Выбрать главу

— É. Graças a Deus recebemos as nossas comissões de qualquer maneira, na fartura ou na escassez. Tudo bem, não é?

— Tudo bem — ecoou Stern, detestando intimamente o sotaque inglês convencido, metido a besta, de gente bem, das exclusivas escolas particulares britânicas que nunca pôde freqüentar porque era judeu. Viu Forsythe desligar o telefone e olhar para o quadro. Mais uma vez, indicou sua oferta. Forsythe chamou-o. Ele cruzou a multidão, acompanhado por vários pares de olhos.

— Vai comprar? — perguntou.

— Quando chegar a hora, Joseph, meu velho! — Forsythe acrescentou baixinho: — Aqui entre nós, não há um jeito de fazer o Quillan largar o nosso pé? Tenho motivos para acreditar que está mancomunado com aquele cretino do Southerby.

— É uma acusação pública?

— Ora, qual é? É uma opinião particular, pombas! Ainda não leu a coluna do Haply? Tai-pans e um grande banco espalhando boatos? Sabe que Richard é estável. Richard é tão estável quanto... quanto os Rothschilds! Sabe que Richard tem mais de um bilhão de res...

— Eu vi a queda da Bolsa de 29, meu velho. Havia trilhões de reserva, naquela época, mas mesmo assim todo mundo faliu. É uma questão de dinheiro vivo, crédito e liquidez. E confiança. Vai comprar as nossas ofertas, sim ou não?

— Provavelmente.

— Até quando vão poder agüentar isso? Forsythe ergueu os olhos para ele.

— Para sempre. Não passo de um corretor. Obedeço ordens. Compre ou venda, ganho um quarto de um por cento.

— Se o cliente pagar.

— Tem que pagar. Temos as ações dele, não? Temos regras. Mas, por falar nisso, vá pro inferno.

Stern riu.

— Sou britânico, vou para o céu, não sabia? — Inquieto, voltou para sua mesa. — Acho que ele vai comprar antes de o mercado fechar.

Faltavam quinze para as três.

— Ótimo — disse Gornt. — Agora, quer... Calou-se. Ambos olharam para trás, ao sentirem a agitação velada. Dunross estava acompanhando Casey e Linc Bartlett até a mesa de Alan Holdbrook (o corretor da Struan), do outro lado do salão.

— Pensei que ele tivesse ido embora de vez — debochou Gornt.

— O tai-pan nunca foge da raia. Não é do feitio dele. — Stern observou-os, pensativo. — Parecem muito amigos. Talvez os boatos estejam todos errados, e Ian vá fechar o negócio com a Par-Con e fazer os pagamentos.

— Ele não pode. O negócio não vai ser realizado — disse Gornt. — Bartlett não é nenhum tolo. Bartlett seria louco de se unir a esse império oscilante.

— Eu nem sabia, até algumas horas atrás, que a Struan estava devendo ao Orlin. Ou que os pagamentos à Toda venciam dentro de mais ou menos uma semana. Ou até o boato mais absurdo de que o Vic não iria apoiar a Casa Nobre. Quanta bobagem! Liguei para Havergill, e foi isso o que ele disse.

— O que mais poderia dizer? Depois de uma pausa, Stern falou:

— É curioso que todas as notícias tenham vindo à tona hoje.

— Muito. Venda duzentas mil da Struan.

Os olhos de Stern se arregalaram, e ele puxou as sobrancelhas espessas.

— Sr. Gornt, não acha que...

— Não. Por favor, faça o que pedi.

— Acho que está errado, desta vez. O tai-pan é esperto demais. Arranjará todo o apoio de que precisa. O senhor vai se queimar.

— Os tempos mudam. As pessoas mudam. Se a Struan passou dos seus limites, e agora não pode pagar... Bem, meu caro, estamos em Hong Kong, e espero que os sacanas fiquem encurralados. Venda trezentas mil.

— Vender a que preço, Sr. Gornt?

— Ao do mercado.

— Levará tempo para tomar emprestadas as ações. Terei que vender em lotes muito menores. Terei...

— Está sugerindo que meu crédito não é bom, ou você não sabe realizar as funções normais de corretagem?

— Não. Claro que não — replicou Stern, sem querer ofender o seu maior cliente.

