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Armstrong levantou-se imediatamente, mas Crosse fez sinal para que se sentasse.

— Robert é os meus ouvidos.

Armstrong disfarçou a vontade de rir que o invadiu, ante uma afirmação tão ridícula.

— Não. Desculpe, Rog, são ordens... dos seus superiores e dos meus.

Armstrong percebeu distintamente que Crosse hesitava.

— Robert, espere do lado de fora. Quando eu tocar a campainha, torne a entrar. Vá dar uma espiada no Brian.

— Sim, senhor.

Armstrong saiu e fechou a porta, lamentando não estar presente para o golpe final.

— E então?

O americano acendeu outro cigarro.

— Máximo sigilo. Às quatro horas de hoje, toda a 92.a Divisão de Pára-Quedistas saltou no Azerbaijão, apoiada por grandes unidades da Força Delta, e se espalhou ao longo da fronteira Irã-União Soviética. — Os olhos de Crosse se arregalaram. — Isso foi feito atendendo a um pedido direto do xá, em resposta a maciços preparativos militares soviéticos logo além das fronteiras, e aos costumeiros distúrbios patrocinados pelos soviéticos em todo o Irã. Meu Deus, Rog, não pode pôr um condicionador de ar aqui? — Rosemont enxugou a testa. — Há um manto de segurança cobrindo todo o Irã, agora. Às seis horas, unidades de apoio desembarcaram no aeroporto de Teerã. A nossa Sétima Frota está se dirigindo para o golfo; a Sexta, a do Mediterrâneo, já está em posição de combate perto de Israel; a Segunda, do Atlântico, dirige-se para o Báltico. A norad foi alertada, a OTAN foi alertada, e todos os Poseidons estão a um passo do Vermelho.

— Meu Deus, mas que diabo está acontecendo?

— Khruchov está tentando outra investida sobre o Irã... sempre um alvo soviético por excelência, certo? Acha que está com a vantagem. Fica bem na fronteira dele, onde suas próprias linhas de comunicação são curtas, e as nossas, imensas. Ontem, o pessoal da segurança do xá descobriu uma insurreição "socialista democrática" que deveria explodir dentro dos próximos dias em Azerbaijão. Então o Pentágono está reagindo feito um alucinado. Se o Irã cair, cai todo o golfo Pérsico, depois a Arábia Saudita, e isso acaba com o petróleo da Europa, e acaba com a Europa.

— O xá já esteve encrencado antes. Isso não é mais um pouco de exagero de vocês?

O americano ficou mais duro.

— Khruchov recuou no caso de Cuba. Foi a primeira vez em que houve um recuo soviético, pombas, porque Kennedy não estava blefando, e a única coisa que os comunas entendem é a força. Força-bruta-maciça-pra-valer! O Grande K que recue dessa vez também, ou lhe entregaremos a própria cabeça!

— Vocês vão arriscar a explosão do mundo inteiro por causa de uns birutas analfabetos, fanáticos, arruaceiros, que provavelmente têm alguma razão, no fim das contas?

— Não me interessa a política, Rog, só me interessa vencer. O petróleo iraniano, o petróleo do golfo Pérsico, o petróleo saudita são a jugular do Ocidente. Não vamos deixar que o inimigo fique com ele.

— Se o quiserem, eles o tomarão.

— Não desta vez. Chamamos a operação de Dry Run¹. A idéia é entrar de sola, assustá-los e fazer com que fujam; depois ir embora rapidamente, discretamente, para que ninguém saiba que agimos, exceto o inimigo, e especialmente para que nenhum maldito congressista ou jornalista liberal americano o saiba. O Pentágono acha que os soviéticos não acreditam que somos capazes de uma reação tão rápida, tão maciça, vinda de tão longe, portanto tomarão um choque, correrão para se abrigar, e deixarão a idéia toda de lado... até a próxima vez.

¹ "Exercício de tiro com pólvora seca." (N. da T.)

O silêncio tornou-se mais pesado. Crosse tamborilou os dedos na mesa.

— O que quer que eu faça? Por que está me contando tudo isso?

— Porque meus chefões mandaram. Querem que todos os chefes do sei aliados saibam, porque, se essa merda se espalhar, haverá motins de apoio por toda parte, como sempre, motins de fachada, bem-coordenados, e vocês terão que estar preparados. Os relatórios de Alan Medford Grant diziam que a Sevrin fora ativada aqui... Talvez haja alguma ligação. Além disso, vocês, aqui em Hong Kong, são vitais para nós. São a porta dos fundos que dá para a China, a porta dos fundos para Vladivostok e todo o leste da Rússia... e o nosso melhor atalho para as bases navais e de submarinos atômicos deles no Pacífico. — Rosemont pegou outro cigarro, com dedos trêmulos. — Ouça, Rog — falou, controlando sua raiva violenta —, vamos esquecer toda a merda burocrática, certo? Quem sabe não podemos nos ajudar mutuamente?

