Выбрать главу

Sir Ross Struan, o pai de Alastair, o primeiro tai-pan de que se lembrava. — Continue com os telefonemas.

— O primo Kern, de Houston, e o primo Deeks, de Sydney. É o último da família.

— É a família toda.

Dunross soltou a respiração. O controle acionário da Casa Nobre estava com aquelas famílias. Cada uma tinha lotes de ações que havia herdado, embora pela lei da Casa só ele tivesse o poder de voto... enquanto fosse o tai-pan. Os bens da família Dunross, descendentes de Winifred, filha de Dirk Struan, constituíam dez por cento; dos Struans de Robb Struan, meio irmão de Dirk, cinco por cento; dos Trusslers e dos Kellys, descendentes de Culum e da filha mais moça da Bruxa Struan, cinco por cento cada; dos Coopers, Kerns e Derbrys, descendentes do comerciante americano Jeff Cooper, da Cooper-Tillman, o amigo de toda a vida de Dirk, que se casara com a filha mais velha da Bruxa Struan, cinco por cento cada; dos MacStruans, que se acreditava serem descendentes ilegítimos de Dirk, dois e meio por cento; e dos Chens, sete e meio por cento. O grosso das ações, cinqüenta por cento, propriedade pessoal e legado da Bruxa Struan, ficava num fideicomisso perpétuo, a ser votado pelo tai-pan "quem quer que ele seja, e o lucro obtido será dividido anualmente, cinqüenta por cento para o tai-pan, o resto proporcionalmente aos bens das famílias... mas somente se o tai-pan assim o decidir", escrevera ela, na sua letra ousada e firme. "Se ele resolver reter os lucros das minhas ações por qualquer motivo, poderá fazê-lo. Depois esse incremento irá para o fundo particular do tai-pan, para o uso que ele achar conveniente. Mas que todos os futuros tai-pans tomem tento: a Casa Nobre passará de Mão segura para Mão segura, e os clãs de Porto seguro para Porto seguro, como o tai-pan em pessoa decretou, perante Deus, acrescentarei a minha maldição à dele, sobre aquele ou aquela que nos falhar... "

Dunross sentiu um arrepio percorrê-lo ao se lembrar da primeira vez que lera o testamento dela... tão dominador quanto o legado de Dirk Struan. "Por que somos tão possuídos por esses dois?", perguntou-se novamente. "Por que não podemos livrar-nos do passado, por que temos que viver à disposição de fantasmas, e de fantasmas que nem são lá muito bons?

"Eu não vivo assim", disse para si mesmo, com firmeza, "estou apenas tentando me equiparar aos seus padrões. "

Voltou a olhar para Claudia, matronal, durona e muito segura de si, mas agora assustada, assustada pela primeira vez. Ele a conhecera a vida inteira, e ela servirá ao velho Sir Ross, depois ao seu pai, depois a Alastair, e agora a ele próprio com uma lealdade fanática, assim como Phillip Chen. "Ah, Phillip, pobre Phillip. "

— Phillip telefonou? — perguntou.

— Telefonou, tai-pan. E Dianne também. Ligou quatro vezes.

— Quem mais?

— Uma dúzia, ou mais. Os mais importantes são Johnjohn, do banco, general Jean, de Formosa, Gavallan père, de Paris, Wu Quatro Dedos, Pug...

— Quatro Dedos? — Dunross ficou esperançoso. — Quando ligou?

Ela consultou sua lista.

— Às duas e cinqüenta e seis.

"Será que o velho pirata mudou de idéia?", pensou Dunross, sua excitação aumentando.

No final da tarde anterior, ele fora a Aberdeen procurar Wu e pedir-lhe ajuda, mas, como no caso de Lando Mata, só conseguira vagas promessas.

— Escute, Velho Amigo — ele lhe dissera, em dialeto haklo, hesitante. — Nunca lhe pedi um favor antes.

— Uma longa linhagem de seus ancestrais tai-pans pediram muitos favores e obtiveram grandes lucros dos meus ancestrais — o velho respondera, os olhos astutos e irrequietos. — Favores? Fodam-se todos os cães, tai-pan, não tenho tanto dinheiro. Vinte milhões? Como é que um pobre pescador como eu ia ter tanta grana?

— Mais do que isso saiu do Ho-Pak ontem, Velho Amigo.

— Ayeeyah, fodam-se todos aqueles que murmuram informações erradas! Pode ser que eu tenha sacado o meu dinheiro em segurança, mas todo ele já se foi para pagar mercadorias, mercadorias que eu devia.

