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Smyth contou seu plano a Armstrong.

— Ótimo.

— Vamos indo? Não quero ficar afastado muito tempo.

— Claro. A barra está pesada, aí fora.

— Espero que a porra da chuva dure até que a porra dos bancos cerrem as portas ou paguem até o último tostão. Você sacou o que tinha?

— Está brincando! A mixaria que tenho não faz diferença! — Armstrong esticou-se, com as costas doendo. — Ah Tam está no apartamento?

— Ao que nos consta. A família para a qual trabalha chama-se Ch'ung. Ele é lixeiro. Um dos bandidos também pode estar lá, portanto teremos que entrar rapidamente. Tenho a permissão do comissário para levar um revólver. Quer um, também?

— Não. Não, obrigado. Vamos indo, então?

Smyth era mais baixo do que Armstrong, mas forte, e a farda caía-lhe bem. Desajeitadamente, por causa do braço, pegou a capa de chuva e começou a sair na frente, depois se deteve.

— Pombas, esqueci! Desculpe, o sei... Brian Kwok telefonou, pediu que ligasse para ele. Quer usar a minha sala?

— Obrigado. Tem café por aí? Bem que eu gostaria de uma xícara.

— Num instante.

A sala era arrumada, eficiente e simples, embora Armstrong notasse as cadeiras, a mesa, o rádio e atavios dispendiosos.

— Presentes de fregueses agradecidos — disse Smyth, despreocupadamente. — Vou deixá-lo a sós por uns dois minutos.

Armstrong sacudiu a cabeça e começou a discar.

— Sim, Brian?

— Oh, alô, Robert! Como vão as coisas? O Velho mandou que a trouxessem para o QG e não a interrogassem em Aberdeen Leste.

— Está certo. Estamos de saída. Qg, hem? Qual o motivo?

— Não me contou, mas está de bom humor, hoje. Parece que temos um 16/2, logo mais à noite.

O interesse de Armstrong aumentou. Um 16/2, em termos de sei, queria dizer que haviam descoberto um aparelho inimigo e iam prender o espião ou espiões.

— Algo a ver com o nosso problema? — perguntou cautelosamente, referindo-se à Sevrin.

— Talvez. — Fez-se uma pausa. — Lembra-se do que lhe falei sobre o nosso toupeira? Estou mais convencido do que nunca de que estou certo.

Brian Kwok começou a falar em cantonense, usando frases de duplo sentido e alusões indiretas, para o caso de estar sendo ouvido. Armstrong escutava com crescente preocupação, enquanto seu melhor amigo lhe contava o que acontecera no hipódromo, a conversa longa e particular entre Crosse e Suslev.

— Mas isso não quer dizer nada. Crosse conhece o sacana. Eu mesmo já bebi com ele uma ou duas vezes, sondando-o.

— Talvez. Mas se Crosse é o nosso homem, seria bem típico dele ter um encontro em público. Heya?

Armstrong sentiu-se doente de apreensão.

— Agora não é hora, amigão — falou. — Logo que eu chegar ao QG, bateremos um papo. Quem sabe almoçamos juntos e conversamos.

Outra pausa.

— O Velho quer que se apresente a ele logo que trouxer a amah.

— Está bem. Até logo.

Armstrong desligou o aparelho. Smyth veio voltando. Pensativo, passou-lhe a xícara de café.

— Más notícias?

— Nada exceto encrenca — disse Armstrong, com azedume. — Sempre uma porra de encrenca. — Sorveu o seu café. A xícara era de excelente porcelana, e o café, fresco, caro e delicioso. — Mas que café bom! Muito bom. Crosse quer que eu a leve diretamente para o QG, não a traga para cá.

As sobrancelhas de Smyth ergueram-se bem alto.

— Pombas, o que há de tão importante sobre uma bruxa amah? — perguntou, bruscamente. — Está na minha jurisdi...

— Porra, e eu lá sei! Estou me cagan... — O homem maior interrompeu a sua explosão. — Desculpe, quase não tenho dormido nos últimos dias. Não sou eu quem dá as ordens. Crosse mandou levá-la para o QG. Sem explicação. Ele pode passar por cima de qualquer um. O sei passa por cima de qualquer um, sabe como é!

— Filho da mãe arrogante! — Smyth acabou o seu café. — Graças a Deus não sou do sei. Detestaria ter que lidar com aquele sacana todos os dias.

