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Phillip Chen estremeceu involuntariamente, lembrando-se da violência sempre pronta para explodir em Ian Dunross. "Sem dúvida é um descendente do Demônio de Olhos Verdes", pensou. "É, ele e o pai dele.

"Maldito John! O que deu nele? Que patifaria tramou com Linc Bartlett? Será que a moeda agora está nas mãos de Bartlett? Ou será que John ainda está com ela? Quem sabe agora não estará nas mãos dos seqüestradores?"

Enquanto o seu cérebro cansado examinava as possibilidades, os dedos verificavam as caixas de jóias, uma por uma. Não faltava nada. Deixou a maior para o fim. Sua garganta estava apertada ao abri-la, mas o colar ainda estava lá. Soltou um grande suspiro de alívio. A beleza das esmeraldas à luz da lanterna elétrica deu-lhe um enorme prazer e afastou um pouco da sua ansiedade. Que cretinice da Bruxa Struan ordenar que o colar fosse queimado com seu corpo! Que desperdício arrogante, terrível, sacrílego, seria! Como seu pai fora sensato ao interceptar o caixão, antes de ser queimado, e retirar as esmeraldas!

Com relutância, recolocou o colar na caixa e começou a fechar o cofre. "O que fazer quanto à moeda? Quase a usei quando o tai-pan nos tirou as ações do banco... e a maior parte do nosso poder. É. Mas decidi dar-lhe tempo para provar o seu valor. Já estamos no terceiro ano e nada ainda foi provado, e embora o negócio americano pareça excelente, ainda não foi assinado. E agora a moeda desapareceu."

Gemeu em voz alta, perturbadíssimo, as costas lhe doendo como a cabeça. Podia ver toda a cidade lá embaixo, navios amarrados em Glessing's Point, e outros ancorados na baía-Kowloon estava igualmente brilhante, e podia ver um avião a jato decolando de Kai Tak, outro virando-se para pousar, outro sobrevoando bem alto, as luzes piscando.

"O que fazer?", perguntava-se incansavelmente. "Será que Bartlett está de posse da moeda? Ou John? Ou os Lobisomens?

"Nas mãos erradas poderia destruir-nos a todos."

Terça-feira

18

0h36m

— É claro que Dunross podia ter mexido nos meus freios, Jason! — disse Gornt.

— Ora, qual é, pelo amor de Deus! Meter-se debaixo do seu carro durante uma festa com duzentos convidados à solta? Ian não é assim tão burro.

Estavam na cobertura de Jason Plumm, acima de Happy Valley, o ar da meia-noite gostoso, embora a umidade houvesse aumentado de novo. Plumm levantou-se e jogou fora a guimba do charuto, pegou um novo e acendeu-o. O tai-pan das Propriedades Asiáticas, a terceira maior hong, era mais alto do que Gornt, estava com cinqüenta e muitos anos, tinha rosto magro e elegante e usava um paletó caseiro de veludo vermelho.

— Até mesmo o maldito Ian Dunross não é um idiota tão chapado — repetiu.

— Errado. Apesar de toda a sua astúcia de escocês, é um animal impulsivo, e esta é a sua falha. Acho que foi ele.

Plumm formou um triângulo com os dedos, pensativo.

— O que foi que a polícia disse?

— Tudo o que lhes disse foi que meus freios haviam pifado. Não havia necessidade de envolver esses sacanas abelhudos, pelo menos não por enquanto. Mas os freios de um Rolls não pifam assim sozinhos, sem mais nem menos, pelo amor de Deus. Bem, deixe para lá. Amanhã farei com que Tom Nikklin me dê uma resposta, uma resposta definitiva, se houver uma. Tempo bastante para se chamar a polícia, então.

— Concordo. — Plumm deu um sorriso seco. — Não precisamos da polícia para lavar a nossa roupa suja... não importa o quão estranha seja... não é?

— É.

Os dois homens riram.

— Você teve muita sorte. A Peak Road não é uma estrada boa para se descer sem freios. Deve ter sido muito desagradável.

— Foi, por um momento, Jason, mas depois não houve problema, após passado o choque inicial. — Gornt floreou a verdade e bebeu o seu uísque com soda. Haviam saboreado um elegante jantar no terraço que dava para o Happy Valley, a pista de corridas, a cidade e o mar logo além, os dois sozinhos — a mulher de Plumm estava de férias na Inglaterra, e seus filhos já estavam crescidos e não moravam mais em Hong Kong. Agora, fumavam charutos sentados em amplas poltronas no escritório cheio de livros de Plumm, a sala luxuosa mas discreta, de muito bom gosto, como o resto da cobertura de dez cômodos. — Se há alguém que poderá descobrir se mexeram no meu carro, é Tom Nikklin — disse, resolutamente.

