Выбрать главу

— Quem organiza isso, comandante? — perguntou Crosse. Suslev olhou para Brian Kwok, que lhe devolveu o olhar com antipatia sem disfarces.

— Por que está com tanta raiva? O que lhe fiz?

— Por que o império russo é tão ganancioso, especialmente quando se trata do solo chinês?

— Política! — exclamou Suslev, com azedume, depois acrescentou para Crosse: — Não me meto em política.

— Vocês se metem o tempo todo, seus sacanas! Qual o seu posto no KGB?

— Não tenho nenhum.

— Um pouquinho de cooperação poderia ser de muita utilidade — disse Crosse. — Quem organiza as suas tripulações, comandante Suslev?

Suslev lançou-lhe um olhar. Depois, disse:

— Que tal uma palavrinha em particular?

— Pois não — falou Crosse. — Espere aqui, Brian. Suslev deu as costas a Brian Kwok e foi descendo a escada da saída que levava ao gramado. Crosse foi atrás dele.

— O que acha das chances de Noble Star? — perguntou Suslev, cordialmente.

— Boas. Mas ela nunca correu no molhado.

— Pilot Fish?

— Olhe para ele... veja por si mesmo. Adora o molhado. Será o favorito. Pretende estar aqui no sábado? Suslev apoiou-se na cerca. E sorriu.

— Por que não? Crosse riu baixinho.

— É mesmo, e por que não? — Tinha certeza de que agora estavam realmente a sós. — Você é um bom ator, Grigóri, muito bom.

— Você também, camarada.

— Está se arriscando pra burro, não está? — disse Crosse, os lábios mal se movendo enquanto falava.

— Estou, mas afinal a vida toda é um risco. O Centro ordenou que eu assumisse até que chegue o substituto do Voranski... há muitos contatos e decisões importantíssimos a serem realizados nesta viagem. Um deles, sem dúvida, a Sevrin. E, de qualquer modo, como sabe, é isso o que Arthur queria.

— Às vezes eu me pergunto se ele está sendo sensato.

— Está sendo sensato. — Suslev sorriu, e algumas pequenas rugas se formaram ao redor dos seus olhos. — Oh, sim. Muito sensato. Estou satisfeito em vê-lo. O Centro está muito satisfeito com o seu trabalho. Tenho muito o que lhe contar.

— Quem foi o sacana que "vazou" a Sevrin para A. M. Grant?

— Não sei. Algum desertor. Assim que o descobrirmos, será um homem morto.

— Alguém atraiçoou um grupo do meu pessoal para a RPC. O "vazamento" deve ter vindo do relatório de Alan. Você leu a minha cópia. Quem mais no seu navio leu? Alguém se infiltrou na sua operação aqui!

Suslev empalideceu.

— Vou ordenar uma imediata verificação de segurança. O traidor poderia ter vindo de Londres, ou de Washington.

— Duvido. Não haveria tempo. Acho que veio daqui. E ainda há o caso de Voranski. Há alguém infiltrado na operação de vocês.

— Se a RPC... é, a investigação será feita. Mas quem? Apostaria a minha vida que não há nenhum espião a bordo.

Crosse estava igualmente sombrio.

— Há sempre alguém que pode ser subornado.

— Tem um plano de fuga?

— Vários.

— Tenho ordens de ajudá-lo de todas as maneiras. Quer um beliche no Ivánov?

Crosse hesitou.

— Vou esperar até ler as pastas de A. M. Grant. Seria uma pena, depois de tanto tempo...

— Concordo.

— Para você, é fácil concordar. Se o prenderem, será deportado, e eles lhe pedirão, educadamente, para fazer o favor de não voltar. Eu? Não gostaria de ser apanhado com vida.

— Claro. — Suslev acendeu um cigarro. — Você não será apanhado, Roger. É esperto demais. Tem algo para mim?

— Olhe lá para baixo, junto da cerca. O homem alto.

Com naturalidade, Suslev levou o binóculo aos olhos. Demorou até focalizar o homem indicado, depois olhou para outro lado.

— Aquele é Stanley Rosemont, CIA. Sabe que estão seguindo você?

— Ah, sei. Posso despistá-los, se quiser.

— O homem ao seu lado é Ed Langan, do FBI. O sujeito de barba é Mishauer, do Serviço de Informações da Marinha americana.

