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— O que foi? — perguntou.

— Boa noite, Sr. Bartlett — falou Gornt, dirigindo-se para junto deles, perto da luz. — Alô, Adryon.

— O que está fazendo aqui? — perguntou ela, com voz fina.

— Vim só por alguns minutos — replicou Gornt.

— Já viu papai?

— Já.

— Então, saia. Saia e deixe esta casa em paz.

Adryon voltou a falar na mesma vozinha fina. Bartlett a fitava.

— Mas que diabo está acontecendo?

Gornt disse, calmamente:

— É uma longa história. Pode esperar até amanhã... ou até a semana que vem. Só queria confirmar o nosso jantar na terça-feira... e se estiverem livres no fim de semana, quem sabe gostariam de passar o dia no meu barco. No domingo, se o tempo estiver bom.

— Obrigado, acho que sim, mas podemos confirmar amanhã? — indagou Bartlett, ainda intrigado com o comportamento de Adryon.

— Adryon — disse Gornt, suavemente —, Annagrey vai embora na semana que vem, e pediu-me que lhe dissesse para telefonar para ela. — Adryon não respondeu, apenas o fitava, e Gornt acrescentou, para os outros dois: — Annagrey é minha filha. Elas são boas amigas... freqüentaram as mesmas escolas quase a vida toda. Ela vai para a universidade, na Califórnia.

— Ah, então se houver alguma coisa que possamos fazer por ela... — disse Casey.

— Muita gentileza sua. Vocês a conhecerão na terça-feira. Quem sabe então possamos conversar a resoeito. Vou dar-lhes b...

A porta do outro extremo da sala de bilhar se abriu e Dunross apareceu.

Gornt sorriu e voltou sua atenção para os outros.

— Boa noite, Sr. Bartlett... Ciranoush. Até terça, para os dois. Boa noite, Adryon. — Fez uma leve curvatura para eles e atravessou toda a sala, depois parou. — Boa noite, Ian — falou, cortesmente. — Obrigado pela sua hospitalidade.

— Boa noite — respondeu Dunross, igualmente cortês, e se afastou, com um leve sorriso retorcendo-lhe os lábios.

Ficou vendo Gornt sair pela porta da frente, depois voltou a atenção para a sala de bilhar.

— Está quase na hora do jantar — falou, a voz calma. E cálida. — Devem estar mortos de fome. Eu estou.

— O que... o que ele queria? — perguntou Adryon, com voz trêmula.

Dunross acercou-se dela com um sorriso, acalmando-a.

— Nada. Nada de importante, benzinho. Quillan está amolecendo, com a idade.

— Tem certeza?

— Claro. — Envolveu-a com um dos braços, dando-lhe um apertão carinhoso. — Não precisa preocupar essa linda cabecinha.

— Ele já foi?

— Já.

Bartlett começou a abrir a boca, mas parou instantaneamente, ao perceber o olhar de Dunross, por cima da cabeça de Adryon.

— Pronto, está tudo bem, minha querida — dizia Dunross, dando-lhe outro abracinho, e Bartlett viu Adryon envolver-se naquele calor, e acalmar-se. — Não há com que se preocupar.

— Linc estava me mostrando como jogava sinuca e então... Foi tão repentino. Era como se ele fosse um fantasma.

— Eu também fiquei completamente atônito quando ele apareceu, como a Fada Má. — Dunross riu, depois acrescentou para Casey e Bartlett: — Quillan é muito teatral. — Depois, só para Bartlett: — Vamos conversar sobre isso depois do jantar, você e eu.

— Claro — disse Bartlett, notando que os olhos do outro não sorriam.

Soou o gongo anunciando o jantar.

— Ah, graças a Deus! — exclamou Dunross. — Venham todos, é a comida, finalmente. Casey, você está à minha mesa.

Ele manteve o braço carinhoso ao redor de Adryon, e levou-a para a luz.

Casey e Bartlett os acompanharam.

Gornt sentou-se ao volante do Silver Cloud Rolls preto que estacionara bem diante da Casa Grande. A noite estava agradável, embora a umidade houvesse aumentado outra vez. Estava muito satisfeito consigo mesmo. "E agora, jantar e Jason Plumm", pensou. "Logo que aquele sacana se comprometer, Ian Dunross pode se considerar acabado, e serei o dono desta casa e da Struan e da tralha toda!"

