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— Não — dissera Casey. — Deixe o Gornt e o Dunross em paz, Seymour. — Eles também não haviam contado a Steigler sobre a transação particular de Bartlett com Gornt. — Hong Kong é mais complicada do que pensávamos. Melhor deixarmos como está.

— É isso aí — concordara Bartlett. — Deixe Gornt e Dunross comigo e com Casey. Cuide dos advogados deles.

— E que tal são eles?

— Ingleses. Muito certinhos — dissera Casey. — Estive com John Dawson ao meio-dia... é o sócio mais antigo da firma. Dunross devia estar presente, mas mandou Jacques de Ville no seu lugar. Ele é um dos diretores da Struan, trata de todos os negócios corporativos deles, e de alguns financiamentos. Jacques é muito bom, mas Dunross é que dirige e decide tudo. É isso aí.

— Que tal ligar para esse tal... Dawson agora mesmo? Falarei com ele durante o café da manhã. Digamos... às oito horas?

Bartlett e Casey tinham achado graça.

— Nem pensar, Seymour! — ela dissera. — Ele o receberá com calma às dez horas, e vocês conversarão durante um almoço de duas horas. Eles aqui comem e bebem como se não houvesse um amanhã, e tudo é "meu velho" para cá, "meu velho" para lá.

— Então conversarei com ele depois do almoço, quando ele estiver amolecido, e quem sabe poderei ensinar-lhe uma ou duas coisinhas — dissera Seymour Steigler, os olhos tornando-se duros. Abafara um bocejo. — Tenho que ligar para Nova York antes de ir para a cama. Ei, já estou com todos os documentos da fusão da gxr e...

— Pode dá-los a mim, Seymour — dissera Casey.

— E comprei o bloco de duzentos mil ações da Rothwell-Gornt a 23, 50. A quanto estão hoje?

— A 21.

— Meu Deus, Linc, você perdeu quinhentos mil — dissera Casey, perturbada. — Por que não vende e recompra?

— Não. Manteremos as ações. — Bartlett não estava preocupado com o prejuízo das ações da Rothwell, pois estava tendo grande lucro na sua parte do esquema de venda a descoberto de Gornt. — Por que não encerra suas atividades por hoje, Seymour? Se já estiver acordado, poderemos tomar café, os três juntos, lá pelas oito. Que tal?

— Boa noite. Casey, você marca com o Dawson para mim?

— Pode deixar. Eles o receberão pela manhã. O tai-pan... Ian já disse a eles que nosso negócio é de alta prioridade.

— E deve ser — dissera Steigler. — Nosso pagamento inicial tirará Dunross do aperto.

— Se ele sobreviver — dissera Casey.

— Hoje estamos aqui. Amanhã não estaremos mais. Então, vamos aproveitar!

Era uma das máximas de Steigler, e a frase ainda ecoava na cabeça de Bartlett. "Hoje estamos aqui, amanhã não estaremos mais... ", como o incêndio da véspera. "Eu podia ter acabado mal. Podia ter esmagado a cabeça, como aconteceu com aquele infeliz do Pennyworth. Nunca se sabe quando é a nossa vez, nosso acidente, nossa bala, ou nosso ato de Deus. Vindo de fora ou de dentro. Como aconteceu com papai. Meu Deus! Bronzeado e sadio, quase nunca estivera doente na vida, e então o médico diz que está com câncer. E em três meses ele definhou, fedeu e morreu em meio a grandes dores. "

Bartlett sentiu um suor repentino molhando-lhe a testa. Fora uma época muito ruim, aquela, durante o seu divórcio, enterrando o pai, a mãe abaladíssima, e tudo caindo aos pedaços. Depois, a conclusão do divórcio. O acordo fora uma barra, mas ele conseguira pagar tudo a ela sem ter que vender sua parte nas companhias, conseguindo manter o controle acionário. Ainda lhe pagava pensão, embora ela tivesse se casado de novo... assim como uma pensão com correção monetária para as crianças, e futuros dotes para elas... e cada centavo doía. "Não o dinheiro em si, mas a injustiça da lei da Califórnia, o advogado recebendo uma terça parte até que a morte nos separe. Fodido pelo meu advogado e pelo dela. Um dia ainda me vingarei deles", prometeu Bartlett a si mesmo, mais uma vez. "Deles e de todos os outros malditos parasitas. "

Com esforço, deixou de pensar neles. Por ora.

