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Houve um grande suspiro de alívio. Depois, Plumm perguntou:

— Devo avisar os outros? (Vamos nos encontrar hoje, conforme o combinado?)

— Não, não há motivo para incomodá-los hoje, podemos deixar para amanhã. (Não, vamos nos encontrar amanhã. )

— Ótimo. Obrigado pelo telefonema.

Crosse voltou pela rua movimentada. Muito satisfeito consigo mesmo, entrou no seu carro e acendeu um cigarro. "O que será que o Suslev — ou seus patrões — pensariam se soubessem que eu sou o verdadeiro Arthur, não Jason Plumm? Segredos dentro de segredos dentro de segredos, e Jason o único que sabe quem Arthur realmente é!"

Soltou uma risadinha abafada.

"O KGB ficaria furioso. Não gostam de segredos de que não estejam a par. E ficariam ainda mais furiosos se soubessem que fui eu que recrutei Plumm e formei a Sevrin, e não o contrário. "

Fora fácil arranjar a coisa. Quando Crosse fazia parte do Serviço de Informações Militar na Alemanha, no finzinho da guerra, murmuraram-lhe particularmente que Plumm, perito em sinais, estava operando um transmissor clandestino para os soviéticos. Em um mês, travara conhecimento com Plumm e verificara que era verdade, mas a guerra terminara quase imediatamente. Assim, guardara a informação para uso futuro... para negociar, ou quem sabe para o caso de querer mudar de lado. No ramo da espionagem nunca se sabe quando o estão incriminando, ou atraiçoando-o, ou vendendo-o, por algo ou alguém mais valioso. Sempre se precisa ter segredos para barganhar. Quanto mais importantes os segredos, mais seguro se está, porque nunca se sabe quando alguém, um subalterno ou um superior, cometerá o erro que o deixará desprotegido e impotente como uma borboleta num alfinete. "Como o Voranski. Como o Metkin. Como o Dunross, Grigóri Suslev, com suas impressões digitais tiradas do copo agora fichadas na CIA, e portanto preso numa armadilha que eu preparei. "

Crosse riu alto. Engrenou o carro e meteu-se no tráfego. "Mudar de lado e atiçá-los todos uns contra os outros torna a vida excitante", disse com seus botões. "É, os segredos realmente tornam a vida um bocado excitante. "

61

21h45m

Pok Liu Chau era uma ilhazinha a sudoeste de Aberdeen, e o jantar foi a melhor comida chinesa que Bartlett já provara. Estavam no oitavo prato, pequenas tigelas de arroz. Tradicionalmente, o arroz era o último prato de um banquete.

— Na verdade, você não devia comê-lo, Linc! — explicou Orlanda, rindo. — É uma forma de enfatizar ao anfitrião que você está quase estourando, de tão cheio!

— E é a pura verdade, Orlanda! Quillan, foi fantástico!

— Foi, foi, sim, Quillan — ecoou ela. — Escolheu magnificamente.

O restaurante ficava junto de um pequeno molhe perto de uma aldeia pesqueira — desmazelado, iluminado por lâmpadas sem proteção, mobiliado com mesas cobertas com oleados, cadeiras toscas e ladrilhos quebrados no chão. Por trás dele ficava uma fila de aquários onde a pesca do dia da ilha era guardada para venda. Sob a orientação do proprietário, tinham escolhido entre o que nadava no aquário: pitus, lulas, camarões, lagostas, siris e peixes de todos os tipos e tamanhos.

Gornt discutira o cardápio com o proprietário, acertando quais os peixes a serem escolhidos. Ambos eram peritos, e Gornt, um cliente importante. Mais tarde, tinham se sentado a uma mesa no pátio. Estava fresco, e tinham tomado cerveja, felizes com a confraternização. Todos sabiam que, ao menos durante o jantar, haveria uma trégua, sem necessidade de estarem em guarda.

Dali a pouco chegara o primeiro prato... montes de suculentos camarões dourados no óleo, com gosto de mar, deliciosos como nenhuns outros. Depois, polvos pequeninos com alho, gengibre, pimenta e todos os condimentos do Oriente. Depois asas de galinha frita, que comeram com sal marinho, um grande peixe abafado com soja, cebolinha fresca e gengibre, numa travessa, a cabeça, o pitéu do peixe, dado a Bartlett, como convidado de honra.

