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— Excelente! Shitee é esperto! Já é um começo. Enquanto isso, Robin Grey, Julian Broadhurst e os outros deputados já telefonaram solicitando um encontro para protestarem contra os nossos inadequados regulamentos contra incêndio. Meu aju-dante-de-ordens disse que Grey estava irritadíssimo. — Sir Geoffrey soltou um suspiro. — Com toda a razão, talvez. De qualquer modo, o cavalheiro vai agitar o mais que puder, pode crer. Parece que até já marcou uma entrevista coletiva com Broadhurst, para amanhã. Agora que o pobre Sir Charles morreu, Broadhurst ficou sendo o membro mais antigo, e sabe Deus o que acontecerá se aqueles dois começarem a meter o pau na China.

— Peça ao ministro para amordaçá-lo, senhor.

— Já pedi, e ele respondeu "Santo Deus, Geoffrey, amordaçar um deputado? Isso seria pior do que tentar atear fogo no Parlamento!" É tudo muito exasperante. Minha idéia foi que você poderia acalmar um pouco o sr. Grey. Vou sentá-lo ao seu lado, logo mais.

— Não acho que seja boa idéia, senhor. O sujeito é um lunático.

— Concordo plenamente, Ian, mas ficaria muito grato se você tentasse. É o único em quem posso confiar. Quillan bateria nele. Ele acabou de telefonar, recusando formalmente o convite, só por causa do Grey. Quem sabe você também não poderia convidar o sujeito para as corridas do sábado?

Dunross lembrou-se de Peter Marlowe.

— Por que não convida Grey e os outros para a sua tribuna? Eu cuidarei dele, durante parte do tempo.

"Graças a Deus Penn não estará aqui", pensou.

— Está certo. Mais uma coisa: Roger me pediu para encontrar você no banco, amanhã às seis horas.

Dunross deixou o silêncio pesar.

— Ian?

— Sim, senhor?

— Às seis. O Sinders já deverá estar lá, a essa altura.

— O senhor o conhece? Pessoalmente?

— Sim. Por quê?

Só queria me certificar.

Dunross escutou o silêncio do governador. Sua tensão aumentou.

— Ótimo. Às seis. Mais uma coisa: já soube do pobre John Chen?

— Sim, senhor, faz alguns minutos. Uma desgraça.

— Concordo. Pobre coitado! Essa confusão dos Lobisomens não podia ter chegado numa hora pior. Certamente se tornará uma cause célèbre para todos os que se opõem a Hong Kong. Um aborrecimento dos diabos, além da tragédia propriamente dita. Ora, ora, bem, ao menos vivemos numa época interessante, com problemas para todo lado.

— É, sim, senhor. O Victoria está encrencado? Dunross fez a pergunta com naturalidade, mas estava bem atento, e notou a ligeira hesitação antes de Sir Geoffrey responder, despreocupadamente:

— Santo Deus, não! Meu caro, mas que idéia espantosa! Bem, Ian, obrigado. O resto pode esperar até a nossa reunião do meio-dia.

— Sim, senhor.

Dunross desligou o telefone e enxugou a testa. "Aquela hesitação foi de muito mau agouro", pensou com os seus botões. "Se alguém realmente sabe a extensão dos problemas, esse alguém é Sir Geoffrey. "

Uma rajada de chuva fustigou as vidraças. Tanta coisa para fazer! Seus olhos se dirigiram para o relógio. Agora o Linbar, depois Sir Luís. Já decidira o que queria do presidente da Bolsa, o que precisava obter dele. Não havia tocado no assunto na reunião da assembléia interna, logo cedo. Os outros o haviam deixado irritado. Todos eles — Jacques, Gavallan, Linbar — estavam convencidos de que o Victoria apoiaria a Struan até o fim.

— E se não apoiar? — perguntara ele.

— Temos o negócio com a Par-Con. É inconcebível que o Victoria não ajude!

— E se não ajudar?

— Quem sabe, depois de ontem à noite, Gornt pare de vender.

— Não vai parar. O que faremos?

— A não ser que consigamos detê-lo, ou adiemos os pagamentos à Toda e ao Orlin, estaremos encrencadíssimos.

