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No sétimo andar, Armstrong e o sargento saltaram. O corredor era estreito e sujo, com portas de escritórios indefiníveis de cada lado. Armstrong parou por um momento, olhando para o quadro de indicações. Ao lado do número 720 lia-se "Empreendimentos Ping-sing Wah", ao lado do 721, "Companhia de Navegação Ásia e China". Começou a percorrer pesadamente o corredor, com o sargento Yat ao seu lado.

Ao dobrarem o corredor, viram um chinês de meia-idade, usando camisa branca e calças escuras, saindo da sala 720. Ele os viu, empalideceu e voltou depressa para dentro. Quando Armstrong chegou à porta, esperava encontrá-la trancada, mas não estava, e ele a abriu bruscamente, a tempo de ver o homem de camisa branca desaparecer pela porta dos fundos, um outro homem quase a atropelá-lo, na ânsia de fugir também. A porta dos fundos bateu, fechando-se.

Armstrong soltou um suspiro. Havia duas secretárias amarrotadas no grupo de três salas apertadas, pobres e desarrumadas, e ambas o fitaram espantadas, uma delas segurando no ar os pauzinhos, acima de uma tigela com galinha e talha-rim. O talharim escorregou dos pauzinhos e caiu dentro da sopa.

— Boa tarde — cumprimentou Armstrong.

As duas mulheres olharam boquiabertas dele para o sargento, e de novo para ele.

— Onde estão o Sr. Lim, o Sr. Tak e o Sr. Lo, por favor?

Uma das moças deu de ombros, e a outra, sem se importar, recomeçou a comer. Ruidosamente. O grupo de salas era sujo e desmazelado. Havia dois telefones, papéis jogados por toda parte, xícaras de plástico, pratos e tigelas sujos e pauzinhos de comer usados. Um bule de chá e xícaras. Latas de lixo cheias.

Armstrong pegou o mandado de busca e mostrou-o às moças.

Elas ficaram olhando para ele. Irritado, Armstrong falou com aspereza:

— Falam inglês?

As duas deram um salto.

— Sim, senhor — disseram em coro.

— Ótimo. Dêem seus nomes ao sargento e respondam às perguntas dele. O... — Nesse momento, a porta dos fundos se abriu de novo, e os dois homens entraram na sala, escoltados por dois policiais fardados de fisionomia dura que tinham estado à espera, de tocaia. — Ah, ótimo. Muito bem. Obrigado, cabo. E então, aonde iam vocês dois?

Imediatamente os dois homens começaram a protestar inocência num cantonense gárrulo.

— Calem-se! — rosnou Armstrong. Eles pararam. — Dêem-me os seus nomes! — Eles ficaram olhando para ele. Em cantonense, falou: — Digam como se chamam, e é melhor que não mintam, senão vou ficar muito puto da vida.

— Ele é Tak Chou-lan — falou o que tinha os dentes muito saltados, apontando para o outro.

— E o seu nome, qual é?

— É... Lo Tup-sop, senhor. Mas não fiz na...

— Lo Tup-sop? Não Lo Tup-lin?

— Ah, não, senhor superintendente, esse é meu irmão.

— Onde está ele?

O dentuço deu de ombros.

— Não sei. Por favor, o que está...

— Aonde ia com tanta pressa, Lo Dentuço?

— Tinha me esquecido de um compromisso, senhor. De grande importância! É urgente, e perderei uma fortuna, senhor, se não for imediatamente. Por favor, posso ir agora, Honrado Sen...

— Não! Eis aqui o mandado de busca. Vamos revistar e levar embora quaisquer papéis que...

Imediatamente, os dois homens começaram a protestar energicamente. Novamente, Armstrong os interrompeu.

— Querem ser levados para a fronteira, neste minuto? — Os dois homens empalideceram e sacudiram a cabeça. — Ótimo. Agora, onde está Thomas K. K. Lim? — Nenhum dos dois respondeu, então Armstrong cutucou com o dedo o mais jovem deles. — Você, Sr. Lo Dentuço! Onde está Thomas K. K. Lim?

— Na América do Sul, senhor — disse Lo, nervosamente.

— Onde?

— Não sei, senhor, apenas dividimos o escritório. Aquela é a droga da mesa dele. — Lo Dentuço fez um gesto nervoso com a mão para o canto da sala, onde havia uma mesa em desordem, um arquivo e um telefone. — Não fiz nada errado, senhor. Lim Estrangeiro é um estranho da Montanha Dourada. O Primo em Quarto Grau Tak aluga-lhe o espaço, senhor. Lim Estrangeiro entra e sai quando lhe dá na telha, e não tenho nada a ver com isso. Ele é um criminoso terrível? Se há alguma coisa errada, não estou sabendo de nada!

