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— Com grande lucro — disse Tiptop, secamente. Seus olhos dardejaram para L'eung, que fitava Dunross intensamente. — Lucro capitalista — acrescentou, fracamente.

— Exatamente — disse Dunross. — Precisa desculpar-nos, a nós, capitalistas, sr. Tip. Talvez nossa única defesa seja que muitos de nós somos Velhos Amigos do Reino Médio.

L'eung falou rapidamente com Tiptop num dialeto que Dunross não compreendeu. Tiptop respondeu afirmativamente. Os dois homens olharam para Dunross.

— Desculpe-me, sr. Dunross, mas precisa me dar licença agora. Tenho que tomar uns remédios. Talvez possa me telefonar depois do almoço. Digamos Iá pelas duas e meia, aqui para casa mesmo.

Dunross levantou-se e estendeu a mão, sem ter certeza de ter tido êxito, mas certo de que precisava agir depressa quanto ao tório, sem dúvida antes das duas e meia.

— Obrigado por receber-me.

— E quanto ao nosso quinto páreo? — perguntou o homem mais velho, erguendo os olhos para ele, enquanto o acompanhava até a porta.

— Noble Star vale uma aposta. De qualquer tipo.

— Ah! Butterscotch Lass?

— Também.

— E Pilot Fish? Dunross riu.

— O garanhão é bom, mas não pertence à mesma classe, a não ser que ocorra um ato de Deus, ou do Diabo.

Estavam agora à porta da frente, e um criado a escancarou. Novamente L'eung falou no dialeto que Dunross não reconheceu. Novamente Tiptop respondeu afirmativamente, e foi na frente, mostrando o caminho. Logo que saíram da casa, L'eung afastou-se em direção à quadra de tênis.

— Gostaria que conhecesse um amigo, um novo amigo, sr. Dunross — falou Tiptop. — Ele poderá, quem sabe, fazer muitos negócios com o senhor, no futuro. Se o senhor quiser.

Dunross notou os olhos empedernidos, e seu bom humor desapareceu.

O chinês que vinha vindo com L'eung era bem-feito de corpo, elegante, na casa dos quarenta anos. Tinha os cabelos negro-azulados despenteados por causa do jogo, o uniforme de tênis moderno, vistoso e americano. Na quadra às suas costas os outros três esperavam e observavam. Todos estavam bem-vestidos, e em boa forma física.

— Posso lhe apresentar o dr. Joseph Yu, da Califórnia? Sr. Ian Dunross.

— Oi, sr. Dunross — cumprimentou-o o dr. Joseph Yu com tranqüila familiaridade americana. — O sr. Tip já me falou a seu respeito, e da Struan... prazer em conhecê-lo. O sr. Tip achou que devíamos conhecer-nos antes que eu me vá... vamos embora para a China amanhã, Betty e eu... minha mulher e eu. — Fez um gesto impreciso de mão na direção de uma das mulheres na quadra de tênis. — Não esperamos voltar tão cedo, portanto gostaria de marcar um encontro com o senhor em Cantão, daqui a um mês, mais ou menos. — Lançou um olhar para Tiptop. — Não haverá problemas com o visto do sr. Dunross?

— Não, dr. Yu. Ah, não, de modo algum.

— Ótimo. Se eu ligar para o senhor, sr. Dunross, ou o sr. Tip ligar, podemos combinar alguma coisa com uns dois dias de antecedência?

— Claro que sim, se toda a parte burocrática estiver pronta — disse Dunross, mantendo o sorriso no rosto, notando a dureza confiante de Yu. — O que está pretendendo?

— Se nos dão licença — falou Tiptop —, vamos deixá-los sozinhos.

Fez um gesto cortês de cabeça e voltou com L'eung para dentro da casa.

— Sou dos Estados Unidos — continuou Yu, animado —, americano de nascimento, de Sacramento. Sou californiano de terceira geração, embora tenha sido educado, em parte, em Cantão. Tirei o meu Ph. D. em Stanford, engenharia aeroespacial, minha especialidade. Foguetes e combustíveis para foguetes. Passei na nasa os meus melhores anos, os melhores desde a faculdade. — Yu não sorria mais. — O que vou encomendar é todo tipo de equipamento metalúrgico e ferramentas aeroespaciais sofisticadas. O sr. Tip me disse que o senhor seria a nossa melhor opção como importador. Os britânicos, depois os franceses e os alemães, talvez os japoneses, serão os fabricantes. Está interessado?

