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— Quantos pontos baixamos?

— Desde hoje de manhã? Três pontos.

Phillip Chen soltou uma exclamação abafada e quase deixou cair o aparelho.

— Como?

— É — disse Dunross, amavelmente. — Alguém começou uns boatos a nosso respeito. O mercado todo já está sabendo que estamos encrencados, que não podemos pagar a Toda na semana que vem... nem a prestação do Orlin. Acho que estão vendendo nossas ações a descoberto.

31

14h45m

Gornt estava sentado ao lado do seu corretor, Joseph Stern, na Bolsa de Valores, observando radiante o grande quadro. Estava quente e muito úmido no salão lotado e ruidoso, telefones tocando, corretores suando, funcionários e operadores chineses. Normalmente a Bolsa era um local calmo. Mas não nesse dia. Todos estavam tensos e concentrados. E inquietos. Muitos haviam tirado o paletó.

As ações do próprio Gornt haviam baixado um ponto, mas aquilo não o incomodava nem um pouco. As da Struan haviam baixado 3,50, e o Ho-Pak estava balançando. "O tempo está se esgotando para a Struan", pensou, "tudo está preparado, tudo começou." O dinheiro de Bartlett fora depositado no seu banco suíço no prazo de uma hora, sem restrições... apenas dois milhões transferidos de uma conta desconhecida para a dele. Sete telefonemas tinham dado início aos rumores. Outro telefonema para o Japão confirmara a exatidão das datas de pagamento da Struan. "É", pensou, "o ataque começou."

Sua atenção prendeu-se à posição do Ho-Pak no quadro, enquanto um corretor anotava mais ofertas de venda. Não houve compradores imediatos.

Como começara a vender secretamente ações do Ho-Pak a descoberto na segunda-feira, pouco antes de a Bolsa fechar, às três horas — muito antes de. a corrida ter começado para valer —, estava milhões à frente. Na segunda-feira as ações haviam sido vendidas a 28,60, e agora, mesmo com o apoio que Richard Kwang estava dando, tinham baixado para 24,30... a cotação mais baixa de toda a sua história, desde que o banco fora fundado, há onze anos.

"4,30 vezes quinhentas mil dá dois milhões cento e cinqüenta mil", pensava Gornt, satisfeito. "Tudo em moeda corrente legítima de Hong Kong, se eu quisesse recomprar agora, o que não é nada mau para quarenta e oito horas de trabalho. Mas ainda não vou recomprar, claro que não. Ainda não. Agora tenho certeza de que as ações vão desabar, se não hoje, amanhã, quinta-feira. Se não na quinta, na sexta... o mais tardar na segunda, pois não há banco no mundo que possa agüentar uma corrida dessas. Então, quando houver a queda, recomprarei a poucos cents por dólar e ganharei vinte vezes meio milhão."

— Venda duzentas mil — disse, começando a vender a descoberto abertamente, agora... as outras ações escondidas cuidadosamente, espalhadas pelos seus representantes secretos.

— Santo Deus, Sr. Gornt — exclamou o seu corretor. — O Ho-Pak terá que levantar quase cinco milhões para cobrir isso. Vai sacudir todo o mercado.

— É — concordou, jovialmente.

— Vamos ter uma trabalheira para tomar emprestadas as ações.

— Pois faça-o.

Relutante, o corretor começou a se retirar, mas um dos telefones tocou.

— Sim? Oh, alô, Chang Diurno — falou, num cantonense passável. — O que deseja?

— Que possa salvar todo o meu dinheiro, Honorável Intermediário. A quanto está vendendo a Casa Nobre?

— 25,30.

Ouviu-se um guincho de pesar.

— Ai, ai, ai, tem só pouco mais de meia hora de movimento na Bolsa. Maldição! Ai, ai, ai! Por favor, venda! Por favor, venda imediatamente todas as companhias da Casa Nobre. Casa Nobre, Propriedades Boa Sorte e Balsa Dourada, também... a quanto está vendendo a Segunda Grande Companhia?

— 23,30.

— Ayeeyah, um ponto a menos do que hoje de manhã? Todos os deuses testemunhem o grande azar! Venda. Por favor, venda tudo imediatamente!

— Mas, Chang Diurno, o mercado está muito firme e...

— Imediatamente! Não ouviu os rumores? A Casa Nobre vai falir! Eeee, venda, não perca um minuto! Espere um momento, minha sócia Fung-tat também quer lhe falar.

