— Não! — grita outra vez.
— Christian, acorde.
Levanto o corpo com dificuldade, arrancando o lençol. Ajoelhando-me ao lado dele, agarro-o pelos ombros e o chacoalho, as lágrimas brotando em meus olhos.
— Christian, por favor. Acorde!
Seus olhos se abrem, cinzentos e assustados, as pupilas dilatadas pelo medo. Ele me olha meio perdido.
— Christian, foi só um pesadelo. Você está em casa. Está tudo bem.
Ele pisca várias vezes, olha ao redor de si em pânico e franze o cenho quando se dá conta do ambiente que o cerca. Então seus olhos voltam para mim.
— Ana — sussurra ele.
E, sem qualquer aviso, agarra meu rosto com as duas mãos, me puxa na direção do seu peito e me beija. Forte. Sua língua invade a minha boca, e sinto seu gosto de desespero e carência. Mal me dando chance para respirar, ele rola para cima de mim, os lábios colados nos meus, pressionando-me contra o colchão duro da cama de dossel. Com uma das mãos ele aperta minha mandíbula, e a outra, aberta, segura o alto da minha cabeça, mantendo-me parada enquanto ele abre minhas pernas com o joelho e se aninha, ainda de calça jeans, entre as minhas coxas.
— Ana — sussurra ele, ofegante, como se não acreditasse que estou ali.
Ele me fita por um segundo, permitindo que eu respire por um momento. Então seus lábios colam nos meus de novo, roubando minha boca para si, tomando tudo que eu tenho para dar. Ele solta um gemido alto, empurrando o quadril contra o meu corpo. Sua ereção, coberta pelo tecido da calça, pressiona minha pele macia. Ah… Solto um gemido, e toda a tensão sexual reprimida de antes extravasa, voltando à tona como uma vingança, alimentando meu organismo com desejo e necessidade. Guiado por seus demônios, ele beija meu rosto, meus olhos, minhas bochechas e o contorno do meu rosto com sofreguidão.
— Estou aqui — digo, tentando acalmá-lo, nossa respiração quente e ofegante se misturando. Envolvo seus ombros em meus braços e movimento a pélvis contra a dele, acolhendo-o em boas-vindas.
— Ah, Ana — balbucia ele, numa voz rouca e baixa. — Eu preciso de você.
— Eu também — sussurro de maneira incisiva, meu corpo desesperado pelo seu toque.
Eu o quero. E quero agora. Quero curá-lo. Quero me curar… Eu preciso disso. Sua mão desce e alcança o botão da calça, tateando por um momento e depois liberando sua ereção.
Puta merda. Eu estava dormindo há menos de um minuto.
Ele muda de posição, encarando-me por uma fração de segundo, suspenso sobre mim.
— Sim. Por favor — peço, minha voz áspera e cheia de desejo.
E, em um movimento brusco, ele se enterra dentro de mim.
— Ah! — grito, não de dor, mas de surpresa pela sua avidez.
Ele geme, e seus lábios encontram os meus novamente enquanto ele mete em mim repetidas vezes, sua língua também me possuindo. Ele se move freneticamente, compelido por medo, luxúria, desejo… amor? Não sei, mas eu o acolho dentro de mim a cada impulso, recebendo-o com prazer.
— Ana — murmura ele, quase inarticuladamente, e goza com força, se despejando dentro de mim, o rosto contorcido, o corpo rígido, antes de desabar com todo o peso em cima do meu corpo, ofegante, e me deixando na mão… de novo.
Puta merda. Esse não é meu dia. Eu o abraço, inspirando o ar para encher o pulmão e praticamente me debatendo de necessidade embaixo dele. Ele sai de dentro de mim e me abraça por uns minutos… muitos minutos. Finalmente, Christian balança a cabeça e se apoia nos cotovelos, aliviando um pouco do seu peso sobre mim. Ele me fita como se me visse pela primeira vez.
— Ah, Ana. Meu Deus. — Ele se inclina e me beija ternamente.
— Você está bem? — sussurro, acariciando seu belo rosto.
Ele aquiesce, mas parece agitado e definitivamente perturbado. Meu garoto perdido. Ele franze a testa e me olha hesitante, como se finalmente registrasse onde se encontra.
— E você? — pergunta ele, e noto preocupação na sua voz.