"Não podemos adiar os pagamentos", pensou mais uma vez. "Sem o banco, ou Mata, ou Pão-Duro... até mesmo o negócio com a Par-Con não deterá o Quillan. Ele sabe que tem todo o dia de hoje e toda a sexta-feira para vender, vender e vender, e eu não posso comprar nem... "

— O jovem Linbar, tai-pan.

— Mande-o entrar, por favor. — Lançou um olhar ao relógio. O homem mais moço entrou e fechou a porta. — Está quase dois minutos atrasado.

— É? Desculpe.

— Parece que não consigo convencê-lo da necessidade da pontualidade. É impossível dirigir sessenta e três companhias sem a pontualidade dos executivos. Se acontecer mais uma vez, você perde a sua gratificação anual.

Linbar enrubesceu.

— Desculpe.

— Quero que você ocupe o lugar de Bill Foster na nossa operação em Sydney.

Linbar Struan animou-se.

— Claro! Gostaria muito. Há bastante tempo que tenho vontade de ter uma operação só minha.

— Ótimo. Quero você no vôo da Qantas de amanhã e...

— Amanhã? Impossível! — exclamou Linbar, sua felicidade se evaporando. — Vou levar umas duas semanas para aprontar tu...

A voz de Dunross ficou tão suave, mas tão cortante, que Linbar Struan perdeu a cor.

— Sei disso, Linbar. Mas quero que vá para lá amanhã. Fique lá duas semanas e depois volte para me apresentar seu relatório. Compreendeu?

— Sim, compreendi. Mas... mas e quanto ao sábado? E quanto às corridas? Quero ver Noble Star correr.

Dunross simplesmente olhou para ele.

— Quero-o na Austrália. Amanhã. Foster não conseguiu se apossar das Propriedades Woolara. Sem a Woolara, não temos fretador para nossos navios. Sem fretador, nossos atuais acordos bancários são nulos e sem efeito. Você tem duas semanas para corrigir este fiasco e se apresentar de volta.

— E se não o fizer? — perguntou Linbar, furioso.

— Pela madrugada, não perca tempo! Sabe muito bem a resposta. Se falhar, não pertencerá mais à assembléia interna. E se não estiver naquele avião amanhã, está fora da Struan, e ficará fora enquanto eu for tai-pan.

Linbar começou a dizer alguma coisa, mas mudou de idéia.

— Ótimo — disse Dunross. — Se tiver êxito com a Woolara, seu salário será dobrado.

Linbar apenas fitou-o.

— Mais alguma coisa, senhor? — Não. Bom dia, Linbar.

Linbar balançou a cabeça e saiu, com largas passadas.

Quando a porta se fechou, Dunross permitiu-se a sombra de um sorriso.

— Sacaninha atrevido — resmungou. Levantou-se e foi até a janela de novo, sentindo-se confinado, desejando estar no seu barco a motor, ou melhor ainda, no seu carro, fazendo as curvas depressa demais, forçando o carro, e a si mesmo, um pouco mais a cada volta, para desanuviar a cabeça. Distraidamente, endireitou um dos quadros e ficou olhando as gotas de chuva, imerso em pensamentos, entristecido por causa de John Chen.

Uma gotinha percorreu uma pista de obstáculos molhada, e desapareceu, para ser seguida por outra e mais outra. Ainda não se enxergava a vista, e a chuva caía torrencialmente.

Seu telefone particular deu sinal de vida.

— Sim, Penn? — atendeu Dunross. Uma voz estranha perguntou:

— Sr. Dunross?

— Sim, quem está falando? — indagou ele, espantado, sem conseguir identificar a voz do homem, ou seu sotaque.

— Meu nome é Kirk, Jamie Kirk, sr. Dunross. Sou... sou amigo do sr. Grant, Alan Medford Grant... — Dunross quase deixou cair o aparelho. — Alô? Sr. Dunross?

— Sim, continue, por favor. — Dunross já superara o seu choque. Alan era um dos poucos a quem dera o número particular, e ele sabia que só devia ser usado em caso de emergência, e nunca passado adiante, exceto por um motivo muito especial. — Em que posso servi-lo?

— Sou... de Londres; da Escócia, para falar a verdade. Alan mandou que eu lhe telefonasse tão logo chegasse a Hong Kong. Ele... me deu o número do seu telefone. Espero não estar incomodando.