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— Dunross jamais concordará... nem ele, nem Phillip Chen, nem Tsu-yan.

— Ou isso, ou a Struan soçobra... desde que você fique firme e tenha o controle da votação. Uma vez que o banco retire dele o seu bloco de ações... se você controla a junta diretora, e portanto o Victoria Bank, então ele está acabado.

— É. Mas digamos que ele consiga uma nova linha de crédito.

— Então ficará apenas muito machucado, quem sabe permanentemente enfraquecido, Jason, mas nós teremos um lucro, de uma forma ou de outra. É tudo uma questão de agir na hora certa, sabe disso.

— E Bartlett?

— Bartlett e a Par-Con são meus. Ele jamais entrará no navio da Struan, que está indo a pique. Eu me encarrego disso.

Depois de uma pausa, Plumm disse:

— É possível, sim, é possível.

— Você topa, então?

— Depois de Struan, como vai engolir a Par-Con?

— Eu não vou. Mas nós talvez pudéssemos. — Gornt apagou o charuto. — A Par-Con é um trabalho a longo prazo, e um grupo de problemas totalmente diferentes. Primeiro a Struan. E então?

— Se eu ficar com a divisão de propriedades de Hong Kong da Struan... trinta e cinco por cento de suas terras na Tailândia e em Cingapura, e mais meio a meio da operação deles de Kai Tak?

— Sim, tudo exceto Kai Tak... preciso dela para rematar a Ail Ásia Airways. Estou certo de que compreende, meu velho. Mas você tem lugar garantido na nova diretoria, dez por cento das ações ao valor nominal, lugares na junta diretora da Struan, é claro, e de todas as suas subsidiárias.

— Quinze por cento. E a presidência da junta da Struan, em anos alternados. Um ano eu, outro você.

— De acordo, mas eu serei o primeiro. — Gornt acendeu um cigarro. "Por que não?", pensou, expansivamente. "A essa altura, no ano que vem, a Struan já estará desmembrada, portanto sua posição de presidência é uma mera questão acadêmica, Jason, meu velho." — Então, tudo acertado? Podemos fazer um memorando conjunto, se você quiser, uma cópia para cada um.

Plumm sacudiu a cabeça, e sorriu.

— Nada por escrito, Deus nos livre! Tome. — Estendeu a mão. — De acordo.

Os dois homens trocaram um firme aperto de mão.

— Abaixo a Casa Nobre!

Os dois riram, muito satisfeitos com a transação combinada. A aquisição das terras que a Struan possuía faria das Propriedades Asiáticas a maior companhia imobiliária de Hong Kong. Gornt adquiriria o monopólio quase total de todo o transporte de carga aérea, marítima e das fábricas de Hong Kong... e a primazia na Ásia.

"Ótimo", pensou Gornt. "Agora, vou tratar de Wu Quatro Dedos."

— Se puder me chamar um táxi, já vou indo.

— Leve meu carro, meu chofer o...

— Não, obrigado, prefiro ir de táxi. Mas, de qualquer modo, obrigado, Jason.

Então Plumm telefonou para a zeladora do prédio de vinte andares que as Propriedades Asiáticas possuíam e administravam. Enquanto esperavam, brindaram um ao outro, à destruição da Struan e aos lucros que iam obter. Um telefone tocou no quarto ao lado.

— Dê-me licença um momentinho, meu velho.

Plumm cruzou a porta e deixou-a meio aberta às suas costas. Aquele era seu dormitório particular, que às vezes usava quando trabalhava até tarde. Era um quarto pequeno e impecável, à prova de som, decorado como se fosse uma cabine de navio, com um beliche embutido, alto-falantes que transmitiam música, um pequeno fogareiro e geladeira. E, num dos lados, um imenso e complicado equipamento de ondas curtas de radioamador, que fora o hobby permanente de Jason desde criança.

Ele atendeu ao telefone.

— Sim?

