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Nova explosão de risos. Dunross aproveitou-se dela para chegar à porta, Bartlett e Casey atrás dele. Junto ao seu Rolls com chofer, Dunross falou:

— Vamos, entrem... desculpem, tenho um compromisso, mas o carro os levará para casa.

— Não, tudo bem, tomaremos um táxi...

— Não, entrem. Nessa chuva, terão que esperar meia hora.

— Nas barcas estará ótimo, tai-pan — falou Casey. — Ele poderá nos deixar lá.

Entraram e o carro arrancou, o trânsito confuso.

— O que vai fazer quanto ao Gornt? — perguntou Bartlett.

Dunross riu, e Casey e Bartlett tentaram calcular a sinceridade da risada.

— Vou esperar — disse. — É um velho costume chinês: paciência. Tudo chega às mãos daquele que espera. Obrigado por ficar de boca fechada sobre o nosso acordo. Saiu-se muito bem.

— Vai anunciá-lo amanhã, depois que o mercado fechar, conforme o planejado? — quis saber Bartlett.

— Prefiro deixar minhas opções em aberto. Conheço o mercado, você não. Talvez amanhã. — Dunross olhou para os dois, fixamente. — Talvez não antes de terça-feira, quando já tivermos assinado o contrato. Imagino que o negócio ainda esteja de pé, não? Até terça à meia-noite?

— Claro — disse Casey.

— A hora da participação pode ficar ao meu encargo? Aviso-lhes antes, mas posso precisar escolher outra hora... para manobrar.

— Sem dúvida.

— Obrigado. Claro, se já tivermos entrado pelo cano, negócio cancelado. Compreendo perfeitamente.

— O Gornt pode obter o controle? — indagou Casey. Ambos notaram a alteração nos olhos do escocês. O sorriso ainda permanecia, mas apenas na superfície.

— Não, na verdade não. Mas é claro que com ações suficientes, poderá forçar sua presença imediatamente na diretoria, e indicar outros diretores. Uma vez na diretoria, ficará por dentro da maioria dos nossos segredos, perturbará e destruirá. — Dunross lançou um olhar para Casey. — O propósito dele é destruir.

— Por causa do passado?

— Parcialmente. — Dunross sorriu, mas dessa feita eles notaram um cansaço profundo no sorriso. — É um jogo muito alto, envolve prestígio, muito prestígio, e estamos em Hong Kong. Aqui, os fortes sobrevivem e os fracos perecem, mas nesse meio tempo o governo não rouba você, nem o protege. Se não quiser ser livre e não gostar das nossas regras, ou da ausência delas, não venha para cá. Você veio atrás de lucro, heya? — Observava Bartlett. — E terá lucro, de uma maneira ou de outra.

— É — concordou Bartlett, serenamente, e Casey se perguntou até que ponto Dunross saberia do trato feito com Gornt. A idéia a perturbou.

— Nosso motivo é lucro, sim — disse ela. — Mas não é destruir.

— Isso é sensato — falou Dunross. — É melhor criar do que destruir. Ah, a propósito, Jacques perguntou se os dois gostariam de jantar com ele, logo mais, lá pelas oito e meia. Eu não posso ir, tenho uma festa oficial com o governador, mas talvez possa encontrá-los para um drinque, depois.

— Obrigado, mas hoje não posso — disse Bartlett despreocupadamente, embora não estivesse nada despreocupado ao lembrar-se de Orlanda. — E você, Casey?

— Não, obrigada, tenho um monte de trabalho para fazer, tai-pan. Que tal deixarmos para um outro dia? — perguntou, feliz, achando que ele era sensato por ficar de boca fechada, e Linc Bartlett igualmente sensato por deixar a Struan um pouco de lado, por enquanto. "É", pensou com seus botões, "vai ser ótimo jantar com o Linc, só nós dois, como no almoço. Quem sabe até a gente possa ir ao cinema, depois. "

Dunross entrou no seu escritório.

— Oh... oh, alô, tai-pan — cumprimentou Claudia. — O sr. e a sra. Kirk estão na sala de espera do andar de baixo. O pedido de demissão de Bill Foster está na sua bandeja.

— Ótimo. Claudia, não quero deixar de ver o Linbar antes que ele viaje.

