Выбрать главу

— É verdade sobre Casey? Que se despiu e mergulhou como se fosse uma campeã olímpica? — perguntou Pugmire.

— Melhor ainda! E nuazinha em pêlo, meu velho — exagerou Dunross. — Como a Vênus de Milo! Provavelmente o melhor... de tudo... que já vi.

— É? — comentaram eles, de olhos saltados.

— É.

— Meu Deus, mas nadar na baía de Aberdeen! Naquele esgoto! — falou McBride, as sobrancelhas erguidas. — Se vocês sobreviverem vai ser um milagre!

— O dr. Tooley disse que o mínimo que teremos será gastroenterite, disenteria ou a peste. — Dunross revirou os olhos. — Bem, para morrer basta estar vivo. Alguma coisa mais?

— Tai-pan — disse Shi-teh. — Eu... espero que não se incomode, mas... bem... gostaria de dar início a um fundo beneficente para as famílias das vítimas.

— Boa idéia! O Turf Club também devia contribuir. Donald, quer procurar os outros administradores hoje, e obter a aprovação deles? Que tal cem mil?

— É um pouco generoso demais, não é? — comentou Pugmire.

Dunross empinou o queixo.

— Não. Vamos contribuir com cento e cinqüenta mil, então. A Casa Nobre contribuirá com a mesma quantia. — Pugmire ruborizou-se. Ninguém disse nada. — Reunião encerrada? Ótimo. Bom dia.

Dunross ergueu o chapéu polidamente, e afastou-se.

— Com licença um momento! — Crosse fez sinal a Brian Kwok para segui-lo. — Ian!

— Sim, Roger?

Quando Crosse chegou junto de Dunross, falou suave-

— Ian, está confirmada a chegada de Sinders no vôo da boac de manhã. Iremos do aeroporto direto para o banco, se for conveniente.

— O governador também estará presente?

— Pedirei a ele que vá. Devemos estar lá por volta das seis.

— Se o avião chegar no horário — disse Dunross, sorrindo.

— Já conseguiu a liberação formal do Eastern Cloud?

— Já, obrigado. Recebi a notícia por telex ontem, de Delhi. Mandei que ele voltasse para cá, imediatamente, e zarpou com a maré. Brian, lembra-se da aposta que você queria fazer... aquela sobre Casey? Sobre os peitos dela... cinqüenta dólares contra uma moeda de cobre que são os melhores em Hong Kong?

Brian Kwok enrubesceu, cônscio do olhar gélido de Crosse.

— Bem... lembro, sim, por quê?

— Não sei se são os melhores, mas como o julgamento de Paris, você teria um problema e tanto se... eles fossem realmente avaliados!

— Então é verdade que ela estava pelada?

— A própria Lady Godiva em ação de salvamento. — Dunross despediu-se com um gesto de cabeça amável e foi saindo, dizendo: — Até amanhã.

Os dois ficaram olhando enquanto ele se afastava. À saída, um agente do sei esperava para acompanhá-lo.

— Ele está tramando alguma coisa — disse Crosse.

— Concordo, senhor.

Crosse desviou os olhos de Dunross e olhou para Brian Kwok.

— Você costuma fazer apostas sobre as glândulas mamárias de uma senhora?

— Não, senhor. Sinto muito, senhor.

— Ótimo. Felizmente, as mulheres não são as únicas fontes de beleza, são?

— Não, senhor.

— Existem os cães de caça, os quadros, a música, até mesmo uma boa bolada, não é?

— É, sim, senhor.

— Espere aqui, por favor — falou Crosse, voltando para junto dos outros administradores.

Brian Kwok soltou um suspiro. Estava entediado e cansado. A equipe de homens-rãs havia se encontrado com ele em

Aberdeen, e embora ele houvesse sabido quase imediatamente que Dunross estava a salvo, e já tinha até ido para casa, tivera que passar metade da noite ajudando a organizar a busca dos corpos. Fora uma tarefa lúgubre. Então, quando estava prestes a ir para casa, Crosse ligara para ele, mandando que estivesse em Happy Valley ao alvorecer. Portanto, não havia por que ir dormir. Ao invés disso, fora ao Restaurante Para e ficara olhando com cara feia para os tríades e para Ko Um Pé Só.

