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Quando conseguiu falar, Suslev sussurrou:

— Kuomintang?

Plumm apenas deu de ombros. Enxugou o suor do rosto. Um carro passou acima deles. Dirigiu o facho de luz para o teto, que pingava. Havia muitas rachaduras, e outra avalancha de lama e pedras veio cascateando. No chão havia uns quinze centímetros de água que cobriam seus sapatos.

— É melhor nos separarmos, meu velho — disse Plumm suavemente, e Suslev notou que, embora o homem estivesse suando, sua voz estava gelidamente calma, e o facho de luz não tremulava. — Mandarei o Roger cuidar do que houve imediatamente. Extremamente tedioso.

O coração de Suslev começava a voltar ao normal. Ainda tinha dificuldade em falar.

— Onde nos encontramos amanhã?

— Eu aviso. — O rosto do inglês estava extremamente severo. — Primeiro Voranski, depois Metkin, agora isso. "Vazamentos" em excesso. — Fez um gesto com o polegar para cima. — Essa passou perto demais. Talvez o seu Metkin soubesse mais do que você imagina.

— Não. Estou lhe dizendo que ele não sabia de nada sobre a Sevrin, nada, do apartamento, de Clinker, ou de coisa alguma. Eu e o Voranski éramos os únicos que sabíamos. Não há "vazamento" da nossa parte.

— Espero que tenha razão — acrescentou Plumm maldosamente. — Vamos descobrir, Roger vai descobrir, de um jeito ou de outro, algum dia, e então Deus tenha piedade do traidor!

— Ótimo. Eu também o quero. Depois de uma pausa, Plumm disse:

— Ligue para mim de meia em meia hora, de diversos telefones públicos, a partir das sete e meia da noite de amanhã.

— Está bem. Se por acaso houver algum problema, estarei na casa de Ginny das onze em diante. Mais uma coisa. Se não conseguirmos dar uma olhada nos papéis de Alan, qual a sua opinião sobre o Dunross?

— A memória dele é incrível.

— Então devemos isolá-lo para um interrogatório com substâncias químicas?

— Por que não?

— Ótimo, továrich. Tomarei todas as providências.

— Não. Nós o pegaremos e o entregaremos. Ao Ivánov? Suslev concordou, e contou-lhe a sugestão de Metkin de pôr a culpa nos Lobisomens, sem dizer que a idéia fora de Metkin.

— Que tal?

— Muito inteligente! Até amanhã — disse Plumm, sorrindo. Entregou a lanterna elétrica a Suslev, tirou do bolso uma lanterna do tamanho de um lápis e virou-se, afastando-se pela galeria do escoamento, os pés ainda submersos em água. Suslev ficou olhando até o homem alto dobrar a esquina e sumir. Ele nunca descera galeria abaixo. Plumm lhe dissera que não o fizesse, que era perigoso, sujeito a quedas de pedras.

Respirou fundo, já sem medo. Outro carro passou ruidosa e pesadamente acima da sua cabeça. "Deve ser um caminhão", pensou, distraidamente. Mais lama e um pedaço de concreto caíram, espadanando água e assustando-o. Suslev esperou, depois começou a subir a encosta, cuidadosamente. Outra pequena avalancha. Subitamente, Suslev odiou a galeria subterrânea. Fazia com que se sentisse inseguro e condenado.

56

23h59m

Dunross fitava a triste carcaça do Dragão Flutuante, ader-nada nas águas de seis metros de profundidade de Aberdeen. Os outros navios-restaurantes de muitos andares que flutuavam ali por perto ainda estavam fortemente iluminados, vulgares e barulhentos, totalmente cheios, suas cozinhas novas e temporárias instaladas às pressas em barcaças ao lado do navio-mãe, caldeirões fumegando, fogo sob os caldeirões, um monte de cozinheiros e ajudantes como abelhas na colméia. Garçons subiam e desciam as passarelas precárias com bandejas e pratos. Sampanas circulavam por perto, sob os olhares dos turistas e dos yan de Hong Kong, que observavam, pasmados, a carcaça, uma grande atração.