— Ótimo, então venda Struan a descoberto. Agora. Gornt o observou enquanto ele se afastava. Seu coração batia agradavelmente.

Stern foi até Sir Luís Basílio, da velha firma de corretagem Basílio e Filhos, que detinha, pessoalmente, um grande bloco de ações da Struan, além de ter muitos clientes substanciais que detinham número ainda maior. Tomou emprestadas as ações, depois caminhou até o quadro e escreveu a imensa oferta na coluna de venda. O giz fez muito barulho. Gradativamente, fez-se silêncio na sala. Os olhares se voltavam para Dunross e Alan Holdbrook, para os americanos, depois para Gornt, e de novo para Dunross. Gornt viu Linc Bartlett e Casey a observá-lo, e ficou contente porque ela estava lá. Casey usava saia e blusa de seda amarela, muito californiana, e um lenço de cabeça verde prendendo os cabelos. "Por que será que ela é tão sensual?", perguntou-se Gornt, distraidamente. "Uma estranha aura de convite parece cercá-la. Por quê? Será que é porque nenhum homem ainda a satisfez?"

Sorriu para ela, com um leve aceno de cabeça. Ela lhe retribuiu com um meio sorriso, e ele pensou ter notado nele uma sombra. Cumprimentou Bartlett polidamente, e recebeu de volta um cumprimento igualmente polido. Os olhos dele fixaram-se nos de Dunross, e os dois homens ficaram se fitando.

O silêncio aumentou. Alguém tossiu nervosamente. Todos estavam conscientes da imensidão da oferta, e das implicações que ela trazia.

Stern indicou com uma batidinha a sua oferta, novamente. Holdbrook inclinou-se para a frente e consultou Dunross, que alçou ligeiramente os ombros e sacudiu a cabeça, depois começou a conversar baixinho com Bartlett e Casey.

Joseph Stern esperou. Então, alguém se ofereceu para comprar uma parte, e ficaram discutindo o preço. Logo, cinqüenta mil ações tinham mudado de dono, e a nova cotação do mercado era 24,90. Ele mudou o número 300 000 para 250 000 e ficou esperando. Vendeu mais algumas, mas o grosso permaneceu. Então, como não houve compradores, voltou para o seu lugar. Estava suando.

— Se esse número ficar ali de um dia para o outro, não vai fazer nenhum bem à Struan.

— É. — Gornt ainda observava Casey, que escutava atentamente o que Dunross dizia. Ele se recostou na cadeira e pensou por um momento. — Venda mais cem mil do Ho-Pak.....e duzentas mil da Struan.

— Santo Deus, Sr. Gornt, se a Struan cair, o mercado inteiro vai balançar, até sua própria companhia vai perder.

— Haverá uma adaptação. Várias adaptações, é claro.

— Haverá um banho de sangue. Se a Struan cair, outras companhias também cairão, milhares de investidores perderão tudo e...

— Não estou precisando de um sermão sobre a economia de Hong Kong, Sr. Stern — disse Gornt, friamente. — Se não quiser seguir minhas instruções, vou procurar quem o faça.

Stern enrubesceu.

— Eu... terei que arrebanhar as ações primeiro. Um número desses... conseguir tal soma...

— Então sugiro que se apresse! Quero isso no quadro ainda hoje!

Gornt ficou olhando enquanto ele se afastava, saboreando tremendamente aquele momento. "Filho da mãe atrevido!", pensava. "Os corretores não passam de parasitas, todos eles." Sentia-se muito seguro. O dinheiro de Bartlett estava na sua conta. Podia recomprar Ho-Pak e Struan naquele momento, e ficar milhões à frente. Satisfeito, seu olhar voltou a se fixar em Casey. Ela o observava. Não pôde ler nada na fisionomia da moça.

Joseph Stern circulava por entre os corretores. Parou de novo à mesa de Basílio. Sir Luís Basílio afastou os olhos do quadro e sorriu para ele.

— Então, Joseph? Quer tomar emprestadas mais ações da Casa Nobre?

— Sim, por favor.

— Para Quillan? — perguntou Sir Luís. Era um belo velho, pequeno, elegante, muito magro, na casa dos setenta. Era o presidente do comitê que dirigia a Bolsa naquele ano.

— Sim.

— Venha sentar-se aqui, vamos conversar um momento, velho amigo. Quantas está querendo, agora?