Dunross ouvia com uma preocupação crescente, que não se incomodou em disfarçar.

— Desde que não seja material estratégico e restrito — disse.

— Será principalmente estratégico e principalmente restrito. Está interessado?

— Por que está me contando tudo isso, dr. Yu? Yu sorriu apenas formalmente.

— Vou reorganizar o programa espacial da China. — Os olhos dele estreitaram-se ainda mais, enquanto observava Dunross atentamente. — Acha isso surpreendente?

— Acho.

— Eu também. — Yu lançou um olhar para a mulher, depois voltou a fitar Dunross. — O sr. Tip me disse que se pode confiar no senhor. Acha que o senhor é justo, e que como lhe deve um ou dois favores, passará adiante um recado meu. — A voz de Yu tornou-se mais dura. — Estou lhe contando isso para que, quando ler sobre o meu falecimento, ou seqüestro, ou alguma merda de "enquanto estava mentalmente perturbado", saiba que é tudo mentira, e me faça o favor de dar esse recado à CIA, que o passará adiante. A verdade! — Inspirou fundo. — Estou indo por livre e espontânea vontade. Nós dois estamos. Há três gerações meu povo, que é o melhor contingente de imigrantes que existe, vive espezinhado nos Estados Unidos pelos americanos. Meu velho serviu na Primeira Guerra Mundial, e eu, na Segunda. Mas a última gota foi há dois meses, no dia 16 de junho. Betty e eu queríamos uma casa em Beverly Hills. Conhece Beverly Hills, em Los Angeles?

— Conheço.

— Fomos recusados por sermos chineses. O filho da puta falou claramente: "Não vou vender minha casa para nenhum maldito chinês". Essa não foi a primeira vez, porra, não, mas o filho da puta disse isso na frente da Betty, e foi aí que o caldo entornou! — Os lábios de Yu retorceram-se de raiva. — Pode imaginar a estupidez do filho da mãe? Sou o melhor no meu ramo, e aquele caipira cretino e preconceituoso disse: "Não vou vender minha casa para nenhum maldito chinês". — Girou a raquete nas mãos. — Você lhes contará?

— Quer que eu passe adiante essa informação particular ou publicamente? Posso citá-lo palavra por palavra, se quiser.

— Particularmente, para a CIA, mas não antes da segunda-feira às dezoito horas. Certo? Depois, no mês que vem, depois do nosso encontro em Cantão, será pública. Certo, sr. Dunross?

— Muito bem. Pode dar-me o nome do vendedor da casa, a data, outros detalhes?

Yu apanhou um pedaço de papel datilografado. Dunross lançou-lhe um olhar.

— Obrigado. — Havia dois nomes, endereços e números de telefone em Beverly Hills. — Ambos a mesma recusa?

— É.

— Cuidarei disso para o senhor, dr. Yu. — Acha que é mesquinharia, não é?

— Não, não acho isso, absolutamente. Só lamento que tenha acontecido e aconteça em toda parte... com todo tipo de gente. É uma grande tristeza. — Dunross hesitou. — Acontece na China, no Japão, aqui, no mundo inteiro. Chineses e japoneses, vietnamitas, todo tipo de pessoas, dr. Yu, são às vezes igualmente intolerantes e preconceituosos. Na maioria das vezes, até mais. Nós não somos chamados de quai loh?

— Não devia acontecer nos Estados Unidos... não de americana para americano. Isso é o que me deixou puto.

— Acha que, uma vez na China, terá liberdade para entrar e sair livremente?

— Não, e estou pouco me lixando. Vou de livre vontade. Não estou sendo tentado por dinheiro, ou chantageado para ir. Simplesmente vou.

— E quanto à nasa? Estou surpreso que tenham permitido que uma bobagem dessas acontecesse.

— Ah, tínhamos uma bela casa à nossa disposição, mas não era onde queríamos morar. Betty queria aquela maldita casa, e nós tínhamos posição e dinheiro para comprá-la, mas não pudemos entrar nela. Não foi apenas aquele filho da puta, foi toda a vizinhança. — Yu afastou um fio de cabelo dos olhos. — Não nos querem. Portanto, vou para onde me querem. O que acha de a China ter sua própria força de ataque nuclear retaliatório? Como os franceses, hem? O que acha disso?