— É. — Plumm bebia um copo de Perrier gelada. — Vai dar corda de novo no jovem Nikklin sobre Macau?

— Eu? Deve estar brincando!

— Não. Para falar a verdade, não estou — replicou Plumm, com sua risadinha zombeteira e bem-educada. — O motor de Dunross não explodiu durante a corrida, faz três anos, e ele quase bateu as botas?

— Sempre acontecem coisas com os carros de corrida.

— É, é verdade, embora nem sempre a oposição dê uma mãozinha.

Plumm sorriu.

Gornt conservou o seu sorriso, mas intimamente não sorria.

— O que isso significa?

— Nada, meu rapaz. Só boatos. — O homem mais velho se inclinou e serviu mais uísque para Gornt, depois usou o sifão de soda. — O boato é que um certo mecânico chinês, por uma pequena quantia, usou... digamos, usou uma chave de parafuso onde não devia.

— Duvido que seja verdade.

— Duvido que possa ser provado. De uma maneira ou de outra. É revoltante, mas certas pessoas fazem qualquer coisa por uma quantia bem pequena.

— É. Felizmente estamos no mercado das quantias grandes.

— Exatamente o que eu queria dizer, meu rapaz. Bem.

— Plumm deu uma batidinha e soltou a cinza do charuto. — Qual é o plano?

— E muito simples: desde que Bartlett não assine contrato com a Struan nos próximos dez dias, poderemos depenar a Casa Nobre como um pato morto.

— Muita gente já pensou assim antes, e a Struan ainda é a Casa Nobre.

— É. Mas, no momento, estão vulneráveis.

— Como?

— As promissórias das Indústrias de Navegação Toda, e a prestação do Orlin.

— Não é verdade. O crédito da Struan é excelente... claro, eles ultrapassaram o limite, mas não mais que outro qualquer. Apenas aumentarão a sua linha de crédito... Ian se dirigirá a Richard Kwang, ou ao Blacs.

— Digamos que o Blacs não ajude, e não ajudará, e digamos que Richard Kwang esteja neutralizado. Isso lhe deixa apenas o Victoria.

— Então Dunross pedirá mais crédito ao banco, e teremos que dá-lo. Paul Havergill levará o pedido à votação da diretoria. Todos sabemos que não podemos derrotar o bloco da Struan, portanto concordaremos, para não perder prestígio, fingindo que estamos muito contentes em conceder o crédito, como sempre.

— É. Mas, desta feita, folgo em dizer que Richard Kwang votará contra a Struan. Haverá empate, o pedido de crédito será adiado... ele não conseguirá fazer seus pagamentos, e Dunross afundará.

— Pelo amor de Deus, Richard Kwang nem faz parte da diretoria! Você ficou maluco?

Gornt fumava o seu charuto.

— Não. Você esqueceu o meu plano de jogo. Aquele chamado Competição. Começou faz dois dias.

— Contra Richard?

— É.

— Pobre do velho Richard!

— É. Ele será o nosso voto decisivo. E Dunross jamais esperará um ataque vindo desse lado.

Plumm fitou-o.

— Richard e Dunross são grandes amigos.

— Mas Richard está encrencado. A derrocada do Ho-Pak já começou. Ele fará qualquer coisa para se salvar.

— Entendo. Quantas ações do Ho-Pak você vendeu a descoberto?

— Muitas.

— Tem certeza de que Richard não tem recursos para deter a corrida... que não pode arranjar fundos extras?

— Se conseguir, sempre podemos fazer abortar, você e eu.

— É, podemos, sim. — Jason Plumm ficou olhando a fumaça em espiral do seu charuto. — Mas mesmo que Dunross não consiga fazer os pagamentos dentro do prazo, isso não quer dizer que estará acabado.

— Concordo. Mas depois do "desastre" do Ho-Pak, a notícia de que a Struan não cumpriu seus compromissos fará suas ações caírem verticalmente. O mercado estará muito nervoso, haverá todos os sinais de uma queda da Bolsa no horizonte, e nós atiçaremos o fogo vendendo a descoberto. Não há nenhuma reunião de diretoria marcada para dentro de duas semanas, a não ser que Paul Havergill convoque uma reunião especial. E não o fará. Por que o faria? Quer sua fatia de ações de volta, mais do que qualquer outra coisa no mundo. Portanto, tudo será combinado com antecedência. Ele estabelecerá as regras para salvar Richard Kwang, e votar conforme os desejos de Paul será uma delas. Portanto, a diretoria deixa Ian em banho-maria por alguns dias, depois se oferece para aumentar o crédito e restaurar a confiança... em troca das ações do banco que a Struan possui... que já estão empenhadas como garantia do crédito, de qualquer forma.