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— Como?

— O livro sobre a história da Struan, o tal que ia me emprestar.

— Ah, claro. Mandei rebatê-lo à máquina — disse Dunross. — Parece que há apenas um exemplar. Pode ter um pouquinho de paciência?

— Claro. Obrigado.

— Lembranças a Fleur. — Dunross observou-o enquanto ele se afastava, satisfeito porque Marlowe entendia a diferença entre comércio e mercado negro. Seu olhar caiu sobre o chinês do sei, que ainda o observava por cima da revista. Caminhou devagar de volta ao bar, como que imerso em pensamentos. Quando estava Iá dentro, em segurança, disse rapidamente: — Feng, há um maldito jornalista Iá embaixo que não estou querendo ver.

Imediatamente, o barman levantou a passagem para dentro do balcão.

— É um prazer, tai-pan — disse, sorrindo, sem acreditar na desculpa.

Seus fregueses usavam com freqüência a saída dos empregados, atrás do bar. Como não era permitida a entrada de mulheres no bar, era comum que se quisesse evitar uma mulher do lado de fora. "Qual será a prostituta que o tai-pan está querendo evitar?", perguntou-se o barman, intrigado, vendo-o deixar uma gorjeta generosa e sair apressado pela porta dos empregados.

Logo que chegou à rua, no beco lateral, Dunross dobrou rapidamente a esquina e tomou um táxi, encolhendo-se no banco traseiro.

— Aberdeen — disse, e explicou aonde queria ir, em cantonense.

— Ayeeyah, como uma flecha, tai-pan — falou o motorista, prontamente, animado ao reconhecê-lo. — Posso lhe perguntar quais as chances para o sábado? Com ou sem chuva?

— Sem chuva, por todos os deuses.

— Eeee, e o vencedor do quinto?

— Os deuses não o sussurraram para mim, nem os Grandes Tigres sujos que subornam jóqueis ou dopam cavalos para fazerem as pessoas honestas perderem uma aposta honesta. Mas Noble Star estará se esforçando.

— Todos os fornicadores estarão se esforçando — falou o chofer, com azedume —, mas quem será o escolhido dos deuses e do Grande Tigre do Hipódromo Happy Valley? Que tal Pilot Fish?

— O garanhão é bom.

— Butterscotch Lass? O Banqueiro Kwang está precisando que sua sorte mude.

— É. A Lass também é boa.

— A Bolsa ainda vai cair mais, tai-pan?

— Vai, mas compre ações da Casa Nobre às quinze para as três da sexta-feira.

— A que preço?

Use a cabeça, Veneravel Irmão. E eu Iá sou o Velho Cego Tung?

Orlanda e Linc Bartlett estavam dançando bem juntinhos na penumbra da boate, os corpos colados. A música, suave e sensual, de ritmo gostoso, era tocada por um conjunto filipino. O grande salão espelhado e luxuoso era habilmente iluminado com luzes embutidas no chão, com nichos particulares e poltronas fundas, baixas, ao redor de mesas baixas. Garçons a rigor carregavam pequenas lanternas de mão, como se fossem um bando de vaga-lumes. Muitas moças de vestidos de noite vistosos sentavam-se juntas, batendo papo ou olhando os poucos dançarinos. De quando em vez, sozinhas ou aos pares, iam fazer companhia a um ou mais homens às mesas, oferecendo-lhes sorrisos, conversas e bebidas. Depois de uns quinze minutos, seguiam adiante, seus movimentos delicadamente orquestrados pela atenta mama-san e seus auxiliares. A mama-san era uma xangaiense esguia e atraente, na casa dos cinqüenta, bem-vestida e discreta. Falava seis idiomas, e era responsável pelas garotas perante o proprietário. Dela dependia o sucesso ou o fracasso do negócio. As moças obedeciam-na totalmente. Os leões-de-chácara e os garçons também. Ela era o núcleo, a rainha do seu domínio, e era bajulada como tal.

Era raro um homem trazer sua própria companhia, embora isso não irritasse ninguém... desde que as gorjetas fossem generosas, e as bebidas continuamente servidas. Havia dúzias desses locais de prazer noturno espalhados pela colônia, alguns particulares, a maioria públicos, destinados a homens — turistas, visitantes ou yan de Hong Kong. Todos bem-providos de parceiras de dança de todas as raças. Eram pagas para sentarem-se ao lado do freguês, para conversar, rir ou escutar. Os preços variavam, a qualidade variava conforme o lugar escolhido, mas o propósito era sempre o mesmo: prazer para o freguês, dinheiro para a casa.

