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— Os tempos estão muito difíceis, senhor, nossas dívidas para com a companhia são imensas, e sua paciência e bondade são excessivas.

— Os tempos estão difíceis para todos — dissera-lhe.

— Infelizmente, desde a semana passada o departamento do meu marido não mais existe. No fim do mês, terá que sair da companhia, depois de dezessete anos de serviço, e não poderemos pagar o que lhe devemos.

— Eduardo Ramos é um bom homem, e facilmente encontrará outro emprego melhor.

— Yin ksiao shih ta — dissera ela —, perdemos muito por causa de uma coisa pequena.

— Joss — sentenciara ele, esperando que a armadilha estivesse preparada e que todas as sementes que plantara fossem finalmente dar frutos.

— Joss — concordara ela. — Mas existe Orlanda.

— O que é que tem Orlanda?

— Quem sabe podia ser uma mui jai.

Uma mui jai era uma filha dada por um devedor a um credor para sempre, como pagamento de dívidas que não poderiam ser pagas de outra maneira... para ser criada, usada ou dada a outrem, como o credor quisesse. Era um antigo costume chinês, e dentro da lei.

Gornt se recordava da satisfação que sentira. As negociações duraram várias semanas. Gornt concordara em cancelar as dívidas de Ramos (dívidas que Gornt encorajara habilmente), concordara em reempossar Ramos, dando-lhe uma modesta pensão e ajuda para estabelecer-se em Portugal, e em pagar os estudos de Orlanda nos Estados Unidos. Em troca, os Ramos prometeram entregar-lhe Orlanda, virgem e adequadamente enamorada, no ou antes do seu décimo oitavo aniversário. Não haveria recusa.

— Isso, por todos os deuses, será um segredo perpétuo entre nós. Também acho que seria igualmente melhor esconder dela esse segredo, senhor, para sempre. Mas nós sabemos, e ela saberá, onde fica a sua tigela de arroz.

Gornt abriu um sorriso. "Os anos bons valeram toda a paciência, o planejamento e o pouco dinheiro envolvido. Todos lucraram", disse consigo mesmo, "e ainda há satisfação por vir. "

"É", pensou, concentrando-se em Beldade da Neve.

— A vida é muito boa — disse, acariciando-a.

— Estou feliz de que esteja feliz, Honrado Senhor. Estou feliz também. O seu banho de chuveiro foi um presente dos deuses. Lavei o cabelo, tudo. — Sorriu. — Se não quer fazer ainda a brincadeira com seus amigos, quer ir para a cama comigo?

— Quero — replicou ele, encantado, como sempre, pela franqueza sem rodeios de uma parceira de cama chinesa. O pai lhe explicara, anteriormente:

— Você lhes dá dinheiro, elas lhe dão juventude, as Nuvens e a Chuva, e o entretêm. Na Ásia, é uma troca justa e honrada. Quanto maior a juventude delas, os risos e a gratificação, mais você deve pagar. Esse é o acordo, mas não espere romance ou lágrimas de verdade. Apenas divertimento e sexo por algum tempo. Não abuse do que é justo!

Alegremente, Gornt se despiu e deitou-se ao lado dela. A moça correu as mãos pelo peito dele, os pêlos escuros, os músculos esguios, e começou. Logo estava fazendo os pequenos ruídos de paixão, encorajando-o. E embora a mama-san lhe tivesse dito que esse quai loh era diferente, e que não haveria necessidade de fingir, lembrou-se instintivamente da primeira regra de uma parceira de cama:

"Nunca deixe o seu corpo se envolver com um freguês, pois então você não poderá atuar com gosto ou audácia. Nunca se esqueça; quando estiver com um quai loh, deve sempre fingir que está adorando, que atingiu as Nuvens e Chuva, caso contrário ele a considerará uma afronta à sua masculinidade, de alguma forma. Os quai loh são incivilizados, e jamais entenderão que o yin não pode ser comprado, e que seu presente da cópula é exclusivamente para o prazer do freguês".

Quando Gornt acabou e seu coração voltou ao normal, Beldade da Neve saiu da cama e foi para o banheiro, onde tomou outro banho de chuveiro, cantando alegremente. Eufórico, ele descansou e colocou as mãos sob a cabeça. Logo ela voltou, trazendo uma toalha.

