— Obrigado, tai-pan. Boa noite.
— Até breve, sr. Choy — replicou Dunross, esperando-o para o dia seguinte.
Quando estavam completamente sozinhos, o velho disse, suavemente:
— Obrigado, Velho Amigo. Logo faremos negócios mais íntimos.
— Lembre-se, Velho Amigo, do que dizem meus ancestrais — falou Dunross, agourentamente. — Tanto o Demônio de Olhos Verdes quanto aquela do Mau-Olhado e de Dentes de Dragão puseram uma grande maldição e mau-olhado nos Pós Brancos e naqueles que obtêm lucros com os Pós Brancos!
O velho marujo curtido pelo tempo, vestido nas suas belas roupas, deu de ombros, nervoso:
— E eu com isso? Não sei nada de Pó Branco nenhum. Fodam-se todos os Pós Brancos. Não sei nada sobre eles.
E foi embora.
Com mãos trêmulas, Dunross serviu-se de uma boa dose de bebida. Sentiu os movimentos da sampana sendo remada de novo. Seus dedos apanharam as impressões em cera. "Mil contra um que a moeda é genuína. Deus Todo-Poderoso, o que aquele demônio vai pedir? Drogas. Aposto que tem alguma coisa a ver com drogas! Eu inventei a tal história da maldição e do mau-olhado... não fazia parte do acordo de Dirk. Mesmo assim, não vou concordar com drogas. "
Mas estava pouco à vontade. Podia ver a letra de Dirk Struan na bíblia que assinara e endossara, concordando, perante Deus, "conceder a quem quer que apresente uma das meias moedas o que quer que ele peça, se estiver ao alcance do tai-pan dá-lo... "
Seus ouvidos pressentiram a presença estranha antes de ouvir o som. Outro barco roçou suavemente no seu. Ruído de passos. Ficou preparado, desconhecendo o perigo.
A moça era jovem, bela e alegre.
— Meu nome é Jade de Neve, tai-pan. Tenho dezoito anos e sou o presente pessoal do Honorável Wu Sang para a noite! — Um cantonense cantado, cheong-sam elegante, gola alta, pernas longas envoltas em meias e saltos altos. Sorriu, mostrando os belos dentes brancos. — Ele achou que o senhor talvez precisasse se alimentar.
— É mesmo? — murmurou ele, tentando se recompor. Ela riu e sentou-se.
— É, sim, foi o que ele disse. E eu também gostaria do seu alimento... está morrendo de fome, não está? O Honorável Dente de Ouro encomendou um ou dois petiscos para aguçar o seu apetite: camarões fritos com ervilhas, carne desfiada em molho de feijão-preto, bolinhos de massa fritos à moda de Xangai, legumes ligeiramente fritos temperados com couve de Szechuan, e galinha condimentada de Chiang Pao. — Abriu um amplo sorriso. — Eu sou a sobremesa!
Sexta-feira
57
00h35m
Irritado, o Banqueiro Kwang apertou a campainha diversas vezes. A porta se escancarou e Vênus Poon gritou estridentemente, em cantonense:
— Como ousa vir aqui a esta hora da noite sem ter sido convidado?
Estava de queixo empinado, parada com uma mão na porta e a outra atrevidamente no quadril, o vestido de noite decotado devastador.
— Cale-se, sua prostituta sem-vergonha! — berrou o Banqueiro Kwang, empurrando-a e entrando no apartamento. — Quem está pagando o aluguel? Quem comprou todos esses móveis? Quem pagou esse vestido? Por que não está pronta para ir dormir? Quem...
— Cale-se! — A voz dela era aguda, e abafou facilmente a dele. — Você estava pagando o aluguel, mas hoje é o dia em que venceu o aluguel, e onde está ele, heyaheyaheyaheya?
— Aqui! — O Banqueiro Kwang arrancou o cheque do bolso e agitou-o sob o nariz dela. — E eu Iá esqueço as porras das minhas promessas?... não! Você esquece as porras das suas promessas?... sim!
Vênus Poon piscou os olhos. Sua raiva desapareceu, seu rosto mudou, a voz ficou carregada de mel.
— Ah, o Pai se lembrou? Ah, tinham me dito que havia abandonado a sua pobre Filha solitária, e voltado para as prostitutas da Blore Street número 1.
— Mentiras! — exclamou o Banqueiro Kwang, quase apopléctico, embora fosse verdade. — Por que não está vestida para ir dormir? Por que está usan...