Ele a observou atentamente, e embora ela fosse extremamente hábil em disfarçar os sentimentos, ele podia sentir o seu medo. Sentia o medo no prédio todo. Todos fingiam o contrário, mas a confiança estava abalada.

"Sem confiança no general", escrevera Sun Tse, "nenhuma batalha pode ser ganha, não importa o grande número de tropas e armas. "

Inquieto, Dunross reviu seu plano e sua posição. Sabia que tinha poucos movimentos a realizar, que a única defesa verdadeira era o ataque, e que ele não podia atacar sem fundos maciços. Pela manhã, quando se encontrara com Lando Mata, obtivera apenas um relutante talvez.

— ... já lhe disse que tenho que consultar primeiro o Tung Pão-Duro. Deixei recado, mas ainda não consegui me comunicar com ele.

— Ele está em Macau?

— É, acho que está. Disse que ia chegar hoje, mas não sei por que balsa. Não sei mesmo, tai-pan. Se não estiver na última balsa para cá, eu próprio irei a Macau vê-lo... se ele estiver disponível. Ligarei para você hoje à noite, tão logo tenha falado com ele. A propósito, já reconsiderou nossas ofertas?

— Já. Não posso vender-lhes o controle acionário da Struan. E não posso deixar a Struan e ir administrar o jogo em Macau.

— Com o nosso dinheiro esmagará o Gornt, poderá...

— Não posso passar adiante o controle.

— Talvez pudéssemos combinar as duas ofertas. Nós o apoiaremos contra Gornt em troca do controle da Struan, e você dirigirá o nosso sindicato do jogo, secretamente, se quiser. É, podia ser em segredo...

Dunross mudou de posição na poltrona, certo de que Lando Mata e Pão-Duro estavam usando a armadilha em que estava preso para atender aos próprios interesses. "Como Bartlett e Casey", pensou, sem raiva. "Que mulher interessante! Linda, corajosa e leal... a Bartlett. Será que ela sabe que ele tomou café com Orlanda, hoje de manhã, e depois foi ao apartamento dela? Será que eles sabem que eu sei dos dois milhões da Suíça? Bartlett é esperto, muito esperto, e está fazendo todas as jogadas corretas, mas está desguarnecido no ataque, porque é previsível, e sua jugular é uma moça asiática. Talvez Orlanda, talvez não. Mas sem dúvida uma Pele Dourada cheia de juventude. Quillan foi muito vivo em colocá-la como isca na armadilha. É. Orlanda é uma isca perfeita", pensou, depois voltou a se concentrar em Lando Mata e seus milhões. "Para conseguir esses milhões, teria que quebrar o meu Juramento Sagrado, e isso não farei. "

— Quais os telefonemas que tenho, Claudia? — perguntou, uma súbita pontada gelada no estômago. Mata e Pão-Duro tinham sido o seu trunfo, o último que restava.

Ela hesitou, depois olhou para a lista.

— Hiro Toda ligou de Tóquio, ligação pessoal. Por favor, ligue para ele quando tiver um momento sobrando. E também Alastair Struan, de Edimburgo... David MacStruan, de Toronto... seu pai, de Ayr... o velho Sir Ross Struan, de Nice...

— O tio Trussler, de Londres — disse ele, interrompendo-a —, o tio Kelly, de Dublin... o primo Cooper, de Atlanta, o primo...

— De Nova York — completou Claudia.

— De Nova York. As más notícias voam — disse ele, calmamente.

— É. Depois, teve... — Seus olhos ficaram cheios de lágrimas. — O que vamos fazer?

— Tudo menos chorar — falou, sabendo que uma grande porção das economias dela estavam investidas em ações da Struan.

— Sim. Oh, sim. — Fungou e usou o lenço, triste por causa dele, mas grata aos deuses por ter tido a previdência de vender na alta e não comprar quando o chefe da Casa de Chen murmurara a todo o clã que comprasse maciçamente. — Ayeeyah, tai-pan, desculpe, por favor, desculpe... sim. Mas tudo vai muito mal, não é?

— Vai, mocinha — disse ele, imitando um sotaque escocês —, mas só quando a gente está "morrido". Não era assim que o velho tai-pan costumava dizer? — O velho tai-pan era