— Obrigado — disse. Ele se enxugou, e ela voltou a deitar ao seu lado.

— Ah, sinto-me tão limpa e maravilhosa! Quer mais uma vez?

— Agora não, Beldade da Neve. Agora pode descansar. Vou deixar minha mente vagar. Deixou o yang muito satisfeito. Informarei à mama-san.

— Obrigada — disse ela polidamente. — Gostaria que fosse meu freguês especial.

Ele balançou a cabeça, satisfeito com ela, com seu calor e sensualidade. Quando seria melhor para ela subir ao convés?, perguntou-se de novo, certo de que Bartlett e Orlanda estariam ali agora, e não na cama, como estaria uma pessoa civilizada.

Deu uma risadinha abafada.

Havia uma vigia ao lado da cama, e ele podia ver as luzes de Kowloon à distância, Kowloon e o arsenal da marinha de Kowloon. Os motores roncavam docemente, e dali a um momento ele saiu da cama e se dirigiu para o armário, onde havia camisolas, roupas de baixo, robes multicoloridos caríssimos e finos vestidos que comprara para Orlanda. Divertia-o guardá-los para outras usarem.

— Enfeite-se bastante e vista isso. — Entregou-lhe um cheong-sam longo de seda amarela, que tinha sido um dos prediletos de Orlanda. — Sem nada por baixo.

— Pois não. Puxa, mas como é lindo! Ele começou a vestir-se.

— Se minha brincadeira der certo, você pode ficar com ele, como gratificação — falou.

— Ah! Então, tudo será como deseja — disse, fervorosamente, e sua cobiça sincera fê-lo achar graça.

— Vamos primeiro largar meus passageiros no lado de Hong Kong. — Apontou pela vigia. — Está vendo aquele grande cargueiro, o que está atracado no cais, com a bandeira da foice e do martelo?

— Ah, sim, senhor. O navio agourento? Já estou vendo!

— Quando passarmos por ele, por favor, suba ao convés.

— Compreendo. O que devo dizer?

— Nada. Apenas sorria docemente para o homem e para a mulher, depois para mim, e volte de novo para cá e me espere.

Beldade da Neve riu.

— Só isso?

— É, seja apenas meiga, linda e sorria... especialmente para a mulher.

— Ah! Devo gostar dela ou odiá-la? — perguntou imediatamente.

— Nem uma coisa nem outra — replicou ele, impressionado com a argúcia dela, cônscio de que as duas se odiariam à primeira vista.

Na intimidade da sua cabine no Soviétski Ivánov, o comandante Grigóri Suslev terminou de codificar a mensagem urgente, depois sorveu um pouco de vodca, verificando outra vez o cabograma.

"Ivánov para o Centro. Arthur informa que as pastas podem ser falsificadas. O amigo dele me dará as cópias hoje à noite. Encantado por informar que o amigo de Arthur também interceptou a informação do porta-aviões. Recomendo que receba uma bonificação imediata. Mandei cópias extras para Bangkok, pela mala postal, e também para Londres e Berlim, como medida de segurança. "

Satisfeito, recolocou os livros de código no cofre e trancou-o, depois pegou o telefone.

— Mande para cá o sinaleiro de serviço. E o imediato. Destrancou a porta da cabine, voltou e foi olhar pela vigia para o porta-aviões, do outro lado do porto. Logo viu o barco de passeio perto do seu navio. Reconheceu o Sea Witch. Casualmente, apanhou o binóculo e focalizou-o. Viu Gornt no convés de ré, uma moça e outro homem, de costas para ele, sentados à volta de uma mesa. As lentes de alta potência varreram o navio, e sua inveja cresceu vertiginosamente. "Aquele filho da mãe sabe viver", pensou. "Que beleza! Se eu pudesse ter um barco desses no mar Cáspio, ancorado em Baku!

"Não é esperar demais", disse com seus botões, vendo o Sea Witch passar, "não depois de tantos serviços, tão lucrativos para a causa. Muitos comissários têm... os mais antigos”.

Novamente, voltou a focalizar o grupo. Outra moça subiu ao convés, uma beldade asiática, e então ouviu-se uma batidinha polida à porta.

— Boa noite, camarada comandante — disse o sinaleiro. Pegou a mensagem e assinou o recibo.

— Envie-a imediatamente.

— Sim, senhor.