— Mas três pessoas diferentes ligaram para mim, dizendo que você tinha estado Iá hoje à tarde, às quatro e quinze. Ah, como as pessoas são terríveis! — falou, com voz macia, sabendo que ele tinha estado Iá, embora apenas para apresentar o Banqueiro Ching, com quem estava tentando arranjar um empréstimo. — Ah, pobre Pai, como as pessoas são horrorosas! — Enquanto falava, carinhosamente, aproximou-se mais dele. Repentinamente, deu um bote com a mão e arrancou o cheque da mão dele antes que pudesse puxá-lo, embora continuasse falando com voz meiga: — Ah, obrigada, Pai, do fundo do coração... oh ko! — Ficou vesga de raiva, a voz mais dura e estridente de novo: — O cheque não está assinado, seu velho sujo, seu carne de cachorro! É outro dos seus truques de banqueiro! Ai, ai, ai, acho que vou me matar na porta da sua casa... não, melhor ainda, vou me matar diante das câmeras de TV, contando para toda a Hong Kong como você... Ai, ai, ai...
A amah dela agora estava na sala também, unindo-se a ela nos lamentos e miados, as duas mulheres envolvendo-o num coro de desaforos, desafios e acusações.
Impotente, ele as xingava também, mas isso só fez com que elas aumentassem o volume da algazarra. Ele ficou firme por um momento, depois, vencido, pegou uma caneta-tinteiro com um floreio, agarrou o cheque e assinou-o. A barulheira cessou. Vênus Poon pegou o cheque e examinou-o atentamente. Muito, muito atentamente. Ele sumiu dentro da bolsa dela.
— Ah, obrigada, Honorável Pai — disse humildemente, e virou-se abruptamente contra a amah. — Como ousa interferir numa discussão entre o amor da minha vida e sua patroa, seu monte de carne de cachorro apodrecida? É tudo culpa sua, por espalhar as mentiras cruéis de outras pessoas sobre a infi-delidade do Pai! Fora daqui! Vá buscar chá e comida! Fora! O Pai está precisando de um conhaque... vá buscar um conhaque, depressa!
A velha fingiu se abalar diante da raiva simulada e saiu depressa, vertendo lágrimas falsas. Vênus Poon arrulhava e se alvoroçava, as mãos suaves no pescoço de Richard Kwang.
Finalmente, graças à magia delas, ele se acalmou e serviu-se de uma bebida, lamentando em voz alta o tempo todo o seu azar, e como seus subordinados, amigos, aliados e devedores o haviam abandonado maldosamente, depois que somente ele em todo o império Ho-Pak havia trabalhado, gastando os dedos até os tendões, os pés até ficarem em carne viva, preocupando-se com todos eles.
— Oh, pobrezinho! — ronronava Vênus Poon, a cabeça a mil por hora enquanto os dedos funcionavam terna e habilmente. Tinha cerca de meia hora para chegar ao seu encontro com Wu Quatro Dedos, e, conquanto soubesse que era bom deixá-lo esperando um pouco, não queria que esperasse demais, para não esfriar o seu ardor. O último encontro deles o deixara tão excitado que ele lhe prometera um diamante, se ela repetisse sua atuação.
— Eu garanto, senhor — ofegara ela, exausta, a pele pegajosa de suor de duas horas de esforço concentrado, sentindo-se flutuar com a imensidade da explosão dele, finalmente conseguida.
Girou os olhos nas órbitas ao recordar os esforços prodigiosos de Wu Quatro Dedos, seu tamanho, conformidade e técnica apurada. "Ayeeyah", pensou, ainda massageando o pescoço do antigo amante, "vou precisar de cada grama de energia e de cada porção de sumo que o yin puder reunir para dominar o yang uivante do velho depravado. "
— Melhorou o seu pescoço, meu amor mais querido? — arrulhou.
— Melhorou, sim — disse Richard Kwang, relutante. A cabeça dele estava desanuviada, e ele sabia que os dedos dela eram tão hábeis quanto a sua boca e suas partes incomparáveis.
Sentou-a nos joelhos e enfiou Confiantemente a mão pelo decote do vestido de noite de seda preta que comprara para ela na semana anterior, e acariciou-lhe os seios. Quando ela não resistiu, arriou uma das alças e elogiou-a pelo tamanho, textura, gosto e formato do busto. O calor dela fez com que ele começasse a se excitar. Imediatamente, sua outra mão estendeu-se para o yin. Mas antes que se desse conta, ela havia escapado habilmente das suas mãos.