Não podia ter sido melhor: primeiro, Casey e Ian quase simultaneamente, e tudo exposto às claras diante deles. Depois, Havergill e Richard Kwang juntos. Depois Bartlett, no salão de bilhar, e depois Ian em pessoa, de novo. Perfeito!

"Agora, Ian vai pagar para ver, e Bartlett também, e Casey, Havergill, Richard Kwang, e o Plumm. Ah! Se eles soubessem!

"Tudo está perfeito. Exceto por Adryon. Tenho pena dela, é uma pena que os filhos tenham que herdar as rixas dos pais. Mas, é a vida, é o destino. Uma pena que não queira se mandar de Hong Kong, como Annagrey... pelo menos até que Ian Dunross e eu tenhamos acertado nossas contas definitivamente. Seria melhor que ela não estivesse aqui para vê-lo destroçado... nem Penelope. Azar delas se estiverem aqui, sorte se não estiverem. Quero que ele esteja aqui quando eu tomar posse do seu reservado nas corridas, do lugar permanente em todas as juntas diretoras, todas as sinecuras, na legislatura... ah, sim. Logo será tudo meu. Junto com a inveja da Ásia inteira."

Soltou uma risada. "É. E já não era sem tempo. Então, todos os fantasmas poderão descansar. Danem-se todos os fantasmas!"

Girou a chave na ignição e ligou o motor, curtindo o luxo do couro verdadeiro e da bela madeira, o cheiro forte e exclusivo. Depois, engrenou a primeira e foi descendo, passando pelo estacionamento onde estavam todos os outros carros, até chegar aos imensos portões principais de ferro batido, com as armas da Struan entrelaçadas. Parou para poder entrar no fluxo do tráfego, e enxergou a Casa Grande pelo espelho retrovisor. Alta, imponente, as janelas iluminadas, dando as boas-vindas.

"Logo serei realmente seu dono", pensou. "Darei festas aqui como a Ásia jamais viu, e jamais verá. Suponho que precisarei de uma anfitriã.

"Que tal a moça americana?"

Deu uma risadinha abafada.

— Ah, Ciranoush, que lindo nome! — falou em voz alta, com a mesma dose perfeita de charme másculo que usara anteriormente. "Essa vai cair feito um patinho", disse a si mesmo, Confiantemente. "Basta usar o charme do Velho Mundo e ótimos vinhos, comida leve mas excelente, e paciência... juntamente com o máximo da sofisticação masculina da classe alta inglesa, nada de palavrões, e ela cairá onde e quando você quiser. E depois, se escolher o momento correto, pode usar um palavreado de sarjeta e um pouco de brutalidade controlada, e porá a nu as paixões recolhidas dela como nenhum homem jamais o fez.

"Se saquei corretamente, ela está muito precisada de uma boa trepada. Portanto, ou Bartlett não está à altura, ou eles não são realmente amantes, como sugeriu o relatório confidencial. Interessante.

"Mas, você a quer? Como brinquedo... talvez. Como instrumento... é claro. Como anfitriã, não, entrona demais."

Agora o caminho estava livre, portanto ele saiu com o carro e foi até o cruzamento e virou à esquerda, e logo estava descendo a Peak Road, na direção da Magazine Gap, onde ficava o apartamento de cobertura de Plumm. Depois de jantar com ele, ia a um encontro, depois para Wanchai, para um dos seus apartamentos particulares, e o abraço quente de Mona Leung. Seu pulso se acelerou ao pensar no modo violento como ela fazia amor, com o seu ódio maldisfarçado por ele e todos os quai loh em permanente conflito com seu gosto pelo luxo, o apartamento que ele lhe emprestava e a quantia modesta que lhe dava mensalmente.

— Nunca lhes dê dinheiro suficiente — dissera-lhe seu pai, William, há muito tempo. — Roupas, jóias, férias... tudo bem. Mas nada de dinheiro demais. Controle-as com os dólares. E nunca pense que o amam por você mesmo. Não amam. É só o seu dinheiro, só dinheiro, e sempre o será. Pouco abaixo da superfície elas o desprezarão sempre. Isso é justo, se pararmos para pensar... não somos chineses, e nunca seremos.

— Não há exceções?

— Acho que não. Não para um quai loh, meu filho. Acho que não. Nunca aconteceu comigo, e olhe que conheci algumas. Oh, ela lhe dará o corpo, os filhos, até a vida, mas sempre o desprezará. Tem que ser assim, ela é chinesa e somos quai loh!