Agora observava Dunross. "O que aquele sacana guarda no mais íntimo da sua mente?", perguntou-se, sentindo uma pontada de inveja. "O que eu não faria com o poder e o dinheiro dele!"

Viu Dunross mudar de direção, indo para a tribuna mais próxima. Depois notou Adryon sentada ao lado de Martin Haply, ambos fitando os cavalos, sem perceber a presença de Dunross. "Dew neh loh moh", pensou, surpreso. "Curioso, esses dois estarem juntos. Puxa, mas que beldade! Graças a Deus não sou o pai daquela garota. Ficaria doido."

Crosse e os outros também haviam notado Adryon e Martin Haply, com espanto.

— O que aquele filho da mãe está fazendo com a filha do tai-pan? — perguntou Pugmire, com azedume.

— Boa coisa não pode ser — disse alguém.

— Aquele desgraçado só cria problemas! — resmungou Pugmire, e os outros concordaram. — Não sei por que o Toxe não o despede!

— O cretino é socialista, esse é o motivo! Também devia ser dispensado.

— Ora, corta essa, Pug! Toxe é legal... assim como alguns socialistas — disse Shi-teh. — Mas ele devia despedir o Haply. Seria melhor para todos nós!

Todos eles haviam sido alvo dos ataques de Haply. Algumas semanas antes, ele escrevera uma série de artigos reveladores e mordazes sobre algumas das transações comerciais de Shi-teh dentro do seu imenso conglomerado de companhias, e insinuara que todo tipo de contribuições dúbias estavam sendo feitas para diversos VIPS no governo de Hong Kong, em troca de favores.

— Concordo — disse Pugmire, cheio de ódio por ele, também. Haply, com a sua precisão, relatara os detalhes particulares da próxima fusão de Pugmire com a Superfoods, e deixara bem evidente que Pugmire lucraria bem mais do que seus acionistas da General Stores, que mal haviam sido consultados quanto aos termos da fusão. — Filho da mãe safado! Gostaria de saber onde obtém suas informações.

— É curioso que Haply esteja com ela — disse Crosse,observando os lábios deles, esperando que falassem. — A única grande companhia que ainda não atacou é a Struan.

— Acha que agora é a vez da Struan, e que Haply está tentando extrair informações de Adryon? — perguntou um dos outros. — Mas seria fantástico!

Excitados, ficaram olhando enquanto Dunross entrava nas tribunas, ainda sem ter sido notado pelos dois jovens.

— Talvez o Ian vá surrá-lo como surrou aquele outro filho da mãe — comentou Pugmire, alegremente.

— Hem? — disse Shi-teh. — Quem? Que história é essa?

— Ora, pensei que você soubesse. Faz uns dois anos um jovem executivo do Vic recém-chegado da Inglaterra começou a perseguir Adryon. Ela tinha dezesseis, talvez dezessete anos... ele tinha vinte e dois. Era como uma casa, maior do que o Ian, e se chamava Byron. Pensava que era lorde Byron no ataque, e montou uma campanha. A pobre garota ficou fascinada. Ian advertiu-o uma última vez. O safado continuava a procurá-la. Então Ian convidou-o para ir ao seu ginásio em Shek-O, calçou luvas de boxe (sabia que o cretino se considerava um boxeador) e deu-lhe uma surra em regra. — Os outros acharam graça. — Até o final da semana o banco o dispensara.

— Você assistiu à luta? — perguntou Shi-teh.

— Claro que não. Estavam a sós, é claro, mas o infeliz ficou num estado lastimável. Não gostaria de me opor ao tai-pan... não quando está irritado.

Shi-teh voltou a olhar para Dunross.

— Quem sabe não fará o mesmo com aquele cretino? — falou, satisfeito.