Выбрать главу

— A secretária de Vincenzo Banastasio telefonou e pediu que eu confirmasse a suíte dele para sábado, e...

— Não sabia que ele vinha para Hong Kong. Você sabia?

— Acho que lembro de tê-lo ouvido dizer qualquer coisa sobre vir para a Ásia na última vez que o vimos... no hipódromo, mês passado... em Del Mar... quando John Chen estava lá. Que coisa terrível o que houve com o John, não é?

— Espero que prendam aqueles Lobisomens. Que filhos da mãe, assassinarem-no e colocarem nele um cartaz daqueles!

— Escrevi um bilhete de pêsames em nosso nome para o pai dele e a mulher, Dianne... Lembra que a conhecemos na casa do Ian, e em Aberdeen?... Meu Deus, parece que foi há um milhão de anos!

— É. — Bartlett franziu o cenho. — Ainda não me lembro de ter ouvido o Vincenzo dizer nada. Ele vai ficar aqui?

— Não, quer ficar no lado de Hong Kong. Confirmei a reserva no Hilton por telefone, e amanhã vou confirmar pessoalmente. Ele chegou no vôo da jal de sábado de manhã, de Tóquio. — Casey olhou-o por cima dos óculos. — Quer que eu marque uma reunião?

— Quanto tempo ele vai ficar?

— O fim de semana. Alguns dias. Sabe como ele é impreciso. Que tal no sábado, após as corridas? Estaremos no lado de Hong Kong, e é uma caminhada curta do Happy Valley até o hotel, se não arranjarmos uma carona.

Bartlett já ia dizer "Vamos marcar no domingo", mas depois lembrou-se de Taipé.

— Claro, no sábado depois das corridas. — Foi então que notou a expressão dela. — O que é?

— Só estava me perguntando qual é a do Banastasio.

— Quando ele comprou quatro por cento das nossas ações da Par-Con — retrucou ele —, verificamos a ficha dele com o Seymour, o sec e mais outros serviços, e todos afirmaram que o dinheiro dele era limpo. Nunca foi preso nem acusado, embora corram muitos boatos. Ele nunca nos criou problemas, nunca quis se meter na diretoria, nunca aparece na assembléia dos acionistas. Sempre me deu sua procuração e entrou com o dinheiro quando precisamos. — Fitou-a. — E então?

— E então, nada, Linc. Sabe qual é a minha opinião a respeito dele. Concordo que não podemos retomar as ações. Ele as comprou livremente, e perguntou primeiro, e sem dúvida estávamos precisando do dinheiro dele, e o utilizamos bem. — Ajeitou os óculos e fez uma anotação. — Vou marcar a reunião e ser cortês como sempre. Mais uma coisa: nossa conta comercial no Victoria foi movimentada. Depositei vinte e cinco mil dólares nela, e aqui está o seu talão de cheques. Criamos um fundo, e o First Central está pronto para transferir os sete milhões iniciais para a conta, quando mandarmos. Aí há um telex de confirmação. Também abri uma conta pessoal para você no mesmo banco... eis seu talão de cheques com mais vinte e cinco mil, vinte mil em letras do Tesouro de Hong Kong reaplicáveis diariamente. — Ela abriu um sorriso. — Isso deve dar para comprar duas tigelas de chop suey e um bom pedaço de jade, embora me digam que é difícil distinguir os falsos dos legítimos.

— Não o jade. — Bartlett tinha vontade de olhar para o relógio, mas não o fez. Apenas bebeu sua cerveja. — Que mais?

— Clive Bersky telefonou e pediu um favor.

— Mandou ele ir torrar o saco de outro?

Ela riu. Clive Bersky era o executivo-chefe da agência deles do First Central de Nova York. Era muito meticuloso, pedante, e deixava Bartlett maluco, exigindo documentação perfeita.

— Pediu que, se o negócio com a Struan for fechado, depositemos nossos fundos através do... — Consultou o seu bloco. — do Royal Belgium and Far East Bank, aqui.

— Por que esse?

— Não sei. Estou fazendo averiguações. Temos um encontro para tomar um drinque com o executivo-chefe local às oito. O First Central acaba de comprar o banco dele. Tem agências aqui, em Cingapura e em Tóquio.

— Cuide você dele, Casey.

