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— Submeta o meu pedido à apreciação da diretoria. Dunross sabia que tinha votos suficientes para derrubar a oposição de Havergill. Novo silêncio.

— Muito bem. É o que farei... na próxima reunião de diretoria.

— Não. Só será realizada daqui a três semanas. Por favor, convoque uma reunião de emergência.

— Desculpe, mas não.

— Por quê?

— Não tenho que lhe dar satisfações dos meus motivos, Ian — retrucou Havergill, vivamente. — A Struan não possui nem controla esta instituição, embora tenha grande participação no nosso banco, como temos nela, que é nossa cliente valiosa. Terei prazer em submeter seu pedido à apreciação da junta diretora, na próxima reunião. Convocar reuniões de emergência cabe a mim. Exclusivamente.

— Concordo. Assim como conceder crédito. Você não precisa de uma reunião. Poderia fazer isso agora.

— Terei prazer em submeter seu pedido à apreciação da junta diretora, na próxima reunião. Mais alguma coisa?

Dunross controlou o impulso de arrancar da cara do inimigo a satisfação mal disfarçada.

— Preciso do crédito para apoiar as minhas ações. Agora.

— Claro, e Bruce e eu compreendemos que o sinal da Par-Con lhe permitirá completar suas transações com o estaleiro, e fazer um pagamento parcial ao Orlin. — Havergill soltou uma baforada do cigarro. — A propósito, estou sabendo que o Orlin não renovará... você terá que fazer o pagamento integral dentro de trinta dias, como consta do contrato.

Dunross enrubesceu.

— Como soube disso?

— Pelo presidente da junta, é claro. Liguei para ele ontem à noite para perguntar se...

— Você fez o quê?

— Naturalmente, meu caro — dizia Havergill, agora saboreando abertamente o choque de Dunross e Johnjohn —, temos todo o direito de perguntar. Afinal de contas, somos os banqueiros da Struan, e precisamos saber. Na qualidade de acionistas, também corremos riscos se você fracassar, não é?

— E você ajudará isso a acontecer?

Havergill apagou o cigarro com imenso prazer.

— Não é do nosso interesse que qualquer grande firma fracasse na colônia, muito menos a Casa Nobre. Claro que não! Não precisa se preocupar. Na hora certa interviremos e compraremos suas ações. Jamais permitiremos que a Casa Nobre fracasse.

— Quando é a hora certa?

— Quando as ações estiverem a um preço que considerarmos correto.

— E qual é ele?

— Terei que estudar o assunto, Ian.

Dunross sabia que estava derrotado, mas não deixou isso transparecer.

— Você vai permitir que as ações baixem até ficarem a preço de banana, e depois comprará o controle acionário.

— A Struan agora é uma companhia de capital aberto, não importa como as várias companhias se encadeiem — falou Havergill. — Talvez tivesse sido de bom alvitre seguir os conselhos de Alastair, e os meus... nós ressaltamos os riscos que você correria como empresa de capital aberto. E você deveria ter nos consultado antes de comprar aquela quantidade maciça de ações. É evidente que Quillan acha que você está no papo, e você realmente passou um tanto dos limites. Bem, não tema, Ian, jamais permitiremos que a Casa Nobre fracasse.

Dunross achou graça. Levantou-se.

— A colônia será um lugar muito melhor quando você estiver fora daqui.

— É — disse Havergill, bruscamente. — Meu exercício vai até 23 de novembro. Você pode estar fora da colônia antes de mim!

— Não acha que... — começou Johnjohn, abismado com a fúria de Havergill. Mas interrompeu-se quando este se virou para ele, raivosamente.

Seu exercício começa a 24 de novembro. Desde que a assembléia geral anual confirme a sua indicação. Até então, eu dirijo o Victoria.

Dunross riu de novo.

— Não tenha tanta certeza disso. Retirou-se.

Raivosamente, Johnjohn rompeu o silêncio.

— Você poderia facilmente ter convocado uma reunião de emergência. Poderia facilmente te...

— O assunto está encerrado! Entendeu? Encerrado! — Furiosamente, Havergill acendeu outro cigarro. — Temos nossos próprios problemas, que precisam ser resolvidos primeiro. Mas se esse filho da mãe conseguir sair do aperto desta vez, ficarei muito surpreso. Ele está numa posição perigosa, muito perigosa. Nada sabemos sobre esse maldito americano e sua namorada. Sabemos que Ian é teimoso, arrogante e incapaz. É o homem errado para esse cargo.