— Mishauer? O nome me parece familiar. Tem o dossiê deles?

— Ainda não, mas há um homossexual no consulado que está tendo um caso com o filho de um dos nossos mais destacados advogados chineses. Quando você voltar, na próxima viagem, ele terá o maior prazer em atender ao seu menor desejo.

Suslev deu um sorriso sombrio.

— Ótimo. — Outra vez, com naturalidade, olhou para Rosemont e os outros, cimentando suas fisionomias na memória. — O que ele faz?

— É o subchefe da estação. Pertence à CIA há quinze anos, oss¹, e tudo o mais. Têm mais de doze negócios de fachada aqui, e casas seguras por toda parte. Mandei uma lista em micropontos para 32.

¹ Office of Strategic Services, Departamento de Serviços Estratégicos. (N. do E. )

— Ótimo. O Centro quer que se aumente a vigilância sobre todos os movimentos da CIA.

— Não há problema. Eles são descuidados, e estão se atolando cada vez mais.

— No Vietnam?

— Claro que no Vietnam. Suslev deu uma risadinha abafada.

— Aqueles pobres idiotas não sabem em que fria foram forçados a entrar. Ainda pensam que podem lutar na selva com táticas da Coréia ou da Segunda Guerra Mundial.

— Não são todos idiotas — disse Crosse. — Rosemont é bom, muito bom. A propósito, estão sabendo da base aérea de Iman.

Suslev praguejou baixinho e apoiou-se numa das mãos, mantendo-a com naturalidade junto da boca, para impedir a leitura labial.

— ... Iman e quase tudo sobre Petropavlovsk, a nova base de submarinos em Korsakov, em Sacalina... Suslev soltou outro palavrão.

— Como descobriram?

— Traidores — disse Crosse, com um débil sorriso.

— Por que você é agente duplo, Roger?

— Por que me faz essa pergunta sempre que nos encontramos?

Suslev soltou um suspiro. Recebera ordens específicas para não sondar Crosse e para ajudá-lo de todas as maneiras possíveis. E, embora fosse o controlador de todas as atividades de espionagem do KGB no Extremo Oriente, somente no ano anterior tinham-lhe permitido tomar conhecimento do segredo da identidade de Crosse. Nos arquivos do KGB, Crosse tinha a mais alta classificação secreta, ao nível de um Philby. Mas, nem mesmo Philby sabia que Crosse vinha trabalhando para o KGB durante os últimos sete anos.

— Pergunto porque sou curioso.

— Não recebeu ordens de não ser curioso, camarada?

— Nenhum de nós obedece às ordens o tempo todo, não é? — disse Suslev, rindo. — Lá no Centro gostaram tanto do seu último relatório, que me mandaram lhe dizer que no dia 15 do mês que vem será creditada na sua conta da Suíça uma bonificação extra de cinqüenta mil.

— Ótimo. Obrigado. Mas não é uma bonificação, é um pagamento pelos serviços prestados.

— O que o sei sabe sobre a delegação visitante do Parlamento?

Crosse contou-lhe o que já dissera ao governador.

— Por que quer saber?

— Verificação de rotina. Três deles são potencialmente muito influentes: Guthrie, Broadhurst e Grey. — Suslev ofereceu-lhe um cigarro. — Estamos manobrando Grey e Broadhurst para entrarem no nosso Conselho para a Paz Mundial. Seus sentimentos antichineses serão de grande ajuda para nós. Roger, quer pôr alguém na cola de Guthrie? Talvez ele tenha alguns maus hábitos. Se fosse pego com a boca na botija, quem sabe fotografado com uma garota de Wanchai, poderia ser útil mais tarde, não?

— Verei o que posso fazer — concordou Crosse.

— Pode encontrar a escória que assassinou o pobre Voranski?

— Talvez. — Crosse o observava. — Ele já devia estar marcado há algum tempo. E isso é de mau agouro para todos nós.

— Seria gente do Kuomintang? Ou bandidos de Mao?

— Não sei. — Crosse sorriu com sarcasmo. — A Rússia não é muito popular junto a chinês algum.

— É essa a política?

— Os líderes deles são traidores do comunismo. Devemos esmagá-los antes que fiquem fortes demais.