— Claro. Posso tomar uma bebida e dar no pé. Quer comer depois? Podíamos ir ao Escoffier, ou aos Sete Dragões, ou quem sabe subir a Nathan Road e jantar comida chinesa. Algum lugar não muito longe daqui... a meteorologia diz que vem mais chuva por aí.

— Obrigado, mas hoje não. Vou para o lado de Hong Kong.

— É? On... — Casey se deteve. — Ótimo. A que horas vai sair?

— Agorinha. Mas não há pressa. — Bartlett viu o mesmo sorriso tranqüilo no rosto dela enquanto seus olhos corriam a lista, mas teve certeza de que ela soubera instantaneamente aonde ele ia, e de repente ficou furioso. Manteve a voz calma. — O que mais tem aí?

— Nada que não possa esperar — disse, na mesma voz agradável. — Tenho um encontro amanhã cedo com o comandante Jannelli, sobre sua viagem a Taipé... o escritório de Armstrong mandou a documentação que tira temporariamente o embargo do seu avião. Tudo o que você tem a fazer é assinar o formulário comprometendo-se a voltar a Hong Kong. Pus a data de terça-feira. Está certo?

— Claro. A terça é o Dia D. Ela se levantou.

— Por hoje chega, Linc. Cuidarei do banqueiro e do resto disto aqui. — Terminou o seu martíni e colocou o copo de volta no bar espelhado. — Ei, Linc, essa gravata! A azul combinaria melhor. Até logo, no café da manhã. — Jogou-lhe o beijo de costume, saiu como sempre, e fechou a porta com as palavras de costume: — Durma com os anjos, Linc!

— Porra, por que estou tão puto da vida? — resmungou ele com raiva. — Casey não fez nada. Filha da puta!

Sem sentir, amassou a lata de cerveja vazia. "Filha da puta! E agora? Esqueço o que houve e saio, ou o quê?"

Casey subia o corredor, fumegando, na direção do seu quarto. "Aposto a vida como ele vai sair com aquela vagabunda de uma figa. Devia tê-la afogado quando tive a chance. "

Então notou que Song Noturno tinha aberto a porta para ela, e segurava-a para que passasse, com um sorriso que ela considerou de deboche.

— E você também pode ir pra puta que o pariu! — rosnou para ele, antes que pudesse se conter. Depois bateu a porta, jogou os papéis e o bloco em cima da cama, e já ia começar a chorar. — Você não vai chorar — ordenou a si mesma em voz alta, com lágrimas na voz. — Porra de homem nenhum vai derrubar você, mas não vai mesmo! — Ficou olhando para os dedos, que tremiam com a raiva de que estava possuída. — Ah, que todos os homens vão à merda!

49

19h40m

— Com licença, Excelência, telefone para o senhor.

— Obrigado, John. — Sir Geoffrey Allison voltou-se para Dunross e os outros. — Será que me dão licença um momento, senhores?

Estavam no Palácio do Governo, a residência oficial do governador, acima da zona central, as portas envidraçadas abertas para deixar entrar o frescor da noite, o ar puro e lavado, árvores e arbustos gotejando agradavelmente. O governador atravessou a ante-sala lotada, onde estavam sendo servidos os coquetéis e os canapés que precediam o jantar, muito satisfeito com a maneira como tudo correra até ali. Todos pareciam estar se divertindo bastante. Havia brincadeiras e boa conversa, risadas e, até agora, nenhum atrito entre os tai-pans de Hong Kong e os deputados. A seu pedido, Dunross se esforçara ao máximo para apaziguar Grey e Broadhurst, e até mesmo Grey parecia mais calmo.

O ajudante-de-ordens fechou a porta do escritório, deixando-o a sós com o telefone. O escritório era verde-escuro e agradável, com papel de parede azul, belos tapetes persas trazidos da sua temporada de dois anos na embaixada de Teerã, excelentes cristais e pratarias, e mais vitrines com fina porcelana chinesa.

— Alô?

— Desculpe-me por incomodá-lo, senhor — falou Crosse.

— Oh, alô, Roger. — O governador sentiu um aperto no peito. — Não é incômodo algum — disse.

— Tenho duas informações muito boas, senhor. De certa importância. Será que posso dar uma passadinha por aí?

Sir Geoffrey olhou para o relógio de porcelana sobre a cornija da lareira.