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— Ora, qual é, Penn? Você leva uma hora a mais do que eu. Ficaremos só um pouco, sairemos logo depois do jantar. Quan... — O telefone tocou, e ele atendeu. — Sim? Oh, alô, Sr. Deland.

— Boa noite, tai-pan. Quero informar sobre a filha de Mme de Ville e seu genro, M. Escary.

— Por favor, prossiga.

— Sinto-me consternado por ter de dar notícias tão más. O acidente foi, como se diz, uma batida de raspão na parte de cima da Corniche, pertinho de Èze. O motorista do outro carro estava bêbado. Foi mais ou menos às duas da manhã, e quando a polícia chegou, M. Escary já estava morto, e sua mulher, inconsciente. O doutor diz que ela vai sarar, muito bem. Mas teme que os... os órgãos internos dela, seus órgãos reprodutores, possam ter sido afetados permanentemente. Pode precisar de uma operação. Ele...

— Ela está sabendo disso?

— Não, monsieur, ainda não, mas Mme de Ville sabe, o médico lhe contou. Fui recebê-la, como o senhor mandou, e cuidei de tudo. Pedi a um especialista nessas coisas, de Paris, que viesse dar o seu parecer, e ele chega ao Hospital de Nice hoje à tarde.

— Mais algum dano?

— Não externamente. Um pulso quebrado, alguns cortes, nada. Mas a pobre moça está arrasada. Foi bom... fiquei feliz por a mãe dela ter vindo, isso ajudou, ajudou. Está hospedada numa suíte no Metrópole, e fui recebê-la no aeroporto. Claro que estarei sempre em contato com ela.

— Quem dirigia?

— Mme Escary.

— E o outro motorista? Uma hesitação.

— O nome dele é Charles Sessonne. É padeiro em Èze, e ia voltando para casa, depois de uma noitada de cartas com amigos. A polícia já... Mme Escary jura que o carro dele estava na contramão. Ele não se lembra. Naturalmente, lamenta muito, e a polícia já o indiciou por dirigir bêbado, e...

— É a primeira vez?

— Non. Non, já houve uma vez em que foi detido e multado.

— O que acontecerá, segundo a lei francesa?

— Haverá um julgamento e depois... não sei, monsieur. Não houve outras testemunhas. Talvez uma multa, talvez a cadeia, não sei. Talvez ele se recorde de que estava na mão, quem sabe? Lamento muito.

Dunross pensou por um momento.

— Onde mora esse homem?

— Rue de Verte, 14, Èze.

Dunross lembrava-se bem da aldeia, não ficava longe de Monte Cario, bem no alto, e de lá se enxergava toda a Cote d'Azur, a Itália, para além de Monte Cario, e Nice, para além de Cap Ferrat.

— Obrigado, Sr. Deland. Mandei-lhe por telex dez mil dólares para as despesas de Mme de Ville e qualquer outra coisa. Faça o que for necessário. Ligue para mim, imediatamente, se houver algum problema... e por favor peça ao especialista para ligar para mim logo após ter examinado Mme Escary. Já falou com o Sr. Jacques de Ville?

— Não, tai-pan, o senhor não me deu ordens para isso. Quer que eu ligue?

— Não, eu ligo. Mais uma vez, obrigado.

Dunross desligou e contou tudo para Penelope, exceto sobre os ferimentos internos.

— Que horrível! Que coisa mais... sem sentido! Dunross estava olhando pela janela para o pôr-do-sol. Fora ele que sugerira que o jovem casal fosse para Nice e Monte Cario, onde ele e Penelope tinham se divertido tanto: comida maravilhosa, vinhos maravilhosos e um pouco de jogo. "Joss", pensou, depois acrescentou: "puta que o pariu!"

Ligou para a casa de Jacques de Ville, mas não o achou. Deixou um recado para que lhe telefonasse.

— Eu o verei logo mais, no jantar — disse, o champanha agora sem gosto. — Bem, é melhor nos vestirmos.

— Eu não vou, querido.

— Ora, mas...

— Tenho um monte de coisas para aprontar para amanhã. Arranje uma desculpa para mim... claro que você tem de ir. Estarei ocupadíssima. As coisas de escola de Glenna... e Duncan chega na segunda, e o material e roupas de escola dele têm que ser preparados. Você terá que levá-lo até o avião, e cuidado para ele não esquecer o passaporte... É fácil você arranjar uma desculpa para mim hoje, já que vou viajar.