Linc Bartlett e Orlanda agora estavam mais juntos, balançando-se mais do que dançando, a macia cabeça dela contra o peito dele. Uma de suas mãos estava pousada suavemente no

ombro dele, a outra estava na mão dele, fresquinha ao seu toque. Ele a envolvia com um dos braços, a mão enlaçando-lhe a cintura. Ela sentia o calor dele invadir-lhe o sexo, e quase distraidamente acariciou-lhe a nuca e aproximou-se ainda mais, atraída pela música. Seus pés acompanhavam-no perfeitamente, e o corpo também. Dali a um momento, percebeu que ele se excitava, sentindo-lhe o contato.

"Como vou lidar com ele hoje à noite?", perguntou-se, sonhadora, adorando a noite, que fora perfeita. "Vou ou não vou? Ah, mas como quero.

O corpo dela parecia mover-se por si mesmo, agora ainda mais perto, as costas levemente arqueadas, os quadris para a frente. Uma onda de calor percorreu-a.

"Calor demais", pensou. Afastou-se, com esforço.

Bartlett sentiu que ela se afastava. Continuou com a mão na cintura dela e puxou-a contra si, sentindo apenas o seu corpo sob a mão, nenhuma roupa de baixo. "Tão raro. Apenas a pele sob a gaze finíssima... e mais calor do que pele. Meu Deus!"

— Vamos nos sentar um momento — falou ela, com voz rouca.

— Quando a dança acabar — murmurou ele.

— Não, não, Linc, minhas pernas estão bambas. — Com esforço, envolveu o pescoço dele com ambas as mãos e afastou-se um pouco, mantendo-se ainda junto dele, mas jogando um pouco do seu peso no braço dele. Tinha no rosto um amplo sorriso. — Posso cair. Não vai querer que eu caia, vai?

— Você não pode cair — sorriu ele também. — De jeito nenhum.

— Por favor...

— Não vai querer que eu caia, vai?

Ela riu, e sua risada o excitou. "Pombas", pensou, "acalme-se, ela está deixando você doido. "

Dançaram mais um momento, mas separados, e isso o acalmou um pouco. Depois, ele a virou e foi seguindo atrás dela, bem juntinho. Sentaram-se à sua mesa, refestelados no sofá, ainda cônscios da proximidade mútua. Suas pernas se tocaram.

— Quer mais uma bebida, senhor? — perguntou o garçom de smoking.

— Para mim não, Linc — disse ela, querendo xingar o garçom pela falta de tato, as bebidas deles ainda por terminar.

— Outro creme de menta? — perguntou Bartlett.

— Para mim não, juro, obrigada. Mas tome mais um. O garçom desapareceu. Bartlett teria preferido tomar uma cerveja, mas não queria aquele cheiro no seu hálito, e, o que era mais importante, não queria estragar a refeição mais perfeita que já tivera. O macarrão estava uma delícia, a vitela, macia e suculenta, com um molho de vinho e limão saborosíssimo, a salada, perfeita. Depois zabaione, preparado na frente dele, ovos, vinho marsala, e magia. E sempre a alegria dela, o toque do seu perfume.

— Esta é a melhor noite que passo há anos. Ela ergueu o copo, com falsa formalidade.

— Brindemos a muitas outras — disse. "É, a muitas outras, mas depois que estivermos casados, ou, pelo menos, noivos. Você é excitante demais, Linc Bartlett, tem afinidade demais comigo, é forte demais. " — Que bom que você gostou. Eu também gostei. Ah, se gostei!

Notou que os olhos dele se desviaram quando uma recepcionista passou por eles, o vestido muito decotado. A moça era linda, mal teria vinte anos, e juntou-se a um grupo de ruidosos empresários japoneses cercados por muitas garotas, numa mesa de canto. Prontamente, outra garota levantou-se, pediu licença e se afastou. Orlanda notou-o observando-as, sua mente agora clara como cristal.

— Todas elas podem ser alugadas? — perguntou ele, involuntariamente.

— Para ir para a cama?

O coração dele falhou uma batida, e ele voltou a fitá-la, cheio de atenção.