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— Vou pensar no assunto — disse Havergill, após ligeira hesitação.

— Para mim não basta — disse Dunross, com veemência.

— Vou pensar no assunto. Queira ter a bondade de ligar para o Tip...

— Quando vai ser a reunião? Se houver?

— Na semana que vem.

— Não. Hoje, como o Johnjohn está sugerindo.

— Disse que vou pensar no assunto — explodiu Havergill. — Agora, por favor, ligue para o Tiptop.

— Se você garantir que convocará a diretoria no mais tardar amanhã às dez!

A voz de Havergill tornou-se áspera.

— Não cederei à chantagem, como cedi da última vez. Se não quiser ligar para o Tiptop, ligo eu. Agora já posso. Se eles quiserem nos emprestar o dinheiro, emprestarão, seja Iá quem for que ligue para eles. Você já concordou com o negócio do tório, já concordou em se encontrar com Yu no mês que vem, nós concordamos em apoiar o negócio, seja Iá quem esteja à testa da Casa Nobre. Não tenho poder para conceder-lhe mais nenhum empréstimo. Portanto, é pegar ou largar. Estou pensando em convocar uma reunião de diretoria antes de a Bolsa abrir, na segunda-feira. É só o que lhe prometo.

O silêncio era pesado e elétrico.

Dunross deu de ombros. Pegou o telefone e discou.

— Weyyyyy? — atendeu uma voz feminina arrogante.

— O Honorável Tip Tok-toh, por favor — disse, em cantonense. — Aqui fala o tai-pan.

— Ah, o tai-pan! Ah, por favor, espere um momento. — Dunross esperou. Uma gota de suor ficou pendurada na ponta do queixo de Johnjohn. — Weyyyy? Tai-pan, o médico está com ele, ele está muito doente. Por favor, ligue mais tarde!

O telefone foi desligado antes que Dunross pudesse dizer qualquer coisa. Ele voltou a discar.

— Aqui fala o tai-pan, quer...

— Este telefone está terrível. — A amah falou duas vezes mais alto: — Ele está doente — berrou. — Ligue mais tarde.

Dunross ligou dali a dez minutos. Agora o telefone dava sinal de ocupado. Continuou tentando, sem sucesso.

Bateram à porta, e o caixa-chefe entrou, esbaforido.

— Desculpe, senhor, mas as filas não diminuem, e ainda temos quinze minutos até o banco fechar. Sugiro que limitemos os saques agora, digamos a mil...

— Não — disse Havergill, imediatamente.

— Mas, senhor, as caixas estão quase vazias. Não acha... — Não. O Victoria tem que continuar firme. Temos que continuar. Não. Continue pagando cada tostão.

O homem hesitou, depois saiu. Havergill enxugou a testa. Johnjohn também. Dunross discou de novo. Ainda ocupado. Pouco antes das três, tentou uma última vez, depois ligou para a companhia telefônica pedindo que verificassem o número.

— Está temporariamente enguiçado, senhor — disse a telefonista.

Dunross desligou o aparelho.

— Aposto vinte contra uma moeda de cobre como está fora do gancho deliberadamente. — O relógio marcava quinze e um. — Vamos ver como anda a Bolsa.

Havergill enxugou as palmas das mãos. Antes que pudesse discar, o telefone tocou.

— O caixa-chefe, senhor. Tudo... tudo bem, agora. O último cliente já foi pago. As portas já estão fechadas. O Blacs também conseguiu se safar, senhor.

— Ótimo. Verifique quanto restou no cofre-forte, depois ligue para mim.

— Graças a Deus é sexta-feira — disse Johnjohn. Havergill discou:

— Charles? Quais as últimas?

— O mercado fechou em baixa. Trinta e sete pontos. Nossas ações baixaram oito pontos.

— Pela madrugada! — exclamou Johnjohn. O banco nunca caíra tanto, nem mesmo durante os levantes de 56.

— A Struan?

— 9, 50.

Os dois banqueiros olharam para Dunross. O rosto dele estava impassível. Voltou a ligar para Tiptop enquanto o corretor continuava a enumerar as cotações do fechamento do pregão. Novo sinal de ocupado.

— Vou ligar de novo Iá do escritório — disse. — No momento em que conseguir falar com ele, telefono para vocês. Se não tiverem o dinheiro da China, o que vão fazer?