— Não sou do sei, e mesmo assim ele me cria problemas.

— Foi sobre o nosso toupeira? Armstrong ergueu os olhos para ele.

— Que toupeira? Smyth soltou uma risada.

— Ora, qual é! Corre um boato entre os Dragões de que nossos intrépidos líderes foram aconselhados a descobrir o sacana bem depressinha. Parece que o ministro está caindo na pele até do governador! Londres está tão puta da vida que está mandando para cá o chefe da MI-6... imagino que saiba que o Sinders chega amanhã no vôo da boac. Armstrong soltou um suspiro.

— Que diabo, onde conseguem todas essas informações?

— Telefonistas, amahs, varredores de rua... que importa! Mas pode apostar, meu velho, que pelo menos um deles sabe tudo. Conhece o Sinders?

— Não, nunca o vi. — Armstrong sorvia o seu café, saboreando a qualidade, o gosto forte que o revigorava. — Se eles sabem tudo, quem é o toupeira?

Depois de uma pausa, Smyth falou:

— Esse tipo de informação sai caro. Quer que pergunte o preço?

— Sim, por favor. — O grandalhão pousou a xícara na mesa. — O toupeira não o incomoda, não é?

— Não, nem um pouco. Estou fazendo o meu trabalho, muito obrigado, e não faz parte do meu trabalho me preocupar com agentes infiltrados ou tentar pegá-los. No momento em que vocês pegarem o sacana e o tirarem de circulação, haverá outro sacana subornado no lugar dele, e nós faremos o mesmo com eles, sejam eles quem forem. Nesse meio tempo, se não fosse por essa maldita confusão do Ho-Pak, esta delegacia ainda seria a mais bem dirigida, e minha área de Aberdeen Leste a mais tranqüila da colônia, e é só isso o que me interessa. — Smyth ofereceu um cigarro de uma cara cigarreira de ouro. — Fuma?

— Não, obrigado. Parei.

— Muito bem. Não, contanto que me deixem em paz até me aposentar, daqui a quatro anos, tudo vai bem no mundo. — Acendeu o cigarro com um isqueiro de ouro, e Armstrong odiou-o ainda mais um pouco. — A propósito, acho que é bobagem sua não aceitar o envelope deixado na sua mesa, mensalmente.

— Não diga! — falou Armstrong, a fisionomia endurecendo.

— Digo. Não precisa fazer nada para ganhá-lo. Nada mesmo. Garantido.

— Mas depois que a gente aceita um deles, fica no mato sem cachorro.

— Não. Aqui é a China, e não é a mesma coisa. — Os olhos azuis de Smyth também se tornaram mais duros. — Mas, afinal, você sabe disso melhor do que eu,

— Um dos seus "amigos" lhe pediu para me dar o recado?

Smyth deu de ombros.

— Ouvi outro boato. Sua parte da recompensa do Dragão por ter encontrado John Chen será de quarenta mil HK e...

— Não o encontrei! — exclamou Armstrong, com a voz áspera.

— Mesmo assim, estará num envelope na sua mesa, logo mais à noite. Foi o que ouvi dizer. Boatos, é claro.

A mente de Armstrong digeria a informação. Os quarenta mil HK cobririam exata e lindamente a sua dívida mais premente, e de há muito vencida, que ele tinha que saldar até segunda-feira, referente a perdas na Bolsa. Tinham-lhe dito: "Sabe como é, meu velho, precisa mesmo pagar. Já faz mais de um ano e temos as nossas regras. Embora não o esteja pressionando, preciso sem falta resolver esse assunto... "

"Smyth tem razão de novo", pensou com amargura, "os filhos da mãe sabem de tudo, e seria tão fácil saber quais as minhas dívidas. Como é, vou aceitar ou não?"

— Só quarenta? — perguntou, com um sorriso retorcido.

— Imagino que seja o bastante para cobrir o seu problema mais premente — disse Smyth, com o mesmo olhar duro. — Não é?

Armstrong não estava zangado porque o Cobra sabia tanto sobre sua vida particular. "Sei igualmente muito sobre a dele, embora não saiba quanto tem, ou onde está guardado. Mas seria fácil descobrir, seria fácil dobrá-lo, se eu quisesse. Muito fácil. "