— Espero que não seja o Pó Branco — dissera Dunross, severamente. — O Pó Branco dá um azar terrível. Correm boatos de que você está interessado nele. Aconselho-o a desistir, como amigo. Meus ancestrais, o Velho Demônio de Olhos Verdes e a Bruxa Struan do Mau-Olhado e dos Dentes do Dragão, rogaram uma praga sobre aqueles que negociarem com o Pó Branco, não o ópio, mas todos os Pós Brancos e aqueles que negociarem com eles — falou, alterando a verdade, sabendo como o velho era supersticioso. — Aconselho-o a não lidar com o Pó que Mata. Sem dúvida, seu negócio de ouro é mais do que lucrativo.

— Não sei nada de Pó Branco algum. — O velho forçara um sorriso, mostrando as gengivas e alguns dentes tortos. — E não tenho medo de pragas, nem mesmo deles!

— Ótimo — disse Dunross, sabendo que era mentira. — Nesse meio tempo, ajude-me a obter crédito. Cinqüenta milhões durante três dias, é só do que preciso!

— Vou perguntar entre os meus amigos, tai-pan. Talvez possam ajudar, talvez possamos ajudar juntos. Mas não espere água de um poço vazio. A que juros?

— Juros altos, se for amanhã.

— Não é possível, tai-pan.

— Convença o Pão-Duro, você é associado e velho amigo dele.

— O Pão-Duro é a única merda de amigo que o Pão-Duro tem — dissera o velho, carrancudo, e nada do que Dunross dissesse conseguiu mudar sua atitude.

Dunross estendeu a mão para o telefone.

— Que outros telefonemas recebi, Claudia? — perguntou, enquanto discava.

— Johnjohn, do banco, Phillip e Dianne... ah, já lhe falei deles. O superintendente Crosse, todos os nossos grandes acionistas, todos os diretores administrativos de todas as subsidiárias, a maior parte do Turf Club... Travkin, seu treinador... uma lista sem fim.

— Um momentinho, Claudia. — Dunross disfarçou a ansiedade e falou ao aparelho, em haklo: — Aqui fala o tai-pan. O meu Velho Amigo está?

— Claro, claro, sr. Dunross — disse a voz americana, educadamente, em inglês. — Obrigado por responder ao telefonema. Ele já vem atender, senhor.

— Sr. Choy, sr. Paul Choy?

— Sim, senhor.

— Seu tio me falou a seu respeito. Bem-vindo a Hong Kong.

— Eu... aqui está ele, senhor.

— Obrigado.

Dunross concentrou-se. Estivera se perguntando por que Paul Choy estava agora com Quatro Dedos, e não ocupado em imiscuir-se nos negócios de Gornt, e por que Crosse telefonara, e por que Johnjohn...

— Tai-pan?

— Sim, Velho Amigo. Queria falar comigo?

— Sim. Podemos... nos encontrar hoje à noite? Dunross tinha vontade de berrar "Mudou de idéia?" Mas as boas maneiras o impediam, e os chineses não gostavam de telefones, preferindo sempre falar cara a cara.

— Claro. Por volta das oito badaladas, no turno do meio — falou, com naturalidade. Perto da meia-noite. — O mais aproximado possível — acrescentou, lembrando-se que devia encontrar-se com Brian Kwok às dez e quarenta e cinco.

— Ótimo. No meu molhe. Haverá uma sampana à espera. Dunross desligou o telefone, o coração disparado.

— Primeiro o Crosse, Claudia, depois mande entrar os Kirks. Depois, correremos a lista. Marque um telefonema coletivo com meu pai, Alastair e Sir Ross, para as cinco horas, o que dá nove para eles, e dez em Nice. Ligarei para David e os outros nos Estados Unidos logo mais à noite. Não há necessidade de acordá-los no meio da noite.

— Sim, tai-pan.

Claudia já estava discando. Crosse atendeu, ela passou o fone para Dunross e saiu, fechando a porta atrás de si.

— Sim, Roger?

— Quantas vezes já esteve na China?

A pergunta inesperada espantou Dunross, momentaneamente.

— Isso consta dos registros — falou. — É fácil você verificar.

— Sei, Ian, mas será que pode me responder agora? Por favor.

— Quatro vezes em Cantão, para a feira, todos os anos, nos últimos quatro anos. E uma vez em Pequim, com uma comissão comercial, no ano passado.