— Há apenas duas soluções. Esperamos pelas libras, e para isso o governador terá que decretar feriado bancário na segunda-feira, ou pelo tempo de que precisarmos. Ou aceitamos a oferta do Banco Mercantil de Moscou.

— Tiptop foi bem claro. Isso seria um tiro pela culatra. Esculhambaria Hong Kong para sempre.

— São as únicas soluções. Dunross se pôs de pé.

— Só há uma. A propósito, o governador lhe telefonou?

— Sim — respondeu Havergill. — Quer que abramos as caixas-fortes para ele, você, Roger Crosse e um tal de Sinders. Que história é essa?

— Ele não lhe contou?

— Não. Disse que era algo relacionado com a Lei dos Segredos Oficiais.

— Até as seis — disse Dunross, retirando-se. Havergill enxugou mais um pouco de suor com o lenço.

— A única coisa boa de tudo isso é que esse cretino arrogante está em piores dificuldades — murmurou, com raiva. Ligou para o número de Tiptop. E de novo. O telefone interno tocou. Johnjohn atendeu para Havergill.

— Pronto?

— Aqui fala o caixa-chefe, senhor. Restam apenas setecentos e dezesseis mil e vinte e sete HK no cofre-forte. — A voz do homem tremia. — Nós... é só o que nos resta, senhor.

— Obrigado.

Johnjohn desligou e contou a Havergill. O vice-presidente da junta diretora não lhes respondeu, apenas ligou mais uma vez para a casa de Tiptop. Ainda dava ocupado.

— É melhor iniciar um diálogo com o contato soviético. Johnjohn ficou vermelho.

— Mas é impossível...

— Faça-o! Faça-o agora!

Havergill, igualmente colérico, ligou de novo para Tiptop. Ainda ocupado.

Dunross entrou em seu escritório.

— O sr. Toda está aqui com a comitiva de costume, tai-pan.

Claudia não escondia o desagrado nem o nervosismo.

— Faça-os entrar, por favor.

— O sr. Alastair ligou duas vezes... pediu que ligasse para ele tão logo chegasse. E o seu pai.

— Ligo para eles depois.

— Sim, senhor. Eis aqui o telex da Nelson Trading da Suíça, confirmando que compraram o triplo da encomenda comum de ouro para a Great Good Luck Company de Macau.

— Ótimo. Mande uma cópia para o Lando imediatamente e solicite os fundos.

— Este telex é do Orlin Merchant Bank, confirmando que lamentam não poder renovar o empréstimo, e solicitando o pagamento.

— Mande-lhes o seguinte telex: "Obrigado".

— Verifiquei com a sra. Dunross. Chegaram bem.

— Ótimo. Consiga o telefone da casa do especialista de Kathy, para que eu possa ligar para ele, durante o fim de semana.

Claudia fez outra anotação.

— O jovem Duncan ligou de Sydney para dizer que teve uma excelente noite e que vem no vôo de segunda da Qantas. Eis aqui uma lista dos seus outros telefonemas.

Deu uma olhada na longa lista, perguntando-se fugazmente se o filho já não era mais virgem, ou se já o deixara de ser antes da linda Sheila. Pensar numa linda sheila fê-lo lembrar-se de novo da exótica Jade de Neve. "Curioso que se chamasse Jade de Neve... fazia lembrar tanto a Jade Elegante, que está em algum lugar de Taipé, dirigindo uma Casa de Muitos Prazeres. Quem sabe não chegou a hora de encontrar Jade Elegante e agradecer-lhe?" Mais uma vez, recordou o conselho do velho Chen-chen, quando estava à morte:

— Escute, meu filho — sussurrara o velho Chen-chen, a voz fraquejando —, nunca tente encontrá-la. Você a desprestigiará e tirará a beleza de vocês dois. Estará velha, seu Portão de Jade murcho. Seus prazeres derivarão da boa comida e do bom conhaque. As filhas do Mundo do Prazer não envelhecem graciosamente, nem com bom gênio. Deixe-a entregue à sua sorte e às suas lembranças. Seja bondoso. Seja sempre bondoso para com aquelas que lhe derem a juventude e o yin para socorrer o seu yang. Eeee, quem me dera ser jovem como você, outra vez...