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— A Bolsa de Valores vai abrir — falou Claudia vivamente, e entregou-lhe a pilha maior. — Cuide disso aqui, Sandra. Ah, e ele também cancelou duas reuniões de diretoria e o almoço, mas desses cuido eu.

Ambas ergueram os olhos quando Dunross entrou.

— Bom dia — cumprimentou ele. Seu rosto estava mais sério do que antes, as equimoses realçando sua austeridade.

Sandra Yi disse, meigamente:

— Todos estão muito felizes porque o senhor não se machucou, tai-pan.

— Obrigado.

Ela se retirou. Ele ficou observando o andar dela, depois notou o olhar de Claudia. Um pouco da sua austeridade o abandonou.

— Nada como uma gatinha bonita, não é? Claudia achou graça.

— Enquanto você não estava, seu telefone particular tocou duas vezes.

Referia-se ao telefone que não constava do catálogo, que só ele atendia, e cujo número só era dado aos familiares e a um punhado de pessoas especiais.

— Ah, obrigado. Cancele todos os compromissos até o meio-dia, exceto Linbar, o velho Sir Luís Basílio e o banco. Certifique-se de que o tratamento vip será dado a Penn e à srta. Kathy. Gavallan vai levá-la ao aeroporto. Primeiro, ligue-me com Tung Pão-Duro. Com Lando Mata também... pergunte se posso vê-lo, de preferência às dez e vinte, no Coffee Place. Leu meu bilhete sobre o Zep?

— Li, é terrível. Cuidarei de tudo. O ajudante-de-ordens do governador telefonou: você estará presente à reunião do meio-dia?

— Estarei — respondeu Dunross, pegando um telefone e discando enquanto Claudia saía, fechando a porta atrás de si.

— Penn? Queria falar comigo?

— Oh, Ian, sim, mas não liguei para você. É isso o que quer dizer?

— Pensei que fosse você na linha particular.

— Não, mas como estou contente que tenha ligado. Ouvi a notícia do incêndio logo cedo no rádio e... não tinha muita certeza se tinha sonhado ou não com sua volta para casa ontem à noite. Eu... fiquei muito preocupada, desculpe. Ah Tat disse que você tinha saído bem cedo, mas não confio naquela bruxa velha... às vezes não diz coisa com coisa. Desculpe. Foi muito ruim?

— Não. Não de verdade. — Relatou-lhe tudo sucintamente. Agora que sabia que tudo estava bem com ela, queria que desligasse. — Contarei os mínimos detalhes quando for buscá-la para levá-la ao aeroporto. Já verifiquei o vôo, e está no horário... — Seu intercomunicador tocou. — Espere um instantinho, Penn... Sim, Claudia?

— O superintendente Kwok na linha 2. Diz que é importante.

— Está bem. Desculpe, Penn, tenho que desligar. Apanho você com tempo de sobra para o seu vôo. Tchau, querida... Mais alguma coisa, Claudia?

— O avião de Bill Foster, de Sydney, está atrasado mais de uma hora. O sr. Havergill e Johnjohn o receberão às nove e meia. Liguei para confirmar. Parece que estão no banco desde as seis horas.

A inquietação de Dunross aumentou. Tentara falar com Havergill desde as quinze horas do dia anterior, mas o vice-presidente da junta diretora não pudera atender, e não achara que fosse adequado falar-lhe à noite, durante a festa.

"Isso não é bom. Já havia uma multidão do lado de fora do banco quando cheguei, às sete e meia.”

— O Vic não vai quebrar, vai? Ele notou a ansiedade na voz dela.

— Se quebrar, estamos todos ferrados. — Apertou a linha 2. — Oi, Brian, o que há de novo?

Brian Kwok contou-lhe sobre John Chen.

— Meu Deus, pobre John! Depois do dinheiro do resgate ter sido entregue ontem à noite, pensei que... mas que filhos da mãe! Já está morto há algum tempo?

— Já. Pelo menos há três dias.

— Mas que filhos da mãe! Já contou a Phillip e a Dianne?

— Não, ainda não. Quis lhe contar primeiro.

— Quer que eu ligue para eles? Phillip está em casa, agora. Depois de ter feito o pagamento, ontem à noite, disse a ele que não precisava vir à reunião das oito horas. Ligarei agora para ele.

— Não, Ian, isso compete a mim. Desculpe ser o portador de más notícias, mas achei que você devia saber sobre o John.