— Não é ver...

— Somos uma instituição com fins lucrativos, não beneficente, e os Dunrosses e os Struans já se meteram demais nos nossos negócios, há tempo demais! Se pudermos ficar com o controle acionário, nós nos tornaremos a Casa Nobre da Ásia... sem dúvida! Pegamos de volta o bloco das nossas ações que eles possuem. Despedimos todos os diretores e colocamos novos imediatamente, dobramos o nosso dinheiro, e eu deixaria para o banco um legado eterno. É para isso que estamos aqui... para ganhar dinheiro para o nosso banco e para os nossos acionistas! Sempre considerei o seu amigo Dunross um risco muito grande, e agora ele está indo para o brejo! E se puder ajudar a enforcá-lo, eu o farei!

O médico estava contando as pulsações de Fleur Marlowe pelo seu relógio antigo de bolso, de ouro. Cento e três. Rápido demais, pensou, com tristeza. O pulso dela era delicado. Ele colocou de novo sobre as cobertas seus dedos sensíveis, percebendo a febre. Peter Marlowe saiu do pequeno banheiro do apartamento deles.

— Nada bom, não é? — falou Tooley, com o seu jeitão áspero.

O sorriso de Peter Marlowe era cansado.

— Um tanto enfadonho, para falar a verdade. Só cólicas e muito pouca coisa saindo, só um pouco de líquido. — Seus olhos pousaram na mulher, largada na pequena cama de casal. — Como vai, boneca?

— Bem — disse ela. — Bem, obrigada, Peter.

O médico apanhou a maleta e guardou o estetoscópio.

— Saiu... saiu algum sangue, sr. Marlowe?

Peter Marlowe balançou a cabeça e sentou-se, cansado. Nem ele nem a mulher haviam dormido muito. As cólicas haviam começado por volta das quatro da madrugada, e continuavam desde então, com maior intensidade.

— Não, pelo menos ainda não — disse. — Parece-me um ataque comum de disenteria... cólicas, muita conversa fiada, e pouca coisa de concreto.

— Comum? Já teve disenteria? Quando? Que tipo de disenteria?

— Acho que foi entérica. Eu... eu fui prisioneiro de guerra em Changi, em 45... na verdade entre 42 e 45. Algum tempo em Java, mas principalmente em Changi.

— Ah, sei. Lamento muito. — O dr. Tooley lembrava-se de todas as histórias de horror saídas da Ásia depois da guerra, sobre o tratamento dado às tropas americanas e britânicas pelo exército japonês. — Sempre me senti traído, de uma maneira curiosa — disse o médico, com tristeza. — Os japoneses sempre foram nossos aliados... são uma nação insular, nós também. Bons combatentes. Fui médico dos Chindits. Acompanhei Wingate duas vezes. — Wingate era um excêntrico general britânico que concebera um plano de batalha completamente heterodoxo para enviar colunas altamente móveis de soldados britânicos saqueadores, de codinome Chindits, da Índia para as selvas da Birmânia, bem atrás das linhas japonesas, lançando-lhes suprimentos por avião. — Tive sorte... toda a Operação Chindit era meio arriscada — falou. Enquanto falava, observava Fleur, sopesando as pistas, observando-a com sua experiência, tentando identificar a moléstia agora, tentando isolar o inimigo entre uma infinidade de possibilidades, antes que ele danificasse o feto. — Os malditos aviões viviam errando o lugar onde deviam largar os suprimentos.

— Conheci dois dos seus companheiros em Changi. — O homem mais moço forçava a memória. — Em 43 ou 44, não me lembro exatamente de quando. Ou dos nomes. Foram mandados para Changi depois de capturados.

— Deve ter sido em 43. — O rosto do médico estava solene. — Uma coluna inteira foi pega numa emboscada, logo no começo. Aquelas selvas são inacreditáveis, se você nunca esteve numa. Nós nem sabíamos a quantas andávamos, na maior parte das vezes. Temo que muitos dos rapazes não tenham sobrevivido para chegar a Changi. — O dr. Tooley era um velho simpático, narigudo, cabelos ralos e mãos carinhosas, e sorriu para Fleur. — Então, mocinha — falou, com sua voz áspera e bondosa. — Está com uma pontinha de fe...