi vendida por ele para ser concubina, para tornar-se a Esposa Número Dois desse chefe de polícia dos demônios estrangeiros! Então, vá para o raio que o parta!

Pôs-se de pé.

O garçom deu um passo para trás.

— O que aconteceu? — quis saber Suslev.

— Não pagar os chás, Gregy! Não quente! — falou, imperiosamente. — Não dar gorjeta!

Apesar disso, Suslev pagou. Ela tomou-lhe o braço e saíram juntos, seguidos por olhares. Ela ia de cabeça erguida, mas por dentro detestava os olhares que recebia de todos os chineses, até mesmo do jovem pajem engomado do hotel, que lhes abriu a porta... a cara do seu irmão mais moço, a quem sustentava e cujos estudos pagava.

Dunross vinha subindo as escadas. Esperou que eles passassem, com um brilho divertido no olhar, depois foi recebido com uma curvatura polida pelo pajem sorridente. Dirigiu-se para o telefone do hotel, em meio à multidão. Muitos o notaram imediatamente, e pares de olhos o seguiram. Rodeou um grupo de turistas, de máquinas fotográficas a tiracolo, e notou Jacques de Ville e a mulher Susanne numa mesa de canto. Os dois estavam de cara fechada, fitando seus copos de bebida. Sacudiu a cabeça, um tanto divertido. "O pobre velho Jacques foi pego com a boca na botija de novo, e ele está remexendo na ferida já gasta de sua infidelidade. Azar!" Quase podia ouvir o velho Chen-chen rindo.

— A vida do homem é sofrer, jovem Ian! É, é o eterno yin guerreando contra o nosso yang tão vulnerável...

Normalmente, Dunross fingiria não tê-los visto, deixando-os gozar a sua privacidade, mas algum instinto alertou-o para que agisse de outro modo.

— Alô, Jacques... Susanne. Como vão indo?

— Oh, alô, alô, tai-pan. — Jacques de Ville levantou-se, educadamente. — Quer nos fazer companhia?

— Não, obrigado, não posso. — Foi então que viu a extensão da agonia do amigo, e lembrou-se do acidente de carro na França. A filha de Jacques, Avril, e o marido! — O que aconteceu? Exatamente!...

Dunross falou como um líder o faria, exigindo uma resposta instantânea.

Jacques hesitou, depois disse:

— Exatamente, tai-pan: soube notícias de Avril. Ligou de Cannes, na hora em que eu ia saindo do escritório. Ela, ela falou: "Papai... papai, Borge está morto... Está me ouvindo? Há dois dias que tento falar com você... foi um choque de frente, e o... o outro homem estava... Meu Borge está morto... está me ouvindo?" — A voz de Jacques estava sem emoção. — Depois, o telefone emudeceu. Sabemos que ela está no hospital, em Carmes. Achei melhor que Susanne fosse para lá imediatamente. O vôo dela está atrasado, então... então resolvemos esperar aqui. Estão tentando completar uma ligação para Cannes, mas não tenho muita esperança.

— Santo Deus, sinto muito — disse Dunross, tentando ignorar a pontada que percorreu seu corpo enquanto sua mente substituía Avril por Adryon. Avril tinha apenas vinte anos, e Borge Escary era um excelente moço. Estavam casados há apenas um ano e meio, e aquelas eram suas primeiras férias depois do nascimento de um filho. — A que horas sai o vôo?

— Às oito, agora.

— Susanne, quer que cuidemos do bebê? Jacques, por que você não toma o avião... eu cuido de tudo por aqui.

— Não — replicou Jacques. — Não, obrigado. É melhor que Susanne vá. Ela trará Avril para casa.

— É — disse Susanne, e Dunross notou que ela parecia ter ficado frágil. — Temos as atnahs... ê melhor que eu vá só, tai-pan. Merci, mas não, essa é a melhor maneira. — As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. — Não é justo, não acha? Borge era um rapaz tão bom!

— É. Susanne, Penn irá a sua casa diariamente, portanto não se preocupe, cuidaremos bem do bebê, e de Jacques também. — Dunross considerou bem os dois. Concluiu que Jacques estava bem controlado. Ótimo, pensou. Depois disse, como se fosse uma ordem: — Jacques, depois que Susanne tiver embarcado, volte para o escritório. Mande um telex para o nosso homem em Marselha. Diga-lhe que reserve uma suíte no Capi-tol, vá recebê-la com um carro e dez mil dólares em francos. Diga que mandei que fique à inteira disposição dela enquanto estiver lá. Ele deverá ligar para mim amanhã, com um relatório completo sobre Avril, o acidente, quem estava dirigindo e quem era o outro motorista.

— Sim, tai-pan.

— Tem certeza de que está bem? Jacques forçou um sorriso.

— Oui. Merci, mon ami.

— Rien. Sinto tanto, Susanne... telefone a cobrar se houver algo que possamos fazer.

Foi embora. "Nosso homem em Marselha é bom", pensou. "Cuidará de tudo. E Jacques é um homem de ferro. Já cuidei de tudo? É, acho que sim. No momento, é o que se pode fazer.