— Sim, Terceira Arrumadeira Fung?

— O mesmo que disse Chang Diurno, Honorável Intermediário! Venda! Antes que eu esteja perdida! Venda e ligue-nos dando os preços, oh, oh, oh! Depressa, por favor.

Ele desligou. Fora o quinto telefonema que recebera de velhos clientes em pânico, e não estava gostando nada daquilo. "É uma burrice entrar em pânico", pensou, verificando o seu livro de ações. Juntos, Chang Diurno e a Terceira Arrumadeira Fung haviam investido mais de quarenta mil HK em diversas ações. Se ele vendesse agora, ainda levariam vantagem, exceto pelas perdas da Struan hoje, que tirariam a maior parte dos seus lucros.

Joseph Stern era o chefe da firma Stern and Jones, que estava em Hong Kong há cinqüenta anos. Fora somente depois da guerra que tinham se tornado corretores. Antes disso, tinham sido agiotas, fornecedores de navios e proprietários de uma casa de câmbio. Stern era um homem pequeno e de cabelos escuros, bastante calvo, na casa dos sessenta anos, e muita gente achava que tinha sangue chinês nas veias, de algumas gerações passadas.

Caminhou para junto do quadro e parou diante da coluna que indicava as cotações da Balsa Dourada. Escreveu o número de ações combinadas de Chang e Fung na coluna de venda. Era uma oferta pequena.

— Compro a trinta cents abaixo da cotação — disse um corretor.

— Não há corrida alguma à Balsa Dourada — replicou, vivamente.

— Não, mas é uma companhia da Struan. Sim ou não?

— Sabe muito bem que os lucros da Balsa Dourada subiram este trimestre.

— Não diga! Porra, mas como está quente! Não acha que podíamos instalar condicionadores de ar aqui na Bolsa? Como é, meu velho, sim ou não?

Joseph Stern pensou por um momento. Não queria pôr lenha na fogueira e aumentar o nervosismo. Na véspera a Balsa Dourada subira um dólar porque todo o ramo sabia que a assembléia anual deles era na semana vindoura. Fora um bom ano, e comentava-se que haveria distribuição de ações aos acionistas. Mas ele conhecia a primeira regra de todas as Bolsas: um dia não tinha nada a ver com o seguinte. O cliente dissera: "Venda".

— Vinte cents abaixo? — perguntou.

— Trinta. Minha oferta derradeira. O que lhe importa, ainda recebe o seu dinheiro. Como é, trinta?

— Está bem.

Stern foi correndo as companhias no quadro, vendendo a maioria das ações delas sem problema, embora a cada vez tivesse que ceder no preço. Com dificuldade, tomou emprestadas ações do Ho-Pak. Agora, parou diante da coluna referente ao banco. Havia muitas ordens de venda, a maioria de pequenas quantidades. Escreveu "200 000" no fim da lista da coluna de venda. Uma onda de choque varreu a sala. Ele a ignorou. Apenas olhou para Forsythe, que era o corretor de Richard Kwang. Era o único comprador das Ho-Pak.

— O Quillan está tentando acabar com o Ho-Pak? — perguntou um corretor.

— Já está sitiado. Quer comprar as ações?

— Nem por sombra! Também está vendendo Struan a descoberto?

— Não. Não estou.

— Meu Deus, não estou gostando nada disso.

— Fique calmo, Harry — falou alguém. — Pelo menos o mercado ganhou vida, é o que conta.

— Grande dia, não? — comentou com ele outro corretor. — Já começou a queda? Eu mesmo não tenho mais dinheiro aplicado, vendi tudo o que tinha hoje cedo. Vai ser mesmo uma queda?

— Não sei.

— Que coisa chocante, sobre a Struan, não é?

— Acredita em todos os boatos?

— Não, claro que não, mas para bom entendedor meia palavra basta, não é?

— Eu não acredito.

— A Struan baixou 3,50 pontos em um dia, meu velho. Muita gente acredita — interrompeu outro corretor. — Vendi tudo o que tinha da Struan hoje cedo. Será que Richard vai conseguir deter a corrida?

— Está nas mãos de... — Joseph Stern ia dizer Deus, mas sabia que o futuro de Richard Kwang estava nas mãos dos seus clientes, e que estes já haviam decidido. — Joss — disse, com tristeza.