Выбрать главу

O homem se afastou. Como uma conspiradora, ela chegou mais perto dele. Agora, suas pernas se tocavam. Linc abraçou-a. Ela dirigiu o facho de luz para o programa de teatro. Havia fotos, retratos de vinte ou trinta garotas. Sob as fotos, filas de caracteres chineses.

— Nem todas estas moças estão presentes hoje, mas se você vir uma de que goste, nós a traremos até aqui.

— Fala a sério? — perguntou, os olhos fitos nela.

— Muito sério, Linc. Não precisa se preocupar, negocio por você, se gostar dela, depois de conhecê-la e conversar com ela.

— Não quero nenhuma delas, quero você.

— É. É, eu sei, meu querido, e... mas, apenas por esta noite, tenha paciência comigo, por favor. Entre no jogo, deixe-me planejar a sua noite.

— Deus do céu, você é demais!

— E você é o homem mais maravilhoso que já conheci. Quero fazer a sua noite perfeita. Não posso me dar a você agora, por mais que deseje fazê-lo. Portanto, vamos achar uma substituta temporária. O que me diz?

Bartlett ainda olhava fixo para ela. Terminou sua bebida sem lhe sentir o gosto. Apareceu outra, vinda do nada. Bebeu a metade.

Orlanda sabia o risco que corria, mas achava que, de uma maneira ou de outra, aquilo o prenderia mais a ela. Se ele aceitasse, ficaria seu devedor por uma noite excitante, uma noite que nem Casey nem outra mulher quai loh seria capaz de proporcionar-lhe, nem em mil anos. Se recusasse, ainda assim ser-lhe-ia grato por sua generosidade.

— Linc, estamos na Ásia. Aqui o sexo não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, como para os anglo-saxões, cheios de complexos de culpa. É um prazer que se busca, como boa comida e bons vinhos. Qual o valor de uma noite para um homem, um homem de verdade, com uma dessas Damas do Prazer? Um momento de prazer. Uma lembrança. Nada mais. O que tem isso a ver com o amor, o verdadeiro amor? Nada. Eu não sirvo para uma noite, não sou de aluguel. Senti o seu yang... Não, por favor, Linc — acrescentou rapidamente, vendo a reação dele. — Sobre as coisas de yang e yin não podemos contar mentiras ou falsidades, isso nos destruiria. Eu senti você, e fiquei cheia de alegria. Você não me sentiu? Você é forte, e é um homem, yang, eu sou uma mulher, yin, e quando a música é suave e... Oh, Linc! — Segurou-lhe a mão e olhou para ele, súplice: — Peço-lhe, não se prenda às bobagens anglo-americanas. Aqui é a Ásia, e eu... quero ser tudo o que uma mulher pode ser para você.

— Puxa, está falando sério?

— Claro. Juro por Deus! Gostaria de ser tudo o que você puder desejar numa mulher. Tudo. E juro também que quando for velha, ou você não me desejar mais, providenciarei para que essa parte da sua vida seja feliz, aberta e livremente. Só lhe peço para ser sua tai-tai, parte da sua vida.

Orlanda beijou-o de leve. E então notou a repentina mudança nele. Viu o assombro, o desamparo, e soube que havia vencido. Quase sufocou de alegria. "Ah, Quillan, você é um gênio!", teve vontade de gritar. "Nunca acreditei, verdadeiramente, que sua sugestão seria tão perfeita, nunca acreditei que fosse tão sábio! Ah, obrigada, obrigada."

Mas o seu rosto não deixou transparecer nada disso, e ficou esperando pacientemente, imóvel.

— O que quer dizer "tai-tai"? — perguntou ele com voz rouca.

"Tai-tai" queria dizer "suprema das supremas", esposa. Pelos antigos costumes chineses, no lar a mulher era a suprema, a todo-poderosa.

— Ser parte da sua vida — respondeu meigamente, todo o seu ser gritando que fosse cautelosa.

Ela esperou de novo. Bartlett debruçou-se, e ela sentiu seus lábios roçarem nos dela. Mas o beijo era diferente, e ela sabia que, de agora em diante, o relacionamento deles passaria a um plano diferente. Ficou emocionadíssima. Rompeu o encanto.

— Bem — falou, como quem fala com uma criança malcriada —, bem, sr. Linc Bartlett, qual delas escolhe?

— Você.