Parte da superestrutura da carcaça sobressaía de dentro d'água. Turmas de reparos trabalhavam nela, sob a luz de holofotes, recuperando-a, aprontando o que restara dela para flutuar. Na sua parte do cais e do estacionamento haviam sido instalados barracos e cozinhas temporários. Mascates estavam muito ocupados, vendendo fotos do incêndio, lembranças, comidas de todos os tipos, e um imenso cartaz iluminado, em chinês e inglês, orgulhosamente anunciava que o novo, único, totalmente MODERNO RESTAURANTE FLUTUANTE À PROVA DE fogo, o "dragão flutuante", logo estaria em funcionamento, maior do que nunca, melhor do que nunca... "Enquanto isso, não deixem de provar a comida dos nossos famosos cozinheiros. " O negócio funcionava como sempre, só que temporariamente em terra, não no mar.

Dunross caminhou pelo cais até uma das escadinhas que davam para o mar. Havia grupos de sampanas por perto, grandes e pequenas, a maioria de aluguel. Cada pequena embarcação tinha um remador, homem, mulher ou criança de qualquer idade. Cada embarcação tinha um teto de lona que a cobria pela metade e protegia do sol, da chuva ou dos olhares indiscretos. Algumas das sampanas eram mais sofisticadas. Eram os luxuosos Barcos do Prazer. Lá dentro havia almofadões e mesas baixas, com lugar de sobra para duas pessoas comerem, beberem e depois fazerem amor, o único remador discretamente afastado da cabine. Podiam ser alugados por uma hora ou uma noite, e o barco flutuaria preguiçosamente pelos caminhos secundários. Outras sampanas ofereciam o melhor sortimento de comida e bebida, alimentos frescos servidos bem quentes, delicadamente. Nelas um homem e sua acompanhante podiam passar a noite num sonho de perfeita intimidade.

O homem podia ir sozinho, se quisesse. Então, perto de uma das vastas ilhas de barcos, sua sampana se encontraria com a das Damas da Noite, e ele escolheria, pechincharia e depois se poria ao largo. No porto era possível satisfazer qualquer vontade, sede, desejo... sem gastar muito, o preço justo, fosse quem fosse o cliente... se pudesse pagar e fosse homem. Ópio, cocaína, heroína, o que desejasse.

Às vezes a comida era ruim, ou a garota era ruim, mas isso era apenas azar, um engano lamentável, mas não deliberado. Às vezes podia-se perder a carteira, mas, afinal, só mesmo um otário viria ostentar sua fortuna no meio de tanta miséria orgulhosa.

Dunross sorriu ao ver um turista corpulento entrar nervosamente numa das embarcações, ajudado por uma garota de cheong-sam. "Está em boas mãos", pensou, muito satisfeito com a azáfama de negócios à sua volta, compras, vendas, pechinchas. "É", disse para si mesmo, "os chineses são os verdadeiros capitalistas do mundo.

"E quanto ao Tiptop e o pedido de Johnjohn? E quanto ao Lando Mata, ao Pão-Duro e à Par-Con? E o Gornt? E Alan, e Riko Anjin, e Sinders, e...

"Não pense neles agora. Concentre-se! Wu Quatro Dedos não o chamou para discutirem o tempo. "

Passou pela primeira escadinha e seguiu pelo cais em direção à escada principal, a luz dos postes da rua lançando fortes sombras. Imediatamente, todas as sampanas ali começaram a se empurrar, para tomar posição, os donos chamando, convidando. Quando ele chegou ao topo da escada, a comoção cessou.

— Tai-pan!

Um bem-equipado Barco do Prazer com a bandeira Lótus Prateada na popa vinha abrindo caminho por entre elas. O barqueiro era baixo e atarracado, com muitos dentes de ouro. Usava calças cáqui rasgadas e uma camiseta.

Dunross assobiou, reconhecendo o filho mais velho de Wu Quatro Dedos, o loh-pan, chefe da frota de Barcos do Prazer de Wu. "Não admira que os outros barcos lhe tenham dado passagem", pensou, impressionado por Wu Dente de Ouro vir recebê-lo pessoalmente. Agilmente, subiu a bordo, cumprimen-tando-o. Dente de Ouro começou a remar, afastando-se rapidamente.

— Fique à vontade, tai-pan — disse Dente de Ouro num inglês perfeito, com sotaque da Inglaterra. Ele era bacharel em ciências pela Universidade de Londres, e queria permanecer na Inglaterra. Mas Quatro Dedos ordenara que voltasse para casa. Era um homem meigo, quieto, bondoso, de quem Dunross gostava.