— Puxa, quando vi esta espelunca, desculpem, este lugar, achei que vocês estavam me gozando.

— Ah, meu caro — explicou Gornt —, é preciso conhecer os chineses. Não ligam para o ambiente, só para a comida. Ficariam muito desconfiados de qualquer restaurante que desperdiçasse dinheiro na decoração, nas toalhas de mesa ou em velas. Gostam de ver o que estão comendo... por esse motivo a luz é tão forte. Os chineses sentem-se muito bem quando estão comendo. São como os italianos. Adoram rir, comer, beber e arrotar...

Todos bebiam cerveja.

— Ela combina com a comida chinesa, embora o chá chinês seja melhor... é mais digestivo e contrabalança todo o óleo.

— Por que está sorrindo, Linc? — perguntou Orlanda. Estava sentada entre os dois.

— Por nada. Só estava pensando que vocês realmente sabem comer, aqui. O que é isso aqui?

Ela deu uma olhada no prato de arroz frito misturado com vários tipos de peixe.

— Lula.

— O quê?

Os outros acharam graça, e Gornt falou:

— Os chineses dizem que, se as costas delas dão para o céu, então pode-se comer. Vamos indo?

Logo que estavam a bordo e mar adentro, longe do molhe, foram servidos café e conhaque. Gornt disse:

— Querem me dar licença um instantinho? Tenho que trabalhar nuns papéis. Se sentirem frio, usem o salão da proa.

Foi Iá para baixo.

Pensativo, Bartlett ficou bebericando o conhaque. Orlanda estava à sua frente, os dois recostados em espreguiçadeiras no convés da popa. Subitamente, sentiu vontade de que aquele barco fosse seu, e eles estivessem sozinhos. Ela o fitava. Sem que ele pedisse, ela se aproximou e colocou a mão na nuca dele, massageando os músculos suave e habilmente.

— Que gostosura! — disse, desejando-a.

— Ah! — replicou ela, muito satisfeita — sou muito boa em massagem, Linc. Tomei aulas com um japonês. Costuma ser massageado regularmente?

— Não.

— Mas devia. É muito importante para o corpo, muito importante manter cada músculo ajustado. Você ajusta os motores do seu avião, não é? Então por que não o seu corpo? Amanhã vou providenciar isso para você. — Enfiou as unhas no pescoço dele, maliciosamente. — É massagista mulher, mas não pode ser tocada, heya?

— Qual é, Orlanda!

— Eu estava brincando, bobo — falou imediatamente, com vivacidade, afastando facilmente a repentina tensão. — A mulher é cega. Antigamente, na China — e isso ainda acontece hoje, em Formosa —, dava-se aos cegos o monopólio da arte e profissão da massagem, já que seus dedos são seus olhos. É, sim. Claro que há muitos vigaristas e charlatães. Em Hong Kong a gente logo sabe quem é bom e quem não é. Isto aqui é uma aldeiazinha. — Ela se inclinou para a frente e roçou os lábios contra o pescoço dele. — Isso é por você ser bonito.

— Eu é que tenho que dizer isso — ele riu. Abraçou-a, enfeitiçado, e deu-lhe um ligeiro aperto, muito cônscio do capitão ao leme, a três metros de distância.

— Quer ir ver o resto do barco? — perguntou ela.

— Você também lê pensamentos? — exclamou, fitando-a. Ela riu, o lindo rosto um espelho de alegria.

— Não é o papel da moça perceber se o seu... seu acompanhante está alegre ou triste, querendo ficar sozinho, ou outra coisa qualquer? E ensinaram-me a usar meus olhos e meus sentidos, Linc. Claro que tento ler seus pensamentos, mas se eu estiver errada você precisa me dizer, para eu melhorar. Mas, se estiver certa... não é muito melhor para você?

"E muito mais fácil prendê-lo de modo a que não possa escapar. Controlá-lo numa linha tão fina que você possa facilmente rompê-la, se o desejar. Minha arte consiste em tornar essa linha finíssima uma malha de aço.

"Ah, mas não foi fácil aprender! Quillan foi um professor cruel, oh, tão cruel! A maior parte da minha educação foi feita com raiva, com Quillan me xingando. "