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Concentrou-se nela, os sentidos bestifiçados. "Suponho que, se compararmos a dela com, digamos, digamos, a de Virginia Tong, bem, ela não deixa de ter uma certa delicadeza. É, mas se quiserem a minha opinião abalizada, eu preferiria ter conservado o mistério e não ter visto nada disso. Nenhuma delas."

Indolentemente, seus olhos iam de nome em nome.

— Puta que o pariu! — exclamou, reconhecendo um deles: Elizabeth Mithy. Fora secretária da Struan, uma dos bandos de garotas das cidades pequenas da Austrália e Nova Zelândia, moças que apareciam em Hong Kong, sem destino certo, para passar algumas semanas, e ficavam durante meses, talvez anos, em empregos sem importância, até que se casavam, ou sumiam para sempre. "Ora, vejam só! Liz Mithy!"

Armstrong estava tentando ser desapaixonado, mas não pôde deixar de comparar as caucasianas com as chinesas, e não achou diferença alguma. "Graças a Deus por isso", disse com seus botões, e deu uma risadinha abafada. Mesmo assim, ficou contente pelas fotos serem em preto e branco, e não em cores.

— Bem — falou em voz alta, ainda muito encabulado —, não há lei contra tirar fotografias, ao que eu saiba, e pregá-las no próprio armário. As mocinhas devem ter cooperado... — Soltou um resmungo, divertido e enojado a um só tempo. — Macacos me mordam se vou chegar a entender os chineses! Liz Mithy, hem? — murmurou. Conhecera-a ligeiramente quando estivera na colônia, sabia que era bem "avançada". "Mas o que deu nela para posar para Ng? Se o pai dela soubesse, teria um derrame. Graças a Deus que não temos filhos, Mary e eu.

"Seja honesto, você morre de vontade de ter filhos e filhas, mas não pode tê-los, pelo menos Mary não pode, ao que dizem os médicos... portanto você não pode."

Com um esforço, Armstrong abafou de novo a eterna imprecação, trancou outra vez o armário e saiu, fechando as portas atrás de si.

Na ante-sala, Virgínia Tong passava esmalte nas unhas, evidentemente furiosa.

— Pode ligar para o Sr. Ng, por favor?

— Não, antes das quatro não — falou, de cara fechada, sem olhar para ele.

— Então, por favor, ligue para o Sr. Tsu-yan — pediu Armstrong, dando um tiro no escuro.

Sem procurar o número, ela discou, esperou impaciente, tagarelou guturalmente por um momento em cantonense, depois bateu o telefone.

— Não está. Saiu da cidade, e ninguém no seu escritório sabe onde se encontra.

— Quando o viu pela última vez?

— Há uns três ou quatro dias. — Com irritação, abriu a agenda e verificou. — Foi na sexta-feira.

— Posso dar uma olhada, por favor?

Ela hesitou, deu de ombros e passou-a para ele. Depois voltou a passar esmalte nas unhas.

Rapidamente, ele correu os olhos pelas semanas e meses. Muitos nomes conhecidos: Richard Kwang, Jason Plumm, Dunross — Dunross várias vezes —, Thomas K. K. Lim (o misterioso americano-chinês da sala vizinha), Johnjohn do Victoria Bank, Donald McBride, Mata diversas vezes. "Ora, quem é esse Mata?", perguntou-se, pois nunca ouvira o nome antes. Já ia entregar a agenda à moça, quando resolveu folhear as páginas vindouras. "Sábado, dez da manha — V. Banastasio." Seu coração se apertou. O sábado seguinte.

Não disse nada, recolocou a agenda sobre a mesa e encostou-se num dos arquivos, imerso em pensamentos. Ela não prestava atenção nele. A porta se abriu.

— Com licença, telefone para o senhor! — disse o sargento Yat. Estava com uma cara muito mais feliz, e Armstrong imaginou que as negociações deviam ter sido rendosas. Gostaria de poder saber quanto, exatamente, mas isso envolveria o seu prestígio, e ele teria que tomar uma atitude, fosse qual fosse.

— Está bem, sargento, fique aqui até que eu volte — disse, querendo certificar-se de que não seria dado nenhum telefonema secreto. Virgínia Tong não ergueu os olhos enquanto ele se retirava.