Ele deu um débil sorriso.

— Claro, Penn, mas qual é o verdadeiro motivo?

— Vai ser uma festança. Robin estará lá.

— Eles só voltam amanhã!

— Não, estava na edição extra do Guardian. Chegaram esta tarde. A delegação inteira sem dúvida será convidada. — O banquete estava sendo oferecido por um multimilionário do mercado de imóveis, Sir Shi-teh T'Chung, em parte para comemorar o título de cavaleiro que recebera na última Lista de Honrarias, mas principalmente para dar início ao seu mais recente programa de caridade, a construção da nova ala do Elizabeth Hospital. — Não tenho mesmo vontade de ir, e contanto que você vá, tudo bem. Também estou querendo dormir cedo. Por favor.

— Está bem. Vou cuidar desses telefonemas, depois vou para lá. Mas falo com você antes de sair. — Dunross subiu as escadas e entrou no seu gabinete. Lim esperava. Usava uma túnica branca, calças pretas e sapatos macios. — Boa noite, Lim — disse Dunross em cantonense.

— Boa noite, tai-pan. — Discretamente, o velho chamou-o até a janela. Dunross podia ver dois homens, chineses, vadiando do outro lado da rua, do lado de fora do muro alto que cercava a Casa Grande, junto dos portões de ferro altos e abertos. — Há algum tempo que estão ali, tai-pan.

Dunross observou-os por um momento, inquieto. Seus próprios guardas haviam sido dispensados, e Brian Kwok, que também fora convidado para a festa de Sir Shi-teh, viria buscá-lo dali a pouco, no papel de substituto.

— Se não tiverem ido embora até o anoitecer, ligue para o gabinete do superintendente Crosse. — Anotou o número, depois acrescentou em cantonense, com a voz subitamente dura:

— Por falar nisso, Lim, se eu quiser que se mexa em algum carro de demônio estrangeiro, darei a ordem.

Viu que os velhos olhos o fitavam, impassíveis. Lim Chu estava com a família desde os sete anos, como o seu pai antes dele, e o pai dele, o primeiro da sua linhagem, que, antigamente, antes da existência de Hong Kong, fora o Empregado Número Um, e cuidara da mansão dos Struans em Macau.

— Não estou entendendo, tai-pan.

— Não se pode embrulhar fogo com papel. A polícia é esperta, e o velho Barba Negra é um grande amigo da polícia. Os peritos sabem examinar os freios e tirar toda espécie de informações.

— Não sei nada sobre a polícia. — O velho deu de ombros, depois abriu um sorriso. — Tai-pan, não subo em árvores para achar peixes. Nem o senhor. Preciso contar-lhe que, durante a noite, não pude dormir e vim para cá. Havia uma sombra no balcão. No momento em que abri a porta do gabinete, a sombra escorregou pelo cano de escoamento e sumiu no meio dos arbustos. — O velho apanhou um pedaço rasgado de pano.

— Isto aqui estava no cano.

A fazenda era comum, sem nada de especial.

Dunross examinou-a, perturbado. Lançou um olhar para o retrato de Dirk Struan, encimando a lareira. Estava na posição exata. Ele o afastou e viu que o fio de cabelo que havia equilibrado delicadamente numa dobradiça do cofre não fora tocado. Satisfeito, recolocou o quadro no lugar, depois foi verificar as trancas das portas envidraçadas. Os dois homens continuavam lá. Pela primeira vez, Dunross ficou muito contente por ter uma guarda do sei.

34

19h58m

Estava quente e úmido no escritório de Phillip Chen, e ele estava sentado ao lado do telefone, fitando-o nervosamente. A porta se abriu e ele deu um salto. Dianne foi entrando.

— Não há motivo para esperar mais, Phillip — falou, com irritação. — É melhor ir mudar de roupa. Aquele demônio do Lobisomem não vai ligar hoje à noite. Alguma coisa deve ter acontecido. Vamos indo! — Usava um cheong-sam de noite, no estilo mais moderno e dispendioso, o cabelo armado, e estava enfeitada de jóias como uma árvore de Natal. — É. Alguma coisa deve ter acontecido. Quem sabe a polícia... hum, é esperar demais que o tenham agarrado. O mais provável é que o demônio fang pi esteja brincando conosco. É melhor ir se vestir, ou chegaremos tarde. Se andar depres...