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— Eu... diria que ele viu a câmera e se virou, para evitar ser fotografado.

— Foi o que também pensei. Você o reconhece? Armstrong espiou o rosto, tentando desanuviar a cabeça.

— Não.

— Voranski? O nosso amigo soviético morto?

— Talvez. Não, acho que não.

— E quanto ao Dunross, o Ian Dunross?

Mais abalado, Armstrong levou a foto para junto da luz.

— É possível... mas improvável. Se... se for Dunross, então... acha que ele é o agente infiltrado da Sevrin? Impossível.

— Improvável, não impossível. É amigo do peito de Brian. — Crosse pegou de novo a foto e examinou-a. — Seja quem for, é familiar o que se consegue ver dele, mas não consigo identificar o homem, ou onde o vi. Ainda. Bem, não faz mal. Brian se lembrará. É. — A voz dele tornou-se sedosa. — Ah, não se preocupe, Robert, vou preparar o Brian para você, mas caberá a você dar o golpe de misericórdia. Quero saber quem é esse sujeito bem ligeiro. Na verdade, quero saber tudo o que o Brian sabe, bem, bem ligeiro.

— Não. Arranje outro...

— Ora, Robert, não seja tão chato! Chu-toy Wu, aliás Brian Kar-shun Kwok, é um agente inimigo que nos tapeou durante anos, só isso. — A voz de Crosse parecia penetrar em Armstrong. — A propósito, você vai participar do 16/2 logo mais às seis e meia, e também foi convocado para o sei. Já falei com o comissário.

— Não, e não posso interro...

— Ora, meu caro, pode e vai. É o único que pode. Brian é esperto demais para ser pego como um amador. Claro que estou tão espantado ao saber que era o toupeira quanto você, quanto o governador!

— Por favor. Não...

— Ele traiu Fong-fong, outro amigo seu, não foi? Deve ter "vazado" os documentos de A. M. Grant. Deve ser ele a pessoa que tem fornecido todos os nossos dossiês para o inimigo, e todas as outras informações. Sabe Deus a quanta coisa teve acesso no curso do estado-maior e em todos os outros cursos! — Crosse fumava o seu cigarro, a fisionomia normal.

— No sei ele tinha autorização para saber de quase tudo ligado à segurança, e certamente concordo que estava sendo preparado para um altíssimo cargo... eu ia fazer dele o meu número 2! Portanto, é melhor sabermos bem ligeiro tudo a seu respeito. Curioso, estávamos procurando um agente soviético infiltrado, e não é que encontramos um da República Popular da China!

— Apagou o cigarro. — Já mandei que começassem a fazer com ele um interrogatório classificação 1.

A cor fugiu do rosto de Armstrong, e ele fitou Crosse, odiando-o abertamente.

— Você é um filho da mãe, um filho da mãe nojento e sacana.

Crosse riu suavemente.

— É verdade.

— É bicha, também?

— Talvez. Talvez apenas ocasionalmente, e apenas quando me agrada. Talvez. — Crosse fitava-o calmamente. — Ora, vamos, Robert, acha mesmo que posso ser chantageado? Eu? Chantageado? Francamente, Robert, não compreende a vida? Parece que o homossexualismo é bastante normal, mesmo nas altas esferas.

— É?

— Hoje em dia é bastante normal, quase "na moda", para alguns. Ah, é, sim, meu caro, e é praticado, de tempos em tempos, por um grupo muito católico de vips em toda parte. Até em Moscou. — Crosse acendeu outro cigarro. — É claro, é preciso ser discreto, seletivo, e de preferência não assumir compromisso, mas uma queda para o exótico podia dar todo tipo de vantagens na nossa profissão. Não é?

— Quer dizer que você justifica qualquer tipo de maldade, qualquer tipo de merda, assassinato, trapaça, mentira, em nome do maldito sei... é isso?

— Robert, não justifico nada. Sei que você está muito perturbado, mas acho que já chega.

— Você não pode me forçar a me meter no sei. Pedirei demissão.

Crosse soltou uma risada de deboche.

