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— Por que não compra um desses barcos-patrulha? — disse Paul Choy, colocando isca no anzol de novo. — Ou um ainda mais veloz. Assim, poderia correr mais rápido que eles.

— Um desses? Está maluco? E quem nos venderia um?

— perguntou Wu, impaciente.

— Os japoneses.

— Fodam-se todos os demônios do mar do Leste! — falou Poon.

— Pode ser, mas eles construiriam um assim para você, equipado com radar. Eles...

Interrompeu-se quando o barco-patrulha acelerou seus motores possantes e, com a sirene uivando, arremessou-se para dentro da noite, deixando um rastro de espuma.

— Olhem só para ele! — disse Paul Choy em inglês, com admiração. — Grandíssimo filho da puta!

Repetiu a frase em haklo.

— Aposto que ainda está vendo a traineira Tai com o seu olho mágico. Podem ver tudo, cada junco, navio, gruta e promontório a quilômetros de distância... até uma tempestade.

Pensativo, Wu Quatro Dedos deu um curso novo ao timoneiro, que os mantinha no comecinho das águas da RPC, dirigindo-se para o norte, para as ilhas e recifes ao redor da ilha de Lan Tao, onde ficaria seguro para se preparar para o próximo encontro. Lá eles se transfeririam para um outro junco com registros reais, da RPC e de Hong Kong, e voltariam para Aberdeen. Aberdeen! Os dedos nervosos tocaram outra vez a meia moeda. Em meio a toda aquela emoção, tinha se esquecido da moeda. Agora, seus dedos tremiam e sua ansiedade voltava, ao pensar no encontro com o tai-pan, logo mais. Havia tempo de sobra. Não ia chegar atrasado. Mesmo assim, ordenou que se aumentasse a velocidade.

— Vamos — ordenou a Poon e Paul Choy, fazendo-lhes sinal para se reunirem a ele nas almofadas da popa, onde teriam mais privacidade.

— Talvez fosse mais sensato continuarmos com nossos juncos, e não comprarmos um daqueles putos, meu filho. — O dedo de Wu indicou a escuridão, no local onde estivera o barco-patrulha. — Os demônios estrangeiros ficariam ainda mais furiosos se eu tivesse um desses na minha frota. Mas esse seu olho mágico... poderia instalá-lo e ensinar-nos como usá-lo?

— Poderia arranjar peritos para isso. Gente do mar do Leste... seria melhor usá-los, e não britânicos ou alemães.

Wu olhou para o velho amigo.

— Heya?

— Não quero um desses bostas ou seus olhos mágicos no meu navio. Logo estaríamos dependendo dos fornicadores, e perderíamos nossos tesouros, juntamente com nossas cabeças — resmungou o outro.

— Mas... enxergar quando os outros não enxergam?

— Wu soltava baforadas do cigarro. — Existe outro vendedor, Choy Lucrativo?

— Eles seriam os melhores, Pai. E os mais baratos.

— Mais baratos, heya? Quanto isso vai custar?

— Não sei. Talvez vinte mil dólares americanos, talvez quarenta...

O velho explodiu:

— Quarenta mil dólares americanos? Acha que sou feito de ouro? Tenho que trabalhar para ganhar dinheiro. Acha que sou o imperador Wu?

Paul Choy deixou o velho deblaterar. Não sentia mais nada por ele, não depois do horror e da matança, da cilada, da crueldade e da chantagem da noite, e especialmente depois das palavras do pai contra a sua garota. Respeitaria o pai pela sua perícia no mar, sua coragem e seu comando. E como chefe da Casa. Nada mais. E de agora em diante, tratá-lo-ia como a qualquer outro homem.

Quando sentiu que o velho já tinha deblaterado bastante, disse:

— Posso mandar instalar o primeiro olho mágico e treinar dois homens sem que lhe custe nada, se quiser.

Wu e Poon o fitaram. Wu instantaneamente fechou a guarda.

— Como, sem que me custe nada?

— Eu pagaria.

Poon começou a dar risada, mas Wu sibilou:

— Cale a boca, idiota, e escute. O Choy Lucrativo sabe coisas que você não sabe! — Seus olhos brilhavam ainda mais. "Se um olho mágico, por que também não um brilhante? E se um brilhante, por que não um casaco de vison e toda a pilhagem que a putazinha bajuladora exige para continuar oferecendo sua fenda, mãos e boca entusiásticas?"