— Então, o que sabe do roubo dos fundos do programa da CARE?

— O quê? — exclamaram os dois, fitando-o, boquiabertos.

— Informantes deram-nos provas de que todos vocês estão roubando dinheiro de caridade, que pertence a mulheres e crianças famintas!

Prontamente, ambos começaram a protestar inocência.

— Chega! O juiz decidirá! Vocês irão ao quartel-general, prestar depoimento. — Voltou a falar em inglês: — Sargento, leve-os para o quartel-general. Cabo, vamos come...

— Honrado Senhor — Lo Dentuço começou a falar num inglês hesitante e nervoso —, posso conversar, no escritório, faz favor?

Indicou a sala interna, igualmente desarrumada e atulhada.

— Está bem.

Armstrong acompanhou Lo, sobrepujando-o muito em altura. O homem fechou a porta nervosamente e começou a falar em cantonense, rapidamente e em voz baixa.

— Não sei nada sobre nada criminoso, senhor. Se tem alguma coisa errada, é com aqueles dois sacanas. Sou apenas um comerciante honesto que quer ganhar dinheiro e mandar os filhos para a universidade na América e...

— Sim, naturalmente. O que queria me dizer em particular antes de ir para o quartel-general da polícia?

O homem sorriu nervosamente. Foi até a mesa e começou a destrancar uma gaveta.

— Se há um culpado, não sou eu, senhor. Não sei nada sobre coisa alguma. — Abriu a gaveta. Estava cheia de notas usadas, vermelhas, de cem dólares, presas em grupos de mil. — Se me deixar ir, senhor...

Sorriu para ele, mexendo nas notas.

O pé de Armstrong se esticou com força e a gaveta se fechou, prendendo as pontas dos dedos de Lo, e fazendo-o soltar um uivo de dor. Abriu às pressas a gaveta com a mão sã.

— Oh, oh, oh, a porra da...

Armstrong encostou a cara junto da do chinês apavorado.

— Escute aqui, seu bosta de cachorro, é contra a lei tentar subornar um policial, e se você disser que seus dedos foram feridos pela brutalidade da polícia, eu, pessoalmente, farei picadinho do seu Saco Secreto!

Apoiou-se contra a mesa, o coração disparado, um gosto de fel na garganta, furioso com a tentação e a visão de todo aquele dinheiro. Como seria fácil pegá-lo, pagar suas dívidas e ainda ter dinheiro de sobra para jogar na Bolsa e nas corridas, e depois sair de Hong Kong, antes que fosse tarde demais.

Tão fácil! Muito mais fácil pegar do que resistir... dessa vez, ou de todas as outras mil vezes. Devia haver trinta ou quarenta mil apenas naquela gaveta. "E se há uma gaveta cheia, deve haver outras, e se eu der um aperto nesse filho da mãe, ele vai cuspir dez vezes essa quantia."

Brutalmente, estendeu o braço e agarrou a mão do homem, que gritou de novo. A ponta de um dedo estava esmagada. Armstrong imaginou que Lo iria perder duas unhas, e sentir um bocado de dor, porém nada além disso. Ficou com raiva de si mesmo por ter perdido a paciência, mas estava cansado, e sabia que não era apenas o cansaço.

— O que sabe sobre Tsu-yan?

— Quem? Eu? Nada. Tsu-yan de quê? Armstrong agarrou-o e sacudiu-o.

— Tsu-yan! O contrabandista de armas Tsu-yan!

— Nada, senhor!

— Mentiroso! O Tsu-yan que visita o Sr. Ng, seu vizinho de porta!

— Tsu-yan? Ah, ele? Contrabandista de armas? Não sabia disso! Sempre pensei que fosse um comerciante. É um outro nortista, como o Ng Fotógrafo...

— Quem?

— Ng Fotógrafo, senhor. Vee Cee Ng, nosso vizinho de porta. Ele e esse Tsu-yan nunca entram aqui ou falam com a gente... Ai, preciso de um médico... ai, minha mão...

— Onde está Tsu-yan, agora?

— Não sei, senhor... ai, a porra da minha mão, oh, oh, oh... juro por todos os deuses que não o conheço... oh, oh, oh...