— Mas, meu caro, e quanto a todas as suas dívidas? E quanto aos quarenta mil até segunda-feira? — Levantou-se, os olhos duros como granito. Sua voz mal se alterara, mas agora havia nela uma nota de maldade. — Somos ambos maiores de idade, Robert. Dobre-o, e faça-o bem depressa.

45

15h

A campainha que encerrava o pregão da Bolsa de Valores tocou, mas o ruído foi abafado pelo fétido pandemônio dos corretores amontoados tentando desesperadamente completar sua transação final.

Para a Struan, o dia fora desastroso. Imensas quantidades de ações haviam sido empurradas no mercado para serem compradas vacilantemente, depois jogadas de volta de novo, enquanto os boatos se alimentavam de mais boatos, e mais ações eram oferecidas. A cotação caiu de 24, 70 para 17, 50 e ainda havia trezentas mil ações na coluna de venda. Todas as ações de bancos estavam em baixa, o mercado estava tonto. Todos esperavam que o Ho-Pak entrasse em colapso no dia seguinte... só o fato de Sir Luís Basílio ter suspendido as negociações com as ações de bancos ao meio-dia evitara que o banco soçobrasse, então,

— Puta que o pariu, que droga! — falou alguém. — Fodido pela porra da campainha.

— Olhe só para o tai-pan — exclamou outro. — Santo Deus, dá a impressão de que foi um dia como os outros, e não o dobre de finados da Casa Nobre!

— Ele tem peito, o nosso Ian, não há dúvida. Olhe como ainda sorri. Meu Deus, as ações dele baixam de 24, 70 para 17, 50 em um só dia, quando jamais estiveram abaixo de 25 desde que a empresa passou a ser de capital aberto, e é como se nada houvesse acontecido. Amanhã o Gornt vai obter o controle acionário!

— Concordo... ou o banco.

— O Vic? Não, já tem seus próprios problemas — disse outro, unindo-se ao grupo excitado e suarento.

— Pela madrugada! Acha mesmo que Gornt vai conseguir? Gornt, tai-pan da nova Casa Nobre?

— Nem posso imaginar! — gritou outro, acima da balbúrdia.

— É melhor ir se acostumando, meu velho. Mas, eu concordo, ninguém diria que o mundo do Ian está desmoronando sob seus pés...

— E já está tarde! — exclamou um outro.

— Ora, qual é? O tai-pan é um bom sujeito, o Gornt é um filho da mãe arrogante.

— Os dois são filhos da mãe! — disse um outro.

— Ah, não sei. Mas concordo que o Ian é um bocado frio, o Ian é tão frio quanto a caridade, e isso é ser frio à beça!

— Mas não tão frio quanto o pobre Willy, que está morto, ora essa!

— Willy, Willy quem? — perguntou alguém em meio às risadas. — Hem?

— Ora, Charlie, pela madrugada! É só uma brincadeira, uma rima! "À beça" com "ora essa". Que tal foi o seu dia?

— Faturei uma nota em comissões. — Eu também.

— Fantástico. Eu me desfiz de cem por cento de todas as minhas próprias ações. Agora não tenho nada aplicado, graças a Deus! Vai ser duro para alguns dos meus clientes, mas quem ganha fácil perde fácil, e eles podem agüentar o repuxo!

— Ainda estou com cinqüenta e oito mil ações da Struan, e não tenho compradores...

— Puta que o pariu!

— O que foi?

— O Ho-Pak chegou ao fim da linha! Fechou as portas.

— Como?

— Todas as porras das agências!

— Deus todo-poderoso! Tem certeza?

— Claro que tenho, e estão dizendo que o Vic também não vai abrir amanhã, que o governador vai declarar feriado bancário! Soube por fonte seguríssima, meu velho!

— Sagrado Coração de Jesus, o Vic vai fechar?

— Ah, Deus, estamos todos arruinados...

— Ouçam, acabei de falar com Johnjohn. A corrida chegou até eles, mas ele disse que ficarão bem... para não nos preocuparmos.

— Graças a Deus!

— Ele disse que houve um tumulto em Aberdeen há meia hora, quando a agência do Ho-Pak de lá fechou, mas Richard Kwang acaba de fazer uma declaração à imprensa. "Fechou temporariamente" todas as agências deles, exceto a matriz. Não há com que se preocupar, ele tem dinheiro de sobra e...