— Como vai pagá-lo, meu filho?

— Com o lucro.

— Que lucro?

— Quero o controle, por um mês, de seu dinheiro no Victoria.

— Impossível!

— Abrimos contas no valor de vinte e dois milhões quatrocentos e vinte e três mil dólares. Controle por um mês.

— Para fazer o que com ele?

— A Bolsa de Valores.

— Ah, jogar? Jogar com o meu dinheiro? Meu dinheiro suado? Jamais.

— Um mês. Rachamos os lucros, Pai.

— Ah, rachamos, é? É a porra do meu dinheiro, mas você quer a metade. Metade do quê?

— Talvez outros vinte milhões.

Paul Choy deixou a quantia no ar. Viu a avareza na fisionomia do pai, e soube que, embora as negociações fossem acaloradas, o negócio ia ser feito. Era apenas questão de tempo.

— Ayeeyah, é impossível, fora de cogitação!

O velho sentiu uma coceira lá embaixo, e coçou o lugar. O membro deu sinal de vida. Instantaneamente pensou em Vênus Poon, que o fizera ficar duro como não ficava há anos, e da peleja deles de logo mais.

— Quem sabe eu apenas pague esse olho mágico — disse, testando a firmeza do rapaz.

Paul Choy encheu-se de coragem.

— É, pode fazer isso, mas então eu vou embora de Hong Kong.

A língua de Wu dardejou, rancorosamente.

— Você irá embora quando eu mandar que vá.

— Mas, se eu não puder ser útil e pôr o meu treinamento dispendioso para funcionar, para que ficar? Pagou todo aquele dinheiro para que eu fosse um cafetão num dos seus Barcos do Prazer? Um marinheiro de convés num junco que pode ser violado à vontade pelo escaler dos demônios estrangeiros mais próximo? Não, é melhor que eu me vá! É melhor eu me tornar lucrativo para outra pessoa, para poder começar a lhe devolver o que investiu em mim. Darei um aviso prévio de um mês ao Barba Negra e vou embora.

— Você irá embora quando eu mandar que vá! — Wu acrescentou, malévolo. — Você pescou em águas perigosas.

— É. — "E você também", quis acrescentar Paul Choy, sem medo. "Se acha que pode me chantagear, que estou preso a você, está enganado. Você é que está preso a mim, e tem mais a perder. Nunca ouviu falar em testemunhas de acusação em favor da Coroa, ou em acordos com base no testemunho?" Mas manteve em segredo a sua trama futura, para ser usada quando fosse necessário, e manteve o rosto polido e inexpressivo. — Todas as águas são perigosas, se os deuses decidirem que são perigosas — falou, enigmaticamente.

Wu deu uma profunda tragada no cigarro, sentindo a fumaça dentro de si. Percebera a mudança no jovem à sua frente. Havia visto muitas mudanças semelhantes, em muitos homens. Em muitos filhos e filhas. A experiência de seus longos anos de vida gritava: "Cautela! Este filhote é perigoso, muito perigoso! Acho que Poon Bom Tempo tinha razão: foi um erro trazer o Choy Lucrativo para bordo hoje. Agora sabe demais a nosso respeito.

"É. Mas isso é fácil de retificar, quando eu precisar", lembrou a si mesmo. "Qualquer dia ou qualquer noite. "

53

22h03m

— Bem, que diabo você vai fazer, Paul? — perguntou o governador a Havergill. Johnjohn estava com eles, no terraço do Palácio do Governo, depois do jantar, encostados à balaustrada baixa. — Santo Deus! Se o Victoria também ficar sem dinheiro, a ilha inteira estará arruinada, não é?

Havergill olhou ao seu redor para se certificar de que não estavam sendo ouvidos, e baixou a voz.

— Estivemos em contato com o Banco da Inglaterra, senhor. Até a meia-noite de amanhã, hora de Londres, haverá um avião-transporte da RAF em Heathrow atulhado de notas de cinco e dez libras. — Sua confiança habitual estava voltando. — Como já disse, o Victoria é perfeitamente seguro, tem absoluta liquidez, e nossos bens aqui e na Inglaterra são substanciais o bastante para cobrir qualquer eventualidade... bem... quase qualquer eventualidade.