— O que é que a Par-Con quer? E o que é que você e Linc Bartlett querem?
Ela hesitou, depois deixou Lady Joanna de lado por um momento, concentrando-se de novo.
— A Par-Con quer um negócio a longo prazo com a Struan... como "Velhos Amigos". — Ele viu o estranho sorriso. — Descobri o que significa "Velho Amigo" para os chineses, e é isso o que quero para a Par-Con. Status de Velho Amigo a partir do negócio fechado com o Royal Belgium.
— O que mais?
— Isso eqüivale a um sim?
— Gostaria de conhecer todos os termos antes de concordar com um deles.
Ela sorveu o conhaque.
— Linc não quer nada. Nem está sabendo disso tudo.
— Como disse? — perguntou Dunross, novamente desconcertado.
— Linc ainda não está sabendo do Royal Belgium — disse, numa voz normal. — Eu e Dave Murtagh bolamos isso tudo hoje. Não sei se estou lhe fazendo realmente um favor, porque... você estará correndo riscos, você, pessoalmente. Mas podia tirar a Struan da enrascada. Aí, nossa transação daria certo.
— Não acha que devia consultar seu intrépido líder? — falou Dunross, tentando decifrar as implicações desse rumo inesperado.
— Sou diretora-executiva, e a Struan é transação minha. Não nos custa nada, a não ser nossa influência para livrá-lo da sua armadilha, e é para isso que serve a influência. Quero que nosso negócio se concretize, e não quero que o Gornt seja o vencedor.
— Por quê?
— Já lhe disse. Você é o melhor para nós, a longo prazo.
— E você, Ciranoush? O que deseja? Em troca do uso da sua influência.
Os olhos dela pareceram apertar-se ainda mais e tornar-se mais avermelhados, como os de uma leoa.
— Igualdade. Quero ser tratada como igual, não com condescendência ou deboche, como uma mulher que está na empresa agarrada às fraldas da camisa de um homem. Quero igualdade com o tai-pan da Casa Nobre. E quero que me ajude a obter o meu dinheiro do dane-se... sem ter nada a ver com a transação da Par-Con.
— A segunda coisa é fácil, se estiver disposta a arriscar. E quanto à primeira, nunca a tratei com condescendência ou desprezo...
— Gavallan tratou, e os outros.
— ... e nunca o farei. Quanto aos outros, se não a tratarem como você deseja, saia da mesa de reuniões e do campo de batalha. Não force sua presença aos outros. Não posso torná-la igual. Você não é, e nunca será. É uma mulher e, queira ou não, o mundo é dos homens. Especialmente em Hong Kong. E enquanto eu for vivo, vou tratar o mundo como é, e uma mulher como uma mulher, seja Iá quem diabo ela for.
— Ora, vá se foder!
— Quando?
Ele abriu um amplo sorriso.
A risada repentina dela juntou-se à dele, e a tensão sumiu.
— Mereci isso — disse ela. Outra risada. — Mereci mesmo. Desculpe, acho que perdi o "traseiro".
— Como disse?
Ela explicou sua versão para "prestígio", "fachada". Ele riu de novo.
— Não. Ganhou o "traseiro". Após uma pausa, ela disse:
— Com que então, faça eu o que fizer, nunca poderei ter igualdade?
— Não no mundo empresarial, não em termos masculinos, não se quiser pertencer a esse mundo. Como já disse, queira ou não, é isso aí. E acho que você está errada ao tentar mudá-lo. A Bruxa foi incontestavelmente mais poderosa do que qualquer um na Ásia. E chegou Iá como mulher, não como neutra.
Ela estendeu a mão e ergueu o cálice de conhaque, e ele notou o volume do seu seio de encontro à blusa de seda leve.
— Que diabo, como é possível tratar alguém tão atraente e inteligente como você como um ser neutro? Tenha dó!
— A única coisa que estou pedindo, tai-pan, é igualdade.
— Sinta-se satisfeita de ser mulher.
