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O elevador parou. Desceram o corredor, e Brian Kwok os fe2 entrar na sala de Crosse. Rosemont sentiu as duas trancas correrem, às suas costas, e pensou: "Que idiotice inútil e desnecessária; o homem é um cretino".

— Pedi um encontro particular, Rog.

— É particular. Robert é muito particular, Brian também. O que posso fazer por você, Stanley?

Crosse estava polidamente frio.

— Pois bem, Rog, hoje tenho uma longa lista para você: primeiro, você está pessoalmente cem por cento enrascado comigo, com todo o meu departamento, até com o próprio diretor em Washington. Mandaram que eu lhe dissesse, entre outras coisas, que o seu toupeira superou a si mesmo, desta vez.

— É?

A voz de Rosemont agora estava áspera.

— Só para começar, acabamos de saber por uma das nossas fontes em Cantão que Fong-fong e todos os seus rapazes foram atingidos, ontem à noite. Foram expostos... e estão perdidos! — Armstrong e Brian Kwok pareciam chocados. Crosse devolvia-lhe o olhar, e não pôde ler nada no rosto dele. — Tem que ser o seu toupeira, Rog. Tem que ser identificado pelos documentos de Alan Medford Grant que estão em poder do tai-pan.

Crosse olhou para Brian Kwok.

— Use o código de rádio de emergência. Verifique isso! Enquanto Brian Kwok se afastava às pressas, Rosemont repetiu:

— Eles já eram, os pobres coitados!

— Vamos verificar, de qualquer forma. A seguir? Rosemont sorriu sem humor.

— A seguir: quase tudo o que estava nos relatórios de Alan que estão com o tai-pan já está espalhado pela comunidade dos agentes de informações, em Londres... do lado errado.

— Deus amaldiçoe todos os traidores — resmungou Armstrong.

— É, foi o que pensei, Robert. A seguir, outra preciosidade: a morte de Alan não foi nenhum acidente.

— Como?

— Ninguém sabe quem foi, mas todos sabemos o porquê. A moto foi atingida por um carro. Ainda não se sabe a marca, o número de série, se há testemunhas, nada, ainda, mas foi atingido... e, naturalmente, denunciado daqui.

— Então, por que não fui informado pela Fonte? Por que a informação está vindo de você? — perguntou Crosse.

A voz de Rosemont tornou-se mais cortante.

— Acabo de desligar o telefone, falando com Londres. Passa um pouco das cinco da manha, lá. Portanto talvez seu pessoal pretenda informá-lo quando chegar ao escritório, depois de comer tranqüilamente bacon com ovos, e beber uma boa xícara de chá!

Armstrong lançou um rápido olhar para Crosse, e crispou-se ao ver a cara dele.

— Provou... provou bem seu ponto de vista, Stanley — falou Crosse. — A seguir?

— As fotos que lhe demos dos caras que mataram Voranski... o que aconteceu?

— Estávamos vigiando a casa deles. Os dois homens não voltaram. Portanto invadi o local hoje de madrugada. Revistamos o cortiço inteiro, aposento por aposento, mas não encontramos ninguém que, mesmo de leve, se assemelhasse às fotos. Revistamos durante duas horas, e não havia portas secretas ou coisa semelhante. Eles não estavam lá. Talvez seu agente se tivesse enganado...

— Não desta vez. Marty Povitz tinha certeza. Cercamos o lugar tão logo deciframos o endereço. Mas houve um tempinho em que não estava sendo vigiado, na frente e atrás. Acho que foram avisados, novamente pelo seu toupeira.

Rosemont pegou uma cópia do telex, e entregou-a a Crosse. Ele a leu, ficou vermelho, e passou-a a Armstrong:

"Decifrado do diretor, Washington, para Rosemont, vice-diretor, Estação de Hong Kong: Sinders, MI-6, traz ordens da Fonte, Londres, para você ir com ele na sexta-feira assistir à entrega dos documentos e obter uma fotocópia imediata".

— Receberá a sua cópia pelo correio, hoje, Rog — disse o americano.

— Posso ficar com isso? — perguntou Crosse.

— Claro. A propósito, botamos alguém seguindo o Dunross, também. Nós...

Crosse exclamou, irado:

— Quer fazer o favor de não interferir na nossa jurisdição?

— Disse-lhe que estava atolado na merda, Rog!

