Выбрать главу

— Depois, novamente para Armstrong ainda, com bom humor forçado: — Quem vai ganhar o quinto páreo, superintendente?

— Quem me dera saber, senhor!

Suslev foi em frente, conduzindo-os até o pequeno salão de oficiais que ficava ao lado do seu camarote.

— Sentem-se, sentem-se! Posso oferecer-lhes chá ou vod-ca? Ordenança, chá e vodca!

As bebidas logo chegaram. Expansivamente, Suslev serviu a vodca, embora os dois policiais a tivessem recusado polidamente.

— Prosit — disse, e riu jovialmente. — Bem, qual é o problema?

— Parece que um membro da sua tripulação está envolvido em espionagem contra o governo de Sua Majestade — disse Armstrong cortesmente.

— Impossível, továrich! Por que está brincando comigo, hem?

— Prendemos um. O governo de Sua Majestade está realmente muito aborrecido.

— Este é um pacífico navio mercante. Vocês nos conhecem há anos. Há anos que o seu superintendente Crosse nos observa. Não temos nada a ver com espionagem.

— Quantos membros da sua tripulação estão em terra, senhor?

— Seis. Agora, ouça, não quero nenhum problema. Já tive problemas de sobra nessa viagem com um dos meus tripulantes inocentes assassinados por desconhe...

— Ah, sei, o falecido major Iúri Bakian, do KGB. Lamentável.

Suslev fingiu uma raiva mal-humorada.

— O nome dele era Voranski. Nada sei desse major de que está falando. Não sei nada, nada.

— Naturalmente. Bem, senhor, quando é que os seus marujos voltam da licença em terra?

— Amanhã, ao anoitecer.

— Onde estão eles? Suslev riu.

— Estão em terra, de licença. Onde mais estariam, se não com uma garota, ou num bar? Tomara que com uma garota, hem?

— Nem todos estão — disse Armstrong, friamente. — Pelo menos um deles está muito infeliz, no momento.

Suslev observava-o, contente por saber que Metkin estava desaparecido para sempre, e que não podiam usá-lo para blefar.

— Ora, vamos, superintendente, não sei de coisa alguma sobre espionagem.

Armstrong deitou as fotos de 20 X 25 na mesa. Mostravam Metkin entrando no restaurante, depois vigiado, depois sendo jogado no camburão, depois uma foto de identificação criminal, com terror no rosto.

— Khristos! — exclamou Suslev, com voz abafada, um ator e tanto. — Dmítri? Impossível! É outra prisão falsa! Meu governo...

— Londres já informou seu governo. O major Nikolai Leonov admitiu a espionagem.

Agora, o choque de Suslev era real. Não esperava que Metkin cedesse com tanta rapidez.

— Quem? Que foi que disse? Armstrong soltou um suspiro.

— O major Nikolai Leonov, do seu KGB. É o nome real dele, e o seu posto. Era também o comissário político deste navio.

— É... isso é verdade, mas o nome... dele é Metkin, Dmítri Metkin.

— É? Não faz objeção a que revistemos este navio? — disse Armstrong, começando a levantar-se. Suslev ficou estupefato, e Boradinov também.

— Ah, mas faço, sim — gaguejou Suslev. — Lamento, superintendente, mas faço objeção, formalmente, e devo...

— Se o seu navio não está envolvido em espionagem e é um cargueiro pacífico, por que faria objeção?

— Temos proteção internacional. A não ser que tenha um mandado de busca formal...

Armstrong meteu a mão no bolso, e o estômago de Suslev deu voltas. Teria que obedecer ao mandado de busca formal, e aí estaria arruinado, porque achariam mais provas do que jamais poderiam esperar. "Aquele maldito filho da puta do Metkin deve ter-lhes contado algo vital. " Tinha vontade de gritar de raiva, as mensagens cifradas e decifradas no seu bolso subitamente letais. Seu rosto perdera a cor. Boradinov estava paralisado. Armstrong tirou a mão do bolso, trazendo apenas um maço de cigarros. O coração de Suslev recomeçou a bater, embora sua náusea ainda fosse fortíssima. Resmungou:

— Matieriebiets!

— Sim? — perguntou Armstrong, inocentemente. — Algum problema, senhor?

— Não, não, nada.

— Aceita um cigarro inglês?