— O Sr. Lop-sing, por favor — disse uma voz feminina.

— Aqui não há nenhum Sr. Lop-ting — retrucou, com naturalidade___Lamento, é engano.

— Quero deixar um recado.

— Discou o número errado. Olhe no catálogo.

— Um recado urgente para Arthur: o Centro avisou por rádio que a reunião foi adiada até depois de amanhã. Fique a postos para instruções urgentes às seis horas.

Desligaram. Ouviu-se de novo o ruído de discar. Plumm franziu o cenho ao recolocar o aparelho no gancho.

Wu Quatro Dedos estava à amurada do seu junco com Poon Bom Tempo, vendo Gornt entrar na sampana que havia enviado para apanhá-lo.

— Não mudou muito nesse tempo todo, não é? — falou Wu, descuidadamente, os olhos apertados brilhando.

— Os demônios estrangeiros me parecem todos iguais, de qualquer modo. Quantos anos faz? Dez? — perguntou Poon, coçando as hemorróidas.

— Não, faz quase doze. Bons tempos aqueles, heya — disse Wu. — Grandes lucros. Muito bom subir rio acima na direção de Cantão, driblando os demônios estrangeiros e seus lacaios, o povo do presidente Mao nos dando as boas-vindas. É. O nosso povo no comando, e nem um só demônio estrangeiro à vista... tampouco algum funcionário gordo estendendo a mão para a graxa fragrante. A gente podia visitar toda a família e os amigos, então, sem problemas, heya? Não como agora, heya?

— Os vermelhos estão ficando durões, muito espertos e muito durões... piores do que os mandarins.

Wu voltou-se quando seu sétimo filho apareceu no convés. Agora, o rapaz usava uma camisa branca limpa, calças cinzentas e bons sapatos.

— Tenha cuidado — falou, com brusquidão. — Está certo de que sabe o que tem que fazer?

— Sim, Pai.

— Ótimo — disse Quatro Dedos, disfarçando o orgulho. — Não quero nenhum erro.

Ficou olhando enquanto ele se dirigia, desajeitadamente, para a prancha desconjuntada de tábuas que unia o seu junco ao seguinte, e daí para outros juncos, até chegar a um cais improvisado a oito barcos de distância.

— O Sétimo Filho já está sabendo de alguma coisa? — perguntou Poon, suavemente.

— Não, não, ainda não — falou Wu, com azedume. — Aqueles idiotas de merda, serem apanhados com as minhas armas! Sem as armas, todo o nosso trabalho será em vão.

— Boa noite, Sr. Gornt. Sou Paul Choy... meu tio Wu mandou-me vir lhe mostrar o caminho — disse o jovem, num inglês perfeito, repetindo a mentira que agora era quase verdade para ele.

Gornt parou, espantado. Depois continuou a subir as escadas desconjuntadas, com mais equilíbrio do que o rapaz.

— Boa noite — respondeu. — É americano? Ou apenas estudou lá, Sr. Choy?

— As duas coisas. — Paul Choy sorriu. — Sabe como é. Cuidado com a cabeça nas cordas... e está escorregadio como o diabo.

Virou-se e começou a mostrar o caminho de volta. Seu nome verdadeiro era Wu Fang Choi, e era o sétimo filho de seu pai com a terceira mulher, mas, quando nasceu, seu pai, Wu Quatro Dedos, lhe arranjara uma certidão de nascimento de Hong Kong, um gesto incomum para os moradores dos barcos, pusera o nome de solteira da mãe na certidão, acrescentara "Paul" e arrumara um dos seus primos para fazer o papel do pai de verdade.

— Ouça, meu filho — dissera Wu Quatro Dedos, tão logo Paul pôde compreendê-lo —, quando estiver falando em haklo no meu navio, pode me chamar de pai... mas jamais na frente de um demônio estrangeiro, mesmo em haklo. Todas as outras vezes, sou seu tio, somente um dos muitos tios. Compreendeu?