— Hmm…
Faço um movimento sinuoso por baixo dele, e após um momento ele sorri, um sorriso carnal que se abre devagar.
— Sra. Grey, você tem necessidades — murmura ele. E me beija rapidamente, para então pular da cama.
Ajoelhando-se no chão, ele me segura logo acima do joelho e me puxa na sua direção até que eu alcance a beirada da cama.
— Sente-se — murmura.
Com esforço eu me coloco sentada, meu cabelo caindo como um véu à minha volta, ao longo dos meus seios. Seu olhar cinzento sustenta o meu enquanto ele gentilmente abre ao máximo minhas pernas. Inclino-me para trás, apoiada nas mãos — sabendo muito bem o que ele vai fazer. Mas… ele acabou de… hum…
— Você é linda demais, Ana — sussurra ele.
Vejo sua cabeça com cabelo acobreado mergulhar e depositar uma trilha de beijos ao longo da minha coxa direita, rumo à parte de cima. Meu corpo inteiro se enrijece de expectativa. Ele ergue o olhar para mim, seus olhos escurecendo e semicerrados.
— Observe — diz ele com a voz áspera, e então sua boca está em mim.
Ai, meu Deus. Eu grito, o mundo concentrado no ápice das minhas coxas, e é tão erótico — Puta que pariu — olhá-lo. Ver sua língua agir no que parece ser a parte mais sensível do meu corpo. E ele não demonstra misericórdia alguma, provocando e atiçando, me venerando. Meu corpo se tensiona e meus braços começam a tremer, mal sustentando meu peso.
— Não… Ah — murmuro.
Delicadamente, ele enfia em mim um dos seus dedos compridos, e não consigo mais me conter: caio de costas na cama, saboreando sua boca e seus dedos tanto sobre minha pele quanto dentro de mim. Devagar e gentilmente, ele massageia aquele ponto tão, tão gostoso, bem dentro de mim. E então… eu chego lá. Explodo em volta dele, gritando uma versão incoerente do seu nome enquanto meu orgasmo intenso arqueia minhas costas, erguendo-me da cama. Acho que vejo estrelas, um sentimento primitivo e visceral… Aos poucos percebo que ele está acariciando minha barriga, beijando-me suave e docemente. Inclinando-me para baixo, acaricio seu cabelo.
— Ainda não terminei — avisa ele.
E, antes que eu volte completamente a Seattle, ao planeta Terra, ele está me buscando, agarrando meu quadril e me puxando para fora da cama, para onde ele ainda está ajoelhado, para seu colo, colocando-me sobre a sua ereção, que me aguarda.
Solto uma exclamação quando ele me penetra. Nossa…
— Ah, baby — sussurra ele, envolvendo-me em seus braços e ficando imóvel, afagando minha cabeça e beijando meu rosto. Ele flexiona o quadril, e o prazer avança quente e duro dentro de mim. Ele me segura e me levanta, erguendo sua virilha.
— Ai — gemo, e seus lábios estão nos meus de novo, enquanto ele, devagar, muito devagar, levanta e movimenta o corpo… levanta e movimenta. Jogo os braços em volta do pescoço dele, entregando-me ao seu ritmo suave e deixando que ele me leve aonde quiser. Flexiono as coxas, montando nele… está tão gostoso! Inclinando-me para trás, deixo a cabeça pender, minha boca bem aberta em uma expressão silenciosa de prazer, deleitando-me no amor que ele faz comigo tão suavemente.
— Ana — sussurra, e se inclina para baixo, beijando meu pescoço.
Segurando-me apertado, entrando e saindo devagar, me impelindo… mais e mais… no tempo certo e perfeito — uma espontânea força carnal. E de dentro, bem de dentro de mim, um delicioso prazer se irradia para fora, enquanto ele me segura tão intimamente.
— Eu amo você, Ana — diz junto à minha orelha, sua voz baixa e áspera, e me levanta de novo: subindo e descendo, subindo e descendo. Agarro seu pescoço e enterro minhas mãos em seu cabelo.
— Também amo você, Christian.
Abrindo os olhos, encontro-o me fitando, e tudo o que vejo é o seu amor, brilhando forte e nítido à luz suave do quarto de jogos, seu pesadelo aparentemente esquecido. E quando sinto meu corpo evoluir rumo ao alívio, percebo que era isso o que eu queria — essa conexão, essa demonstração do seu amor.