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— Muito melhorada... se é que existe.

— Atualmente está em condições de entrar em operação. Alguns caras do serviço de informações, nosso e de vocês, até mesmo alguns dos melhores jornalistas, sabiam de sua existência já em 46. Portanto, por que o silêncio, agora? Aquela base, por si só, é uma ameaça maciça a todos nós, e ninguém dá uma porra dum berro. Até mesmo a China, que sem dúvida está sabendo sobre Iman.

— Não posso lhe dar uma resposta.

— Eu posso. Acho que essa informação está sendo abafada, deliberadamente, junto com um bocado de outras coisas. — O americano se levantou e se espreguiçou. — Meu Deus, o mundo inteiro está caindo aos pedaços, e eu estou com dor nas costas. Conhece um bom quiroprático?

— Já experimentou o dr. Thomas, na Pedder Street? Vou a ele a toda hora.

— Não o tolero. Faz a gente esperar na fila, não marca hora. Deus abençoe os quiropráticos! Estou tentando convencer meu filho a estudar isso, ao invés de formar-se em medicina.

O telefone tocou, e Crosse atendeu.

— Sim, Brian? — Rosemont ficou olhando para Crosse, enquanto este escutava. — Só um minutinho, Brian. Stanley, já acabamos?

— Claro. Só faltam umas coisinhas de rotina, sem segredo.

— Certo. Brian, entre com o Robert logo que subir. — Crosse desligou. — Não pudemos manter contato com Fong-fong. Serão DPM ou DPC em quarenta e oito horas.

— Não entendi.

— Desaparecidos Presumivelmente Mortos ou Desaparecidos Presumivelmente Capturados.

— Que azar. Desculpe trazer más notícias.

— Joss.

— Com Dry Run e Alan Medford Grant, que tal colocar Dunross sob custódia?

— Nem pensar.

— Você tem a Lei dos Segredos Oficiais.

— Nem pensar.

— Vou recomendar que seja feito. A propósito, o pessoal do FBI de Ed Langan conseguiu achar uma ligação de Banastasio com Bartlett. Ele é um grande acionista da Par-Con. Dizem que foi quem deu a grana que permitiu a última fusão que fez da Par-Con uma das grandes.

— Algo sobre os vistos de Moscou para Bartlett e Tcholok?

— Só o que pudemos saber é que entraram como turistas. Talvez fosse apenas disfarce.

— Algo sobre as armas?

Pela manhã Armstrong contara a Crosse a teoria de Peter Marlowe, e ele ordenara que Wu Quatro Dedos fosse colocado imediatamente sob vigilância, e oferecera uma grande recompensa por informações.

— O FBI tem certeza que foram colocadas a bordo em Los Angeles. Seria fácil, o hangar da Par-Con não tem segurança. Verificaram também os números de série que você nos deu. Todos faziam parte de um carregamento que foi "extraviado", indo da fábrica para Camp Pendleton, o almoxarifado dos Fuzileiros Navais no sul da Califórnia. Quem sabe não acabamos por descobrir uma grande operação de contrabando de armas? Mais de setecentos Ml4 se extraviaram nos últimos seis meses. Por falar nisso... — Interrompeu-se ao ouvir uma batida discreta. Viu Crosse tocar no interruptor. A porta se abriu, e Brian Kwok e Armstrong entraram. Crosse fez sinal para que se sentassem. — Por falar nisso, lembra-se do caso da CARE?

— A suspeita de corrupção, aqui em Hong Kong?

— Esse mesmo. Talvez tenhamos uma pista para vocês.

— Ótimo. Robert, foi você que cuidou do caso, na época, não é?

— Sim, senhor. — Robert Armstrong soltou um suspiro.

Há três meses, um dos vice-cônsules do consulado americano pedira ao DIC para investigar a administração do fundo de caridade, para ver se algum administrador mão-leve estava envolvido em manobras para obter lucro pessoal. As entrevistas e averiguações ainda continuavam. — O que é que você tem, Stanley?

Rosemont revistou os bolsos e puxou uma folha datilografada. Continha três nomes e um endereço: Thomas K. K. Lim (Lim Estrangeiro), Tak Chou-lan (Tak Mãos Grandes), Lo Tup-lin (Lo Dentuço), sala 720, Edifício Princes, centro.