"Hoje estamos aqui, amanhã não estaremos mais. Então, vamos aproveitar", repetiu, enquanto tomava a sua cerveja, dava o nó na gravata e se olhava ao espelho. Sem vaidade. Gostava de viver dentro de si próprio. Havia feito as pazes consigo mesmo, sabendo quem era e o que pretendia. A guerra o ajudara a fazer isso. E a sobreviver ao divórcio, sobreviver a ela, descobrir como era, e viver com isso. Casey fora a única coisa decente em todo aquele ano.

Casey.

"E quanto a Casey?

"Nossas regras são bem claras, sempre foram. Foi ela que as estabeleceu: se qualquer um de nós tiver um encontro, não haverá perguntas ou recriminações.

"Então, por que estou nervoso, agora que resolvi sair com Orlanda sem contar a Casey?"

Lançou um olhar ao relógio. Quase hora de sair.

Bateram muito de leve à porta e ela se abriu instantaneamente; Song Noturno sorriu para ele.

— Senholita — anunciou o velho, dando um passo para o lado. Casey vinha descendo o corredor, um maço de papéis e um caderno de notas na mão.

— Oi, Casey — falou Linc. — Já ia ligar para você.

— Oi, Linc — retrucou ela, e falou em cantonense para o velho, enquanto passava: — Doh jeh. — O andar dela era animado ao entrar na suíte de dois quartos. — Tenho algumas coisas para você. — Entregou-lhe um maço de cartas e de telex e foi até o bar servir-se de um martíni seco. Usava calças justas cinzentas, tipo esporte, sapatos baixos cinzentos e camisa de seda cinzenta. Tinha o cabelo preso para trás, com um lápis espetado como único enfeite. Usava óculos, não as lentes de contato de costume. — As duas primeiras tratam da fusão da gxr. Está tudo assinado, selado e sacramentado, e tomamos posse a 2 de setembro. Há uma reunião de diretoria confirmada às três da tarde em Los Angeles... o que nos dá tempo de sobra para estar de volta. Já pedi...

— Tiro coberta da cama, Patrão? — interrompeu Song Noturno, com ar de importância, da porta.

Bartlett começou a dizer que não, mas Casey já estava sacudindo a cabeça.

— Um ho — falou amavelmente, em cantonense, pronunciando as palavras bem e com cuidado. — Cha z'er, doh jeh. — Não, obrigada, por favor, deixe para mais tarde.

Song Noturno olhou para ela, com cara de bobo.

— Wat?

Casey repetiu. O velho bufou, irritado porque a Pêlos Púbicos Dourados tinha a falta de educação de dirigir-se a ele no seu próprio idioma.

— Tiro coberta da cama, heya? Agora, heya? — perguntou num inglês ruim.

Casey repetiu as palavras em cantonense, novamente sem obter reação, começou de novo, depois parou e falou, desanimada, em inglês:

— Qual, deixe pra lá! Agora não. Mais tarde.

Song Noturno abriu um sorriso, tendo feito com que ela ficasse desprestigiada.

— Sim, senholita! — falou, e saiu, batendo a porta com força suficiente para deixar aquilo bem claro.

— Cretino — ela murmurou. — Ele não podia deixar de entender. Falei direito, sei que falei, Linc. Por que é que eles insistem em não entender? Tentei a mesma coisa com a minha criada, e tudo o que ela falou também foi: "Wat?" — Riu a contragosto, imitando a fala grosseira e guturaclass="underline" — Wat você falou, heya?

Bartlett riu.

— São simplesmente turrões. Mas onde foi que aprendeu chinês?

— É cantonense. Arranjei um professor. Arrumei uma horinha para ele hoje de manhã. Pensei que ao menos devia ser capaz de dizer "Oi", "Bom dia", "A conta, faça o favor"... coisas comuns. Porra, mas é complicado. Todos os tons... em cantonense há sete tons... sete modos de se dizer a mesma palavra. Se você pedir a conta, é "mai dan", mas se falar um pouquinho errado, quer dizer "ovos fritos", que também é "mai dan". E pode apostar que o garçom trará os ovos fritos, só para sacanear você. — Ela sorveu o seu martíni e acrescentou uma azeitona extra. — Estava precisando disso. Quer outra cerveja?

Bartlett sacudiu a cabeça.

— Não, chega.

Já lera todos os telex.

Casey sentou-se no sofá e abriu o bloco de notas.