— E eu escolho você, mas nesse meio tempo temos que decidir qual destas o atrai mais. Se não gostar de nenhuma delas, iremos para outro clube. — Deliberadamente, manteve o tom de voz natural. — Bem, e quanto a esta aqui? — A moça era linda, aquela para quem ele tinha olhado. Orlanda já resolvera que aquela não servia, e escolhera a da sua preferência. "Mas", pensou, satisfeita, autoconfiante, "o pobrezinho tem direito à sua opinião. Ah, mas vou ser a mulher perfeita para você!" — O currículo diz que se chama Lily Tee... todas as moças têm nomes profissionais da sua própria escolha. Tem vinte anos, é de Xangai, fala xangaiense e cantonense, e seus passatempos são dançar, velejar e... — Orlanda olhou de perto os caracteres minúsculos, e ele notou a linda curva do seu pescoço — e dar passeios a pé. Que tal esta?

Ele olhou para o retrato.

— Escute, Orlanda, há anos que não durmo com uma prostituta, desde os meus tempos de exército. Nunca fizeram muito o meu gênero.

— Compreendo muito bem, e você tem razão — disse-lhe, pacientemente —, mas essas não são prostitutas, não no sentido americano. Não há nada de vulgar ou secreto nelas, ou no que proponho. Elas são Damas do Prazer que poderão lhe oferecer sua juventude, que tem grande valor, em troca de um pouco do seu dinheiro, que não tem quase nenhum. É uma troca justa, dada e recebida com dignidade de ambos os lados. Por exemplo, você deve saber antecipadamente quanto ela deve receber, e nunca lhe deverá dar o dinheiro diretamente, mas sim colocá-lo na bolsa dela. Isso é importante, é muito importante para mim que seu primeiro encontro seja perfeito. Tenho que proteger o seu prestígio, também, e...

— Ora, deixe disso, Orlan...

— Mas estou falando sério. Esta escolha, este presente que lhe dou, não tem nada a ver conosco, nada. O que acontece conosco é joss. É importante para mim que você curta a vida, que saiba como a Ásia realmente é, não como os americanos acham que é. Por favor...

Bartlett estava quase entregando os pontos, todos os seus sinais de alarme e perigo, tão bem testados, destroçados e inúteis contra aquela mulher que o fascinava e pasmava.

Estava bêbado do calor e carinho dela. Acreditava nela inteiramente.

Então, subitamente, lembrou-se de algo, e seu íntimo gritou-lhe que se acautelasse. Sua euforia desapareceu. Acabara de lembrar-se a quem mencionara o quanto adorava a cozinha italiana. Gornt. Gornt, há dois dias. Ao falar na melhor refeição que já comera. Comida italiana com cerveja. Gornt. "Meu Deus! Será que esses dois estão de combinação? Não pode ser, simplesmente não pode ser! Talvez tenha falado a ela da mesma refeição. Falei?"

Rebuscou na memória, mas não conseguiu se lembrar exatamente, todo o seu ser abalado. Mas seus olhos continuavam a vê-la à sua frente, esperando, sorridente, amorosa. "Gornt e Orlanda? Não podem estar de combinação! De jeito nenhum! Mesmo assim, tenha cuidado. Não sabe quase nada sobre ela. Portanto, cuidado! Pela madrugada, você está envolvido por uma teia, a teia dela. Ou será do Gornt, também?

"Experimente-a!", gritava-lhe o diabo que havia nele. "Experimente-a. Se ela realmente está falando sério, então é outra história, e ela é de outro planeta, uma jóia rara, e você terá que se resolver quanto a ela... só a terá nos seus termos.

"Experimente-a enquanto tem chance... não tem nada a perder. "

— O que foi? — perguntou ela, pressentindo a mudança.

— Só estava pensando no que você disse, Orlanda. Devo escolher agora?

55

23h35m

Suslev estava sentado na penumbra do seu esconderijo no apartamento 32 do Sinclair Towers. Por causa do seu encontro com Grey, havia mudado para Iá o local do encontro com Arthur.

Sorvia o seu drinque na penumbra. Ao seu lado, na mesi-nha, havia uma garrafa de vodca, dois copos e o telefone. Seu coração batia com muita força, como sempre que tinha um encontro clandestino marcado. "Será que algum dia me acostumarei a eles?", perguntou-se. "Não. Hoje estou cansado, embora tudo tenha saído muito bem. O Grey agora está programado. O pobre idiota, impulsionado pelo ódio, inveja e ciúme! O Centro precisa advertir mais a liderança do pcb sobre ele... é influenciável demais. E o Travkin, no passado um príncipe, agora um nada, e Jacques de Ville, aquele impetuoso incompetente, e todos os outros.