— Sim... sim, amigo velho, obrigado. Escute, tenho um compromisso na casa do governador Iá pelas sete, que acabará por volta das dez e meia. Quer tomar um drinque, ou comer alguma coisa?

— Boa idéia. Que tal o Quance Bar, no Mandarim?

— Às dez e quarenta e cinco?

— Ótimo. A propósito, deixei ordens para que sua tai-tai passasse direto pela Imigração. Lamento ter dado a má notícia. Tchau.

Dunross desligou o telefone, levantou-se e ficou olhando pela janela. O intercomunicador tocou, mas ele não escutou.

— Pobre infeliz! — resmungou. — Que desperdício! Ouviu-se uma ligeira batida, depois a porta se abriu um pouquinho, e Claudia disse:

— Com licença, tai-pan, Lando Mata na linha 2. Dunross sentou-se na borda da mesa.

— Alô, Lando, podemos nos encontrar às dez e vinte?

— Sim, claro. Soube do Zeppelin. Que terrível! Eu mal consegui salvar a pele! Maldito incêndio! Apesar de tudo, nós nos safamos, hem? Joss!

— Já entrou em contato com o Pão-Duro?

— Já. Vai chegar pela próxima barca.

— Ótimo. Lando, posso precisar de você para me apoiar hoje.

— Mas, Ian, já conversamos sobre isso ontem à noite. Pensei que tinha sido bem cla...

— É. Mas quero o seu apoio hoje — falou Dunross, a voz mais dura.

Houve uma longa pausa.

— Vou... vou falar com o Pão-Duro.

— Também vou falar com o Pão-Duro. Nesse meio tempo, gostaria de saber que conto com o seu apoio, agora.

— Já reconsiderou a nossa oferta?

— Tenho o seu apoio, Lando? Ou não?

Outra pausa. A voz de Mata revelava maior nervosismo.

— Eu lhe... eu lhe direi quando o vir, às dez e vinte. Lamento, Ian, mas tenho que falar primeiro com o Pão-Duro. Encontro você para tomarmos um café. Tchau.

O telefone foi desligado. Dunross recolocou o fone no gancho, com suavidade, e murmurou docemente:

— Dew neh loh moh, Lando, velho amigo. Pensou por um momento, depois discou.

— O sr. Bartlett, por favor.

— O telefone dele não responde. Quer deixar recado? — indagou a telefonista.

— Por favor, transfira a chamada para a srta. K. C. Tcholok.

— Como?

— Casey... srta. Casey!

O telefone tocou e Casey atendeu, com voz de sono.

— Alô?

— Ah, desculpe, ligo mais tarde...

— Ian? Não... não, tudo bem, eu já devia... estar de pé há horas... — Ouviu-a abafar um bocejo. — Meu Deus, como estou cansada! O incêndio não foi um sonho, foi?

— Não. Ciranoush, só queria me certificar de que vocês dois estavam bem. Como se sente?

— Não muito legal. Acho que devo ter distendido alguns músculos... não sei se foram as risadas ou os vômitos. Você está bem?

— Estou. Até agora. Não está com febre, nem nada? O dr. Tooley recomendou que prestássemos atenção a isso.

— Acho que não. Ainda não vi o Linc. Já falou com ele?

— Não... não respondem do quarto dele. Escute, quero convidar os dois para um drinque, às seis.

— Para mim, está ótimo. — Outro bocejo. — Estou contente de que você esteja bem.

— Ligo mais tarde para... Novamente o intercomunicador.

— O governador na linha 2, tai-pan. Disse-lhe que você iria à reunião matinal.

— Está certo. Ouça, Ciranoush, drinque às seis. Se não for possível, quem sabe uma ceia. Ligo mais tarde para confirmar.

— Certo, Ian. E Ian, obrigada pelo telefonema.

— De nada. Tchau. — Dunross apertou a linha 2. — Bom dia, senhor.

— Lamento incomodá-lo, Ian, mas preciso falar com você sobre aquele incêndio pavoroso — disse Sir Geoffrey. — É um milagre que não tenha morrido mais gente, o ministro está uma fera com a morte do pobre Sir Charles Pennyworth, e danado da vida porque os nossos regulamentos de segurança permitiram que tal coisa acontecesse. O gabinete foi informado, portanto podemos esperar repercussões de alto nível. Dunross falou-lhe da sua idéia sobre as cozinhas em Aberdeen, fingindo que era de Shi-teh T'Chung.