Suslev lutou para controlar-se, com vontade de meter a mão na cara do outro, por tê-lo tapeado. O suor porejava-lhe as costas e o rosto. Pegou o cigarro com mãos trêmulas.

— Essas coisas são terríveis, não? Espionagem e revistas, e ameaças de revistas.

— É. Talvez o senhor pudesse fazer o favor de ir embora amanhã, e não na terça-feira.

— Impossível! Estamos sendo caçados como ratos? — falou Suslev, sem saber até onde ousaria ir. — Terei que informar meu governo e...

— Por favor, faça isso. Por favor, diga-lhes que interceptamos o major Leonov do KGB, que o pegamos em pleno ato de espionagem, e que ele foi acusado de conformidade com a Lei dos Segredos Oficiais.

Suslev enxugou o suor do rosto, tentando ficar calmo. Somente o fato de saber que Metkin provavelmente já estava morto fazia com que não desabasse. "Porém, o que mais ele lhes contou?", ecoava o grito na sua cabeça. "O que mais?" Olhou para Boradinov, de pé ao lado dele, o rosto muito pálido.

— Quem é o senhor? — perguntou Armstrong vivamente, acompanhando-lhe o olhar.

— Imediato Boradinov — respondeu o homem mais jovem, com voz estrangulada.

— Quem é o novo comissário, comandante Suslev? Quem assumiu o posto do sr. Leonov? Quem é o membro do partido mais graduado a bordo?

Boradinov ficou cinzento, e Suslev, aliviado, porque a pressão sobre ele próprio fora um pouco relaxada.

— E então?

— É ele. O imediato Boradinov — disse Suslev. Imediatamente Armstrong fixou os olhos gélidos no homem mais jovem.

— Seu nome completo, por favor?

— Vassíli Boradinov, imediato — gaguejou o homem.

— Pois bem, sr. Boradinov, é responsável pela partida deste navio no máximo até a meia-noite de domingo. Está sendo formalmente avisado de que temos motivos para acreditar que poderão ser atacados pelos tríades, bandidos chineses. Corre o boato de que o ataque está planejado para as primeiras horas de segunda-feira... pouco depois da meia-noite de domingo. É um boato muito forte. Muito. Há muitos bandidos chineses em Hong Kong, e os russos roubaram um bocado de terras chinesas. Estamos preocupados com sua segurança e saúde. Acho que é de boa política... entendeu? Boradinov estava cinzento.

— Sim, sim, entendi.

— Mas, os meus... meus reparos — comentou Suslev —, se os meus repa...

— Por favor, providencie para que sejam completados, comandante. Se precisar de ajuda extra, ou de um reboque fora das águas de Hong Kong, basta pedir. Ah, sim, e se quiser ter a bondade de aparecer no quartel-general da polícia às dez horas de domingo... desculpe estragar o seu fim de semana.

— Como? — exclamou Suslev, empalidecendo.

— Eis aqui o seu convite formal. — Armstrong entregou-lhe uma carta oficial. Suslev aceitou-a. Já começava a lê-la quando Armstrong pegou uma segunda cópia e preencheu o nome de Boradinov. — Eis aqui o seu, comissário Boradinov. — Enfiou o papel na mão dele. — Sugiro que confinem o resto dos seus tripulantes a bordo, com exceção de vocês mesmos, é claro, e que mandem voltar prontamente para o navio os marinheiros que estão em terra. Estou certo de que terão muito o que fazer. Boa noite! — acrescentou, de modo surpreendentemente inesperado. Levantou-se e saiu do salão, fechando a porta atrás de si.

Fez-se um silêncio estupefato. Suslev viu Malcolm Sun se levantar e se dirigir vagarosamente para a porta. Levantou-se para segui-lo, mas se deteve quando o chinês voltou bruscamente para eles.

— Vamos pegá-los, todos vocês! — disse Sun, com ar malévolo.

— Por quê? Não fizemos nada — falou Boradinov, ofegante. — Não fizemos na...

— Espionagem. Espiões! Vocês do KGB acham que são muito espertos, matieriebiets!

— Dê o fora do meu navio! — rosnou Suslev.

— Vamos pegá-los todos... e não estou me referindo a nós, policiais... — Abruptamente, Malcolm Sun passou a falar num russo fluente. — Saiam das nossas terras, hegemonistas! A China está avançando! Podemos perder cinqüenta milhões de soldados, cem milhões, e ainda ter o dobro sobrando. Saiam enquanto ainda têm tempo!