— Ah, mas eu estou satisfeita, estou mesmo. — A voz dela tornou-se amarga. — Só não quero é ser classificada como alguém que só tem valor de verdade quando está deitada de costas. — Tomou um derradeiro gole e se levantou. — Bem, de agora em diante a bola é sua? Com o Royal Belgium? David Murtagh está esperando um telefonema. É uma jogada a esmo, mas vale a pena tentar, não acha? Quem sabe você não poderia ir se encontrar com ele, ao invés de mandar chamá-lo? Prestígio, hem? Ele vai precisar de todo o apoio que você puder dar. Dunross não se havia levantado.
— Por favor, sente-se um minutinho, se tiver tempo. Ainda há umas duas coisinhas.
— Mas claro. Não queria tomar mais o seu tempo.
— Primeiro, qual é o problema com o seu sr. Steigler?
— O que quer dizer?
Ele lhe contou o que Dawson relatara.
— Filho da puta! — exclamou, obviamente irritada. — Disse a ele que preparasse os papéis, só isso. Pode deixar que eu cuido dele. Os advogados sempre acham que têm o direito de negociar, de "melhorar o negócio", nas palavras deles, como se a gente fosse incompetente. Já perdi mais negócios por causa deles do que você pode imaginar. E o Seymour não é dos piores. Os advogados são a praga dos Estados Unidos. Linc também acha.
— E quanto ao Linc? — perguntou ele, lembrando-se dos dois milhões que ele adiantara ao Gornt para o ataque às ações da Struan. — Vai apoiar cem por cento esta nova jogada?
— Vai — disse, depois de uma pausa. — Vai.
A mente de Dunross buscava o pedaço que faltava.
— Quer dizer que você vai cuidar do Steigler, e continua tudo como antes?
— Você vai ter que resolver o problema dos títulos de propriedade dos navios, como combinamos, mas acho que não será difícil.
— Não. Posso cuidar disso.
— Você garantirá tudo pessoalmente?
— Sem dúvida — disse Dunross, descuidadamente. — Dirk vivia fazendo isso. É o privilégio do tai-pan. Ouça, Ciranoush, eu...
— Quer me chamar de Casey, tai-pan? Ciranoush é para uma era diferente.
— Está bem. Casey, quer isso dê certo ou não, você é uma Velha Amiga, e devo-lhe um agradecimento pela sua bravura, bravura pessoal, no dia do incêndio.
— Não sou valente. Devem ter sido as glândulas. — Deu uma risada. — Não se esqueça de que o fantasma da hepatite ainda nos ronda.
— Ah, também se lembrou disso.
— Foi.
Ela o fitava, e ele não conseguia avaliá-la exatamente.
— Eu a ajudarei com o dinheiro do dane-se — falou.
— De quanto precisa?
— Dois milhões, livres de impostos.
— Suas leis fiscais são rígidas e duras. Está preparada para burlá-las?
Ela hesitou.
— É direito de todo americano evitar os impostos, mas não sonegá-los.
— Já entendi. Portanto, na sua classe de renda, vai precisar de quatro.
— Minha classe é baixa, embora o capital seja alto.
— Quarenta e seis mil no San Fernando Savings and Loan não é muito — disse, sombriamente divertido ao vê-la empalidecer. — Oito mil e setecentos na sua conta corrente no Los Angeles and California também não é muito.
— Você é um filho da mãe.
— Simplesmente tenho amigos nas altas esferas — sorriu ele. — Como você. — Com naturalidade, abriu a armadilha.
— Você e Linc Bartlett querem jantar comigo, hoje à noite?
— Linc está ocupado — disse ela.
— E você? Às oito? Podemos nos encontrar no saguão do Mandarim.
Ele percebera a nuance e a traição involuntária na voz da moça, e quase podia ver as ondas revoltas da mente dela. "Com que então o Linc está ocupado!", pensou. "E com o que estaria ocupado, pelo tom de voz dela? Orlanda Ramos? Tem que ser", disse com seus botões, radiante por ter trazido à luz o motivo verdadeiro... o verdadeiro porquê da sua ajuda. Orlanda! Orlanda conduzindo a Linc Bartlett, conduzindo ao Gornt. "Casey morre de medo de Orlanda. Está morta de medo de que Gornt esteja por trás do ataque de Orlanda a Bartlett... ou está simplesmente louca de ciúmes, e pronta para puxar o tapete de sob os pés de Bartlett?"
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