Secamente, Rosemont colocou outro telegrama na mesa.

"Rosemont, Hong Kong. Entregue este telegrama pessoalmente ao chefe do sei. Até novas ordens, Rosemont está autorizado a atuar independentemente para ajudar a descobrir o inimigo, da forma que escolher. Ele, contudo, deve manter-se dentro da lei e informar-lhe pessoalmente o que está fazendo. Fonte 8-98/3."

Rosemont viu Crosse refrear uma explosão.

— O que mais você autorizou? — indagou Crosse.

— Nada. Ainda. Outro assunto: estaremos no banco na sexta-fei...

— Sabe onde Dunross colocou as pastas?

— Todo mundo sabe... toda a comunidade. Já lhe falei que seu toupeira vem fazendo serão. — Abruptamente, Rosemont explodiu: — Ora, qual é, Rog? Você sabe que é só contar uma notícia "quente" para alguém, em Londres, e toda a cidade fica sabendo! Todos temos problemas de segurança, mas os seus são piores! — Com esforço, o americano controlou-se. — Podia ter sido franco comigo sobre a mancada com Dunross... teria nos poupado muito sofrimento e constrangimento!

Crosse acendeu um cigarro.

— Talvez. Talvez não. Estava tentando manter a segurança.

— Lembra-se de mim? Estou do seu lado!

— Está?

— Pode apostar que sim, porra! — exclamou Rosemont, muito irado. — E se dependesse de mim, mandaria abrir todas as caixas de depósito individuais do banco antes do anoitecer... e danem-se as conseqüências!

— Graças a Deus não pode fazer isso.

— Pela madrugada! Estamos em guerra, e só Deus sabe o que há naquelas outras pastas. Talvez nos revelem o seu maldito toupeira, e então poderemos pôr as mãos no filho da mãe, e dar-lhe o que merece.

— É — falou Crosse, a voz cortante como uma chicotada —, ou talvez não haja nada nos documentos, afinal!

— Como assim?

— Dunross concordou em entregar as pastas a Sinders na sexta-feira. E se não houver nada nelas? E se ele tiver queimado as páginas, e nos entregar apenas as capas? Que diabo faremos, então?

Rosemont fitou-o, boquiaberto.

— Deus... e existe tal possibilidade?

— Claro que sim! Dunross é esperto. Pode ser que não estejam lá, ou que as que estão no cofre sejam falsas. Não sabemos se ele as guardou lá. É o que ele diz. Santo Deus, existem cinqüenta possibilidades. Vocês, da CIA, que são tão espertos, digam-me em qual caixa de depósito está, e eu a abrirei pessoalmente.

— Pegue a chave com o governador. Entregue-a para mim e para alguns dos meus rapazes durante cinco horas e...

— Nem pense nisso! — rosnou Crosse, o rosto subitamente vermelho.

Armstrong sentiu a violência no ar. "Pobre Stanley", pensou, "hoje você é o alvo." Abafou um estremecimento, recordando-se das vezes em que tivera que enfrentar Crosse. Logo aprendera que era melhor contar a verdade ao sujeito, contá-la logo. Se Crosse realmente se dispusesse a interrogá-lo, sabia, sem sombra de dúvida, que "abriria o jogo". Graças a Deus ele nunca tivera motivos para tentar, pensou, agradecido, e depois voltou o olhar para Rosemont, que estava vermelho de raiva. "Quem serão os informantes de Rosemont, e como ele sabe ao certo que Fong-fong e sua equipe foram dizimados?"

— Nem pense nisso — repetiu Crosse.

— Então, que diabo vamos fazer? Ficar com a bunda na cadeira até sexta?

— É. Esperamos. Mandaram que esperássemos. Mesmo que Dunross tenha arrancado páginas, ou parágrafos, ou destruído todos os documentos, não podemos botá-lo na prisão... ou forçá-lo a lembrar-se, ou a nos contar qualquer coisa.

— Se o diretor ou a Fonte resolverem que ele tem que sofrer um aperto, há maneiras. Isso é o que o inimigo faria.

Crosse e Armstrong fitaram Rosemont. Finalmente, Armstrong falou, friamente:

— Mas isso não quer dizer que é direito.

— Nem tampouco errado. Há uma coisa, mas apenas para os seus ouvidos, Rog.