— Thomas K. K. Lim é americano, cheio da nota e com boas ligações em Washington, no Vietnam e na América do Sul. Está metido em negócios com os outros dois palhaços no citado endereço. Deram-nos uma dica de que está envolvido em algumas transações escusas com a AID e que Tak Mãos Grandes está metido com a CARE. Não fica na nossa jurisdição, portanto, está entregue a vocês. — Rosemont deu de ombros e espreguiçou-se de novo. — Talvez dê em alguma coisa. O mundo inteiro está pegando fogo, e ainda temos que cuidar dos vigaristas! Uma loucura! Ficarei em contato com vocês. Lamento sobre Fong-fong e o seu pessoal.

Foi embora.

Crosse contou a Armstrong e Brian Kwok, em breves palavras, o que soubera sobre a Operação Dry Run. Brian Kwok comentou, com azedume:

— Qualquer dia um desses ianques malucos vai cometer um erro. É uma estupidez botar armas atômicas numa situação tão delicada.

Crosse olhou para eles, que fecharam a guarda.

— Quero o toupeira. Quero esse agente antes que a CIA descubra quem é. Se eles o pegarem primeiro... — O homem de rosto magro estava nitidamente irado. — Brian, vá ver Dunross. Conte-lhe que a morte de Alan Medford Grant não foi acidental, e diga-lhe para não sair sem o nosso pessoal por perto. Sob qualquer circunstância. Diga-lhe que eu preferiria que ele nos desse os papéis antes, confidencialmente. Assim, nada terá a temer.

— Sim, senhor.

Brian Kwok sabia que Dunross faria exatamente o que quisesse, mas ficou de boca fechada.

— Nosso planejamento normal antimotim cobrirá qualquer desdobramento do problema iraniano e da Dry Run. Mas é melhor alertar o DIC e... — Interrompeu-se. Robert Armstrong olhava de testa franzida para o pedaço de papel que Rosemont lhe dera. — O que foi, Robert?

— Tsu-yan não tinha um escritório no Edifício Princes?

— Brian?

— Nós o seguimos até lá várias vezes, senhor. Visitava um conhecido, relação comercial... — Brian Kwok vasculhou a memória. — Navegação. O nome dele é Ng, Vee Cee Ng, apelidado Ng Fotógrafo. Sala 721. Fizemos uma verificação sobre ele, mas tinha a ficha limpa. Vee Cee Ng dirige a Companhia de Navegação Ásia e China e cerca de cinqüenta outros pequenos negócios correlatos. Por quê?

— Neste endereço consta: sala 720. Tsu-yan pode ter ligação com John Chen, as armas, Banastasio, Bartlett... até os Lobisomens — disse Armstrong.

Crosse pegou o pedaço de papel. Depois de uma pausa, disse:

— Robert, pegue uma equipe e vá verificar as salas 720 e 721, imediatamente.

— Não ficam na minha área, senhor.

— Tem toda a razão! — disse Crosse prontamente, a voz pesada de sarcasmo. — É, eu sei. Você é do DIC de Kowloon, Robert, não da zona central. Contudo, eu autorizo a incursão. Vá fazê-la. Agora.

— Sim, senhor.

Armstrong saiu, o rosto vermelho.

O silêncio tornou-se mais denso.

Brian Kwok esperou, fitando estoicamente o tampo da mesa. Crosse escolheu um cigarro com cuidado, acendeu-o, depois recostou-se na cadeira.

— Brian! Acho que Robert é o toupeira.

29

13h38m

Robert Armstrong e um sargento da polícia fardado saltaram do carro-patrulha e atravessaram a multidão, dirigindo-se para o vasto interior da Arcada Princes, com suas lojas de jóias e curiosidades, de aparelhos fotográficos e rádios abarrotadas dos últimos milagres eletrônicos, que ficava no andar térreo do prédio de escritórios antigo e alto na zona central. Foram abrindo caminho até os elevadores, juntando-se ao monte de gente que esperava. Depois, ele e o sargento conseguiram espremer-se para dentro de um elevador. O ar estava pesado, fétido e nervoso. Os passageiros chineses olhavam-nos de esguelha, contrafeitos.