— Que submarinos atômicos? — falou Crosse, com um sorriso de deboche deliberado, jogando verde. — Eles ainda não têm submarinos atômicos, e...

— Santo Deus! — explodiu Rosemont. — Vocês estão com as cabeças enfiadas rabo acima, e não querem escutar. Elogiam a distensão, tentam amordaçar-nos, e eles estão rindo a bandeiras despregadas! Eles têm submarinos nucleares, postos de mísseis e bases navais espalhados por todo o mar de Okhotsk! — Rosemont levantou-se e foi até o imenso mapa da China e da Ásia que ocupava uma das paredes e cutucou a península Kamtchatka, ao norte do Japão. —... Petropavlovsk, Vladivostok... têm operações gigantescas ao longo de toda esta costa siberiana, aqui em Komsomolsk, na foz do Amur e em Sacalina. Mas Petropavlovsk é que é a tal. Daqui a dez anos, será o maior porto de guerra na Ásia, com campos de pouso de apoio, recintos para submarinos protegidos atomica-mente, pistas para caças idem e silos de mísseis. E dali ameaçarão toda a Ásia... Japão, Coréia, China, as Filipinas... sem esquecer do Havaí e da nossa costa oeste.

— As forças americanas são preponderantes, e sempre serão. Está exagerando de novo.

A fisionomia de Rosemont se fechou.

— As pessoas me chamam de falcão. Não sou. Sou apenas realista. Eles estão em pé de guerra. Os nossos Midas III indicaram toda espécie de sujeira, nossos... — Parou, e quase deu um chute em si mesmo, por ter aberto tanto o bico.

— Bem, sabemos um bocado do que eles estão fazendo nesse momento, e pode apostar que não são relhas de arado.

— Acho que está errado. Não querem a guerra, como nós não queremos.

— Quer prova? Pois a terá amanhã, logo que eu obtiver autorização! — disse o americano, irritado. — Se isso for provado, poderemos esperar cooperação?

— Pensei que já estávamos cooperando.

— Cooperará?

— Como queira. A Fonte quer que eu reaja de alguma forma específica?

— Não, apenas que fique preparado. Acho que tudo isso passará pelos canais competentes, hoje.

— É. — Crosse tornou-se repentinamente suave. — O que realmente está chateando você, Stanley?

A hostilidade de Rosemont abandonou-o.

— Perdemos um dos nossos melhores aparelhos em Berlim Oriental, ontem à noite, um bocado de caras legais. Um amigo meu foi atingido ao tentar voltar para o nosso lado, e temos certeza de que tudo tem ligação com Alan Medford Grant.

— Ah, lamento muito. Não foi Tom Owen, foi?

— Não. Ele saiu de Berlim no mês passado. Foi Frank O'Connel.

— Acho que não o conheci. Uma pena.

— Ouça, Rog, esse tal de agente infiltrado é uma merda.

— Levantou-se e foi para junto do mapa. Fitou-o durante longo tempo. — Está sabendo de Iman?

— Como?

O dedo rombudo de Rosemont indicou um local no mapa. A cidade ficava no interior, a uns duzentos e noventa quilômetros ao norte de Vladivostok, num entroncamento ferroviário.

— É um centro industrial, ferrovias, muitas fábricas.

— E daí? — quis saber Crosse.

— Sabe do campo de pouso de lá?

— Que campo de pouso?

— É subterrâneo, todo ele, pertinho da cidade, construído num labirinto gigantesco de cavernas naturais. É certamente uma das maravilhas do mundo. Tem capacidade atômica, Rog. A base inteira foi construída por mão-de-obra escrava dos japoneses e nazistas, em 45, 46 e 47. Cem mil homens, ao que consta. Fica tudo debaixo da terra, Rog, com espaço para dois mil e quinhentos aviões, tripulações e pessoal de apoio. É à prova de bombas... até atômicas... com oitenta pistas secundárias, que vão dar numa gigantesca pista que rodeia dezoito morros baixos. Um dos nossos levou nove horas para percorrê-la de carro. Isso foi em 46... Como será hoje em dia?