No outro escritório, Lo Dentuço ainda gemia, segurando a mão machucada, e o outro sujeito, Tak Mãos Grandes, fingia estar despreocupado, examinando alguns papéis, recriminando em altas vozes a secretária pela sua ineficiência. Quando ele entrou, os dois homens começaram a protestar em altos brados a sua inocência, e Lo gemeu com mais vigor.

— Quieto! Quem mandou prender os dedos na gaveta?

— Armstrong perguntou, e acrescentou, sem esperar resposta:

— Gente que tenta subornar policiais honestos merece ser deportada imediatamente. — No silêncio estarrecido, atendeu ao telefone. — Armstrong.

— Alô, Robert, aqui fala Don, Don Smyth de Aberdeen Leste...

— Oh, alô! — Armstrong ficou surpreso, pois não esperava ouvir o Cobra, mas manteve a voz educada, embora o detestasse, assim como ao que se suspeitava que ele fizesse na sua jurisdição. Uma coisa era os guardas e os escalões inferiores da polícia chinesa suplementarem seus ganhos com a jogatina ilícita. Outra era. um oficial de polícia britânico fazer tráfico de influência, e extorquir como um mandarim do tempo antigo. Mas embora quase todos achassem que Smyth recebia grana por fora, não havia provas, ele nunca fora apanhado, ou sequer investigado. Dizia-se que era protegido por certos vips que estavam envolvidíssimos com ele, assim como com a sua própria corrupção. — O que há? — indagou.

— Tive um pouquinho de sorte. Acho. Está encarregado do seqüestro de John Chen, não é?

— Estou. — O interesse de Armstrong aumentou vertiginosamente. A corrupção de Smyth não tinha nada a ver com a qualidade do seu trabalho policial; Aberdeen Leste tinha o índice de crimes mais baixo da colônia. — O que descobriu?

Smyth contou-lhe sobre a velha amah e o que acontecera com o sargento Mok e Wu Óculos, depois acrescentou:

— Ele é um rapaz muito vivo, Robert. Eu o recomendaria para o sei, se você quiser endossar a recomendação. Wu seguiu a velhota até o seu covil imundo, depois ligou para nós. Ele obedece ordens, também, o que é coisa rara, atualmente. Tive um palpite e mandei que esperasse e, caso ela saísse, fosse atrás dela. O que acha?

— Uma pista de vinte e quatro quilates!

— O que você prefere? Esperamos, ou vamos prendê-la para interrogatório?

— Esperamos. Aposto que o tal Lobisomem nunca vai voltar, mas vale a pena esperar até amanhã. Mantenha o local sob vigilância, e avise-me de qualquer coisa.

— Está bem, ótimo!

Armstrong ouviu Smyth casquinar no telefone, e não pôde imaginar por que estaria tão feliz. Então, lembrou-se da imensa recompensa que os Grandes Dragões haviam oferecido.

— Como está o seu braço?

— É o meu ombro. O danado está deslocado, e perdi a porra do meu chapéu predileto. Tirando isso, tudo bem. O sargento Mok está examinando todos os retratos do fichário de criminosos, e um dos meus rapazes está fazendo um retrato falado dele... acho que eu mesmo vi o sacana. O rosto dele é todo marcado de varíola. Se for fichado, botaremos as mãos nele até o anoitecer.

— Excelente. Como vão as coisas por aí?

— Tudo sob controle, mas está ruim. O Ho-Pak ainda está pagando, mas devagar demais... todo mundo sabe que estão ganhando tempo. Ouvi dizer que é a mesma coisa por toda a colônia. Estão acabados, Robert. A fila vai continuar até que todo centavo tenha sido sacado. Há outra corrida aqui no Vic, e as multidões não diminuem...

Armstrong soltou uma exclamação abafada:

— No Vic?

— É, estão entregando dinheiro aos montes, e não está entrando nada. Os tríades estão enxameando... os lucros devem estar sendo imensos. Prendemos oito batedores de carteira e acabamos com vinte e tantas brigas. Diria que a coisa está preta.

— Mas sem dúvida o Vic está bem, não?